Direto de Brasília… Crônica do Pereirão!

O cheiro da vitória

C.Pereira

Nem o clima árido e o ar seco e frio de Brasília conseguiram arrefecer o entusiasmo de três botafoguenses que, na noite de sábado, resolveram se juntar para assistir pela TV a mais um a vitória do seu time de coração. E não eram três alvinegros quaisquer porque ali estavam, na sala do aconchegante apartamento da Asa Sul, representantes (autênticos) de três gerações forjadas no amor à estrela solitária – a diferença entre os extremos da idade (71 e 13) era compensada pelo termo médio (39) e assim 123 anos de paixão pela camisa mais bonita do Brasil, deixaram-se enlevar nos 90 e alguns minutos do jogo que assinalou mais uma vitória alvinegra.

O velho, ao lado do adolescente, era atenção somente nos primeiros minutos do jogo, pois o seu coração já meio cansado,  teima em bater em descompasso  todas as vezes em que o Glorioso entra em campo – em qualquer competição. O representante da geração do meio, bem mais à vontade, já  acostumado com os altos e baixos do time, alerta que aquele primeiro tempo está chocho e o time adversário, de vez em quando, leva perigo à meta botafoguense. Começado o segundo tempo, eis que o Glorioso  faz um a zero, num belo gol do negrinho simpático Somália. O  idoso sente que é hora de descer ao chão de Brasília e, caminhando em volta da quadra, deixar que os minutos escorram e que o Fogão não permita que o adversário venha a empatar.

Nessa volta em torno de uma das superquadras da Asa Sul, ele descobre duas coisas que fazem mais gostosa aquela noite fria brasiliense: no bar da quadra comercial, apinhado de torcedores, dois telões separam aficionados de clubes cariocas. De um lado, se exibe o jogo do flamengo contra o Ceará e alguns gatos pingados, meio a contra-gosto, ensaiam um “mengooo” ralo, sem consistência. Do outro lado, dezenas de botafoguenses vibram a cada jogada de Jobson, de Maicosuel e urram com as saídas de Jefferson, na partida contra o Atlético de Goiás. Naquele bar, o Fogão vence o urubu de goleada.

A segunda coisa, bem mais lúdica, está representada pelos jasmineiros que ficam em frente à janela do apartamento onde, as duas gerações mais jovens continuam vibrando com o desempenho do time. E, por uma dessas felizes coincidências, enquanto o velho se posta em frente ao jasmineiro para sentir mais de perto aquele odor que só o jasmim nos oferece, o celular toca e o anúncio é feito: “Pode voltar, o Fogão acaba de marcar o segundo gol, uma pintura de Jobson”. Aí, o retorno à sala, e os últimos minutos do jogo com a TV mostrando milhares de botafoguenses em festa no Serra Dourada, muitos deles de Brasília que foram ver, de pertinho, mais uma bela exibição do Glorioso.

Depois, foi só juntar com o resto da família reunida naquele final de semana na capital federal  e comemorar mais uma vitória alvinegra, agora brindada com generosas taças de um autêntico Brunello di Montalcino – o ótimo vinho da Toscana com que, então, se encerrou a magnífica noite de sábado na Brasília do bem. Foi, em resumo, uma noite com cheiro de jasmim e de vitória, em que a estrela solitária brilhou intensamente nos céus do Planalto Central – na capital do país e em Goiânia, naquela noite também a capital alvinegra.

C.Pereira é alvinegro, jornalista e não passa nenhum tipo de ansiedade nem de taquicardia quando vê o Brasil jogar. Já quando é o alvinegro que está em campo… ele, sempre sábio, prefere evitar emoções fortes.

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