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2015, o ano que começou

Reabertura do Engenhão, campanha para mudar o nome do estádio para Estádio Nilton Santos e o apelido para Niltão (eu apoio!), entrevistas esclarecedoras, valorização do torcedor alvinegro, credibilidade na hora de acertar as contas com a justiça, RENOVAÇÃO DO JEFFERSON…

Que saudades que eu estava de ver um botafoguense na presidência do Botafogo.

E, antes tarde do que nunca, um 2015 menos sofrido e mais alvissareiro a todos os alvinegros que por aqui se encontram.

 

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Cruzeiro 2 x 1 Botafogo: Os números enganam

Em setembro do ano passado, o Botafogo enfrentou o Cruzeiro no Mineirão. Foi um jogo duríssimo, no qual o alvinegro lutava para vencer e assim encostar no líder que seria o campeão brasileiro. Não deu. Depois de um primeiro tempo bem equilibrado, no qual o time da casa só conseguiu marcar nos acréscimos, a partida se decidiu na segunda etapa: Seedorf perdeu pênalti, o Botafogo esmoreceu de vez e o time azul fez 3×0, abrindo sete pontos de vantagem.

Eu estava lá. E o placar foi bem enganoso, injusto com um time que lutou o tempo inteiro e conseguiu equilibrar as ações em boa parte do jogo.

Na tarde desse domingo, o Botafogo voltou ao Mineirão para enfrentar o líder, contudo bem longe da condição de integrante do G4, de postulante ao título. A situação agora é bem outra. É de desespero. Não há mais Seedorf, salários em dia, titulares em condição de enfrentar de igual para igual qualquer time da Série A…

E o placar do domingo apontou mais uma vitória do Cruzeiro, só que dessa vez por apenas um gol de vantagem, apesar de, novamente, o time celeste ter marcado os três gols da partida: 2×1.

Os números enganam, os números mentem, os números não espelham o que acontece no gramado. Porque o Botafogo do ano passado vendeu muito mais caro a derrota no Mineirão: em 2014, em menos de 15 minutos, com duas falhas da zaga (Rodrigo Souto, improvisado, foi um desastre), o Botafogo já estava derrotado e o Cruzeiro tirou o pé.  Mesmo assim, continuou a comandar o jogo e só não fez mais porque a trave e Jefferson impediram a goleada.

O gol contra cruzeirense, ao fim da partida, mostrou que, se o alvinegro tivesse sido um pouco mais ambicioso e tentado chegar mais próximo das traves defendidas por Fábio, poderia ter saído do Mineirão com a sensação de ter chegado próximo de um empate. Mas o time parecia conformado com o 2×0, criando muito pouco e pouco se aventurando no ataque, por causa dos desempenhos nulos de Rogério, Murilo, Jobson, Bolatti: o Botafogo, por incrível que pareça, sentiu falta do Wallyson… ou, ao menos, das tentativas de finalização do Wallyson, pois Fábio quase não foi acionado pelos atacantes alvinegros.  Cazalberto ainda se movimentou, mas pouco criou e estava solitário no papel da ligação do meio com o ataque. E Ramírez, que entrou no segundo tempo… bem, Ramírez só mostrou porque a seleção peruana não conseguiu se classificar para a Copa do Mundo.

Com a zaga desfalcada e improvisada, diante do ataque mais positivo da competição, a derrota era até certo ponto previsível. E, com as falhas individuais, o jogo se definiu nos primeiros 20 minutos, com os dois gols marcados e a total incapacidade de reação alvinegra. Pra conseguir um resultado positivo em uma partida como essa, só jogando no limite – e isso não aconteceu.

Agora, no sábado à noite em Volta Redonda, o jogo contra o Atlético-PR ganha ainda mais importância. Conquistar três pontos será essencial para sobreviver. Mesmo que seja de 1×0. E caberá ao Mancini, ao longo da semana, treinar uma formação que garanta  ímpeto ofensivo desde os primeiros minutos.

Será que ele vai conseguir encontrar?

Botafogo 2 x 3 Santos: A grandeza de Gabriel

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Aconteceram tantas coisas surpreendentes (outras, infelizmente, nem tanto, como o próprio resultado, mais uma derrota em casa), na partida disputada na noite de quarta-feira no Maracanã que faltaria espaço na internet para comentar cada uma delas.

O fato de o ataque alvinegro ter jogado com mais constância depois da saída do Emerson, o registro de que o Botafogo conseguiu nos primeiros 20 minutos da partida ter um volume digno de um time mandante, os lances bisonhos mas também arrojados do Dankler (que falhou como um peladeiro no segundo gol santista, mas fez bela jogada no segundo gol botafoguense), a contusão do Jefferson, a segurança do Andrey ao sair nos pés do Robinho, os gols desperdiçados pelo Santos em lamentáveis falhas de marcação, a falta que faz o Aírton quando sai de campo, por aí vai.

Mas, de todos os aspectos, inclusive o fato de achar que o resultado não é irreversível pelo que aconteceu na fase anterior em Fortaleza, quero chamar a atenção para um fato dividido em três momentos, todos protagonizados pelo volante Gabriel. Ele falhou na desatenção no primeiro gol santista, mas se recuperou minutos depois ao fazer um belíssimo gol de cobertura. E, no fim do jogo, marcou mais um gol ao assumir, sem meias-palavras, mesmo sem perguntado: “Eu falhei”.

A grandeza de Gabriel combina com a grandeza da história e das tradições do Botafogo, com a grandeza de sua torcida, dos oito mil que foram ao Maracanã para incentivar, gritar e cantar o tempo inteiro, símbolos de uma paixão irracionalmente renovada, de um amor incondicional, de um sentimento que consegue sobreviver – e se fortalecer – mesmo em um momento tão crucialmente instável, de alternância entre o desalento e o desespero.

Que o futuro reserve ao Gabriel e ao Botafogo mais e melhores momentos de grandeza, tão belos quanto o gol que ele marcou, e que os erros que se acumulam nos últimos meses percam a visibilidade das feridas, mas se transformem em cicatrizes que os gigantes carregam no corpo mas não os impedem de continuar nas suas jornadas.

Gabriel ainda tem muito a crescer.  E o Botafogo não pode mais se apequenar.

Botafogo 1 x 2 Ceará: Presença solitária

“Para o torcedor, pior do que ver o seu time jogar mal é ver o seu time não jogar. Foi o que aconteceu no Maracanã”, definiu o comentarista Álvaro Oliveira Filho, da CBN.

Em duas frases, eis o resumo de mais um jogo lamentável na Copa do Brasil, em que o Botafogo decepcionou ao longo dos 90 minutos: excetuando alguns lampejos de Cachito e Aírton, os jogadores simplesmente não entraram em campo. Emerson e Ferreyra formaram um ataque improdutivo, sendo que o Sheik não fez nenhuma questão de tentar dividir as jogadas com seu companheiro. Para piorar, o recuo de Zeballos fez o futebol do paraguaio, se é que existe, sumir por completo. E, ainda pior, todos assistiram ao mistão cearense dominar amplamente o meio-de-campo e se aproveitar da Avenida Edilson para fazer dois gols no primeiro tempo. E só não foi mais porque…

Porque existe um goleiro chamado Jefferson. Um goleiro capaz de fazer quatro milagres em dois lances e, mesmo assim, ser vazado porque a sua defesa não o protege. Um goleiro que defende pênaltis como se cobrasse laterais. Um goleiro que merece ser o número 1 do Brasil porque é um dos melhores do mundo. Uma presença solitária. Um herói solitário. Uma estrela solitária.

Como disse o alvinegro Maurício Stycer no Twitter, “quem tem Jefferson perde de menos do que merecia”. É isso.

Felizmente temos Jefferson, infelizmente  não temos time.

E não temos diretoria capaz de reduzir o preço dos ingressos para incentivar a torcida a tentar ganhar os jogos na base do grito, como já ocorreu outras vezes esse ano. Sem pressão e sem qualidade, o Botafogo vira presa fácil, mesmo dentro de casa.

Botafogo 1 x 1 Cruzeiro: Ponto para o pacto

“A torcida do Botafogo serve de exemplo para todas as torcidas do futebol brasileiro”, declarou Emerson Sheik, ao sair de campo, depois do empate na noite de sábado.

A frase serve para simbolizar o único fato positivo ocorrido ao longo da semana, diante da explosão da crise financeira que contaminou o noticiário sobre o alvinegro. A união entre jogadores e torcida, vista no treino de sexta com faixa que criticava o amadorismo da diretoria,  está perto de se tornar um pacto: eles se esforçam ao máximo e jogam no limite, nós os aplaudimos e os apoiamos.

O ponto conquistado no Maracanã, diante do líder do campeonato e de evidente superioridade técnica (como demonstrado no segundo tempo, em contra-ataques rápidos e outras jogadas que só não culminaram na derrota por causa de mais uma atuação fantástica de Jefferson), serve como marco desse pacto. Porque o Botafogo teve que se empenhar MUITO para não ser superado. E assim o fez – não podemos acusar nenhum jogador de corpo mole, muito pelo contrário. Mas o time fez mais, muito mais do que diziam alguns comentaristas que cravaram que o resultado seria uma goleada azul: o alvinegro chegou a dominar uma grande parte do primeiro tempo, quando Carlos Alberto conseguiu jogar um pouco de futebol, e Bolatti ainda não tinha sido substituído. E também porque Emerson, de novo, fez a diferença, como no lance do gol, iniciado pelo Sheik, complementado por ótimo cruzamento de Lucas para o cabeceio certeiro de Edilson. Gol dos três e gol também do Mancini, que acertou na opção de jogar com os dois laterais de ofício.

O problema de atuar no limite é que as pernas vão acabando, e a falta de qualidade cobra o preço com a passagem do tempo. Por isso, o Cruzeiro foi ganhando território e desperdiçando finalizações. Foi o momento em que cresceram Dória e Jefferson (aliás, uma observação: se no placar o resultado foi a igualdade, no duelo dos goleiros Jeff aplicou uma goleada no Fábio).  Mancini percebeu, tirou os inoperantes Cazalberto e Rogério e o time passou a equilibrar as ações. No final, o empate refletiu o que aconteceu no campo. O resultado foi bom diante das circunstâncias, mas não fez tanta diferença para melhorar o nosso lugar na tabela – pelo contrário, já que rivais diretos na luta contra a degola pontuaram nesse sábado. Sim, infelizmente é a nossa realidade: brigar para não cair. E rezar para o dinheiro cair na conta dos jogadores.

Uma realidade difícil, de desalento, de desencanto. Mas que, por enquanto, não nos impede de sonhar. E eu tenho sonhos, muitos: queria ver Jefferson ganhar um título expressivo com a Estrela no peito, queria ter um atacante de qualidade ao lado do Emerson, queria ver um meio-de-campo mais dinâmico e rápido, queria ver o meu time no topo…

Mas, no momento, me contentaria com a realização de dois sonhos.

Eu tenho o sonho que o Botafogo não esteja no noticiário todo dia por causa de atraso nos salários.

E eu também tenho o sonho de voltar o dia em que não ficarei satisfeito com um empate em casa –  contra qualquer time do Brasil, inclusive contra o líder.

 

 

Deportivo Quito 1 x 0 Botafogo: O frágil embrião

Na minha cabeça e no meu coração, quando o Botafogo entrou em campo no estádio encravado no centro de Quito, parecia estar pronto para começar a acertar as contas com um passado inglório – e vexatório –  quando o assunto é Libertadores. O Botafogo da minha cabeça sufocaria o adversário bem diante da torcida local, impondo autoridade já nos primeiros minutos para começar a resgatar para as Américas o peso da camisa alvinegra e ostentar o brilho da estrela.

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O meu choque com o real começou quando vi o Botafogo entrar com a camisa branca. Bonita, linda na verdade; mas uma camisa…branca. E a realidade, logo nos primeiros minutos, foi dissipando o Botafogo da minha cabeça e atormentando o meu coração. Em vez de se impor, o time entrou recuado, nervosíssimo e cometendo erros primários de posicionamento. Tomou um gol por falha do Dória (e omissão do Julio Cesar) e só não foi mais vazado porque o Deportivo Quito passou a nos respeitar, pouco ameaçando o gol de Jefferson.

O meu coração começou a palpitar de preocupação: tomar um segundo gol tornaria a Missão Maracanã  muito mais complicada, quase impossível. E a minha cabeça não parava de balançar para os lados, insatisfeita com o que estava diante dos meus olhos: Dória muito nervoso, Edilson e Julio Cesar improdutivos, Ferreyra brigando com a bola (e pela bola). A decepção maior, contudo, foi constatar o desperdício de um dos nossos maiores talentos. Gabriel parecia estar o tempo inteiro perdido em seu posicionamento mais avançado; pouco combatia, quase nada atacava, raramente engrenava, parecia um recém-contratado que conheceu seus companheiros no vestiário.

Foi ali que a cabeça e o coração tiveram que se render aos fatos: dentro de campo, o Botafogo do início de 2014 é um time bem menos articulado do que o Botafogo 2013 – e, além da óbvia ausência de talentos individuais, fez falta a capacidade de Seedorf de “ler” o jogo e organizar o posicionamento de seus colegas. Desentrosado e tímido, o Botafogo de Húngaro ainda não é um time – e está muito longe de sê-lo. Precisa de tempo e de talento, ambos ausentes em General Severiano nesse início de Libertadores.

Sem maiores emoções, o jogo acabou com o mesmo placar do primeiro tempo: menos mal.

Agora é olhar para a frente. Penso que a classificação para a fase de grupos se tornará bem mais fácil se milhares de gargantas alvinegras estiverem reunidas na próxima quarta-feira no Maracanã. Pois o time equatoriano me pareceu limitadíssimo do ponto de vista técnico; se pressionado, pode cometer erros individuais que facilitarão a descoberta do caminho do gol. E os nossos jogadores, empurrados, têm condições de corresponder – até El Tanque, caneleiro mas raçudo, pode pegar no tranco.

Então, já que ainda não há time, mas um desajeitado e claudicante embrião, e já que ainda não há técnico, mas um funcionário dedicado, que a classificação venha com o que existe desde sempre: a força que se ergue e se agiganta quando a torcida olha para o campo e, ao ver a camisa alvinegra, sabe o que fazer para vê-la brilhar.

Porque a torcida terá de agir para evitar a morte prematura desse frágil embrião. Teremos que participar ativamente para vê-lo ganhar forma, corpo e alma.

Afinal, a gente merece ver, já na outra quarta-feira, o confronto dos nossos santos gloriosos contra o San Lorenzo do Papa Francisco.

A gente vai ter que gritar muito, muito mesmo para que isso aconteça. Até para ajudar o Eduardo Húngaro a virar técnico. Até para que chegue o  dia em que o Botafogo da nossa cabeça – e de nossos corações – possa novamente ser o mesmo que entra em campo.

Libertados!

libertas

A seguir, a frase que sempre desejei escrever, desde que este blog foi criado, em 2008: Meus amigos, depois de 18 anos, o Botafogo de Futebol e Regatas está de volta à Libertadores da América.

Obrigado, Nilton Santos: não há nenhuma dúvida que a tua Estrela nos conduziu de volta ao caminho da luz.

Obrigado, Seedorf: foi preciso a mentalidade vitoriosa de um surinamês-holandês, para nos ensinar novamente o caminho da América.

Obrigado, Jefferson: enfim, corrige-se uma injustiça. O melhor goleiro das Américas vai disputar a maior competição do continente.

Obrigado aos outros jogadores, pelo brilhante primeiro turno, e pela gana de vencer demonstrada no último domingo, contra o Criciúma.

Obrigado, Oswaldo: acho que seu ciclo já tinha se encerrado, mas você acertou ao apostar nos jovens e fazer o time conquistar uma vaga tão ansiada, mesmo com tantos desfalques. Boa sorte no Santos (a quem também agradecemos).

Obrigado, argentinos: Botafogo + Lanús = 13 letras.

Poderia ter sido melhor?  Sim.  Mas foi um ano que começou muito bem, surpreendentemente bem (campeões estaduais, “matando” os três rivais cariocas nos jogos decisivos). Depois teve grandes momentos de frustração, mas a comunhão torcida/jogadores no último domingo e a vibração dessa noite de quarta-feira fizeram 2013 terminar em alta, nos devolvendo a esperança e chutando pra longe a frustração. Enfim, estamos de volta aos trilhos das glórias e, amparados pelos grandes ídolos do passado, temos tudo para escrever um belo futuro.

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Acabou a síndrome do cavalo paraguaio tão ironizada por comentaristas, terminou a maldição: estamos libertados para redescobrir o gosto pleno da felicidade e fazer de 2014 um ano ainda mais glorioso.

botafogonaliberta2014

Agora é a nossa hora. Agora é com a nossa torcida, enfim apaziguada e alentada. Agora é com a diretoria, que não pode mais vacilar para definir preço dos ingressos e na hora de negociar jogadores. Mas, acima de tudo, agora é hora de menos reticências e de muitas exclamações.

Feliz ano-novo, alvinegros!!!!!!!!