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Uma lágrima para Bebeto

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Obrigado pelo suor e também pelas lágrimas, Bebeto.

Você foi herói em cada jogo, mesmo sem entrar em campo. Você foi um de nós. Você é um de nós. Com Heleno de Freitas e João Saldanha para te receber, você estará em casa. Em família. Agora você é mais uma Estrela.

Obrigado pelo zelo e pelo amor que você tantas vezes demonstrou pelo seu time. Tantos episódios marcantes: a entrada ao vivo em programas de tevê para defender com veemência Dodô e o Botafogo, a reação forte ao peitar a polícia pernambucana e tentar proteger o zagueiro André Luís no estádio dos Aflitos, a emoção com as lágrimas derramadas por ver seu time roubado mais uma vez em uma final estadual. E, tempos depois, mesmo já consolidada a imagem depreciativa do gesto, dizer que tinha orgulho e não se arrependia, porque eram lágrimas de raiva, mas também lágrimas de um defensor incondicional do seu time do coração.

Bebeto era assim: veemente, intransigente, irascível, intenso, apaixonado. Como Heleno e João Saldanha. Sua saída intempestiva da presidência, quando praticamente abandonou o fim do mandato para aceitar uma proposta de emprego, magoou bastante a torcida. Mas, além da atitude, o que ele fez para tirar o Botafogo da Série B e ter o seu próprio estádio é coisa pra se guardar pra sempre do lado esquerdo do peito.

O coração de Bebeto parou de bater em território alvinegro, porque as únicas cores de sua vida foram o preto e o branco.

Bebeto, você morreu como viveu: com o Botafogo no Coração. Continuar lendo

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Precisamos de um líder, por Leo Cazes

O alvinegro Leo Cazes foi além do resultado de sábado: voltou no tempo e olhou um pouco para a frente para entender a temporada lamentável que o Botafogo atravessa. Eis a análise do Leo, que estava lá na caixa de comentários, mas merece – como outras – um destaque maior.

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Leo Cazes

Creio que talvez seja útil ir um pouco mais longe para entender o cenário desolador atual. Quando, no ano passado, o clube disputava os primeiros lugares e tinha dois ídolos em campo (além do Jefferson, Seedorf), o presidente disparava insistentemente contra a torcida. A culpa era nossa, dos torcedores, por um eventual fracasso. Vejam só: em vez de buscar a comunhão entre time, clube e torcida, o presidente dentista buscava responsáveis por futuros e possíveis fracassos (o que na época era ficar fora do G-4, sdds). Típico de quem busca alguém pra servir de trouxa e esconder a própria incompetência.
Com a vaga da (pré)Libertadores na mão, ele bota o estagiário de técnico (como definiram aqui genialmente) e manda embora os melhores jogadores. A torcida, uma eterna desconfiada desde aquela maldita final de Copa do Brasil em 99, acreditou, abraçou o time e fez algo que eu, em 26 anos como alvinegro, não me lembrava. Havia uma confiança, uma eletricidade no ar que não era comum. E aí? Aí a gente encontrou a dura realidade, um time abaixo da crítica que caiu na primeira fase numa das Libertadores mais fáceis das últimas décadas. O presidente não podia mais apontar o dedo para torcida. As máscaras foram caindo, a tragédia escondida pelos capos que mandam em General Severiano foi aparecendo.
Ano que vem vai ser difícil, muito difícil. E o outro também. E o outro também. O Botafogo precisa de um líder que abra o clube para o seu maior patrimônio: a torcida. Se o Botafogo somos nós, não podemos ser tratados como lixo, desrespeitados como torcedores, sendo obrigados a pagar preços de ingressos abusivos e ainda criticados pelo mandatário da vez. Nessa hora, eu me lembro de Alexandre Kalil, o homem que tirou o Atlético Mineiro do buraco. Kalil faz besteiras, deixará dívidas, mas ninguém pode questionar o quanto ele ama o clube. É passional, se equivoca diversas vezes, mas conseguiu reavivar uma comunhão entre time, clube e torcida. É isso que o Botafogo precisa.
Com Rogérios, Murilos e Mamutes o caminho só poderia ser a Série B. As eleições estão próximas e admito que não tenho muitas esperanças de mudança. Mas, como alvinegro, não vou desistir do Botafogo. Aceitar um fim melancólico, trágico seria dar uma vitória para os canalhas que jogaram o clube num lugar que não é o dele. Esse prazer eu não vou dar.
PS: O time é sofrível, depois do afastamento dos quatro é indigente, mas o Mancini erra tanto que não entendo como pode ser técnico profissional. Mesmo sendo obrigado a gerir um vestiário em frangalhos.
Saudações alvinegras.
Venceremos.

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E aí, concordam com o Leo? Eu assino embaixo.