Botafogo 1 x 0 Coritiba: Chega de saudade

golbolatti

A essa altura, você já deve ter lido ou escutado diversos comentaristas reclamando do baixo nível técnico do jogo disputado na noite de sábado no Raulino de Oliveira.

Eles têm toda razão. A partida foi de doer as retinas: excesso de passes errados, poucas chances de gol, muitas faltas, um pênalti inexistente, público ridículo para uma partida da “elite” do futebol brasileiro (menos de 1.500 almas). Mas não dá para continuar com a nostalgia de Copa do Mundo e cometer a temeridade de comparar os jogos do Mundial com os do Brasileirão. Trata-se de um inútil exercício de masoquismo. Como ficou matematicamente demonstrado no 7×1 que os alemães aplicaram nos canarinhos, o desnível é abissal – e vexatório.

E temos a obrigação de encarar a realidade: se algum time brasileiro é capaz de engatar sequência de grandes partidas do ponto de vista técnico, daquelas de encher os olhos dos comentaristas, esse time não é o Botafogo em 2014. Pelos fatores que conhecemos: caos administrativo, acidentada montagem de elenco, jogadores sem receber salários, contratações duvidosas, etc etc.

Mesmo com a volta do Emerson,  não adianta criar expectativas de algo muito melhor do que o observado em Volta Redonda. Não com um time que tem o displicente e irritante Wallyson como titular absoluto, que tem o fraco e esforçado Mamute como solução apesar de recém-chegado, que tem jogadores que já tiveram bons momentos – Lucas, Gabriel – em má fase técnica, que tem no Aírton o seu mais eficiente volante, que tem o paraguayo Zeballos (apesar do bom primeiro tempo) como incapaz de cobrar um pênalti com segurança e eficiência, com promessas como Daniel que não aproveitam as chances e não conseguem se firmar.

Do ponto de vista técnico, só  há um jogador de excelência no elenco do Botafogo: chama-se JEFFERSON. Que mais uma vez, em duelo com Alex, levou a melhor e fez duas defesas dificílimas em cobranças de falta, garantindo os três pontos.  Nosso goleiro está no auge da forma física e técnica e ele, sim, seria capaz de disputar uma Copa do Mundo ou uma Liga dos Campeões sem dar vexame. O resto…

O resto é o que temos. Então, agora, mais do que nunca, o que conta é a matemática: somar pontos até se livrar do rebaixamento, e ainda estamos bem distantes de alcançar a meta. Nessa temporada, é mais importante jogar mal e vencer do que jogar bem e empatar ou perder. Ainda mais quando se consegue bater um outro candidato ao rebaixamento – é confronto direto, amigo, e por isso esse jogo horroroso em Volta Redonda valia uns 4.874 pontos.

Apesar de espasmos como a goleada no Criciúma, não há como fugir do óbvio. Quer ver um bom jogo, com diversos jogadores em grandes atuações individuais? Nem perca tempo com esse Botafogo.  

Quer ver um time competitivo? Ainda estamos muito longe disso, mas há lampejos como na atuação segura e sóbria da dupla de zaga Bolívar-Dória, nos toques refinados de Bolatti, nas defesas de Jefferson.

Quer ver espetáculo? Melhor assistir ao VT dos grandes jogos da Copa.

Somos quem podemos ser. Chega de saudade, encaremos a realidade: escapar da degola é o único sonho possível para 2014.  E, para realizá-lo, será preciso muito espírito de luta. Se não tem inspiração, que seja na base da transpiração.

Só o suor pode nos salvar.

 

 

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4 Respostas para “Botafogo 1 x 0 Coritiba: Chega de saudade

  1. O jogo não foi um primor, mas, valeu pela vitória. Só não entendo é essa birra com Wallyson, de cujos pés saíram bons lançamentos, a cobrança do escanteio que gerou o gol, aliás, o hábito por crucificação ainda não saiu da moda para alguns torcedores.
    No jogo de ontem, Lucas foi a peça destoante, errou tudo que tentou e ainda proporcionou vários contra ataques nas suas costas.
    WM não relacionou nenhum atacante no banco porque Ferreyra está no “estaleiro”, então é hora de botar JOBSON para jogar, mesmo que se tenha que contratar um guarda costa para prevenir das bobagens dele, porém num elenco que conta com Carlos Alberto e Sheik, além de não pagar salários, o rapaz merece está em atividade.

    San

  2. Marcelo, analise e comentário perfeito. É isso o que temos para o “jantar” (momento). Como diria o provérbio chinês:”Feliz aquele cujo conhecimento é livre de ilusões e superstições”. Só que estou longe de alcançar esta sabedoria. E, com o perdão ao colega Soares (acima), não aceito o Wallysson pra jogar no meu time de peladas. No par ou impar do nosso humilde e trágico futebolzinho de peladas, ele não seria escolhido. Só se faltasse quórum.
    Esforçado não que dizer necessariamente jogador de nenhum esporte. Esforçados devemos ser todos em nossos afazeres, mas isto não nos qualifica a jogarmos num time da tradição do Botafogo e num campeonato tão competitivo.
    Tenho acompanhado de perto a serie B, pela proximidade de Campinas e por não conseguir ficar longe dos estádios e nem do meu filho Pontepretano.
    Existem milhares de Wallyssons, e até melhores, nos clubes que desfilam pela 2a divisão. No máximo, entram no 2o tempo pra tentarem um cruzamento ou um desafogo. Invariavelmente são velocistas de baixíssima qualidade técnica e com um repertório único. Baixa a cabeça, corre e manda o pé pra onde o nariz aponta.
    Aliás, ontem tivemos um Wallysson que se justificaria num banco de reservas. Ele se chama Geraldo. Um angolano que entrou pra fazer as costas do Lucas (tb horrível). Baixava a cabeça e corria.
    Ahn! Se o Wallysson pelo menos corresse….
    Mas, como combinamos que devemos esquecer as ilusões, fiquemos com os melhores momentos do Jefferson, que vai nos salvar muito ainda neste calvário de 2014. E com a boa e segura atuação do Doria e Bolívar. Aliada a uma esperança de revivermos os melhores dias de Gabriel. Lembrando que os melhores dias de Gabriel não são brilhantes. Mas podem nos ajudar a livrar-nos do mal, Amém.

  3. Falou e disse. Assino embaixo.

  4. Meus estimados, não vejo nenhuma ilusão do Soares na questão do Wallysson. O Wallysson é o cara que tanto o Cuca insistiu com ele, no Cruzeiro. O Wallysson é o cara que o Vagner Mancini teve como melhor opção no elenco atual e real, para escalar, na noite de 19/07/2014. Não tente tornar o Wallysson pior do que ele é. Vamos ajudar o Vagner Mancini tirar o máximo do Wallysson. Isto não quer dizer de apoiar uma titularidade equivocada.
    Não temo por uma queda p/ 2ª divisão, mas sim, temo por não conseguir retornar a 1ª divisão.
    Notas:
    1) No final do mandato do Bebeto de Freitas, o BFR urgia por um Novo Presidente igual ou melhor que o BF. Vieram com um aprendiz de dirigente. Hoje, findando o mandato do Maurício Assunção, qual é a opção? Se vier um cara de ponta, teremos remédio amargo a médio e curto prazo. Agora se vier com um Matuano da vida, poderemos largar de mão.
    2) Para o bem do BFR é fundamental administrar o fim do mandato do Maurício Assunção. Não vamos tornar o Maurício Assunção pior do que ele já é.
    3) Vamos apoiar o V. Mancini nesta dura tarefa de tirar o máximo dessas peças que ele tem no elenco.

    Saudações Gloriosas!

    Cléto Martins

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