Botafogo 4 x 0 Deportivo Quito: Triturando fantasmas

O gigante brilhou. Lotou as arquibancadas, entrou em campo. Massacrou o adversário no grito e na bola.

COPA LIBERTADORES DAS AMÉRICAS - Botafogo x Desportivo Quito

Foi bonito, foi lindo de se ver. E foi, ora vejam só!, sem (tanto) sofrimento – Jefferson, de camisa dourada, assistiu à partida e o único contra-ataque equatoriano que poderia levar perigo foi desarmado pelo joelho do Dória.

Na verdade, foi simples, relativamente simples: os gols saíram no momento certo. Bastou unir disposição, velocidade e precisão ao longo dos 90 minutos – tivesse o time jogado com metade dessa gana em Quito teria arrancado ao menos um empate.

E foi fundamental, claro, ter um atacante de qualidade técnica razoável, disposto a dar a volta por cima após seguidas contusões: Wallyson, o artilheiro das letras dobradas, é o nome dele. A estrela o iluminou, a superação o alcançou, a sorte lhe sorriu.

COPA LIBERTADORES DAS AMÉRICAS - Botafogo x Desportivo Quito

Lodeiro foi o motor, Gabriel foi o pulmão, Wallyson foi a elevação.

Mas, na verdade, não foi tão simples assim: foi uma noite de exorcizar novos e velhos fantasmas que teimaram em nos assombrar por seguidas vezes no Maracanã em jogos decisivos. Pois esse era o maior receio de onze entre dez alvinegros: mais do que o Deportivo Quito, o maior adversário eram as cruéis armadilhas do destino. E elas só foram desarmadas pela comunhão torcida-jogadores, de arrepiar quem estava em casa e de lavar a alma de todos nós, botafoguenses, tão aviltados nos últimos tempos por críticas pesadas (e injustas). Foi nesse momento que o Maracanã testemunhou a volta de um gigante carregado de glórias do passado e disposto a fazer de tudo para ter a chance de enxergar o futuro.

O Botafogo goleou o Deportivo Quito, mas fez mais do que quatro gols sem tomar nenhum. Triturou fantasmas, exorcizou assombrações. Chutou pra bem longe a frustração, a amargura, a tristeza: que as três nefastas irmãs demorem muito, mas muito tempo mesmo para arriscar uma visita.

Na próxima terça, tem o confronto do Time dos Deuses do Futebol contra o Time do Papa. Que os nossos santos continuem nos iluminando.

Ah, agora sim: Bem-vindo, Eduardo Húngaro.

PS: El Tanque foi útil para abrir espaços na zaga adversário, mas sua presença em campo atravanca o time. Quando Elias entrou, o Botafogo destravou.

PS II: Henrique fez gol na Libertadores. Já pode entregar a taça em General Severiano, certo?

PS III: Você perdeu o início do melhor da festa, Seedorf. Você não viu nem o início da festa, Vitinho.

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3 Respostas para “Botafogo 4 x 0 Deportivo Quito: Triturando fantasmas

  1. Foi de fato uma noite memorável para nós botafoguenses que vivemos, nãos de grandes campanhas nas guerras, mas das pequenas vitórias nas batalhas perdidas___ porque as batalhas indefinidas caem, ao juízo desconfiado do botafoguense, na conta das batalhas perdidas de antemão.

    Uma noite que nos deixa tirar algumas conclusões.

    Primeira, que começa a emergir um time do meio do oceano de incertezas e indefinições que era o Botafogo no início do ano. A pedra bruta começa a tomar forma.

    A segunda, que o nosso técnico ganha um tempo de fôlego, escapado da intolerância estúpida ___ estupidez pouco comum no torcedor botafoguense ___ de que vinha sendo alvo nas últimas semanas. Um mês é muito pouco tempo pra dizer se um treinador é bom ou é ruim; daí ser difícil de entender o porquê alguns de nós o chamávamos “estagiário”, “incompetente”, “incapaz”. Na fase de grupos será possível formar uma opinião mais consistente sobre o trabalho do Hungaro; até lá, esperemos, ele terá paz pra trabalhar.

    Terceira, que a nossa torcida deu uma prova de que comparece quando acha importante comparecer, e percebe quando está sendo enganada. A propósito, muito da nossa atuação de ontem, não nos equivoquemos, deveu-se ao dopping emocional que o Bota recebeu das arquibancadas.

    O time do Equador é péssimo. Jogamos ontem contra um esparro. Jorge Wagner, precisamos dele, esteve abaixo da média. Elias, por outro lado, muito acima. Wallyson teve uma noite iluminada; não devemos imaginar nem esperar que todas serão assim.

    Mas mostramos jogo coletivo. Um esboço, eu diria promissor, do que deseja o Hungaro. Isso foi o mais importante. Sentido coletivo, passes rápidos (nem todos precisos), movimentação.
    Veremos o que aguardar desse time. O próximo jogo, terça-feira, vai dar uma medida mais precisa, mais justa, do que poderemos fazer e esperar nesta Libertadores.

  2. Calma, pessoal. Sem entusiasmo excessivo. Teremos o San Lorenzo, da Argentina, a altitude, do Equador e a valentia e coragem, do Chile. Tenho dúvidas se passaremos e, se passarmos, qual o nosso futuro na competição. Esse time não me transmite confiança alguma. Jogou com raça, é verdade, mas se raça e correria só fossem suficientes bastaria contratar uns maratonistas e tudo estaria resolvido. O Seedorf, que não é bobo, sacou isso e se mandou. Menos, portanto.

  3. Ainda anestesiado pelos 4×0 e principalmente pelo show de nossa torcida, arrisco alguns comentários.
    Não gostei do nervosismo do time desde o inicio até o segundo gol sair.
    Da pra entender, mas não é o ideal para a competição.
    Não gostei do esquema: Zaga lança Ferreyra. E era este o esquema enquanto o Argentino estava em campo.
    Não gostei do J. Wagner, escondido quase o jogo inteiro.
    Não goste do Edilson confundindo raça com provocação ou retaliação.
    Faltaram aquelas viradas de jogo que caracterizavam o nosso time e confundiam o adversário.
    Gostei do atrevimento do Wallysson. Chamou a responsabilidade como Lodeiro. Aliás o uruguaio, pra mim, foi o melhor em campo.
    Adorei a entrega e a luta de todos. Em especial a dupla de zaga. Também constatei a boa técnica ao cruzar dos dois laterais. O J. Cesar em especial.
    Mas que me desculpem os gladiadores desta quarta. Quem ganhou este jogo foi a arquibancada. O torcedor fez a diferença e empurrou o time e as bolas na direção do gol.
    Faltou técnica, tática mas sobrou raça e a nitroglicerina da arquibancada incendiou o jogo.
    Natural pois o grito era incendiário. Fooooogo! Fooooogo!

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