Botafogo 1 x 0 Del Valle: O ideal e o que importa

tanquedelvalle

Um amigo alvinegro, só que de Minas Gerais, atribui a conquista do título da Libertadores do ano passado ao fato de o seu time ter conseguido ganhar jogos difíceis, em especial quando o Atlético atuou mal e precisou da raça para garantir um resultado positivo.

Entendi mais essa ideia depois da noite dessa terça-feira.  Pois o segundo tempo da partida contra o inexpressivo Del Valle foi absurdamente tenso: pode parecer exagero, mas só lembro de tal nível de dramaticidade nos últimos minutos de uma partida recente na final de 2010 contra aquele time rubro-negro, quando o Somália tirou com o JOELHO o gol de empate, depois do JEFFERSON ter defendido o pênalti do Adriano.

Mas era preciso tanta tensão? Claro que não! O coração só disparou tantas vezes porque o time jogou bulhufas na segunda etapa, quando jogadores importantes como Lodeiro simplesmente sumiram e Julio Cesar, de novo, deixou espaços enormes para o avanço dos equatorianos.  Adicionando a isso o nervosismo de Dankler, chutando para onde apontava a ponta da chuteira, e a dificuldade do Gabriel em acertar a marcação e pronto, temos um quadro de extrema instabilidade na defesa. E, a cada ataque do adversário, a sensação de gol era iminente.

Para piorar, as primeiras substituições não surtiram efeito: Cidinho no lugar do Wallyson, se destacou mais na cobertura de JCesar do que na armação de contra-ataques  e Bolatti também foi inoperante, irritando pelo excessivo bom-mocismo na hora em que precisávamos de força e não de preciosismo. Nesse sentido, a vitória foi um prêmio para a raça incessante do Tanque Ferreyra (sempre lutando para encurtar o espaço do adversário) e da vibração do Dória, ambas essenciais para a garantia dos três pontos. Sem contar, claro, mais uma intervenção divina de JEFFERSON, no segundo tempo, ao conseguir salvar um desvio da zaga, em lance de reflexo assombroso.

Copa Libertadores da America- Botafogo x Ind. Del Valle

Foi uma atuação decepcionante. Mas, como já disse por aqui, estou um pouco cansado de elogios pelo “futebol vistoso e envolvente”, mas sem resultados práticos. Vencer jogos assim, quando o time demonstra “capacidade de sofrimento” como definiu nosso treinador-estagiário, dão casca ao time em uma competição tão briosa quanto a Libertadores: temos sete pontos, duas vitórias em casa e estamos nos aproximando da classificação. Não é o ideal, mas é o que importa.

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2 Respostas para “Botafogo 1 x 0 Del Valle: O ideal e o que importa

  1. Nem a presença de 25 mil torcedores foi capaz de reprimir o aparecimento do mr. Hyde alvinegro ontem. O time parece que tem alma de primadona inchada, e guarda seus espetáculos apenas para assistências de mais de 30 mil pessoas.

    As dores físicas e morais que sinto pelo sacrifício que fiz de ir ao estádio ontem avivam-me a impressão de que o jogo foi péssimo. O Botafogo de 2014, uma equipe esquizofrênica, parecia em dúvida se devia se portar, contra os branquinhos rosados do Equador, como o Botafogo do cariocão ou da libertadores. Uns jogadores atuaram de acordo com o primeiro, outros, poucos, conforme a segunda.

    Duas notas sobre ontem, de casos que nunca tinha visto antes:

    Uma, a torcida (ao menos a parte desavisada dos pisca-piscas), na entrada do time, virar de costas para o campo para ver a festa que a própria torcida fazia com seus celulares piscantes, principalmente nos setores sul superior e leste inferior.

    Outra, a torcida abortar uma substituição que o técnico tencionava fazer, com gritos e bracejos frenéticos, e indicar o jogador que deveria entrar. A propósito, com quase 90 dias de trabalho, está chegando o momento de fazer uma avaliação justa e racional do que vem fazendo o Duda Húngaro.

    O jogo (repito) foi péssimo. O que o Botafogo fez não foi safar-se de perder para um esquadrão irresistível. Foi, na verdade, é engolido em casa por um time nada mais que razoável __ e que só porque razoável é que não saiu vencedor. Pior é que não sei se atribuo atuações tão ruins, como as do Wallyson ou do Júlio César, a uma molenguice intrínseca ou à barafunda a que os submetem os esquemas (ou falta de esquemas) do Húngaro.

    Como regra, os finalistas de Libertadores passam de fraque e cartola pela fase de grupos__ deixam os dramas para as etapas subsequentes, em jogos históricos. Um time que, na primeira fase, a despeito da colocação confortável, alterna poucas boas atuações e muitas atuações sofríveis, não sugere à torcida um horizonte feliz.

  2. Boa Marcelo, boa Pedro,
    Eu tentarei traduzir o meu sentimento numa metáfora. O Botafogo de ontem parecia uma escola de samba em performance pífia e desastrosa do ponto de vista de harmonia e evolução, correndo para cumprir o horariodo desfile sob os gritos de incentivo de uma arquibancada que optou pelo apoio a reclamar da bagunça.
    Um mestre de bateria que insistia em reger um samba atravessado, cantado pelo desafinado puxador.
    A Salvar o espetáculo um mestre sala negro ágil e elegante que a despeito do caos em sua volta, fazia o povão sonhar com uma boa nota que salvasse a amada bandeira.
    Salve a galera! Salve a nossa estrela solitária de nome Jeferson!

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