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Botafogo 4 x 1 Nova Iguaçu: Mané Clarêncio

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Quase metade do segundo tempo, 2×0 no placar, jogo praticamente resolvido, perguntei no Twitter se não era melhor tirar o Seedorf para poupá-lo para a nossa estreia na Copa do Brasil, na próxima quarta-feira, contra o Sobradinho, no Gama.

Ainda bem que o Oswaldo não me ouviu.

Pois, alguns minutos depois do meu tuíte, Seedorf fez a jogada mais impressionante do domingo. Chamou o seu marcador para dançar e aplicou um drible antológico, um drible desconcertante, um drible humilhante, um drible que tão cedo esqueceremos. O passado e o presente se converteram em um tempo só quando Seedorf incorporou Garrincha, entortou mais um João e se reapresentou ao mundo do futebol: Muito prazer, meu nome também é Mané Clarêncio. Nem nas nossas expectativas mais otimistas, à época da contratação, alguém poderia esperar que isso ocorreria.

Depois do drible garrinchesco, o passe preciso para a conclusão perfeita no peixinho de Lodeiro, mais um gol do uruguayo, nosso artilheiro no campeonato, e caminhando a passos largos para ser o grande destaque individual do time em 2013 (Clarence e Jefferson não entram nessa disputa).

Seedorf e Lodeiro, os dois faróis do time, transformaram um jogo banal em uma antologia de grandes momentos do futebol. Foi o suficiente para fazer um domingo feliz, e renovar a esperança de uma grande participação na Copa do Brasil, a partir de quarta, e no Brasileirão.

Notas destoantes do jogo? A má fase de Bruno Mendes, que mesmo quando faz a jogada certa, acaba tendo azar, como no primeiro gol de Lodeiro. Ele me parece perdido, sem encontrar posicionamento, pouco participando das jogadas criadas por Seedorf-Lodeiro-Vitinho. E alguns vacilos no sistema defensivo, que só comprovam que Marcelo Matos, Bolívar e Dória são titulares absolutos nesse time.

Agora é a vez de o pessoal de Brasília mostrar força e comparecer em massa na partida contra o Sobradinho.

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Quem sabe, lá no Bezerrão, o Clarêncio não volta a incorporar o Mané?

Fotos: Lancenet!

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Aqui tem ídolo, meu filho!

Maurício, ídolo do passado, e Maicosuel, ídolo do presente e do futuro, juntos no lançamento da camisa retrô oficial em homenagem ao nosso maior ídolo ofensivo: Mané Garrincha.

Nosso time não tem muita grana, mas ídolo é o que não falta em General Severiano, né não? Dá até pra alugar pra os que não tem nem ídolo nem estádio…

 

Velha enquete, nova enquete

Pessoal,
sei que a enquete anterior quase criou teia de aranha de tanto tempo que ficou à disposição dos fiéis frequentadores do FogoEterno. Mas, antes tarde do que nunca. Eis o resultado.
A pergunta, para quem não lembra mais, era – “qual o jogador do Botafogo que você mais idolatra?”.

Com 30% dos votos, venceu a opção que mais nos orgulha, por ser o retrato de uma trajetória gloriosa: “impossível escolher… o Botafogo tem ídolos demais!”. É, meus caros, digam o que quiserem, a flapress e seu comandante RMP podem espernear, mas ainda não inventaram nenhum Beltrame capaz de roubar a nossa história.

Na segunda colocação, com 24% de escolhas,ficou Mané Garrincha – ou seja, nosso eterno camisa 7 foi o vencedor da enquete. Nilton Santos (que contou com o meu voto, por toda a sua conduta irretocável dentro e fora de campo) teve 21% da votação.

Bem mais atrás, mas à frente de grandes nomes do passado, ficou Túlio Maravilha, com 12% dos sufrágios virtuais – certamente, a geração campeã brasileira em 1995 deve ter contribuído para esse percentual. Fechando a lista dos mais votados, empatados, Jairzinho e Dodô, com 4%.

Agora, para entrar de vez no clima da decisão do estadual, uma nova pergunta já pode ser respondida pelos leitores do FogoEterno.

Para vocês, quem é o maior destaque alvinegro no Carioca 2009 até agora? Desconfio que a eleição ficará concentrada entre dois nomes. E também desconfio que muita gente vai deixar para votar após os dois jogos da decisão…

Enfim, um trio ofensivo

 

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foto: Ronaldo de Oliveira//CB Press

O Reinaldo não se sentirá sozinho no ataque alvinegro na noite dessa quinta-feira no Bezerrão.

O Ney, em raro rasgo de ousadia, resolveu destrancar o ferrolho mineiro e formar o setor ofensivo com três atacantes, incluindo aí nessa conta o Maicosuel, que é um meia. O outro integrante do trio é o Jean Carioca, que terá a chance de confirmar a boa impressão que deixou em alguns jogos ao entrar no segundo tempo.

O objetivo do autor de “Na beira do caos” é claro: eliminar o jogo de volta.

Para isso, o Botafogo contará com a maioria absoluta da torcida, que promete incentivar o time o tempo inteiro. Vocês leram aqui, no treino até o Emerson ganhou grito de guerra.

Com a notícia de que 15 mil ingressos já foram vendidos até ontem, refaço minha previsão e aposto em público pagante de 18, 19 mil.

E você vai acompanhar o clima do jogo aqui no FogoEterno, com nosso enviado especial ao Bezerrão: o inabalável Vieira!

Do meio da galera alvinegra, ele vai municiar o blog com o ambiente antes, durante e depois da partida.

Não percam!

Acréscimo autopropagandístico: lá embaixo, ainda nessa página, fiz um acréscimo na carta para o Cuca, agradecendo a todos que se manifestaram após a divulgação no Lancenet! e lembrando de uma epístola semelhante que escrevi ano passado para o Dodô, após a saída do fluzinho da Libertadores. Aquela que termina assim: ” Dodô, você não apareceu nem na foto dos perdedores…”.

7/7/07: Nunca Fomos Tão Felizes (5) – Uma participação muito especial: O relato do Snoopy

                                         

INTENSO BOTAFOGO…ANTES DA TEMPESTADE

Por Fábio Snoopy, especial para o Fogo Eterno

Sem medo, afirmo categoricamente que a acachapante vitória de 4 x 0 sobre o Vasco da Gama foi a melhor partida do Botafogo em 2007. Raríssimas vezes eu vi, em um clássico estadual, uma equipe demonstrar tamanho volume de jogo, fazendo com que um placar desse tamanho ficasse pequeno.

 
E, por ironia do destino, foi ali que começou a derrocada do time do Cuca. Afinal, o artilheiro dos golaços, autor de dois naquela partida, foi escolhido para fazer o exame antidoping depois do jogo.
Mas o que tudo isso tem a ver com o jogo contra o Atlético/PR, ocorrido quase um mês depois, em Brasília, no Mané Garrincha, no dia 07/07/07? É que foi naquela semana, em que os botafoguenses da Capital Federal pareciam viver um sonho, que o desastroso resultado do exame veio à tona, trazendo a todos uma história até hoje muito mal contada e que fez estragos para o Botafogo. A diretoria, comissão técnica e os jogadores souberam do resultado antes do jogo. Nós, torcedores, não. Talvez porque precisávamos viver aquele sonho sem que nada o interrompesse.
Naquela semana, eu vivi ainda mais intensamente o Botafogo, graças à interdição do Maracanã por causa do Pan. E com 39º de febre, no inverno seco do Centro-Oeste, viajei quase 200 km de Brasília pra Goiânia, na quarta-feira, dia 04/07/07, para ver o difícil jogo contra o Goiás, então vice-líder da competição.
Mesmo sendo, nos últimos anos, freguês do alviverde naquele estádio, não saí tão satisfeito assim com o empate em 1 x 1, pois jogamos melhor e fomos prejudicados com a má atuação da arbitragem, que nos obrigou a jogar com um a menos boa parte do jogo, após a absurda expulsão do zagueiro Alex.
No dia seguinte, na quinta-feira, aquele grupo de jogadores que nos fizeram ter certeza de que ficariam tão eternizados quanto os heróis de 95 foi muito bem recebido na Capital. Antes do primeiro, e único, treino aberto ao público, na sexta-feira, no Mané Garrincha, a correria era por ingressos. Em Taguatinga, onde moro, foi o primeiro lugar em que eles acabaram. Então saí mais cedo para assistir o treino e tentar garantir o meu lá no estádio.
Um pouco antes, logo depois do almoço, resolvi passar na 308 Sul, onde fica a FogãoShop, pois era sabido que alguns jogadores iriam pra lá distribuir autógrafos. Quando cheguei, pensei que o carnaval tivesse mudado de data e que a quadra estivesse interditada para o famoso Pacotão, um bloco carnavalesco tradicional aqui em Brasília.  Com a rua lotada e o trânsito fechado, desisti e fui direto pro estádio.
Lá, consegui garantir meu ingresso e fui ver o treino.
Outra loucura.
Se não me engano, quase cinco mil pessoas estiveram lá, eufóricas. Nitidamente, uma torcida carente, que não se segurou e invadiu o gramado, tamanha era a empolgação. Lá, eu vi até sessão de ensaios de um casal de noivos (foto). E vi também um artilheiro com uma precisão incrível no treinamento de finalização. Mal sabia eu que uma tempestade estaria por vir, provocada por uma tal de femproporex.
No dia do jogo, a ansiedade era grande.
Já no estádio, o reencontro com um velho amigo de infância me fez ouvir uma frase que eu já tinha ouvido bastante depois da perda do Campeonato Carioca e da Copa do Brasil: “algo bom está guardado pra nós ainda neste ano”.
A atuação impecável que o Botafogo apresentou naquela partida, diante de 25.000 torcedores, me fazia ter ainda mais certeza disso. Leandro Guerreiro me deixava boquiaberto com impressionante regularidade;  Jorge Henrique voava a cada jogo; o Chefão comandava o meio com muita raça; para Juninho, sempre preciso nos combates, parecia não haver distância quando ele balançou a trave do meio da rua. Zé Roberto, que vinha muito mal, fez linda jogada na linha de fundo, moldurada com um genial corta-luz de Dodô, e exposta na galeria de arte com a conclusão perfeita de Lúcio Flávio.
Parecia uma orquestra sinfônica, ou um carrossel, como eu vi o PVC falar.
Para fazer pirar ainda mais a minha cabeça sonhadora, Dodô deixou o aniversariante do dia Joílson na boa pra fechar o placar. Mas como não é fácil a vida de um botafoguense, em uma rádio local, após o jogo, voltando do Mané, eu ouvi do técnico Cuca algo que não me tiraria a paz: “infelizmente, algo de ruim está prestes a aparecer para todos e que eu ainda não tenho autorização para contar”.
Imaginei que ele e/ou vários jogadores estivessem de saída, seduzidos pelas propostas do mercado externo. Antes, fosse…

Poucas horas depois, o site oficial do Botafogo anunciava o doping do nosso artilheiro, o camisa 7.
A camisa 7, que foi de Túlio Maravilha.
A camisa 7, que foi de Maurício.
A camisa 7, que foi de Mané Garrincha.
Tudo isso, no dia 07/07/07.

 

Não sei quanto a vocês, mas eu fiquei imensamente feliz com a participação especial do Fábio aqui no Fogo Eterno. Que texto sensacional, com riqueza de detalhes e emoção na medida certa! Valeu, Snoopy!

7/7/07: Nunca Fomos Tão Felizes (4) – Botafogo 2007, no traço alvinegro do artista J.Pereirinha

 

Chamo atenção para a expressão melancólica do Cuca, os meiões do Dodô, a latinha em frente ao Zé Roberto e ao galináceo passeando defronte ao Júlio César… 

O artista em questão, J.Pereirinha, nasceu em 1996. Ele espera que, ao contrário do pai, possa ver o Botafogo campeão brasileiro antes de completar 30 anos…

48 horas

                       

 

A biografia do Garrincha citada abaixo nas Páginas Alvinegras é sensacional, mas a capa sempre me incomodou por ser uma imagem melancólica do ídolo, já nos últimos dias.

Por isso, o Fogo Eterno inicia a contagem regressiva para domingo com a reprodução desse quadro do artista plástico carioca Rubens Gerchman, que retrata em cores fortes o momento da jogada maior do Mané: o drible. E prestem atenção na camisa do adversário que ficou para trás…

Quem sabe o Jorge Henrique, ao olhar essa imagem, não se inspira e parte para cima dos urubus?