O risco do auto-engano

Tomo emprestada uma frase do comentário do E.Sales no post abaixo para abrir uma nova discussão:

– O time jogou muito mais que o adversário e por isso mereceu a vitória.

Sales tem razão. Salvo um lance, Mariano – a grande arma secreta ofensiva do tricolor – não conseguiu criar nada  graças à marcação cerrada. Fred idem. Conca nem se fala. Joel superou taticamente Muricy, e isso deve ser reconhecido sem meias-palavras.

Mas isso só ocorreu porque, pela primeira vez em muito tempo, jogamos com a bola no pé, e não apenas na base dos chutões e dos avanços perigosos dos zagueiros- apesar do susto que é o João Filipe tentando apoiar, correndo desajeitadamente que nem  um maluco, a la Junior Baiano.

E, com a bola no pé, ditamos o ritmo do jogo, graças às atuações impecáveis de Bruno Tiago e Renato Cajá, mais a volta da movimentação eficaz do Herrera.

É ISSO O QUE QUEREMOS, JOEL!

Queremos mandar nas partidas, não se acovardar e ficar lá atrás, vendo o espaço sumir toda vez que o adversário percebe a fragilidade e à previsibilidade de nosso esquema ofensivo.

“O Fluminense joga e deixa jogar, isso facilita pra nós.Gostamos de jogar esses jogos de cachorro grande”, disse o Loco, citando uma expressão que ele diz ter aprendido com o Joel.

Ok, o uruguaio tem razão. Mas as próximas duas partidas do Estadual serão, confirmados os prognósticos, de cachorro grande contra cachorro pequeno – e o Botafogo tem que voltar a mandar no jogo. No Brasileirão, boa parte das partidas a serem disputadas no Engenhão serão contra times retrancados, por limitação de recursos ou por opção tática mesmo. Na Copa do Brasil, nem se fala. E aí, como é que vai ser quando o espaço for reduzido ao máximo para os nossos atacantes? Quem vai ser responsável pela saída de bola?

A vitória desse domingo foi de lavar a alma, ainda mais em cima de um rival inflado pelo dinheiro do patrocinador e que o Joel considera, com razão, o melhor em atividade no Brasil. “É difícil ganhar dos times do Muricy”, afirmou o Natalino.

Mas não podemos correr o risco do auto-engano.

Cajá, por exemplo, jamais tinha feito uma partida tão boa – de surpreender até a ele mesmo. Mas não podemos acreditar que ele fará a diferença em todas as partidas, pois já teve diversas chances e aproveitou poucas. Precisa ser mais regular.

Bruno Tiago me parece o Joilson do ano (menos na displicência, pois parece mais comprometido). Um jogador imprevisível – para o bem e para o mal.

Já Márcio Azevedo teve uma atuação taticamente perfeita, mas foi apenas o primeiro jogo “de verdade” do lateral.

Ainda é cedo para conhecer o seu futebol, e ainda falta integrar o Arévalo e o Everton nesse grupo. Com esses jogadores, o Botafogo tem que buscar a regularidade para o Brasileirão, nosso principal objetivo do ano, já com a volta desse cara aí abaixo.

Se não levarmos esses itens em consideração, a participação no Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, por conta da euforia e/ou depressão trazida pela rivalidade nos clássicos, pode ser mais danosa do que instrutiva para a competição que realmente importa.

No mais, o clássico serviu para marcar o nascimento de uma nova rivalidade: Fred x Loco Abreu. O uruguaio conseguiu tirar o marrento grená do sério e ironizou quando perguntado, nessa segunda no Redação SporTV, como foi o diálogo com o rival: “Ele fez um convite para um churrasco, eu disse que não podia. O jogo terminava muito tarde. Ele não gostou de eu não ter aceito. Tenho quatro filhos e hoje tinha escola…”

E você, já saiu com sua camisa do Botafogo hoje?

Fotos: Site oficial do Botafogo

PS: Por motivos de força maior, esse blog vai demorar um pouco para voltar a ser atualizado, mas devemos voltar a tempo do próximo jogo. Os comentários, porém, estão livres para vocês debaterem o tema desse post e outros assuntos alvinegros. Abraços!

Anúncios

4 Respostas para “O risco do auto-engano

  1. que beleza de texto, marcelo!

    mais uma vez.

    sds. botafoguenses!!!

  2. Marcelo,
    Parabens pelo texto. Tudo 100% bem colocado.
    Sabe uma coisa que me chamou a atencao no classico. O duelo equilibrado dos laterais. Ao contrario da maioria eu acho que o Azevedo foi regular para boa no apoio. Por outro lado, ele segurou o Mariano que eh um lateral de bom nivel.
    Do outro lado do campo, Alessandro fez uma boa partida “batendo” com o Carlinhos que por sua vez exigiu muito do Jeferson.
    Os quatro estiveram em bom nivel.
    Abracos,
    E.Sales

    • E.Sales,
      muito bem lembrado – só que, em termos ofensivos, acredito que o Alessandro e o Carlinhos foram os mais perigosos. O nosso “Presidente” iniciou a jogada do terceiro gol enquanto o Little Charles deles obrigou o Jefferson a duas defesas sensacionais, como você destacou.
      Sds alvinegras,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s