San Lorenzo 3 x 0 Botafogo: Acidente de percurso

Parece que foi ontem que, depois de sofrer para superar o Criciúma, torcer pela combinação de outros resultados e secar a pobre Ponte Preta, estávamos acompanhando felizes da vida o sorteio dos grupos da Libertadores, procurando informações sobre os rivais sul-americanos, até planejando viagens para o exterior.

Era a realização de um sonho adormecido por quase duas décadas.

E como a diretoria se preparou para prolongar ao máximo esse sonho? Não, não houve preparação. Pelo contrário: perdemos a estrela de Seedorf, abrimos mão de jogadores úteis – Rafael Marques, até mesmo Elias – e trocamos um técnico por um não-técnico. Em vez de contratar atacantes, a diretoria foi ao mercado e voltou com três… volantes: o medíocre Aírton, o irregular Bolatti e o lesionado Rodrigo Souto. Três volantes que até agora, juntos se mostraram menos úteis do que um Gabriel. Ou seja: pioramos, e muito, em relação a 2013. E, com o Botafogo, é assim: quando tem tudo para dar certo, como no Carrossel Alvinegro montado pelo Cuca em 2007, dá errado. E quando tem tudo pra dar errado, como na preparação para a temporada 2014, a mais importante dos últimos anos,aí também dá errado. E muito errado.

(Lembrando que a pixotada do Aírton no segundo gol do San Lorenzo só comprovou a velha tese de que jogador ruim não pode sequer ficar no elenco, pois em algum momento ele vai entrar em campo, e falhar em algum instante decisivo)

Não, meus amigos, ao contrário do que vocês vão ouvir e ler por aí, este blogueiro alvinegro não acredita que o Botafogo perdeu a classificação por causa do pênalti “duvidoso” que garantiu a vitória do U.Española no Maracanã. Pelo contrário: o Botafogo só conseguiu chegar com chances de classificação até a última rodada porque a TORCIDA fez bonito, comprou a briga e EMPURROU o time em direção às duas vitórias. Basta comparar a atuação do Botafogo INCENDIADO pela torcida com a do Botafogo MEDROSO que atuou fora do Brasil. Sem o grito alvinegro, esse time atual, com duas ou três exceções, não ultrapassa o limite da mediocridade, do banco à escalação. Retire a técnica de Jefferson, o ímpeto de Dória e Gabriel e o imenso esforço do Tanque Ferreyra e você terá muito pouco, quase nada.

O que fez Lodeiro nos três últimos jogos da Libertadores?  O mesmo que Jorge Wagner, “o especialista em bolas paradas”. O mesmo que Wallyson. O mesmo que Bolívar, “o xerife”. O mesmo que Julio Cesar. Uma constelação de decepções. E o banco, meu Deus?O que dizer de um banco que conta com Ronny, Henrique e um bando de juniores inexpressivos como opções?

Então, a derrota para o San Lorenzo foi uma surpresa? Não, infelizmente não. Foi irritante e vergonhosa, mas não imprevisível. Porque a verdade é que a presença do Botafogo na Libertadores foi um acidente de percurso, tinha os dias contados desde que a diretoria optou por não trazer um técnico para comandar o time em seu momento mais especial.

Tivemos o brilho solitário da torcida (e foi lindo, foi realmente lindo!), tivemos a estrela de Jefferson. Tivemos por duas vezes o gosto da vitória. E foi só o que tivemos, porque foi o máximo que fizemos por merecer.

Não plantamos, não colhemos.

Começamos em primeiro, terminamos em último.

Que vergonha, Botafogo.

 

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9 Respostas para “San Lorenzo 3 x 0 Botafogo: Acidente de percurso

  1. E bota vergonha nisso!! Infelizmente, após trocentos anos de ausência conseguimos manchar e envergonhar nossa História perante adversários do continente.

  2. É. E tem mais: ou o Botafogo se mexe ou fica com uma bela cara de rebaixado no Brasileiro deste ano. Abraços.

  3. Perfeito ! A análise mais realista sobre o Botafogo nos últimos meses !!

  4. Nada do que aconteceu em campo foi por acaso ou por capricho dos deuses do futebol.
    Desde o fim do Brasileirao que a diretoria plantou o que colheu. Ou melhor, colheu com a desmontagem da equipe e plantou joio onde havia um pouquinho de trigo.
    Parabéns! Planejamento bem feito e resultado alcançado.
    Seguimos aqui, a mercê dos cartolas incompetentes de sempre.
    A verdade é que o Botafogo sempre foi usado por gerações e gerações de dirigentes ladrões e corruptos.
    O Botafogo é a face do Brasil

  5. O resumo de Enilsinho é perfeito> O Botafogo de hoje é a cara do Brasil às vésperas de sediar uma Copa do Mundo. Agora, para completar, só falta instalar uma CPI mista para apurar tudo no Glorioso!

  6. Quando não valha por outra coisa, o Botafogo-2014 se presta a um magnífico objeto de estudo da ciência do futebol, se é que isso existe.
    Porque raras vezes se viu um time retroceder tão flagrantemente, ter uma degeneração tão acentuada e tão rápido. Começamos o ano num certo nível, bastante medíocre, e caminhamos para chegar no nível atual, muito inferior à mediocridade.
    Fomos como um equivalente futebolístico da represa da Cantareira, com o tempo drenando e escoando nossa técnica, nossa tática e nossa vibração, que diminuíam a despeito do muito que treinássemos, ou fingíssemos treinar.
    Não houve chuva, ou treino, que nos safasse de terminar o semestre numa tal aridez.
    Disse o Marcelo, noutras palavras, que os melhores enredos do Botafogo costumam terminar mal, e os enredos ruins terminam pior ainda. Assim, devíamos esperar um desfecho como o de ontem __ embora pudesse ter-nos sido poupado o carimbo do vexame.

  7. Com a demissão (ou o “rebaixamento”, como disse bem o Gustavo Poli) do Hungaro, o Botafogo se safa da face mais bem visível, palpável e apupável do fracasso. Safa-se do que era mais fácil se safar.

    Entretanto, um fracasso assim colossal não deita razão num motivo só nem tão frágil. Hungaro é mais uma engrenagem defeituosa na mistura de incompetência purinha com avidez mercantista que redundou no nosso desastre (o desmonte do time se explica pelo axioma que diz que atletas estáveis não geram comissões de venda).

    O grande motivador dessa mistura, o grande responsável por ela, é o odontólogo Maurício Assumpção (a alcunha “omissão” que lhe deram não lhe cabe, porque ele é ativíssimo para o que lhe importa).

    Assumpção, de fato, era nada, era vácuo quando chegou ao Botafogo; em seis anos tornou-se um predador cuja singular voracidade é capaz de destruir o clube. De aprendiz passou a senhor de sua arte, com seu discurso consertado, simpático, formulado com humildade medida e calculado tom de voz. Hoje ele é um mestre-empulhador, um empulhador magnífico, não pareado com outros de seu gênero, e, por isso, perigoso como nenhum.

    Ouço nas ruas, em filas de supermercado, que o odontólogo Assumpção, no segundo mandato, deixou de clinicar, mudou de carro e de apartamento, para melhores. Porque isso é só ouvir-dizer, não é possível acusá-lo de nada; e, ainda que fossem fatos, poder-se-ia atribuir esse remanso do dentista a uma poupança, a aposentadoria precoce ou a alguma herança recebida.

    Por outro lado, o empulhador deixa pegadas à farta do quanto faz mal ao clube que preside.

    Não menciono o engodo dos esportes olímpicos, as gastanças inconsequentes, as viagens sem escopo, a vocação para defender contratos e alianças que não interessam ao Botafogo…

    Mas é impossível não mencionar a graduadíssima empulhação das nossas categorias de base. Estruturalmente, estão como estavam há vinte anos. O que o odontólogo (melhor dizendo, os prepostos de confiança que lá o odontólogo fixou) fez foi franquear portas aos empresários, coisa vedada nos tempos do Bebeto, para exibir seus pupilos. Nem Dória nem Gabriel são cria do Botafogo, como Vitinho não era, nem sequer o Caio cai-cai.

    Impossível deixar de falar da moleza como nossas finanças são conduzidas, do aumento geométrico das nossas dívidas, da turbidez de como os dados são repassados __ou seja, a completa falta de transparência na gestão, na prestação de contas, em sua não publicação, na conclusão dos contratos; O retrato da nossa degeneração é a bagunça nos nossos balanços que estavam razoavelmente equacionados; a tentativa primária e vexaminosa de tentar empulhar a justiça do trabalho __estimulados, os responsáveis, pelo hábito da geral empulhação; a transformação da cia. Botafogo, ferramenta para a nossa profissionalização e para lisura das nossas contas, num reles caixa dois, num engambelador de credores.
    Temos mil problemas e nenhuma resposta satisfatória para eles.

    E o completo aparelhamento do clube, em todas as suas áreas mais sensíveis, pelos amici do presidente, sem que se pusesse à prova a competência desses cavalheiros __alguns, pelo contrário, incompetentes a toda prova. Nunca vi coisa igual no Botafogo.

    Reconhecemos que uma carne está apodrecendo, além de pelo cheiro, quando começam a aparecer os vermes de cadáver. Rolim, Mauro Ney e quejandos, figuras obrigatórias no Botafogo moribundo de 2002, voltaram à luz, à rotina do clube, em cargos eminentes, com o Assumpção. O odontólogo devolveu-lhes protagonismo político, enquanto aos amici dava o comando técnico-executivo do clube.

    Nosso odontólogo, com seu discurso lapidado pela melhor demagogia, teve, a despeito de tudo isso, a torcida e a imprensa a seu favor ___ porque torcida e imprensa comovem-se com a impressão fácil, com o verniz, com o superficial. Assumpção só os teve contra quando não pôde mais conter o cheiro podre.

    O empulhador magnífico, o mentiroso contumaz, o político por vocação e por filiação, nosso presidente, figura central do nosso clube, é a fonte dos nossos males principais, e razão de todos os outros; é este o cancro que deve ser debelado do Botafogo o quanto antes.

  8. Amigos, este é ano de eleição. Um torcedor botafoguense, mais lúcido que os demais, deve dedicar um semestre, a cada três anos, a uma reflexão sobre a maneira como o Botafogo está sendo gerido e sobre quem se apresenta para geri-lo.

    As pancadas que recebemos tem esse lado bom de nos anestesiar para o circunstancial, e permitir que meditemos no que é essencial para o clube.

    Pensar na gestão do Botafogo não é uma tarefa exclusiva dos sócios proprietários.
    (até porque nem todos os votantes nas eleições do clube são botafoguenses, e nem todos os conselheiros hão de ser fiscais aptos e comprometidos).
    Deve, sim, ser tarefa de todo torcedor que se esfalfa e agoniza e perde anos de vida a cada semana, vendo o Botafogo jogar.

    O Botafogo não é um clube de bairro, nem de uma cidade. O Botafogo é um clube intensamente capilarizado pelo Brasil, e talvez essa seja a sua característica mais marcante. O Botafogo precisa dos seus torcedores de Minas, de Brasília, de Goiás, de Santa Catarina, do Amapá, da Paraíba…

    Um botafoguense politicamente ativo não é aquele que vota; é aquele que sente o cheiro das coxias, que percebe onde o clube progride e onde recua, que peleja para que a mesma matilha carniceira de sempre aparte-se do Botafogo exausto de ser espoliado.

    Um botafoguense politizado e lúcido não permite essa espoliação; identifica e detém a cupidez daqueles que precisam dos holofotes e das algibeiras do clube__ e o destróem.

    Está chegando o semestre que antecede as eleições, esse semestre singular em três anos. É o nosso Ramadã, nossa Quaresma. O tempo de meditar.

    E nem meditaremos muito para concluir que o Botafogo precisa de arejamento; precisa de renovar as figuras que apreciam brincar de mandatários, que manipulam levianamente um orçamento de dezenas de milhões de reais, e as esperanças e expectativas de outros milhões de almas botafoguenses.

    Assumpção, Montenegro, Renha, Mantuano, Mauro Ney, Good, Rolim, Carlos Pereira, tantos mais. Não precisamos deles. Precisamos que as decisões no clube nasçam da união dos botafoguenses de bem, munidos de boas intenções. Precisamos que o clube seja gerido de acordo com meritocracia, e não por apaniguamento e segundo interesses obscuros.
    O sócio torcedor com direito a voto seria um bom começo para isso. A utilização da estrutura da cia. Botafogo para recrutamento e remuneração dos nossos gestores é outro passo necessário.

    Mas o passo anterior a todos é vigiarmos as eleições; é reunirmo-nos, os botafoguenses de bem e de boas intenções, em torno de propostas que corporifiquem o Botafogo que queremos, e nos possibilitem dar aqueles passos.

    Esse trabalho, que não é pequeno mas é compensador, deve começar já.

  9. Meu caro, se o Carlos Pereira a que você se refere na relação aí em cima sou eu – me retire da lista. Sou apenas um velho torcedor alvi-negro dos velhos tempos em que o Botafogo era a base da seleção brasileira e tinha jogadores do quilate de Garrincha, Didi, Nilton Santos, Amarildo, Zagalo, Gerson, Quarentinha, Jairzinho e tantos outros que se orgulhavam de vestir a bela camisa da estrela solitária. E torço por esse clube desde 1948, então com 10 anos, quando pelo rádio, ouvi aqui em João Pessoa, a transmissão do jogo final do campeonato carioca contra o Vasco em que o Fogão se sagrou campeão. E nunca esqueci a escalação daquele time: Osvaldo, Gerson e Nilton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otávio e Braguinha. Esse pessoal aí de cima nunca os vi mais gordos.
    Abraços do botafoguense que continua se alegrando com as vitórias e se entristecendo com as derrotas do Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas do Rio de Janeiro, Carlos Pereira (o Pereirão da Paraíba).

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