Ainda Hyuri: A imortalidade de um soneto

O alvinegro Pedro Baptista Oliveira mandou um comentário sobre o gol do Hyuri para o post “Luz e mistério” que, de tão inspirado e tão esclarecedor, vale trazer de lá e compartilhar em destaque aqui no blog.

Valeu pela colaboração, Pedro!

“Qualquer pessoa que já tenha tentado jogar futebol na vida conhece a dificuldade de se realizar uma jogada como a de ontem, sobretudo aquele último drible.

Fazer um drible daquele, no pátio de casa, com bola parada, é difícil. Fazê-lo com a bola em movimento é mais difícil. Concluí-lo no meio de um jogo a valer pontos é dificílimo. Realizá-lo diante de zagueiros a soldo, isto é, pagos para impedí-lo, é quase impossível.

hyurinolance1

A jogada teve uma primeira parte de primorosa técnica de campo e uma segunda de exemplar técnica de salão. Uma coisa pra se notar é que nenhum defensor chega a tocar na bola: a única participação dos “coritibanos” na jogada é seu empenho em contê-la. Hyuri é, durante todo o tempo, senhor da bola.

hyurinolance3

Alguns comentaristas quiseram dizer que, num determinado momento, o Hyuri perde o controle da pelota, para retomá-lo em seguida. Não. O que aconteceu foi que nosso atacante, tendo traçado um caminho eficiente para o gol, encontrou no meio dele um muro de zagueiros que lhe pareceu intransponível e, assim, num átimo, recalculou a estratégia, mudou o caminho, e executou a nova intenção com tirocínio e aptidão motora extraordinários.

hyurinolance2

Talvez o Hyuri não seja o gigante que esse lance permite entrever. Talvez sua carreira pouco sobreerga-se da mediocridade. Mas a noite de ontem já marcou permanentemente o seu nome. Há poetas obscuros cuja perenidade se deve à imortalidade de um único soneto”.

Fotos: Site oficial do Botafogo

 

Anúncios

Uma resposta para “Ainda Hyuri: A imortalidade de um soneto

  1. Prezado Marcelo, agradeço o destaque generoso e imerecido. A inspiração, em realidade, não foi minha, foi do Hyuri; a propósito, é permitido acreditar que tanta inspiração vem, na verdade, de uma celestial conspiração, de Saldanha, Touguinhó, Mendes Campos, e outros cansados de sofrer por lá, e de nos ver sofrer por aqui. Quem sabe esse ano?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s