Botafogo 1 x 1 Treze: Aqui, não!

“Aqui, não!” Gritou Jefferson para o trezeano que resolveu brincar de cavadinha e permitiu ao nosso goleiro defender a cobrança sentado, usando só a mão esquerda, finalizando a série de pênaltis na final da Liga dos Campeões, digo, da primeira fase da Copa do Brasil.

Eu aproveito o desabafo de Jefferson, coisa rara na trajetória de um jogador tão tranquilo (e por isso mesmo tão sintomática de um problema maior), para dizer que dá vontade de chegar em General Severiano e, ao ver apontar o Marcio Azevedo e o Fábio Ferreira, gritar: “Aqui, não! Aqui, não!”

De tirar o Jobson de campo enquanto ele não recuperar a plena forma física e gritar para o departamento médico que não dá para conviver com tantas lesões no início da temporada: “Aqui, não! Aqui, não!”

De ter coragem de tirar o Loco Abreu da relação de cobradores de pênaltis, logo ele que fez uma ótima partida, fazendo um gol e fazendo pelo menos três assistências: “Nessa lista aqui, não! Nessa lista, aqui, não!”

De dar parabéns ao Herrera pelo espírito de luta, pela garra, mas apontar para o gramado e dizer que ele não tem condições técnicas de ser titular do Botafogo: “Ali, não! Ali, não!”

De fazer o departamento de futebol do Botafogo entender, de uma vez por outras, que com esse elenco limitado, não chegaremos a lugar nenhum. “Aqui no meu time, não! Aqui no meu time, não!”

De determinar que o Botafogo não foi feito para sofrer, pelo segundo ano consecutivo, na primeira fase da Copa do Brasil. E de lembrar que ganhar na disputa de pênaltis do Treze só não é mais humilhante do que ser eliminado da mesma forma.

Enfim, é preciso muitos gritos de “Aqui, não!” para que o Botafogo volte a conquistar a dimensão que tem, e que construiu de forma tão gloriosa. E dá um baita desalento perceber que estamos muito, muito longe desse dia.

Parabéns, Jefferson. Por pegar o pênalti e por ter, na noite de quarta-feira diante de 3 mil testemunhas no Engenhão, incorporado o espírito explosivo de Heleno de Freitas naquela mistura apaixonada e catártica de grito com desabafo. Por um instante, você lavou a nossa alma – mas o corpo continua dolorido, sofrido, castigado, anestesiado.

Você, Jefferson-Heleno, mereceu a classificação. E só você mereceu essa classificação.

Foto: Lancenet!

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16 Respostas para “Botafogo 1 x 1 Treze: Aqui, não!

  1. Cara, deixa eu te falar uma coisa do fundo do coração. O pessoal pega muito no pé do Marcio Azevedo, mas, pra mim, o Lucas é MUITO pior! Como ninguém reclama dele? Mistério.

    • Raphael, no campeonato de pontos corridos de ruindades, o Lucas tem chegado perto do M.Azevedo – ontem, em especial, ele foi muito mal. Mas é que o Lucas ainda tem um pouco de crédito pela capacidade de apoiar ocasionalmente de forma incisiva. O que não acontece NUNCA com o M.Azevedo. Sem contar a capacidade do M.A de dar condição nas linhas de impedimento, fazer faltas desnecessárias, perder bolas armando contra-ataques, etc.

  2. Aonde assino hein?Sensacional Post!
    Abraço
    Igor,sem mais!
    Meu blog: http://igoresportes.blogspot.com/ e no twitter @blogdoigor05

  3. Engraçado, Marcelo, que mais uma vez, sua raiva é contra M.Azevedo e Fábio Ferreira, dois paraibanos, quando na verdade, o lateral direito tem sido peça nula desde que se sentiu titularíssimo. E a integração de Somália será importante porque ele engana no meio campo e nas duas laterais, e acima de tudo, tem garra.

    Herrera, segundo a ESPN, saiu reclamando da maratona de jogos, ora, o que esses caras querem mesmo é jogar apenas no Engenhão uma vez por semana, com pagamento em dia e pronto, os torcedores que se lasquem e passem por vexames como o de ontem.

    No papel, o time não é tão ruim, está faltando praticar um futebol de toques, deslocamentos, pois, como diz a proposta do esporte, o coletivo é que deve prevalecer sobre o individualismo, e eu acrescento, do marketing também.

    San

    • Santos,
      não entendi a referência ao fato dos dois serem paraibanos. O que isso tem a ver com a crítica? Pego no pé do Herrera, ele é argentino. O finado Alessandro, acho que é paulista. Felipe Menezzzes, parece que é goiano. Enfim, perebice não tem nada a ver com certidão de nascimento. E, sim o catarinense Lucas tem se mostrado uma nulidade – mas, ao menos, não faz lambanças em série como o Marcio Azevedo. Como falei ontem no Twitter, o posicionamento do nosso lateral esquerdo dentro de campo parecia o de um caranguejo embriagado, ele não possui nenhum senso de localização espacial – o técnico do Treze enxergou isso e mandou o ataque inteiro de seu time cair por aquele setor, imagine como será no Brasileirão?
      No papel, acho que o time não é ruim, mas o elenco continua limitadíssimo. E alguns, que chegaram cheio de banca, como Andrezinho, já têm mostrado infelizmente porque eram banco em seus times anteriores. Está faltando futebol de toques?Ok, mas também está faltando mais seriedade, maior comprometimento – não fosse aquela gracinha do Elkeson no primeiro jogo, não teríamos passado por esse vexame ontem.
      San

  4. Novamente gostaria de discordar. Não acho que o Botafogo tenha perdido em nenhum momento sua dimensão gloriosa, ainda mais por conta de um jogo. Botafogo jogou como time grande, criou várias oportunidades, mas só não fez muitos gols por conta do goleiro do Treze, que jogou muito bem. Aliás, se o Botafogo jogou como time grande, o Treze jogou como o azarão que era, sem ter o que perder, se arriscando em demasia.
    * Se tirar o Márcio Azevedo e o FF, vai colocar quem no lugar?
    * Jobson tem que jogar. Só assim ele ganha ritmo.
    * Como assim tirar o Loco da relação de cobradores? Só perde pênalti quem cobra pênalti, faz parte do futebol, não dá para acertar sempre. Mas tirar o Loco da relação de cobradores seria uma atitude muito extrema e desnecessaria.
    * Há muito tempo não tínhamos um jogador como o Herrera. Certo, ele perde muitos gols. Mas nem por isso deixa de ser importante para o time por sua garra e determinação.
    * O elenco do Botafogo é um dos melhores do Brasil, só não está completo. Precisamos de mais 1 ou 2 zagueiros e 2 laterais (dir. e esq.). Chamar o elenco de limitado não é correto nem verdadeiro.
    Saudações Botafoguenses!

    • Oi Marcos, muito legal você aparecer por aqui, ainda mais disposto a compartilhar sua discordância, tão claramente externada. Vou aproveitar seu comentário para tentar ser mais claro nos meus argumentos.
      1) Não acho que a grandeza tenha sido perdida apenas em um jogo. A dimensão gloriosa vai definhando por conta de uma sucessão de vexames desde 2007, do River Plate (ARG) ao River Plate (SE) – e dois empates contra o Treze logo no início da competição mais importante do semestre, convenhamos, não ajudam a resgatá-la.
      2) Colocaria o Somália ou o Lucas Zen, mesmo improvisados, no lugar do Marcio Azevedo e experimentaria o tal Brinner na vaga do FFerreira.
      3) Sim, Jobson tem que jogar. Nesse ponto, concordamos – prefiro ele sem ritmo do que Felipe Menezzzes e Caio cheio de gás.
      4) Acho que o Loco não pode temporariamente ser o cobrador oficial de penalidades por uma questão de aritmética: nas últimas 5 cobranças, ele errou 4. Remoção, claro, é temporária. Até porque ele voltou a jogar bem. Em caso de uma nova série de cobranças, o colocaria no início ou no meio, jamais como último cobrador.
      5) O Herrera não só perde muitos gols, como perde muitas chances de permitir aos seus colegas fazerem gols. Ele só passa bola para o Loco, pode reparar – quando o mais bem colocado é o Elkeson ou outro, ele sempre tenta a jogada individual. Acho que o Herrera, que admiro pela personalidade e pelo comprometimento, é uma lástima do ponto de vista técnico. Tem que ficar no banco para na base do abafa, tentar alguma coisa em caso de dificuldade no segundo tempo de uma partida.
      6) Sobre o elenco, nós concordamos nas carências (eu acrescentaria um atacante) mas discordamos na avaliação geral – acho o elenco do Botafogo limitadíssimo, e muito longe de ser um dos melhores do Brasil. Inter, Flu, Grêmio, SP, Santos e Corinthians têm um grupo mais qualificado do que o nosso, na minha opinião.
      7) Sobre a superioridade de finalizações e maior volume de posse de bola, acho que é até obrigatório. Mas não dá é para deixar de converter tanta superioridade em gols, muitos gols. Golear, ou ganhar por uma diferença de ao menos dois gols, era obrigação. Basta ver o que fizeram Palmeiras e Grêmio em seus jogos em casa.

      No mais, sem ironia, fico feliz em saber que alguns torcedores alvinegros não estejam tão pessimistas com esse time. Tudo que eu quero é ser desmentido pelos fatos ao longo do ano: que o Herrera vire um homem-gol, que o Botafogo massacre o Guarani, etc. Mas, do que vejo, não enxergo uma evolução – pelo contrário, acho que o sistema defensivo está mais vulnerável do que em 2011, mesmo que ainda não tenhamos sofrido nenhuma derrota.
      Sds alvinegras,

  5. Enquanto continuarmos com a mentalidade demonstrada no post acima, de que o time do Botafogo do jeito que está é bom, teremos que nos conformar tão somente em chegar, se chegar, em semifinais do Estadual do Rio, brigar para não cair no Brasileiro e, se der e com sorte, arranjar uma vaguinha na Sulamericana. O time do Botafogo é fraco, sim. Até a minha filha de dez anos já me falou isso um dia. Time em que jogam Márcio Azevedo, Lucas e Herrera pode ser considerado bom ? Os dirigentes do Botafogo vieram babando aqui em Porto Alegre atrás do Andrezinho, no Inter, quando a moral dele por aqui ficava mais por baixo que barriga de jacaré. Sabem por quê ? Por que no Inter não tem essa de pensar pequeno. Jogador medíocre jamais ganha status de craque. Fica, quando muito (o que era o caso do Andrezinho), no banco. O resultado ? O Inter é campeão de tudo o que disputou na sua história. Quanto ao Loco Abreu, repito uma pergunta que já fiz (acho que aqui mesmo) há um tempinho: o que de real ele deu ao Botafogo para ter essa pose de ídolo ? Bateu um pênalti (com cavadinha que quase não entrou) na partida final contra o Flamengo, lembrando que se não fosse o Jefferson ter defendido um outro pênalti depois, não teria sido o gol do título. Trata-de de um perfeito caneludo. Ou seja, enquanto pensarmos pequeno ou, por outro lado, enquanto não arrumarmos um patrocinador como tem o Fluminense, disposto a fazer o nome em cima do Botafogo, não teremos um time decente e continuaremos de vexame em vexame, como foi o caso desse de ontem. Classificar nos pênaltis contra uma potência futebolística como o Treze da Paraíba me faz temer levar uma goleada do Guarani de Campinas, que até outro dia estava na enésima divisão do Campeonato Brasileiro. E assim vamos levando …

  6. Aqui não também para o Herrera “Se eu fosse bom estaria no Barcelona e não no Botafogo” Quase Gol !!!!!!
    Abraços,
    Luis Celso

  7. Um tradicional “Em Tempo”: O gol do Treze teve sua origem em um erro de passe do Herrera mas já comentei que nos últimos jogos o Jefferson tem falhado em alguns lances. Parece que reus reflexos estão meio lentos. Ontem claramente a bola iria para fora no chute do jogador do Treze. Mas o Jefferson já havia se atirado para a direita quando houve o desvio na zaga. Outro dia levamos também um gol quando ele teve a oportunidade de pegar a bola com as mãos mas permitiu que ela saisse da área e foi obrigado a usar os pés. Alguma coisa está errada com ele.
    Abraços,
    Luis Celso

  8. Depois daquele penalty perdido (Que bom!) pelo jogador do Treze que justificou ter tentado uma cavadinha, aqui em João Pessoa (onde 90% da torcida foi contra o time de Campina Grande), o comentário era um só:
    Léo Rocha inventou a batida de penalty “cagadinha”…
    E se viu no que deu!

  9. É fundamental colocar os novos talentos p/ jogar. É preciso Administrar a Adrenalina.

    1) O BFR acertou, emprestando o Alex p/ o Joinvile. Se o Alex estivesse disputando libertadores por time da Venezuela, ou Equador ou outros, seria melhor ainda.

    2) O BFR erra, insistindo momentaneamente com o Wilian no elenco. É preciso provar lá fora e depois retornar;

    3) O Jéferson, ex-parceiro do Lucas no São Paulo está precisando jogar, ou no BFR ou lá fora. Se o Jéferson tiver capacidade de se desenvolver defensivamente, a ala esquerda seria uma boa porta de entrada para os grandes desafios;

    4) O Montillo/Cruzeiro, Barcos/Palmeiras e Loco Abreu são exemplos de personagens que aprenderam administrar a adrenalina

    Entrevista afim:

  10. De: Luis Celso
    Para: Herrera “Se eu fosse bom de bola estaria no Barcelono e não no Botafogo” Quase Gol
    Assunto: VTNC

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