Botafogo 2 x 0 San Lorenzo: A santíssima trindade

Fim de 2013.

Não vai se classificar pra Libertadores porque depende dos resultados de outros times na última rodada e ainda vai esbarrar no Criciúma. Nem a torcida vai aparecer.

Não vai se classificar pra Libertadores porque depende da derrota da Ponte Preta para o Lanús na final da Sul-Americana.

Início de 2014.

Vai parar na Pré-Libertadores porque perdeu o Seedorf.

Vai parar na Pré-Libertadores porque vai tomar uma goleada na altitude.

Vai parar na Pré-Libertadores porque vai tropeçar no próprio nervosismo no Maracanã.

Vai avançar na Pré-Libertadores, mas com muito sofrimento. E corre o risco de ser desclassificado com um golzinho do Deportivo Quito no final.

Vai tropeçar na estréia na fase de grupos da Libertadores contra o campeão argentino.

Vai ganhar do campeão argentino na estréia na fase de grupos da Libertadores, mas com muito sofrimento.

Nada disso aconteceu. E o Botafogo continua triturando os fantasmas que teimavam em nos assombrar. 

E sabe o porquê? Bem, quanto aos resultados do Brasileirão e da Sul-Americana,  só posso creditar a uma olhada mais atenta lá em cima dos deuses alvinegros.

Mas, quanto ao que acontece dentro do Maracanã, ouso arriscar que surgiu um fator decisivo no campo e na arquibancada: o tal do Espírito da Libertadores, que não nos visitava havia quase duas décadas,  resolveu baixar na última quarta-feira no estádio e gostou do que viu. Decidiu voltar nessa terça-feira e  encarnou de vez nas belíssimas camisas alvinegras, agora com detalhes em dourado, que adentraram o gramado, e nos milhares de torcedores que não pararam de apoiar o time em nenhum momento, numa comunhão emocionante.

É verdade que essa comunhão já tinha se insinuado, durante o Brasileirão, em vitórias suadas, como a em cima do Corinthians, e no já citado derradeiro jogo, contra o Criciúma, na despedida do Seedorf. Mas o que estamos testemunhando, meus amigos, é algo mais forte. Os dois adversários foram INTIMIDADOS pela vibração que vem das arquibancadas e irradia no gramado. O Botafogo ganhou as duas partidas com a AUTORIDADE SOBERANA de quem manda em casa.

“A torcida é o nosso 12o jogador, e tem sido o nosso diferencial”, afirmou Edilson. E ele está coberto de razão.

A meu ver, há três fatores que simbolizam, dentro de campo, esse espírito que paira no Maracanã alvinegro em 2014: a surpreendente capacidade do Wallyson de descomplicar com chutes de rara precisão, a luta incansável do Ferreyra pela bola (e com a bola), premiado com um gol de raça e oportunismo em sua melhor partida, e o fôlego de Lodeiro e Gabriel para correr, desarmar e combater (ainda que o uruguayo tenha errado passes fáceis, em áreas perigosas do campo).  Esses três fatores, mais a segurança do Jefferson (é notável como ele evoluiu nas saídas de bola) e outros itens de qualidade que foram mantidos na temporada, são o nosso diferencial.

tanqueferreyra

Eis a nossa santíssima trindade em 2014: inspiração, valentia e fôlego.

Diretamente, umbilicalmente, visceralmente ligada na santíssima trindade alvinegra: torcida, jogadores, história.

Há o que melhorar? Claro! E muito. Os vacilos do Julio Cesar na marcação estão deixando os atacantes adversários na cara do nosso goleiro, a defesa tem sérias dificuldades para ganhar bolas aéreas, Jorge Wagner precisa render mais, o banco de reservas é bem inferior ao time titular, em especial do meio pra frente.

Mas está muito, muito bom de ver.

Não sei como vai acabar, mas eu já sei como começou: goleada no time equatoriano, vitória incontestável em cima do campeão argentino.

Tá bonito, Botafogo. Tá de arrepiar.

E tá fácil de trocar o futebol “vistoso e envolvente” de outras temporadas pelo futebol valente, inspirado e pulmonar desses dois jogos da Libertadores.

Agora é aproveitar o embalo e partir com tudo pra cima do… Bonsucesso.

 

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4 Respostas para “Botafogo 2 x 0 San Lorenzo: A santíssima trindade

  1. Do BonsucessoNÃO PERA…. vai jogar os reservas de novo, ops agora é ir pra cima tb fora de casa na Libertadores que tanto vale pra gente!
    abraço
    Igor!

  2. Jogo sem grandes sustos de parte a parte. Achei os argentinos sem alma. Ainda bem.
    Gostei mesmo foi da torcida. O time ainda precisa melhorar muito.
    Tb gostei da garra, da pegada.
    O Jeff eh o cara. E o Wallysson esta iluminado.

  3. Não pude ver o jogo ontem. Ouvi-o, e num rádio cheio de chiado. Botafoguenses penitentes, se grossos pecadores, deviam tentar isso pelo menos uma vez na vida.

    Já é possível ver que temos um time. Demos grandes méritos ao Hungaro, porque não é pequena a dificuldade de transformar um punhado de jogadores num time. É quase mágica.,

    Para vencer uma Libertadores não é necessário mais que um time ___ diferente do brasileirão,que só é possível ganhar tendo elenco.

    O time campeão há de ser bom. Bem, não sei ainda se o time do Hungaro é bom ou é ruim, mas é operário e competitivo. O quanto basta.

    Na verdade, desse time do Botafogo é impossível saber o que esperar. (Quero acreditar que são esses times imprevisíveis que nos dão os melhores regalos. Lembro-me do time de 95 sendo formado.)

    O Botafogo da Libertadores desbaratou tudo o que era provável e, em dois golpes, conseguiu obter dois fatores imponderáveis e imprescindíveis para um time campeão: a confiança dos jogadores em si, e dos torcedores neles.

    E o menos provável de tudo: conseguimos formar um time capaz de brigar pelo título da Libertadores. Ora, já é possível dizer que alcançamos essa alquimia delicada, faltando apenas um componente da fórmula: que é sabermos nos portar nas canchas alheias.

    Deste ingrediente saberemos em duas semanas. Por agora, confrades, é saborear nosso momento.

  4. Em tempo: a redenção do Tanque, ligeira como foi, me faz pensar porque temos o vezo de querer gostar de certos jogadores, ainda que eles não mereçam, antecedentemente, tanto gostar; enquanto, a outros, dedicamos uma antipatia quase irremediável.
    Esses últimos podem construir catedrais e queimar exércitos em nome do Botafogo, que vão pouco conquistar a benquerência da torcida.

    Imponderável dos imponderáveis, a cabeça do torcedor do Botafogo.

    O grito e a ovação ao Tanque, ontem, depois do gol, parecia que estavam guardados, prontos pra sair, desde a coletiva de apresentação.

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