Cruzeiro 1 x 3 Botafogo: Queria que vocês estivessem aqui

Fui ao Independência. Vi o show do Seedorf. Vi meu time ganhar com autoridade. E isso poderia bastar.

Mas aconteceu algo além do que mostraram as câmeras de tevê – parece que o jogo foi transmitido para todo o Brasil pela Globo, menos SP e MG. Foi a comunhão entre torcida e jogadores: um empurrou o outro, e isso fez um bem danado para ambos.

Eu estava no meio da aguerrida torcida alvinegra que não parou de gritar nenhum minuto naquelas estranhas e desconfortáveis arquibancadas verticalizadas do Independência, tão verticais que só dá para assistir o jogo em pé, e mesmo assim sem enxergar direito uma das laterais do campo.

Vi um bando de apaixonados pelo Botafogo peitando, no grito, a maioria cruzeirense – e desde os primeiros minutos de partida. Vi meninos, vovôs, estudantes, executivos, moçoilas e senhoras gritando em uma só voz: “Sou Botafogo!”.

E, permitam-me dessa vez, não comentar muito sobre o jogo em si: até porque, com exceção do primeiro tempo do Fábio Ferreira, todo o time esteve muito bem. Meus destaques foram o Fellype Gabryell na 1a etapa, Andrezinho no segundo tempo, e ainda a seriedade do trio Jadson – Gabriel – Dória o tempo inteiro, meninos que jogaram com comprometimento de gente graúda. Duas ótimas defesas do Renan (“o 2o melhor goleiro do Brasil”, segundo um dos gritos da torcida), a força de vontade do Márcio Azevedo e… bem, teve a atuação do Seedorf.

Ainda não sei definir o que foi mais espetacular: a conclusão no primeiro gol, a precisão no segundo gol, ou o pique e o passe para Jadson marcar o terceiro gol, humilhando o Leandro Guerreiro. Só sei que não vou esquecer jamais desses três lances, nem dos gritos da torcida a cada jogada de gênio do holandês.

 “Siii-dóóóór-fêêê, ô-bá, ô-bá!”

O holandês retribuiu os aplausos ao sair de campo. Mas fez mais: deu um longo abraço no Marcio Azevedo, e ambos saíram do gramado juntos, simbolizando a união da técnica e da garra. É isso o que queremos a cada jogo – nem mais, nem menos. É isso o que merecemos.

Ok, o time se ressente fortemente de um centroavante, um atacante de ofício – e isso fica ainda mais evidente ao vivo, quando vemos o pobre do Elkeson totalmente perdido, lutando contra os zagueiros adversários sem encontrar um posicionamento eficiente.

Ok, precisamos de zagueiros confiáveis – Fábio Ferreira falhou no gol cruzeirense, e ainda cometeu duas ou três lambanças que quase colocaram tudo por água abaixo.

Mas peço a permissão para deixar de lado por alguns instantes os nossos crônicos problemas e compartilhar a minha emoção, a minha felicidade de ter compartilhado 90 minutos de alegria alvinegra, com a mais apaixonada e destemida das torcidas:

– Á-há, u-hú, o Independência é nosso!  

– 1,2,3, essa p*rra é freguês!

– Fogoo, Bo-ta-fooogooo!!! 

– E ninguém cala esse nosso amor…

– Tu és o Glorioso, não podes perder, perder pra ninguém!

E o tempo de 20 minutos de “castigo” nas arquibancadas para poder deixar o estádio, determinado pela PM mineira, se tornou a mais doce das esperas. Estava na melhor das companhias: uma torcida feliz. A torcida do meu time.

Gostaria que todos vocês estivessem ali, naquele momento em que o pai de dois garotinhos, um deles de no máximo cinco anos, virou para mim e disse:

– Esses aqui são os meus meninos! É a primeira vez que eles vêm ao estádio e viram dois gols do Seedorf. Não vão esquecer nunca mais!

Não, eles não vão esquecer. Ninguém que foi ao Independência ou assistiu pela tevê esse jogo vai esquecer o que viu nessa quarta-feira.

Obrigado, Seedorf.

Obrigado, Botafogo.

PS: Nossa torcida gritando “Leandrô Guerreirô”, logo DEPOIS de o volante do Cruzeiro tomar uma aula de futebol do Seedorf, foi de lavar a alma, depois de tantas entregadas com a camisa alvinegra. Tem torcedor cruzeirense até agora sem entender a nossa “homenagem”.

PS II: Fellype Gabryell voltou, conseguimos duas vitórias. Coincidência? Claro que não. Pena que o rapaz-das-canelas-e-pulmões-de-vidro não tenha saúde para jogar 90 minutos em alto rendimento.

PS III: Renato, por enquanto, não tem vaga nesse time.

PS IV:  Durante todo o jogo, Oswaldo fica praticamente inerte, de braços cruzados, assistindo à partida. Um dos torcedores na arquibancada não perdoou e gritou: “Descruza os braços, tira essa calça enterrada e vai trabalhar, Oswaldo!”

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14 Respostas para “Cruzeiro 1 x 3 Botafogo: Queria que vocês estivessem aqui

  1. Como é importante para um garoto ver uma vitória inesquecível em sua primeira partida ao estádio….

    A minha foi no dia 30/09/1993. Eu tinha 5 anos… Foi inesquecível pela quantidade de gente, pela confusão ao entrar, e inesquecível pela festa que aconteceu depois de um goleiro de nome engraçado agarrar uns pênaltis.

    Não deu outra, virei fanático, segui a religião do meu pai. Esbocei um sincero sorriso quando li a parte que fala das crianças. Esse será um dia marcante para elas…..

    Saudações alvinegras

  2. Marcelo,
    Que o idiota do monge japonês, OdiO, não faça lambança e não mantenha as suas bestas e protegidos jogadores! Os meninos estão voando e não é de hoje que fazem isso nos treinamentos. Pq contrataram Lenon, Amaral, Lima, Rafael Marques e outros?
    Esse é o Botafogo que aprendemos a amar e criticamos para melhorar e crescer continuamente!
    Saiba que do sofá escutei os teus gritos e comentei muito com filhos e esposa. No terceiro gol não me contive e gritei muito!
    As tuas palavras me emocionaram e os olhos marejaram! Esse é o nosso Botafogo!

    Abs e Sds, Botafoguenses!!!

  3. Passou muito bem, para quem não estava presente, o clima do jogo!
    Show de bola!

  4. Esse jogo me fez ir as lágrimas,lembrei de 89 do eterno gol d mauricio,e SEEDORF vc ja é eterno p nos. obrigado SEEDORF.

  5. Pelas terras da Minas Gerais, Cruzeiro e BFR voltam a praticar um futebol em grande estilo, agradando em cheio, aos amantes do futebol.
    Como Botafoguense, me arrepiei vendo jogo pela TV, assim continuo vendo vídeo. Imagino como deveras ter sido espetacular no Independência ?

    Aproveito para pontuar:
    1) No 3º gol do BFR, o Jadson incorporou o “Túlio Maravilha, recém chegado do Goiás”;
    2) Técnco: OdeO
    2.1- Vamos parar com esta mesmice de Flamenguista e Corinthiano com relação ao técnico de Futebol. Nos Botafoguenses temos a obrigação conhecermos a história, a realidade e canalizarmos todo e qualquer esforço para o bem BFR;
    2.2- Não defendo o técnico e sim o BFR;
    2.3- No início da temporada, defendia eu os nomes do Jorginho, Vadão e o Marcelo. Com certeza, qualquer um dos 03 já estariam fritados neste momento.
    2.4- Hoje, parabenizo o presidente MA, pela tese de que não bastaria ser um técnico qualificado, mas também era fundamental, ter em seu currículo, títulos importantes conquistados.
    2.5- A entrevista do sportv mostra uma lucidez do técnico do BFR.

    http://sportv.globo.com/videos/botafogo/t/ultimos/v/oswaldo-de-oliveira-destacou-a-atuacao-de-todo-o-time-do-botafogo/2125326/

  6. Excelente post. De arrepiar! Parabéns!

  7. Ahh, como é bom ter o Leandro Guerreiro … no time adversário hehehe.

    Sílvio Porto Alegre

  8. Ahh,como é bom ter o Leandro Guerreiro … no time adversário hehehe

  9. Parabens pelo post! realmente me deixou com os olhos marejados… somos assim… ficamos putos, tristes, frustrados, decepcionados… mas cada dia amamos mais o Botafogo.

  10. Um amigo me mandou uma mensagem às 22:40 hs. que, de manhã, não consegui entender: “Esse Seedorf é f…, com ph de farmácia.” Só depois é que soube da vitória espetacular de 3×1 e de virada – o que é muito melhor.
    E’ que faltou, Marcelo, a sua mensagem no celular avisando da vitória… Como todos sabem, na hora dos jogos do Fogão, fico fora do ar!

  11. Guardo meu ingresso com carinho! Nunca fui tão feliz, todos meus companheiros do grupo Torcedores do Botafogo sabem como esse jogo mexeu comigo. Foi a primeira vez que vi o meu Botafogo em campo, ao vivo… no dia seguinte, tive que arrumar voz para zoar meus colegas de classe. E consegui. Não ia deixar passar. A torcida gritando, “Ahá, uhul, o independência é nosso!” nunca, mas NUNCA vai sair da minha memória. Eu realmente chorei. Meu pai cruzeirense que me levou ao jogo, ficou emocionado com minha alegria. No próximo jogo, eu estarei lá. Quem sabe não nos encontremos?

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