Botafogo 0 x 1 Figueirense: O caminho da volta

O caminho da ida para a Série B foi traçado já a partir da inexplicável omissão da diretoria alvinegra com o intempestivo fechamento do Engenhão, se agravou com o fator Húngaro e com os equívocos das contratações no início do ano. O caminho virou avenida com mais um festival de erros cometidos no início do Brasileirão, bem como com a decisão de dispensar quatro titulares, de peregrinar de estádio em estádio, a falência financeira, etc etc e mais etceteras.

Maurício Assumpção delimitou, asfaltou e inaugurou a mais sombria das estradas. Esse rumo já estava traçado, e não seria a conversão do pênalti cobrado de forma displicente (“irresponsável”, nas palavras de Mancini)  pelo Jobson (até o lance, no início do segundo tempo, o mais perigoso atacante alvinegro) que mudaria o destino, na verdade só prolongaria a agonia.

Vale refletir: o resultado que praticamente sacramentou o rebaixamento do Botafogo em 2014 ocorreu em um estádio que não é o nosso, com um time que não é o mesmo do início do campeonato (nem mesmo do início do returno), no apagar das luzes de uma administração que não manda mais em nada.

Agora está  na hora de a torcida  perceber que terá papel fundamental na construção de um novo caminho, o caminho da volta. Porque eu não sei se o Jefferson vai ficar para o ano que vem; louvo as inúmeras defesas milagrosas e a consolidação do espírito de liderança, mas de fato o salário que ele (não) recebe, e faz por merecer ainda mais defendendo a Seleção em ano de Copa América, não será condizente com um orçamento de Série B. Não sei também se teremos como ficar com Gabriel, um dos raros sobreviventes do naufrágio coletivo e que deve receber proposta do exterior, não sei quando teremos o Engenhão de volta, não sei quem será o homem-forte do futebol, não sei se o Mancini vai continuar, não sei quem aceitaria ser o novo técnico alvinegro, não sei quem eu contrataria para ser o novo técnico alvinegro…

Mas sei de uma coisa:  sei que não teremos mais Maurício Assumpção à frente da presidência do Botafogo, e isso fará uma grande diferença já na largada da nova administração. Cabe ao vindouro presidente reconquistar a torcida, investir na massificação do programa sócio-torcedor, baratear setores do estádio que será utilizado para atrair também os mais apaixonados e menos endinheirados, dar asas à imaginação para ser o catalisador do pacto que terá de ser firmado entre os que estarão no gramado e os que estarão na arquibancada.

E sei também que caberá à torcida conduzir um grupo de jogadores certamente limitados, mas aguerridos, como foram os que entraram em campo em São Januário nessa quarta-feira, para  o caminho de volta.

botafogoemsaojanu

A administração Assumpção, daqui a poucos dias, pertencerá ao passado. Vai acabar, já acabou.

O Botafogo continua.

Estamos sofrendo. Ainda vamos sofrer um bocado esse ano. E, como na primeira vez, certamente sofreremos para voltar no ano que vem.

Mas voltaremos. Sem advogado, sem virada de mesa, sem festa em frente ao STJD, sem champanhe da desonra, sem ajuda de arbitragem nem de coirmão: voltaremos dentro de campo.

Dinheiro, estádio, bons jogadores, tudo faz falta. Mas amor não vai faltar.

Apesar de você, Assumpção, amanhã há de ser outro dia.

A Estrela há de brilhar mais uma vez, a luz há de chegar e aquecer os nossos corações.

Teremos olhos para ver a maldade desaparecer.

 

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8 Respostas para “Botafogo 0 x 1 Figueirense: O caminho da volta

  1. Falando sério? Ou o Botafogo se reforça bastante ou cai para a Série C. Esse time que está aí não consegue se manter na Segundona. O problema é com que dinheiro faria isso. E, por falar em dinheiro, ainda não vi o Botafogo processar ninguém por causa do Engenhão. Rabo preso é realmente um problema. Abraços.

  2. suas palavras emocionam qualquer torcedor alvinegro que ama o clube,
    obrigado,
    sem mais.

  3. Se a direção do Botafogo tivesse a mesma clareza de idéias do seu texto e o mesmo amor pelo clube que vc demonstra, certamente estaríamos em outro patamar. Esse cidadão nunca me enganou. Embora achasse quer era democrático o fato de um torcedor comum ter virado presidente, sempre desconfiei do seu bom mocismo exagerado. A imprensa esportiva, com exceção da Espn, seduzida talvez por esta educação considerava-o um grande dirigente. O problema não e cair em campo . Isso e doloroso , mas faz parte do jogo . A destruição da instituição , com a quebra do acordo com o club dos 13 , que nos reduziu a uma cota de tv muito menor,a estranha passividade diante do fechamento do Engenhao, a saída do ato trabalhista que sufocou financeiramente o clube, as muitas vendas de jogadores sem que mostrasse a verdadeira razão, o inexplicável patrocínio da Telexfree,… Ele achou que tudo isso só estouraria na próxima diretoria e continuou sua pedalada , destruindo a instituição . A incompetência na gestão do futebol não e nada diante da catástrofe administrativa e financeira dos seus mandatos. Não foi incompetência só , podem ter certeza . Como vc disse , pelo menos não teremos mais esse cidadão para nos atrapalhar e isso já e um alento. Desculpe-me pelo texto longo, mas não e possível que façam isso com uma instituição centenária e mundialmente famosa e gloriosa , fazendo chorar milhões de pessoas e saiam incólumes , ricos e sorridentes.

  4. O fato de se questionar a Administração de Maurício Assunção ao longo de todo o período de sua gestão é pouco. Creio que é de fundamental importância juntarmos forças para denunciá-lo ao Ministério Público por improbidade administrativa e sonegação fiscal. No momento em que o próprio ex-presidente declarou a uma emissora de TV que deixou de pagar à Receita por opção jurídica configura crime de defraudação. Assim, quando ele declarou que se o Botafogo sofresse uma queda para a série B a responsabilidade seria sua, poder-se-ia cobrá-lo por conta das punições impostas aos quatro jogadores banidos. E aí, o time caiu. Qual será a punição? Não há. Ficará apenas para a História como mais um presidente medíocre que chegou à diretoria do Clube somente para se locupletar como tantos outros como Borer, Rivadávia e outros.

  5. a saída do Assumpção leva consigo a imagem ruim e de problemático. Isso será fundamental para que o clube comece a se reestruturar. Fato é que teremos um elenco pobre, como o vascaíno deste ano.
    Então, precisamos é de um técnico que seja interessante ao longo do ano e nao um tapa buraco semestral.

  6. Quem já viu Puruca e Cremilson em campo, não merecia ver Zébalo, Jobson, Mamute, etc.
    Mas, viu.
    Quem já teve a honra de ver Jairzinho com a 10, Gerson com a 8 e Tulio com a 9. Sem falar de Garrincha, N. Santos, Didi e outros que não vi, mas ouvi. Não merece ver Cazalberto, Bolatti e outros “atletas chinelinho”.
    Quem hoje vê a “estrela solitária” Jefferson, reserve um lugar na memória. É claro que não estará com a “gloriosa” em 2015.
    Quem sobreviver ao calvário de 2014, prepare-se para um 2015 de muito sofrimento, porque o terremoto Assunção abalou toda a estrutura que existia em nosso amado alvinegro.
    Que os deuses do futebol tenham piedade de nós. Amém

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