Botafogo 2 x 0 fluminense: Visões no Mané

O que eu vi no Mané:

* Vi a torcida alvinegra, mesmo em menor número, ser muito mais participativa, cantando do início ao fim. Foi 2×0  no placar de campo, mas foi 7×1 nas cadeiras vermelhas.

* Vi Ferreyra brigar o tempo inteiro, sendo abraçado por quase todos os companheiros no segundo gol, por não ter desistido do lance e ter acertado o cruzamento para a finalização de Zeballos. Sua dedicação é impressionante e contagia os colegas e a torcida.

*Vi Daniel fazer um golaço e se mostrar um jogador de técnica elevada, mas ainda muito lento para concluir as jogadas.

* Vi Aírton, mesmo amarelado logo no início, fazer mais uma boa partida, corrigindo lambanças de companheiros e se dedicando até a infernizar o adversário em detalhes, como na catimba na marca do pênalti antes da cobrança do Fred.

* Vi Jefferson, em duas ocasiões, ser Jefferson. E isso é sempre um prazer e uma honra. Jefferson não pode se contundir, não pode se ausentar, não pode se aposentar. Jefferson tem que existir para sempre e depois da eternidade.

* Vi  uma fileira inteira de torcedores grenás, bem na minha frente, abandonando os seus lugares e indo embora aos 30 minutos do segundo tempo. Uma torcida com grande presença feminina, com perfil semelhante à do Brasil na Copa do Mundo.

* Vi o ocaso de Fred, muito menos participativo em campo do que o Ferreyra. E vi a ridícula cobrança de pênalti, quando ouvi a nossa torcida gritar, de forma irônica, o nome do centroavante tricolor. Vi também Cavalieri ouvindo gritos de “Pimpão!” e Diguinho recebendo aquele “carinho” alvinegro.

* Vi duas torcidas rivais dividindo setores do estádio, muitas vezes na mesma fileira, sem brigas e sem necessidade de polícia para promover isolamentos.

* Vi André Bahia, substituto de Dória, ter uma atuação discreta e segura.

* Vi o peruano Cachito perder bolas fáceis ao errar passes de menos de dois metros, mas mostrar que tem boa visão de jogo e, quando entrosado, pode ser útil ao time.

* Vi Mancini acertar na escalação e nas substituições.

* Vi Túlio Lustosa, nosso ex-volante, vibrando nas cadeiras com o filho, ambos vestidos de alvinegro dos pés à cabeça.

* Vi o Botafogo, desde os primeiros minutos, ter uma atuação de dar orgulho ao seu torcedor, de todas as idades, de todas as gerações.

* Vi o meu filho me abraçar e sorrir. Nos dois gols, no final do jogo, na saída do estádio, quando cantávamos o mais glorioso dos hinos, eu via o sorriso do meu filho. E, nos olhos dele, eu também vi o meu sorriso.

 

 

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9 Respostas para “Botafogo 2 x 0 fluminense: Visões no Mané

  1. Que fodaaa
    me arrepiei na parte do Tulio e do Jefferson

    muito foda esse texto

  2. Que texto, cara!!! Arrepiei-me. Lindo. Valeu!!!

  3. Como explicar? Incompetência, burrice ou coisa pior?
    Na semana antes do jogo contra o Fla crise: estoura atraso de salários, presidente chora em Brasília, vai a ESPN e o escambau.
    Na semana antes do jogo contra o Flu: Técnico é mantido mesmo após derrota pro Furacão, salários caem, ausências nem são sentidas, ambiente melhora e presidente some de cena.

    Dirley Santos.

  4. Me preparei para mais um final de domingo de sofrimento. Desta vez diferente doas anteriores de 2014, pois meu filho que mora fora veio nos visitar. Sentamos todos em frente a TV com poucas esperanças e muita apreensão.
    Assistimos um 1o tempo de baixa técnica mas com uma levíssima superioridade do nosso alvinegro. Isto já era ótimo se comparado aos últimos jogos assistidos.
    No segundo tempo, matamos o jogo como todos os times deveriam fazer após o 1o. Gol. Apertar a marcação e aproveitar a desorientação e o desanimo do baque do adversário.
    Alguns “brancos”, palavra reinventada pelo Felipão, apareceram para nos deixar intranqüilos até o final. Mas achei o espírito de luta e a dedicação o ponto alto do time.
    Me pareceu algo como: “Agora que a $$$ começou a aparecer, não temos desculpas e não podemos ser apáticos”. O que mostra que em qualquer profissão, e o futebol não é exceção, pagar em dia é mais que obrigação do patrão. É fator decisivo de empenho do empregado.
    As vezes confundimos a nossa paixão com a paixão dos atletas. O que é uma bobagem e só em raras ocasiões ocorre.
    São profissionais e devem ser tratados como tanto. O resto fica por conta de nossa fantasia. Que é deliciosa na vitoria e cruel na derrota.
    Um destaque especial ao “Tanque” Ferreyra.
    Um batalhador. Um profissional dedicado que sabe de suas limitações e por sabe-las, dedica cada gota de suor para supera-las.
    Ele é “grosso” mas é melhor que o Fred que se acha intocável e há muito tempo joga com o nome e gasta mais tempo discutindo com o juiz e com o adversário do que fazendo o que a sua profissão exige.
    Parabéns “Tanque”. Mais um argentino que “põe ovos” em campo.

  5. Após a vitória e lendo este maravilhoso poema, retiro meu comentário sobre o vexame do Paraná.

    SB

  6. lindo texto, marcelo!
    infelizmente, ñ pudemos nos ver ontem. culpa da incompetência dos serviços prestados dentro do estádio. qdo voltei da enorme fila para comprar um refrigerante para meu afilhado, já haviam passados alguns minutos do segundo tempo. (e olha q saí um pouquinho antes de terminar o primeiro tempo.)
    pagamos um absurdo para isso.
    mas, claro, pagaríamos de novo, por esse amor inexplicável ao botafogo q vc bem transcreveu no texto.
    haverá outras oportunidades para batermos um papo e q a próxima seja breve.
    um abraço pra vc e seu filho, por refletir o seu sorriso.
    sds. botafoguenses!!!

  7. Texto espetacular sobre ontem, em outras épocas tava também ontem lá no Mané Garrincha e há quem diga sem clubismo que o Jéfferson tirou com os olhos a cobrança do Fred e a bola do Conca hahahahahaha
    Abraço
    Igor(@igorsausmikat)
    Meu blog: http://igoresportes.blogspot.com.br/ e no twitter é @blogdoigor05

  8. Daqui, de longe, torcendo sem acompanhar o jogo, vibrei quando recebi a foto do filho e neto com a bela camisa da estrela solitária e com o anuncio da vitória sobre o time da Unimed. E, para um recém-cirurgiado, idoso e renitente alvinegro, a noite de domingo ficou mais alegre e o sono foi mais tranquilo. E a pergunta: Por que não fazer do Mané Garrincha a casa dos jogos do Botafogo? A torcida vai, apoia e o clube ainda ganha um bom dinheiro!

  9. Que texto poético. Transcrevi-o, com o devido crédito, em meu Facebook.

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