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Uma lágrima para Bebeto

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Obrigado pelo suor e também pelas lágrimas, Bebeto.

Você foi herói em cada jogo, mesmo sem entrar em campo. Você foi um de nós. Você é um de nós. Com Heleno de Freitas e João Saldanha para te receber, você estará em casa. Em família. Agora você é mais uma Estrela.

Obrigado pelo zelo e pelo amor que você tantas vezes demonstrou pelo seu time. Tantos episódios marcantes: a entrada ao vivo em programas de tevê para defender com veemência Dodô e o Botafogo, a reação forte ao peitar a polícia pernambucana e tentar proteger o zagueiro André Luís no estádio dos Aflitos, a emoção com as lágrimas derramadas por ver seu time roubado mais uma vez em uma final estadual. E, tempos depois, mesmo já consolidada a imagem depreciativa do gesto, dizer que tinha orgulho e não se arrependia, porque eram lágrimas de raiva, mas também lágrimas de um defensor incondicional do seu time do coração.

Bebeto era assim: veemente, intransigente, irascível, intenso, apaixonado. Como Heleno e João Saldanha. Sua saída intempestiva da presidência, quando praticamente abandonou o fim do mandato para aceitar uma proposta de emprego, magoou bastante a torcida. Mas, além da atitude, o que ele fez para tirar o Botafogo da Série B e ter o seu próprio estádio é coisa pra se guardar pra sempre do lado esquerdo do peito.

O coração de Bebeto parou de bater em território alvinegro, porque as únicas cores de sua vida foram o preto e o branco.

Bebeto, você morreu como viveu: com o Botafogo no Coração. Continuar lendo

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Apaga a luz antes de sair, Bebeto

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Poucas vezes o desmanche de um time foi tão completo como no caso do Botafogo.

Primeiro, ainda no meio do ano, foi embora o técnico que o montou.

Na sequência, antes do fim do campeonato, o grande investimento do segundo semestre (Carlos Alberto) também disse adeus.

Aí, com a porteira aberta por conta dos salários atrasados, a debandada foi generalizada: Ferrero, Túlio, Jorge Henrique, Renato Silva, Diguinho, Lúcio Flávio, Wellington Paulista, Triguinho. Agora até o Alexandro se mandou, parece que para o Santo André. Sem que o clube tenha ganho um centavo em qualquer uma das negociações dos jogadores valorizados pela projeção obtida; pelo contrário, só a amortização da dívida.

Até aí, apesar do elevado número de baixas do time titular, não deixa de ser uma realidade do futebol brasileiro.

Mas a debandada até mesmo da presidência do clube, essa proeza fica para o currículo do Bebeto de Freitas.

Pois, alegando “choque de interesses”, ele decidiu não cumprir sua última semana de mandato como presidente para  assumir logo a diretoria de futebol do Atlético-MG. E deu uma entrevista coletiva nesse sábado para justificar essa decisão estapafúrdia.

A decisão só não foi mais absurda do que a resposta que ele deu ao ser questionado sobre os salários atrasados dos jogadores. Disse o presidente (ele pode não querer, mas ainda é presidente) que essa questão, como não foi resolvida por ele, passa a ser da nova diretoria.

Não, meu caro Bebeto; esse assunto – e essa dívida – lhe dizem respeito. E você deve responsabilidade aos jogadores que você contratou. Até porque foram seus colaboradores que incharam a folha salarial com contratações despropositadas, acima da realidade que o clube poderia comportar financeiramente. 

Aí o cara larga a presidência, resolve sua vida profissional para voltar a ser assalariado (certamente, com a exigência de pagamento em dia),  deixa o papagaio pendurado na janela de General Severiano e diz que agora, para ele, o “Botafogo é passado”?

Eu dispensaria a nova sessão de lágrimas em público (sim, o Bebeto chorou na coletiva) por um pouco mais de respeito ao cargo que ele ocupou com tanto mérito no primeiro mandato e que não honrou no seu último ano como presidente do Botafogo.

Mas já que resolveu sair antes da hora, Bebeto, pelo menos faz um favor pra gente: apaga a luz da sua sala. Para não aumentar ainda mais a dívida alvinegra que o novo presidente irá assumir.

Retrospectiva 2008: As grandes decepções

Antes de mais nada, uma observação: este post contempla apenas aqueles nos quais nós tínhamos algum tipo de expectativa. Os eméritos pernas-de-pau merecerão um comentário em separado nessa retrospectiva do FogoEterno.

1. Bebeto de Freitas

Esclarecimento: Não estou aqui aprovando ou rejeitando sua gestão, já devidamente elogiada pela seriedade fiscal, mas a imagem que o presidenteo do clube projetou em seu último ano à frente do Botafogo. Pelo comportamento público, incluindo a lamentável decisão de renunciar por conta da roubalheira no jogo contra o framengo na Taça Guanabara, pelas promessas não-cumpridas (grandes investidores no Engenhão, alguém viu, além do Visa, o setor fantasma?) e pelo virtual desaparecimento na reta final do campeonato (só foi visto ameaçando juiz) e por não ter conseguido manter os salários em dia, abrindo a porteira para a boiada de procuradores e jogadores deixarem General Severiano. Ah, contratou (ou permitiu que contratassem) o Escalada e o Zárate no mesmo ano: excesso de peso na bagagem enviada de Buenos Aires.

2. Lúcio Flávio e Carlos Alberto

Pela qualidade técnica de ambos, a dupla tinha tudo para comandar o time no Brasileirão. Jamais, porém, os dois juntos conseguiram justificar a fama de jogadores diferenciados, levando-se em conta que o futebol (ainda) é um esporte coletivo.

3. Jogos internacionais da Sul-Americana

Para quem deseja participar da Libertadores, as duas derrotas incontestáveis na Colômbia (América de Cáli) e Argentina (Estudiantes) nos mostraram que ainda é preciso muito feijão-com-arroz para a Estrela voltar a brilhar fora do Brasil.

4. Wellington Paulista

Um início arrasador no Carioca: gol de todo jeito, gol em clássico, chuva de gols nos miúras, e uma empatia incrível. Fez a gente até esquecer o Dodô. Depois, inexplicavelmente, se apagou e nos levou à loucura com a quantidade de gols perdidos, muitos deles em momentos decisivos (remember Buenos Aires) e um cai-cai incrível. Fez a gente até ter saudades do Dodô. 

5 – Castillo

O goleiro que chegou para resolver nosso grande problema de 2007 começou bem. Mas a sua Copa do Brasil foi lamentável – lembram do frangaço contra o River, em Bacabal? Era o prenúncio de algo pior, a atuação no Morumbi contra o curíntia: aquela falta do Chicão era perfeitamente defensável. E ele ainda conseguiu a proeza de errar TODOS os cantos escolhidos pelos batedores corintianos na decisão por pênaltis. No Brasileirão, alternou bons e maus momentos; jamais voltou a transmitir total segurança até se contundir.

Botafogo 1 x 2 São Paulo: A culpa é do Ney

                         

O destino pode ser caprichosamente cruel.

Quem diria que, no final de 2008, o Botafogo perderia um jogo importante pelos mesmos fatores que derrubaram o time em 2007:

– Falha grosseira do goleiro

– Erro grosseiro da arbitragem

– Vulnerabilidade defensiva no contra-ataque

– Descontrole emocional (sim, essa é para você, Bebeto)

Somados a esses três itens, o principal deles, mas que infelizmente ficará encoberto pelos problemas mais visíveis do jogo e que renderão dias de discussão desgastante e inútil: a incompetência do técnico do time na hora de escalar os onze titulares.

E é sobre isso que prefiro falar por aqui: o maior responsável pela derrota do Botafogo para o São Paulo chama-se Ney Franco.

Escalar três zagueiros e três volantes para jogar em casa, quando o time precisava da vitória, é de uma sandice inominável. E, além desses seis, ainda entregar a camisa 10 para Zé Carlos representa uma piada sem-graça, amarga.

Porque o Botafogo, com essa escalação, já entrou derrotado.  Confiar todo o “poder de ofensividade” a Wellington Paulista e Jorge Henrique chega a ser um crime de lesa-torcedor.

Se eu tivesse ido ao Engenhão,  pediria o dinheiro de volta assim que a escalação foi divulgada.

Resultado dessa covardia defensiva? Um passeio do time tricolor, com domínio total do meio-de-campo e o Botafogo pressionado, encolhido, assistindo de forma atabalhoada e perplexa, o desfile dos bambis: São Paulo Fashion Week em pleno Engenhão.

Ao perceber a linha de três zagueiros, o tricolor paulista alugou o meio-de-campo e desandou a chutar de fora da área, com Hernanes e Jorge Wagner – este último acertou um tiro no canto, que o Renan conseguiu salvar na ponta dos dedos, talvez a sua defesa mais difícil com a camisa alvinegra.

E o Botafogo? Sem ninguém para armar e nem acertar três passes consecutivos, o time só escapou da derrota parcial por um milagre. Apenas aos 31 minutos, o time conseguiu encadear quatro passes certos no ataque… e Alessandro escorregar e cair sentado, diante de seu marcador. Esse lance foi o retrato do primeiro tempo.

Jogadas perigosas? Só dois chutes desgovernados do Zé Carlos e um ataque aos 40 minutos, graças ao primeiro passe certo do Camisa 10, que resultou em escanteio.

E o que o Ney Franco achou dos primeiros 45 minutos? Ele gostou! “O jogo está equilibrado, as duas equipes estão jogando bem”, disse o nosso treinador. Fiquei com mais pena ainda de quem pagou ingresso.

Começa a segunda etapa e o Ney continua com o mesmo time, apesar da incrível dificuldade do Edson e do Leandro Guerreiro em conter o veloz ataque do time paulista. Somente aos 10 minutos, Ney Franco resolveu agir e fez duas mudanças: Fábio no lugar de Zé Carlos; Luciano Almeida substituindo Edson. O time melhorou instantaneamente e já tinha maior domínio quando…

Não, não vou culpar o Renan pela falha na reposição de bola que gerou o primeiro gol do São Paulo. Claro que foi o erro típico de um goleiro inexperiente, que está amadurecendo em público, passando por testes de fogo a cada partida. Mas, francamente, vocês acham que o Castillo teria resistido ao bombardeio são-paulino do início do jogo? Claro que não!

É uma falha terrível, mas que ficará como lição para o jovem goleiro alvinegro. É uma cicatriz a ser carregada – e lembrada, de tempos em tempos, para que ele não cometa mais esse erro.

(E não podemos também tirar o mérito do são-paulino Jean, que se aproveitou da falha e fez um golaço, num chute de rara categoria e precisão)

Na base da raça, e chegando ao ataque pela primeira vez com quatro jogadores, o Botafogo conseguiu empatar graças á esperteza do Wellington Paulista, após uma trombada de Fábio com Rogério Ceni. O time novamente dominava o jogo quando cometeu outra falha por displicência: Diguinho perdeu a bola, Leandro Guerreiro saiu correndo feito desesperado, mas a cena já estava escrita desde o início, com um gol de Hernanes.

Duas falhas individuais, dois gols do São Paulo.

A entrada de Lucas Silva deu maior volume e mobilidade ao time. Jorge Henrique passou a se movimentar com mais perigo e os ataques eram feitos em bloco – como deveria ter sido, desde o início. Foi assim que o Botafogo chegou ao gol de empate, erradamente anulado pelo bandeirinha, que enxergou um corta-luz no chute de Lucas. Okay, o Wellington levantou o pé, mas DEPOIS que a bola passou por ele – e nem próxima ao centroavante a bola passou. Um erro crasso, talvez o maior já sofrido pelo Botafogo dentro de seu estádio. E uma nova cicatriz na nossa pele.

Ao meu ver, porém, isso não justifica a atitude do Bebeto de ir até o campo e, totalmente descontrolado e aos berros, xingar o bandeirinha. Porque invadir o próprio estádio é um ato desesperado que desperta, imediatamente, a antipatia da mídia e não resolve absolutamente nada. Se o Bebeto precisa desabafar, que o faça em seu camarote ou no vestiário – jamais dentro de campo.

 A verdade, meus caros, é que, sem Carlos Alberto nem Lúcio Flávio, e um treinador que não dá chance de verdade aos seus reservas, as chances do Botafogo nessa partida eram bem reduzidas.  E o empate, que teria sido obtido com o gol anulado, não faria grandes diferenças para a classificação.

Vamos à Sul-Americana 2008 e 2009. É o que nos resta torcer.

E que o G-4 siga assim, com esses integrantes, até o final da competição.

Como eles atuaram?

Renan – Ótimo primeiro tempo, falha terrível na segunda etapa. Nota 5

Alessandro – Lerdo e sem poder ofensivo. Nota 4

Renato Silva – Esforçou-se, mas sem muito foco. Nota 4

André Luis – O melhor da zaga, ainda quase fez um golaço de falta. Nota 6

Edson – Lento e mal posicionado. Três zagueiros para quê? Nota 3 Deu lugar a Luciano Almeida, que não acrescentou quase nada. Nota 4

Túlio – O melhor volante no primeiro tempo. Só não conseguiu apoiar com eficiÊncia de outrora. Nota 5 Foi substituído por Lucas Silva, que deu velocidade e fez o gol anulado. Nota 6

Leandro Guerreiro – Voltou a ser o LG de 2008. Pena. Nota 4

Diguinho – Uma das piores atuações do ano. Nota 4,5

Zé Carlos – Camisa 10, a que já foi do Mendonça? Que heresia. Nota 3 Saiu para a entrada de Fábio, que soube fazer o jogo de centroavante que WP não conseguiu em todo o primeiro tempo e participou do primeiro gol. Nota 6

Jorge Henrique – Primeiro tempo simplesmente lamentável e irritante. Quando o time passou a ter atacantes, melhorou – tarde demais. Nota 4

Wellington Paulista – Nulo no primeiro tempo, bem na segunda etapa. Raça premiada com o gol. Nota 5

Ney Franco – Não culpem o Renan nem o bandeirinha: ele é o responsável pela derrota. Nota 1

Bebeto de Freitas – Poderia ter encerrado o seu mandato poupando a torcida de mais uma demonstração pública de descontrole emocional, que acaba contaminando os jogadores e ofuscando as principais deficiências do grupo e da comissão técnica que contratou. Nota Zero

Discussão certa, hora errada

Um registro preocupante.

A crise entre Bebeto e as torcidas organizadas, que ameaçam boicotar o Engenhão por conta do preço dos ingressos, explodiu às vésperas do jogo mais importante do Botafogo no primeiro semestre.

Segunda partida das quartas-de-final da Copa do Brasil; com uma vitória, faltarão mais quatro para uma vaga na Libertadores. Sem o total apoio da torcida, ficará mais difícil.

Faltou habilidade política da diretoria em postergar essa discussão para momento de menor tensão. Depois de encerrada a participação do Botafogo na Copa do Brasil, por exemplo.

Uma pena.

 

Nilton Santos: A luta pela vida

 Simplesmente de arrepiar a reportagem publicada em duas páginas da edição de hoje do Correio Braziliense sobre o duelo de Nilton Santos contra o mais implacável marcador que já enfrentou na vida: o Mal de Alzheimer. 

Impressiona o fato de, quando surge a lucidez, Nilton demonstra que continua amando o Botafogo com todas as forças que lhe restam aos 82 anos.

Eis alguns trechos da reportagem “O outono de um craque”, do excelente repórter Ricardo Miranda.

“Quem o vê reconhece imediatamente os olhos miúdos, o sorriso talhado no rosto, a voz rouca e baixa modulada agora num fiapo de som, o rosto marcante do outono de um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos, sucedido fora dos gramados por uma analista lúcido e grande contador de causos do futebol. Desfeita a miragem inicial, percebe-se que se está diante de um homem lutando bravamente por cada naco de vida, por cada segundo de lucidez. No quarto número 21 da bucólica clínica de paredes amarelas, que há um ano virou o lar de um dos grandes laterais-esquerdos da história do futebol, a Enciclopédia do Futebol, campeão mundial pela Seleção Brasileira em 1958 e 1962, o homem cujo lugar cativo já está reservado na história do futebol brasileiro trava diariamente seu duelo particular pela sobrevivência. E no próximo dia 16 de maio, as janelas do apartamento de 50 metros quadrados no terceiro andar da ala geriátrica da Clínica da Gávea, na zona Sul do Rio, vão amanhecer abertas para trazer para dentro o aroma dos eucaliptos e a brisa fresca que sopra sem parar no alto da Estada da Gávea. O ilustre paciente fará 83 anos.

 

LUCIDEZ E ESCURIDÃO

Nilton Santos vive hoje o crepúsculo de um grande ídolo. Segundo Maria Célia, sua companheira há 37 anos, que preserva a todo custo a imagem de seu grande amor, Nilton sofre de demência senil, uma deterioração neurológica progressiva e irremediável, que faz com que alterne momentos de lucidez com períodos na escuridão. Fala com dificuldades e não reconhece pessoas. Nilton também sofreu recentemente outro revés, uma dengue hemorrágica, da qual só se recuperou, segundo Célia, por um milagre. “As plaquetas dele chegaram a 50 (mil mm3). Mais um pouco e ele teria que ser transferido daqui”, conta ela. Agora, recupera-se de uma pneumonia. 
Deitado na cama, o olhar indecifrável, o corpo quase imóvel, muito mais magro (em parte por causa de dengue), Nilton dá a impressão para quem o conheceu antes que saltará de repente da cama e nos surpreenderá com sua gargalhada contida, exibindo os dentes da frente separados, divertindo-se com sua própria condição. Mas, infelizmente, não há brincadeira. Nem volta.

 

APOIO DO BOTAFOGO

O estado do ídolo mobiliza toda a direção do Botafogo, a começar do presidente Bebeto de Freitas, que deu ordem para que não sejam medidos esforços para garantir o conforto e a tranquilidade do maior patrimônio vivo do clube. O Botafogo paga todas as despesas de Nilton na clínica e colocou seu médico e cardiologista, Paulo Samuel, permanentemente na cabeceira do ex-jogador, a ponto de ser chamado pela família de “anjo da guarda”.

Nilton e Célia vivem de poucas rendas, especialmente da modesta aposentadoria de Nilton da LBA (Legião Brasileira de Assistência). “A sensação que sinto ao vê-lo assim é de tristeza, muita tristeza. Mas me conforta ver o Nilton cuidado da melhor forma possível. E isso graças ao Botafogo, especialmente ao Bebeto de Freitas, que teve a sensibilidade de permitir uma velhice melhor a um ídolo. Sem o Botafogo, não estaríamos aqui. Nem remédio para ele poderíamos comprar”, diz Célia.

SANTUÁRIO ALVINEGRO

Quarenta e quatro anos depois de sua última partida como jogador profissional, seu grande alimento continua sendo o Botafogo. A simples menção do nome faz com que sua fisionomia mude. Não por acaso o quarto que hoje é seu lar foi ‘decorado’ por Maria Célia para aconchegá-lo, cercado por medalhas, taças, fotos de todas as épocas e quadros pintados por ele a partir de 1990. A camisa 5 de Túlio, entregue pelo próprio volante, está guardada no pequeno armário. Uma mesa guarda um mosaico com as feições do então jovem jogador. Um sofá, próximo à cama, foi coberto com a bandeira do Botafogo. Almofadas, relógios, imãs de geladeira, tudo lembra o time da estrela solitária.

SORRISO NA DESPEDIDA

Quando consegue, Nilton assiste aos jogos do Botafogo. Assistiu parte da semifinal da Taça Guanabara contra o fluminense e, no intervalo, chutou e acertou o placar. “Só me chamem quando estiver 3 x 0″, avisou. O primeiro jogo da decisão contra o flamengo não viu e, aparentemente, ignora o placar. Nunca se sabe quando irá submergir e emergir de volta. Nilton se despede com um sorriso terno. Célia controla o choro. Pairam pelo quarto lembranças de outros ídolos do passado, do presente, de sempre, que sofreram de processos degenerativos semelhantes, como Leônidas da Silva, o Diamante Negro, e o húngaro Ferenc Puskas. Como eles, Nilton jamais terá que se preocupar com a memória. Para nós, ele nunca será esquecido. Nem hoje. Nem nunca.”

Assinantes podem ler a matéria, na íntegra, e ver as fotografias do quarto-santuário de Nilton no site do jornal (www.correiobraziliense.com.br).

Eis, senhores, o maior jogador-torcedor alvinegro de todos os tempos.

Por isso, defendo a idéia da mudança do nome oficial do Engenhão para Estádio Olímpico Nilton Santos.

Mais do que qualquer cartola, ele merece.

 

 

Boa, Bebeto!

Bem bom o bate-bola com Bebeto.

Foi no Arena SporTv da quarta. Tranqüilo, o presidente revelou os planos de ampliar a capacidade do Engenhão para 60 mil pessoas, admitiu que misturou emoção com razão após a final da Taça GB e chamou atenção para o fato de a força do time do Botafogo estar concentrada no meio-de-campo, que joga junto há três anos.

Também rendeu loas a Cuca, afirmando que, por ele, faria contrato de cinco anos com o nosso técnico. E que, por mais que tenham sido alguns membros da diretoria os responsáveis pelas contratações acertadas da temporada, os méritos do bom rendimento desses jogadores são todos do treinador.

Destacou a importância de ver o Botafogo não apenas como um time, mas como uma causa a ser defendida e valorizada. Em determinado momento, deixou transparecer mágoa com a imprensa, mas demonstrou maturidade para superar os temas que o aborreciam (como a saída de Joílson, por exemplo).

Mesmo discordando de alguns posicionamentos do nosso presidente, é sempre bom ouvi-lo falar com serenidade.

A paixão de Bebeto pelo Botafogo aparece em cada frase. Ele, ao contrário de outros presidentes, não precisa entrar em campo com os jogadores para ostentar seu amor pelo clube.