No meio do caminho

Curioso: começamos o turno com um 2 x 2, em casa. Terminamos o turno também com um empate em casa: 3 x 3. O primeiro, contra o então hiper-ultra-mega-super Santos, teve gosto de vitória pelo gol de Herrera nos últimos minutos. O segundo 2 x 2, contra o combalido Grêmio, teve também gol do Herrera mas acabou saindo com gosto amargo de derrota – e provocando um post irado, que provocou reações fortes aqui no blog.

Em ambos os jogos, tivemos gols do Antonio Carlos a nosso favor. E nesse balanço com minhas impressões sobre o primeiro turno, aqui vai o destaque positivo inicial: a nossa dupla de zaga.

Formada por A.Carlos e Fábio Ferreira, com eventuais aparições do Danny Moraes (ainda não inteiramente convincente), a dupla despertou temeridade – inclusive deste blogueiro – ao ser anunciada no início do ano. Afinal, seria constituída por dois zagueiros que não fizeram boas temporadas nos últimos anos; pelo contrário, ficaram encostados e sem muitas chances de jogar (no caso do FF no Corinthians) ou sem nenhum brilho (AC).

Mas a verdade é que os dois deram uma consistência ao miolo da zaga. Seguros por cima e por baixo, jogam o tempo todo com seriedade, mesmo em suas limitações. E eles têm que fazer cobertura de, vale lembrar, Alessandro e MCordeiro, que costumam deixar avenidas pelas laterais do campo. Melhor, a dupla tem surpreendido com gols importantes – somente o ACarlos já tem 5 gols na temporada. Ou seja…

Alguém ainda tem saudades do Juninho??????????

Na verdade, AC e FF fazem o feijão-com-arroz, mas o fazem com capricho. E somente por isso, mais os gols, nos ajudaram a esquecer os traumas causados pelo Juninho, que era facilmente batido no mano a mano por conta da lentidão.

Só que, para esse bom desempenho, ambos contam com uma proteção acima da média, bancada pelo Marcelo Mattos. Outro jogador que chegou desacreditado, sem chances no Corinthians, pegou a vaga de titular rapidinho e não mais a largou. Em conversa hoje com Vieira, na repartição, ele chamou atenção para o fato de o MM errar poucos passes e atuar de forma igualmente discreta, ganhando muitas bolas graças ao posicionamento.

Concordo com ele. Me preocupa o condicionamento físico, ainda irregular, mas sem dúvida a chegada do MMattos fez o Botafogo melhorar muito o seu sistema defensivo.

Ainda entre os destaques positivos do primeiro turno, estão o ímpeto do Somália, que dá dinamismo e torna o jogo imprevisível, e a rapidez do Jobson.

Sobre este último, um rápido comentário: tenho certeza que o Joel não contava em tê-lo como titular – ia ser uma opção pra o segundo tempo, talvez até mesmo depois do Caio e do Edno.

Mas o Jobson ganhou a vaga no campo. E, se souber cuidar do maior patrimônio que tem ( a capacidade de jogar futebol) , tem tudo para rapidamente se tornar um dos maiores ídolos alvinegros dos últimos anos.

Foi o grande destaque individual desse returno, e olha que, somadas as partidas que ficou de fora no início e no fim do primeiro turno, não deve ter chegado nem a 60% dos jogos. Sua forma incisiva de atacar, sempre procurando o gol e passando por cima dos marcadores, resolveu ao menos umas três partidas a nosso favor. Pelo menos três colegas de repartição, todos torcedores de clubes fora do Rio de Janeiro, vieram comentar comigo: “Mas esse Jobson joga bola, hein?”. E destacaram o fato que, para um atacante veloz, ele é muito forte, aguenta o tranco dos zagueiros e segue em frente.

Em resumo: Jobson está sendo o que esperávamos que Maicosuel seria – mas que o Mago ainda não teve condições de ser por conta da má forma e uma evidente dificuldade de entrosamento. Porque o futebol de Maicosuel, mais baseado no deslocamento e na habilidade, precisa de um companheiro ao lado para crescer. Já o de Jobson, fundamentado essencialmente na velocidade, pode funcionar individualmente sem grandes transtornos. É a nossa grande esperança para o returno – e fará muita falta nas próximas partidas.

Destaques negativos?

O mais surpreendente, pra mim ao menos, foi a abrupta queda de rendimento do Herrera. Com o time mais veloz, tinha tudo para desencantar e marcar gols a granel – mas bateu cabeça (e ainda deu uns safanões) com Caio quando o Loco foi pra Copa e ainda não se entendeu com Maicosuel nem Jobson.

Outro ponto negativo: a decepcionante, e algumas vezes irritante, performance do Caio também na ausência do uruguaio, chance de ouro que ele não aproveitou (apesar da melhora na última partida, vale destacar). E o próprio rendimento aquém do esperado do Loco, que ainda pode melhorar se voltar ao nível dos tempos do Carioca, mas que ficou devendo desde a volta da África do Sul.

Outros, como Alessandro, continuam limitadíssimos e não nos surpreendem mais.

 No mais, alguns jogadores irregulares – Edno, Cajá, Guerreiro – mas, de alguma forma, úteis em determinadas circunstâncias. Outros com o ciclo esgotado – Fahel, LFlávio – mas que se arrastarão até o fim da temporada, e mesmo no banco, continuarão a nos assombrar em caso de contusões ou suspensões dos titulares.

E, claro, Jefferson como sinônimo de segurança que há tempos a gente não tinha embaixo das traves.

O que podemos esperar do segundo turno?

Numa boa, qualquer palpite é mera especulação. Se, por um lado, não conseguimos vencer nenhum dos três clássicos cariocas nem um jogo daqueles cascudos, contra os times teoricamente mais fortes (Inter, Palmeiras, Santos), por outro lado  o Botafogo ganhou do São Paulo no Morumbi (ainda o melhor resultado do turno) e, enfim, passou a fazer o dever de casa pra quem quer uma vaga na Libertadores – ganhar em casa e fora dela dos times mais fracos (Avaí, Ceará, Grêmio Genérico, Vitória, Atlético-GO, Atlético-MG).

Se mantivermos esse ritmo e essa constância, acho que temos boas chances de ir à Libertadores. Não acredito em título, porque vejo, nessa ordem, Inter, Corinthians, Cruzeiro e grenás à nossa frente por conta das opções de banco (e convém não tirar o olho do vasco, em ascensão por conta de um técnico cheio de gana de vencer). Mas, quem sabe, a estrela não brilha mais alto?

A segunda parte da jornada começa quinta-feira. É contra o Santos. E, vejam só, será no Pacaembu. Por conta de 1995, pode ser um bom presságio.

Tudo o que eu peço é que, ao contrário da última partida, os jogadores tentem ser heróis em cada jogo – o resultado será consequência desse esforço.

Vambora, rapaziada!!

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3 Respostas para “No meio do caminho

  1. Continuo achando que a queda de rendimento do Herrera tem a ver com estar jogando fora de posição. Ele jogou muito melhor contra o Grêmio, com o Loco fazendo o papel de referência no ataque, e ele se movimentando mais.

    No mais gostaria de ver o Botafogo jogando com ele, Jobson e Loco na frente. Mas tenho que aceitar que isso nunca vai acontecer com Joel no banco…

  2. Enquanto Jobson estiver fora espero que o Joel mantenha a dupla Loco-Herrera.
    Parabéns pelo retrospecto perspicaz.

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