Botafogo 4 x 0 Vasco… em 1968! A volta da Crônica do Pereirão

A grande festa do Botafogo  de 1968 (*)

C. Pereira

                       Um dos melhores times que o Botafogo de Futebol e Regatas já teve, nos últimos 60 anos, foi sem dúvida o que conquistou o campeonato carioca de 1968. Embora fossem anos de chumbo, em razão do golpe militar que implantou uma ditadura sanguinária no país, os anos sessenta foram talvez os mais vitoriosos do Botafogo.

O Glorioso da estrela solitária que rivalizava com o Santos de Pelé, em ceder mais jogadores para a seleção brasileira – campeã em 1958, na Suécia e bi, no Chile, tinha – entre outros – craques (na acepção do termo) como Newton Santos (naquela época  era assim escrito!), Garrincha, Didi, Amarildo, Zagalo, Quarentinha, Jairzinho, Carlos Roberto, Manga, Paulo César e  tantos outros que fica até difícil enumerá-los.

Na decisão do certame carioca de 1968 num inesquecível jogo, realizado  em 9 de junho num Maracanã lotado, com quase 160 mil espectadores, o Botafogo enfiou uma goleada histórica no Vasco da Gama. O placar foi de 4×0, com direito a show de bola e olé no final.

Os gols foram marcados por Roberto, Jairzinho, Rogério e Gerson e aquele time vencedor jogou com Cão, Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Valtencir; Carlos Roberto e Gerson; Rogério, Jairzinho, Roberto e Paulo César.

Estive presente nas arquibancadas, espremido no meio da torcida botafoguense que, nesse domingo, era bem maior do que a do vasco da gama. E sobre esse jogo, guardo duas lembranças interessantes:

1 – O mais difícil foi chegar ao Maracanã. Eu estava morando no Rio há pouco mais de um mês e resolvi aceitar a carona que me ofereceu  Celeste,   botafoguense autêntica e destemida que, com o seu Volks do ano, se enrolou toda no caminho do estádio, procurando a rua  Jorge Rudge (será que é este mesmo o nome da via?)  para estacionar e quase perdemos o começo do jogo.

2 – Depois da estonteante vitória, de volta pra casa não nos perdemos (ninguém se perde na volta, já disse o poeta!).  Foi fácil e agradável  acompanhar a enorme carreata alvinegra que nos levou diretos para o Canecão (vizinho à sede do clube) onde rolou a festa do título que entrou pela noite e varou a madrugada. Milhares de torcedores cantaram, beberam e dançaram, ao som do melhor samba puxado pela incrível Beth Carvalho (naquele tempo bem  mais magra!). De hora em hora, o samba parava e, emocionados, todos de pé entoavam o hino do Botafogo, numa atitude de respeito e reverência somente igualados aos que ouvem o Hino Nacional em dias de jogos da Copa do Mundo.

A festa e aquele time de 1968, para mim,  se tornaram inesquecíveis.

(*) Crônica escrita em uma segunda-feira de agosto de 2011, um dia depois da extraordinária vitória sobre o vasco, minha homenagem ao querido Botafogo – em 48, em 68, em 89, em 95 e por todos os anos e séculos!

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4 Respostas para “Botafogo 4 x 0 Vasco… em 1968! A volta da Crônica do Pereirão

  1. Pereirão, Marcelo,

    No terceiro gol (segundo do Loco) e ao final do jogo, ao descer a rampa do Engenhão embalado pelo hino e o ninguém cala, as lágrimas brotaram.

    Esse é o Botafogo que aprendemos a amar!
    Esse é o Botafogo que queremos de volta!

    Abs e Sds, Botafoguenses!!!
    Esse é o Botafogo que queremos de volta!

  2. Excelente texto. Tornei-me botafoguense justamente por causa desse time do final dos anos 60. Só faria uma ressalva no post: o goleiro do Botafogo era o Cao e não Cão como está escrito.

    Sílvio Porto Alegre

  3. Na verdade, o goleiro era Cáo – o erro foi do computador, mas o goleiro era dos bons e, naquele domingo, fez algumas defesas que lembraram o grande Oswaldo “baliza” e o polêmico Manga, com quem certa vez, João Saldanha teve uma briga que quase acabava em morte.
    Mas, Jefferson na vitória desse domingo, lembrou os melhores goleiros do Botafogo de todos os tempos – honra a ele, um dos destaque do atual elenco.

  4. Como o amigo do comentário acima, também me tornei botafoguense por causa desse jogo.

    Era uma TV pequena, a tela meio arredondada, preto e branco (tudo a ver). Lembro que o que mais me marcou não foi o placar, mas a forma como o time jogava. Uma lembrança sem detalhes, mais para uma forte impressão, já que eu era garoto de uns 7 anos, mas bem ligado a coisas do futebol.

    Fiquei duas décadas na seca e nunca estive perto de me arrepender.

    Obrigadão pela crônica!

    Saudações botafoguenses!

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