Joel responde, eu comento

Com atraso, alguns comentários sobre a longa entrevista de Joel na sexta-feira.

Pra quem não lembra, eis o que o treinador alvinegro declarou, em tom de desabafo, na sexta-feira, e na sequência, em itálico, os meus comentários:

” Já pensam nisso (demissão)? Estão adiantados. As coisas no futebol se esquecem com muita rapidez”
Não, Joel: demoramos muito até, quase todo o Brasileirão.

“Se eu achar que estou incomodando… Não pode ter demagogia. Não sou mais treinador disso. Às vezes, o que é bom fica feio e o que é feio fica bonito”
De quem é a demagocia? Não é mais treinador de que? Muito confusa essa parte da entrevista. Quanto à última frase, sem comentários – parece final de preleção aos filhinhos, não uma entrevista coletiva.
“Você sabe que eu recusei quatro clubes para ficar aqui?”
A velha tática da auto-valorização, como se ele fosse mais importante do que o clube.

“Por que você acha que fiquei? Por respeito ao clube, à agremiação, à torcida.”
Não, seja sincero, Joel. Não foi por isso que você ficou. Você não quer largar o osso porque sabe que é difícil conseguir um empregão desses no primeiro time do futebol brasileiro, com dezenas de microfones te esperando todo o dia com garantia de repercussão nacional, ao contrário, por exemplo, de um Goiás ou mesmo de um Inter ou Grêmio. Ainda mais no seu estado, onde as outras três vagas por você cobiçadas estão preenchidas.
“Não sou treinador de um jogo”
Mas se mostra treinador de uma só competição – campeonato estadual, onde há quatro ou cinco jogos decisivos, e não mais do que isso.
“Mas se tiver que sair, saio. Meus críticos estão batendo. Eu fico só desviando. Agora, é a hora de acertar o time”
Não, a hora de acertar o time já passou, Joel. Como a base era a mesma, a hora era no início da temporada, não com mais de um mês de trabalho. Ou de ter ao menos uma alternativa concreta a essa altura do campeonato.
“E se não acertar, eu sei o caminho. Quando viemos, aceitamos uma situação que poucas pessoas iam aceitar”
De novo, se valorizando em excesso e, indiretamente, menosprezando o Botafogo.

“Agora, se achar que sou eu que tenho que pagar…”
Não é questão de pagar, não se trata de justiça ou de injustiça. Mas de trabalho.

“Eu estou no clube há quatorze meses. Quanto jogos a gente perdeu nos cerca de 70 que fizemos? Tenho certeza que menos de dez”
E os que deixou de ganhar por excesso de retranca? Tenho certeza que foram mais que dez – inclusive dois, Ceará e Avaí, que teriam nos levado à Libertadores.
“Mas claro que uma derrota como essa faz a gente pensar. Temos que colocar as coisas no lugar. Essa pressão por resultados faz parte de todo time grande”
Aqui ele não diz nada, só enrola.
“A partir do momento que perde um jogo ou outro, já começam os questionamentos”.
Não foi um jogo ou outro, Joel. A derrota da semana passada foi para um time semiprofissional de Sergipe que, certamente, a folha de pagamento inteira é inferior ao seu salário. Só que não foi em um amistoso, mas no inicio de uma competição mais importante para nós, alvinegros, do que o Campeonato Estadual que você tanto valoriza, “Rei do Rio”.
Em resumo: Joel, de novo, quando pressionado, apela para o coração. Mostra-se magoado, chateado, até rancoroso – sentimentos que em nada vão melhorar o seu desempenho profissional. Mas que costumam aquietar a imprensa pelo jeito bonachão, aberto, franco, emotivo – não duvido que alguns repórteres tenham se emocionado após o desabafo do “experiente treinador”.
Por fim, meu último recado:
Não é nada pessoal, Joel. E acho que é isso que tanto o aborrece. Em primeiro lugar, estamos questionando o seu trabalho, não o seu jeito de ser, suas fanfarronices, brincadeiras, etc. O problema é que, infelizmente, as coisas com você são misturadas – você não separa o pessoal do profissional, e isso pesa mais quando chega o momento do questionamento duro – mas necessário.
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7 Respostas para “Joel responde, eu comento

  1. Marcelo, por essas e outras que eu não consigo entender quem ainda defenda ou tenha paciência com esse bufão maldito!
    Abs e SA!!!

  2. Assino embaixo, concordando com todas as vírgulas.

  3. Após a derrota de 06, oBFR precisava mais de um motivador que um técnico de futebol. Apesar de ser motivador de 2ª classe, o Joel Bacana conquistou o Regional.
    Nota: Politicamente, em 2010, não éra favorável a FERJ, montar o esquema de corrupção, via arbitragem, o que facilitou a vidada do Joel Bacana.
    No Brasileirão 2010, o BFR ficou mais nas mãos dos auxiliares do que nas mãos do JB.
    No 2º semestre 2010, o Joel Bacana se ocupou a receber condecorações de terno e bravata. De dia, resumia se a alcamar o proprio figado.

    Saudações Gloriosas.

    Cléto Martins

  4. Aproveita que o Adilson tá dando sopa no mercado. Chama logo ele, antes que o Inter derrube o Celso Roth (sex hot) e contrate o cara

    O que é preciso para o Joel ir embora? eliminação na CB? isso seria um golpe muito baixo

    Joel não me engana.

    E a pensar que na CB, em 2007 e 2008 fomos semi-finalistas (em 2008 saimos nos penaltis e 2007 na arbitragem), mas em 2009 ficamos no Americano e 2010 no Santa Cruz…

    Adilson vem aí

  5. Marcelo,
    Serei mais um a gritar: PERFEITO!
    Por muito menos, muito menos, o técnico santista foi demitido!
    O VA fez levantamento e foram 11 derrotas e o número de vitórias, em sua maioria, foram contra times de menor estrutura e fracos.

    Abs e Sds. Botafoguenses!!!

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