O adeus de um símbolo

Não é apenas pelos dez milhões de euros da multa paga pelo CSKA.

Não é apenas pelo fato de o time perder boa parte de seu potencial de definição ofensiva.

Não é apenas pelo fato de Vitinho ser a maior revelação do Botafogo nos últimos anos, talvez décadas.

Não é tampouco somente pelo fato de que Vitinho estava em fase iluminada, que certamente o levaria à Seleção Brasileira e nos ajudaria a garantir, no mínimo, uma vaga na Libertadores.

A saída de Vitinho nesse momento representa, para toda uma geração de jovens alvinegros, a perda de um espelho: uma referência que não se intimidava com traumas do passado. Pelo contrário, driblava todas as nossas cicatrizes e partia em direção ao gol, em busca da felicidade ampla, geral e irrestrita, sem senões nem reticências. Vitinho chutava, chutava e chutava. Ele era a representação daquela frase clássica: “Por não saber que era impossível, foi lá e fez”.

Vitinho representava um Botafogo abusado, impetuoso e destemido.

Vitinho simbolizava um Botafogo renascido.

Vitinho sintetizava o presente e o futuro.

Perder a sua maior revelação na última semana de janela aberta para transferências internacionais: isso, sim, é tomar um gol nos acréscimos.

Vamos em frente.

Até porque, felizmente, o Botafogo não é apenas Vitinho.

E, se os deuses quiserem (e, dessa vez, eles vão querer), em dezembro poderemos afirmar, admirando uma foto gloriosa: “Olha só a festa que você perdeu, Vitinho!”

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12 Respostas para “O adeus de um símbolo

  1. Perfeito! Torço que sua esperança seja recompensada pois a sensação nesse momento é de grande tristeza pela forma como ocorreu!…

  2. Lamentável! A dimensão da perda eh gigante. Não lembro de termos algum jogador de tanto potencial e referencia de bom trabalho de base.
    Não me venham com a conversa da surpresa com os “empresários” da Traffic. Vocês convivem com estes pilantras e os alimentam.
    Alias, uma empresa com este nome, TRAFFIC, não pode ser de bom conceito.
    Parece que tem umachance do Porto (Pt) pagar o mesmo e so leva-lo ao final da brasileirO. Tomara.

  3. A ressurreição do BOTAFOGO fica cada vez mais distante, primeiro, o não convincente fechamento do Engenhão que muito abalou as finanças do clube. Agora, a venda de Vitinho, ainda uma promessa, mas, se bem orientado talvez vestisse a amarelinha mais cedo que se pensava. Só nos resta lamentar e torcer para que Sassá, Dedé e outros da base, supram as necessidades do time.

    SB

  4. Por essas e outras que não me iludo mais com o Botafogo, clube que parece limitado a ir bem (quando vai) apenas no mixuruca Campeonato Carioca (Me Engana Que Eu Gosto), fazendo sempre o papel de coitadinho esforçado em torneios maiores. O que ocorreu com esse garoto (no qual não vejo tanta bola assim, mas que para o time era importante) é emblemático de um clube que se apequena cada vez mais: afundado em dívidas colossais, sem um patrocinador de peso, sem estádio e sem projeto. Para os que acham que ainda vai dar para se manter na briga, boa sorte. Um Seedorf só não faz verão.

  5. A situação financeira é dramática. As Bilheterias do Clube são ridículas. O Caminho em curto prazo ainda é este. O BFR precisa de soluções espetaculares, dentro de nossa realidade. Não há espaço p/ MIMIMI MIMIMI MIMIMI MIMIMI MIMIMI MIMIMI MIMIMI MIMIMI MIMIMI. O BFR precisa gerar novos Vitinhos e novos Dórias, a cada temporada.
    Vitinho, vá com Deus, e que o BFR valorize ao extremo, todos os centavos com esta nova receita.

  6. Cleto, seria menos mal se o dinheiro de Vitinho chegasse pra pagar a folha atrasada e outras contas. Não amigo! O dinheiro esta penhorado e ira para a Sec. Da Fazenda. Portanto, lamentavelmente, teremos que gerar vários Vitinhos e Dorias. Enquanto isso o nosso sonho vai ficando mais distante.
    Não eh MIMIMI, eh a dura realidade.

  7. Quando cheguei hoje ao consultório do meu cardiologista, mais botafoguense do que eu, levei um susto ao ouvir dele: Tenho uma notícia muito triste para lhe dar, meu caro Carlos.
    Pensei: deve ter visto o resultado dos meus exames e esperei o pior.
    Ele, enfático exclamou : Venderam Vitinho. Isso é um absurdo. Estava sendo o melhor jogador do Botafogo, ia ser provavelmente o melhor do campeonato e agora vai jogar na Rússia.
    E, terminou, como bom cardiologista:
    – Assim não tem coração alvinegro que aguente…
    P.S. – Os meus exames apresentaram excelente resultados: triglicerídios, colesterol, glicemia e o teste ergométrico saíu melhor do que imaginava.
    Ao sair, tive vontade de receitar um remédio para o coração do meu revoltado cardiologista…

  8. Marcelo,

    É isso mesmo, não é só pela venda ou perda do Vitinho, mas tudo que ele representava. Quem sabe a libertação e esperança de dias melhores e conquistas nacionais.
    Pior de tudo é que não veremos a cor desse dinheiro, pois foi ou será penhorado. Se algum dia o governo liberar, será para pagar os salários de jeans, vinicius, fuskas, somalias e outras barangas que apostaram.

    Abs e Sds, Botafoguenses!!!

  9. Ganhar o título sem elenco é uma utopia quase impossível! Sejamos realista nossa chance de ganhar alguma coisa diminuiu 50%. Mas é isso ai, continuaremos sofre com o Botafogo e suas diretorias medíocres.

  10. Eu acho muita tempestade num copo d’água. A 10 jogos atrás ele era vaiado por ser fominha e agora virou ídolo !? Esquece, nessa eu não caio.
    Preferiu o dinheiro, é direito dele. Boa sorte, onde quer que vá.
    O Botafogo está aí e vamos com tudo para cima do Galo.

    Saudações Botafoguenses

  11. Em primeiro lugar, é necessário desfazer uma impressão que essa diretoria, um tanto teatral, quer nos passar.
    Marechal Hermes, nosso celeiro de craques, está pouco melhor hoje do que estava há cinco, seis anos. Os projetos acerca dali não saem do papel. O que mudou, nesse tempo, foi que as categorias de base do Botafogo passaram a ser mais bem adubadas de empresários. Raros pratas-da-casa nossos começaram no Botafogo: vieram pra cá um ano, pouco mais ou menos, antes de ascender ao time profissional.
    Posso me enganar, mas acho que se o Vitinho tivesse sido um fraldinha do Botafogo não teria saído como saiu.

    Sobre o Vitinho, sua perda tem duas dimensões: uma técnica outra simbólica.

    A técnica diz respeito às aptidões em si do Vitinho, que, se não era o jogador mais importante do elenco, e não era, vinha tendo uma importância crescente.
    E diz respeito também à perda que sofre o time que tinha aprendido a jogar com sua presença. A perda de uma peça, numa máquina bem azeitada, equivale, num primeiro momento, à perda da própria máquina.

    A dimensão simbólica diz respeito à torcida, a venda do Vitinho corresponde à do mais promissor jogador surgido em General Severiano nas duas últimas décadas. Isso é um golpe severo na auto-estima da torcida. E lhe dá a impressão de que a diretoria é incapaz de proteger os interesses do Botafogo. Que a primeira rês cevada aparecida depois de um longo período de vacas magras será arrebatada tão facilmente como foi o Vitinho.

    E aliás, assunto para outra oportunidade é analisar o maior episódio de auto-sabotamento que eu já vi acontecer no Botafogo, ou seja, essa venda como foi, quando foi.

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