Notas de uma despedida

Por Pedro Baptista Oliveira

Algumas notas sobre enterro e o velório de Nilton Santos.
Nilton teve um enterro indigno do que ele foi e representou.
Se o que sucede no velório é o sumário do que foi a vida de alguém, não parece que Nilton Santos foi muita coisa. Se ele é o maior ídolo da nossa história, não parece que o Botafogo é importante.
Vá lá que o mais das pessoas não liguem importância a um jogador aposentado há mais de 50 anos. Os botafoguenses, que nos temos por ciosos das nossa tradições, tínhamos obrigação de fazer da morte do Nilton uma comemoração multitudinária da sua vida. Estávamos sepultando o nosso Maomé, o nosso Santo Graal, não há partida de futebol, não há evento nem título cuja importância se sobreponha ao enterro do nosso maior ídolo.
No período de maior movimento, menos de dois terços do salão ocupados com alguma densidade. Vi menos gente no velório do que costumo ver em dias de eleição ou tardes de autógrafo em General Severiano.
No cortejo que seguia o carro de bombeiro até o cemitério, umas duas dúzias de pessoas, número que foi rareando à medida que o carro acelerava a marcha, contornando o morro do pasmado.
Á beira do sepulcro, havia apenas pouco mais de uma centena de pessoas.
Entende-se que essa torcida, tida por si como de espírito e intelecto superior, deixe de encher dois Maracanãs a cada rodada do campeonato.
Mas não se entende, nem se desculpa, que tão poucas pessoas tenham comparecido ao enterro do nosso maior, o centro de gravidade desse microcosmo chamado Botafogo.

Nota particular, nesse episódio, deve ser dada à oficialidade botafoguense.

Os interesses maiores do Botafogo, na última quinta-feira, não estavam na Suíça, na Dinamarca, ou em Bangladesh. Estavam percorrendo, em quase solidão, as aleias do São João Batista.
Os sócios do clube, aqueles que não puderam comparecer pessoalmente, não estiveram representados, no enterro do Nilton Santos, pelo presidente eleito.

Essa ausência ficará como uma mancha singular, inapagável, na história dos mandatários do Botafogo.

Em tempo: minha esposa percebeu que o Nilton foi enterrado numa sepultura que fica localizada, da perspectiva de quem está de frente para o portal de entrada, na extrema ponta esquerda do cemitério.

***

Obrigado por compartilhar suas impressões e reflexões com os leitores do Fogo Eterno, Pedro. 

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