Histórias gloriosas: A Crônica do Pereirão

 

  O Botafogo de todos  os tempos

C. Pereira

            Selecionei, não ao acaso, algumas formações do Botafogo de Futebol e Regatas que se tornaram marcantes na história do clube ao longo de toda a sua existência. É’ uma tentativa de remontar, junto aos torcedores alvinegros, os times que fizeram sucesso, principalmente na conquista de títulos que se inscreveram como dos mais importantes na galeria de troféus de General Severiano.

É um exercício de cidadania botafoguense, posto à disposição de todas as faixas etárias, ou seja, dos nove aos noventa anos. Os mais velhos (como eu) certamente se recordarão das primeiras e os mais jovens (como meus filhos e netos) têm firmes  a lembrança das mais recentes.

Como homenagem aos 107 anos do Glorioso, destaco nesta crônica, o extraordinário time  campeão carioca de 1948 que só não conquistou o título invictamente porque (ironia do destino) foi derrotado, logo na primeira rodada, pelo modesto São Cristóvão, pelo contundente placar de 4×0.

O jogo final do campeonato, contra o Vasco,  se deu no dia 12 de dezembro no acanhado estádio de General Severiano – lá estavam espremidos mais de 20 mil torcedores, 90 por cento botafoguenses que, ao final,  cantaram a vitória do Glorioso por 3×1. Tinha eu 10 anos e ouvi o jogo no rádio Phillips holandês, de válvulas, na sala de jantar da casa de um primo, tão alvinegro quanto eu – aqui em João Pessoa. Eaquele time, campeão de 1948, ficou inesquecível: Osvaldo, Gerson e Nilton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otávio e Braguinha.

Os gols alvinegros foram marcados por Paraguaio, Braguinha e Otávio e essa partida que fez parte da última rodada do campeonato (jogado em dois turnos, em pontos corridos), ficou conhecida como a final “pé-de-mico” pois, segundo comentários que acabaram virando lenda, o Botafogo tomou “todas as providências” para vencer o jogo, inclusive algumas consideradas fora de campo.

Começou com a entrada em campo, junto com o time, do lendário Presidente Carlito Rocha que, naturalmente, se fez acompanhar de Biriba, o cãozinho mascote do clube, figura impar  que marcou época no futebol carioca.

Diz-se, também, que o vestiário do vasco foi pintado, na manhã do jogo, com cal virgem (nada de gás-pimenta, coisa da modernidade química!), para provocar ardência nos olhos dos jogadores. Afirma-se, também, que ao entrar em campo, a equipe do vasco foi “saudada” com uma chuva não de pó-de-arroz (coisa de tricolor!), mas de pó-de-mico que, como se sabe, dá uma coceira danada…

Para concluir esse relato sobre  as providências “extra-campo”, falou-se naquele tempo que um espião alvinegro teria colocado, no intervalo do jogo, um providencial sonífero na água e no café dos jogadores vascaínos.

Mas essas alegações (ou aleivosias dos vencidos )  jamais foram comprovadas  e, certamente, eram tentativas de explicar a derrota do vasco, criadas pelo presidente de então que, registra a história, não era ainda o sr. Eurico Miranda.

E aquele time de 1948 que ficou eternamente marcado na história do Botafogo, ainda hoje é lembrado de cor por muitos que – como eu – já torciam à época pelo Glorioso: Oswaldo, Gerson e Nilton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otávio e Braguinha.

C.Pereira é pai e avô, jornalista e alvinegro, não necessariamente nessa ordem…

E, de antemão, para ele e todos os pais e avôs botafoguenses, um domingo glorioso!

 

 

 

 

 

 

 

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Uma resposta para “Histórias gloriosas: A Crônica do Pereirão

  1. Essa vitoria foi a terceira neste ano, haja pó de mico

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