O enigma Húngaro

“Tenho uma história muito bonita no Botafogo e o torcedor pode ter certeza que não vai faltar trabalho, dedicação, motivação, capacidade. O homem não pode se autodefinir. A conduta que define o homem. Com a conduta tenho a esperança de que a torcida goste do trabalho. Acho natural essa ideia do profissional vindo da base ser questionado. Mas, com o tempo e resultados, essa aparente desconfiança vai saindo pouco a pouco. ”

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Em alguns momentos da primeira entrevista como técnico do Botafogo, Eduardo Húngaro, estreante de 50 anos, pareceu um pouco tenso e intimidado, na defensiva com a desconfiança de boa parte da torcida com a confirmação de seu nome.  Algumas de suas respostas pareciam até mais próprias de um candidato a uma vaga de gerência de uma grande empresa, não as palavras de alguém que já foi escolhido: “Acho que tenho facilidade de lidar com grupo. Sou um líder, sou querido. Tenho com o atual grupo um ótimo relacionamento. Basicamente, sou um cara que tem facilidade para lidar com grupo e um profissional preocupado com a qualidade de treinamento”, garantiu, sem medo do autoelogio.

Húngaro tem sido criticado nas redes sociais alvinegras por ser uma aposta de risco, em especial pelo fato de faltar menos de 40 dias para o primeiro jogo contra o Deportivo Quito. Penso ao contrário: diante de um tempo escasso, ainda mais com as férias, tão ou mais arriscado seria entregar o comando técnico de um time praticamente montado para um novo treinador, que chegaria com seus auxiliares, preparadores físicos, psicólogos, nutricionista, etc, e teria que passar por um processo de adaptação até se entender com o elenco – e com as nossas estrelas.

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A não ser que o técnico “de fora” tivesse currículo campeão, pronto para dar conta do desafio, como o Tite, infelizmente muito acima das nossas po$$ibilidade$. E, convenhamos, as opções disponíveis no mercado são igualmente incertas. Cristóvão Borges? Gosto do jeito sereno dele, mas não esqueçamos que o Bahia por ele treinado escapou do rebaixamento apenas na penúltima rodada.  Autuori? Faz parte da nossa história, mas vem de dois trabalhos lamentáveis. Algum outro nome? Não consigo lembrar.

Mas agora é Húngaro. Boa sorte pra ele, que está em General Severiano desde 2009. O que pode acontecer de melhor é a conquista, de preferência sem sustos, da vaga na fase de grupos da Libertadores. Aí ele ganhará a confiança necessária para comandar o time na mais disputada competição da América. Vai encorpar. Mas, como não tem pedigree nem currículo no futebol profissional, a paciência tende a ser MUITO menor do que se fosse um outro nome. Jamais esqueço que, uma semana antes de nos eliminar da Copa do Brasil mas já conseguindo afastar o time da Gávea da zona de rebaixamento, contra o Bahia, Jayme de Almeida foi xingado de “burro! burro! burro!”  no Maracanã na hora que decidiu fazer uma substituição. Minutos depois, o gol do desempate calou as cornetas – mas a cena descrita vale para lembrar que as trombetas críticas costumam ser mais acionadas quando o treinador é “prata da casa” e ainda não conquistou a respeitabilidade com os resultados esperados pela torcida.

E, nesse momento, acho mais importante investir em três ou quatro reforços de peso (meia, atacante, lateral esquerdo) do que em um treinador de grife.

Húngaro, toda a sorte do mundo pra você – e pra nós. Que a Estrela te ilumine. E, se, me permite, aqui vai o meu conselho: decifre logo o enigma Libertadores. Antes que nossa torcida o devore.

PS: Gostei da parte da entrevista à Cícero Mello, da ESPN, na qual o Húngaro  falou: “Sou um treinador um pouco agitado na beira do campo”. E isso já vai fazer uma grande diferença.

PS II:  Quando Marcelo de Oliveira foi anunciado no Cruzeiro, a sua rejeição ultrapassou 90% entre os torcedores azuis. Um ano depois, foi campeão brasileiro. Espero que a trajetória do Húngaro seja daí pra melhor.

PS III: Quanto mais rápido o Húngaro se livrar do rótulo “O Jayme de General Severiano”, mais chances ele terá de decolar.

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4 Respostas para “O enigma Húngaro

  1. Você contrataria um cara inexperiente e sem nenhum resultado no Curriculum aos 50 anos, para liderar o seu time no maior desafio dos últimos 17 anos?
    Pode até dar certo, mas não eh arriscar demais?
    Vou acender mais algumas velas pro João Saldanha. Rapidinho!

  2. Deu certo com Zagallo, deu certo com Autuori. Mas sim, é arriscado.

    Opções? Além das citadas na postagem eu diria Cuca (perdeu ontem, não seria arriscado?), Felipão, Guardiola… Vamos ser realistas, é o Húngaro e temos que apoiar. Atrapalhando fica mais difícil.

    Abraços.

  3. TIve uma primeira impressão muito boa sobre esse novo técnico. Parece que ele segue a mesma linha de Muricy Ramalho: muito trabalho.

  4. (Quando Marcelo de Oliveira foi anunciado no Cruzeiro, a sua rejeição ultrapassou 90% )
    (Numa alusão ao Marcelo de Oliveira, ouvi o M.Assunção dizer que pagaria o que não poderia a um técnico de curriculum vencedor, p/ a torcida do BFR somar ao time)
    Caros Botafoguenses, essas mediocridades das torcidas que fazem salários de técnicos de futebol atingirem cifras milionárias. É tudo que os Papais Joéis querem.
    Como exemplo, as ridículas passagens do Técnico Dorival Jr pelos 03 do Rio. Apesar de o Dorival ser um técnico competente.
    Chamar o Marcelo Oliveira de burro é de uma burrice tão grande que chega a causar náusea.
    Atuação de uma equipe de futebol profissional num final de semana é resultado daquilo que foi treinado durante a semana. Treinador não deve ficar pulando na beira do gramado, fazendo macaquice p/ os olhos da torcida. Se não fica igual o cara que não estudou os últimos 03 anos, e na véspera do vestibular resolve fazer firula p/ sua torcida.

    Sou fã incondicional do Bebeto de Freitas, mas não posso deixar de creditar essa vaga de Libertadores ao Maurício Assunção. O Dentista percebeu que não poderia bater de frente contra o São Paulo, Internacional e outros, e foi buscar no exaustivo trabalho na base, parceria viável p/ compor com Seedorf e o dedicado e competente treinador, OdeO, os trunfos de 2013.
    Torcedor Botafoguense, essa possibilidade de mesmice de outro não nos pertences. Cabe a nós pensarmos diferente, e sempre melhor. O BFR precisa de uma torcida mais qualificada, mais propositiva, para sairmos dessa p/ uma melhor.
    (Nota: Não se iludam, pois até para mantermos aonde estamos, hoje, será necessário um trabalho leonino).

    O Eduardo Húngaro esta extremamente analisado pelos comandantes do nosso BFR. Se ele está lançado como treinador do time principal é porque está aprovado.
    Fiquemos mais atentos, não vamos nos comportar como marionetes de jornalistas maus intencionados. Vamos sempre analisar o que é melhor p/ o BFR.

    Lembrando frase do polemico Eurico Miranda, que entende de futebol como poucos, em que ele diz “_Técnico de Futebol não ganha jogo, mas perde jogo”, me leva a crer que o EH conseguira realizar trabalho e que não perderá jogo.

    Saudações Gloriosas!

    Cléto Martins

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