Rara iguaria, enorme alegria

O texto abaixo, enviado pelo Pedro Baptista Oliveira para os comentários da partida contra o Cruzeiro, é tão inspirado que merece um post à parte. Vale a pena ler. Obrigado, Pedro!

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coletivo

Devo dizer que acredito no título apenas como exceção. Um jogo como o de quarta é que mostra o vaticínio dos deuses sobre um campeonato. e o Botafogo demonstrou que, se não tanto do ponto de vista técnico, ao menos do esotérico as chances maiores estão do outro lado.

Combatemos em igualdade, mas, no momento crucial, as falhas capitais foram nossas, a falta de sorte foi nossa; foi nossa a infelicidade de testemunhar o naufrágio do nosso líder técnico-moral no momento justo em que ele devia agigantar-se e salvar o time inteiro.
O jogo de quarta era um daqueles fios-de-navalha, em que, por exemplo, um time como o de 95 (abençoado dos deuses) faria o resultado necessário.

Minha esperança de título já não é uma chama, é uma lampadinha esquecida.

Mas não por isso fico menos feliz com o nosso time. Nem vou deixar de acompanhá-lo nos estádios e apoiá-lo.
Porque é uma enorme alegria vê-lo jogar.
É uma alegria vê-lo reinventar-se a cada tentativa de mutilação (no que há o trabalho de artesania esplendoroso que vem fazendo o Oswaldo).
É uma felicidade assistir a um Botafogo que se impõe, que joga bonito, que empolga a torcida.
É ótimo ver um time tão bem concertado, tão ciente de si, tão em sintonia e (sobretudo em se tratando de Botafogo) tão cheio de caráter.

Muito bom ver, jogo a jogo, dividirem o campo um velho general afogueado do entusiasmo de um jovem oficial à cata de desafios, e novos e talentosos soldados perseguindo as glórias da batalha, mirando-se no exemplo do general.

CAMPEONATO BRASILEIRO - PORTUGUESA X BOTAFOGO - CANINDÉ

Os jogadores do Botafogo sabem o que são, o que podem e o que representam. Não se intimidam com o estigma pesado de derrotismo que pesa sobre a nossa estrela. Se há times que podem derrotá-los, nenhum vai derramar mais suor, nem aplicará mais sangue para vencer. E se a derrota vier, não terá tintas trágicas, como nas partidas decisivas que fizemos nos últimos anos. Virá a derrota não porque a deixamos vir, mas porque teve de vir.

estamoscomvoces

O Botafogo de 2013 é uma iguaria rara para os botafoguenses. Mas, mais que rara, singular, é a sintonia da torcida com o time; o apoio incondicional, maciço, permanente, uníssono que lhe dedica. Nem em 1989 houve isso.
Nossa torcida talvez sabe, no fundo, que esse apoio não nasce da perspectiva do título (que, afinal, depende de fatores imponderáveis); nasce, sim, do orgulho genuíno que dá ver esse time jogar.

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3 Respostas para “Rara iguaria, enorme alegria

  1. Obrigado, Marcelo, mais uma vez, pela fineza das palavras e generosidade da atitude.
    Agradeço oferecendo outro tijolaço.
    Vejo o pessoal reclamando da presença da torcida do Botafogo nos jogos.
    A questão da nossa torcida, essa esfinge, pode ser vista por um lado objetivo e outro subjetivo.

    Do ponto de vista objetivo, socorrendo-nos nos dados, nossa média de público no maracanã, no brasileirão deste ano, tem sido de 15 mil pessoas (15.300, aproximadamente) ___ permito-me desconsiderar, em benefício da torcida, os públicos de quando vivíamos nômades pelos estádios do Brasil, sem pouso seguro.

    É a segunda melhor média do século, atrás da de 2007, ano em que tivemos também um belo time, e em que as promoções de ingresso eram epidêmicas.

    Nos últimos 30 anos, apenas duas vezes nossa média foi maior que 20 mil pessoas: em 92 (25 mil) e 95 (23 mil).

    Indo as coisas na toada em que estão, vamos fechar o ano com a melhor média do século, rocegando as melhores médias da história, e com a maior arrecadação em termos relativos e absolutos __pois o ingresso está substancialmente mais caro.

  2. Com tudo isso, ainda assim era de se esperar que levássemos mais torcedores ao estádio, pois temos a maior chance concreta de título em muito tempo.

    E, então, por que não levamos?

    Em primeiro lugar, a torcida do Botafogo é, sim, um tanto acomodada ___ direi melhor, ressabiada. Em segundo, temos nosso, digamos, “limite fisiológico” para encher, com assiduidade, as arquibancadas. No grande Rio, somos apenas a quarta torcida (é pelos torcedores espalhados pelo Brasil que temos mais torcedores que o Fluminense).
    Um por cento da torcida do Botafogo, sendo assídua, enche de um quarto a metade do novo Maracanã. O mesmo percentual da do flamengo enche quase quatro maracanãs. O que prova que somos mais constantes e presentes que nossos congêneres.

    O Botafogo não encheu o maracanã em 89. Seus melhores públicos naquele ano foram em clássicos, sobretudo contra o flamengo, que entretanto estiveram longe de estar lotados.
    A final da conmebol de 93, um título internacional decidido em casa, recebeu, alegadamente, 70 mil pessoas, depois que os portões foram abertos à força.
    Os jogos da libertadores em 96 tiveram públicos constrangedoramente medíocres.
    O Botafogo não encheu o caio martins, na fase classificatória de 95, nem o maracanã, no mata-mata. Seus públicos foram apenas bons. Raros muito bons.
    Aliás, eu vi pouquíssimo o Caio Martins (com capacidade para 12 mil pessoas antes da reforma do Bebeto) plenamente lotado, exceção feita à campanha de 2003, na série B.

    Um símbolo da falta de atividade, de presença da torcida, foi a campanha “fica Gonçalves”, um jogo marcado pelo Montenegro a fim de angariar fundos para a compra do passe do nosso zagueiro ídolo. Se bem me lembro, foram menos de vinte mil pessoas, um fiasco memorável (a despeito de que o Gonçalves acabou ficando).

    A suma disso é que a torcida do Botafogo é historicamente ausente. Pode-se tentar explicar esse fenômeno pela enorme distância que existe entre as gerações vencedores de 68 e de 89-95, e o progressivo envelhecimento (os torcedores de 89, em boa parte, já não frequentam estádios) da maior parte da torcida. Pode-se procurar sanar esse problema com a disseminação e o afinamento do sócio-torcedor.

    E a conclusão de tudo são duas: uma, é que nossa média de público este ano, se não é ótima, também não é ruim, mesmo tendo em vista o excelente time que temos.
    Outra, mais profunda, é que só se cria na torcida o hábito dos estádios quando se tem um time habituado aos títulos.

  3. Tenho medo, depois da derrota para o Bahia e perdendo tantos gols, que o sapato alto esteja começando a reinar no elenco. O Cruzeiro empatou com o Curintia e mais uma vez, o BOTAFOGO não fez a sua parte.

    SB

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