A bênção, São Jefferson: A Crônica do Pereirão!

O herói da conquista

C. Pereira

Confesso que não sei quem é o autor da frase, mas ela virou antológica:

– Todo time pra ser campeão, tem que ter um bom  goleiro.

Depois da histórica e magnífica conquista de domingo – é bom ser campeão, melhor é ser em cima do flamengo e, melhor ainda, quando o nosso goleiro, Jefferson, o meu personagem da semana – como diria Nelson Rodrigues –  defende um penalty –  me interessa  é escrever um pouco sobre os goleiros do Botafogo.

Oswaldo “baliza” foi o primeiro de que tive notícia, pois jogou no Fogão durante quase 10 anos (de 1943 a 1952), como titular absoluto e defendeu a meta alvinegra em jornadas memoráveis (e gloriosas) – como em 1948 quando formou no time campeão que ainda tinha Gerson e Nilton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otávio e Braguinha. Alto, magro, quase negro, Oswaldo nunca jogou por outro time e, não sei até hoje, porque não foi convocado para a seleção em  1950 e 1954 – preterido por dois monstros do arco, Barbosa (do Vasco) e Castilho, do Fluminense.

De 1958 a 1967, reinou absoluto na meta alvinegra aquele que considero ter sido o melhor goleiro botafoguense de todos os tempos, Manga. Grandão, musculoso – um verdadeiro armário –  de uma elasticidade sem limite e de uma coragem de meter medo em qualquer atacante adversário – quando saía do gol para socar a bola se encontrasse alguma cabeça pela frente, Deus que se apiedasse do coitado… Foi campeão carioca em 1967  e titular da seleção brasileira no lamentável fiasco de 1966 na Inglaterra.

Em 1989, o  goleiro alvinegro era Ricardo Cruz que se não chegara a brilhar, terminou por se constituir num dos esteios do time que ganhou  o  campeonato, depois de 21 anos de jejum. Esse título foi um dos mais comemorados de todos os tempos, também porque foi obtido com um gol do camisa 7 (de Garrincha) Maurício, no finalzinho do jogo e diante de quem? Do flamengo… Até Vila Isabel, tradicional reduto rubro-negro, naquela noite gloriosa vestiu-se de branco e preto e caiu no samba, sob o comando de uma das mais ilustres  botafoguenses, Beth Carvalho.

Em 1995, tivemos o goleiro Wagner que era oito ou oitenta. Ora fechava o arco pegando tudo, ora deixava passar bolas fáceis, de preferência por baixo das pernas (ou da barriga). Mas foi importante na campanha que nos levou ao primeiro (e até agora único) título de campeão brasileiro. Dele, se conta que nos anos seguintes, já desprestigiado e substituído de vez em quando, descobriu-se que sofria da vista, daí porque só conseguia jogar bem quando as partidas eram disputadas à tarde – os refletores ofuscavam seus olhos o que levou um comentarista irônico a propor aos dirigentes botafoguenses uma consulta ao oftalmologista e a compra de providenciais óculos (ou lentes de contacto).

Chegando aos anos de 2007 e 2008, recordo que 2007 foi o ano do calvário dos goleiros do Botafogo. Foram frangos e mais frangos e o pior – sempre em jogos decisivos. Não adiantava mudar o nome, podia ser Júlio César (enganou durante algum tempo), Lopes e Max. Aliás, a  netinha alvinegra Bebel,  quando a TV mostrava Max entrando em campo, ela protestava, quase em prantos: Não, Max, não, por favor!

Em 2008, até que melhoramos, mas a sina continuou: de vez em quando os nossos goleiros teimavam em tergiversar – saíam mal do gol, rebatiam bolas fáceis e se davam ao luxo de fazer golpe de vista que quase  sempre  redundava em perigo para o time.

O uruguaio Castillo, vira e mexe nos deixava aflitos, ora saindo mal ora  deixando de sair na hora para cortar bolas alçadas sobre a nossa área. Daí porque, a entrada do jovem Renan –  embora ainda um tanto inexperiente –  nos deixava mais tranqüilos ou menos preocupados, pelos predicados que tem e que ainda vão render em grandes benefícios para o clube.

E aí, chegado não se de onde, eis que aporta em General Severiano “o homem de gelo” que atende pelo nome de Jefferson e que, sem dúvida,  foi um dos grandes (senão o maior) artífice das grandes vitórias no campeonato que terminou nesse domingo.

O título de campeão, graças a Deus, a Joel, aos estrangeiros Herrera e El Loco Abreu, ao talismã Caio, a Leandro Guerreiro e (por que não?) aos polêmicos Alessandro, Fahel, Lúcio Flávio e outros, além, é claro de Armando Nogueira, voltou para a praça do Manequinho que era o seu endereço desde 2007…

Jefferson  foi, sem dúvida, o grande herói do jogo do domingo, além de ter – noutras partidas – salvado o time de derrotas certas.

Ele consegue  sair bem do gol, é corajoso, sabe cortar as bolas lançadas pelo alto e – o melhor – é gelado, gelado…

A sua defesa no penalty (mal) batido pelo ex-imperador, além de portentosa, foi a jogada da partida, igual só o penalty batido pelo “Loco” Abreu –no melhor estilo de Zinedine Zidane… A partir dali até eu (que não vejo mais os jogos do Fogão) tive certeza de que, desta vez, o título estaria em nossas mãos.

Ou melhor, nas benditas mãos de Jefferson – o grande goleiro do Botafogo de hoje. A ele, as nossas mais escolhidas homenagens.

Porque ele bem que as merece, também para comprovar o que foi dito no começo: Time pra ser campeão, tem que ter um bom goleiro – e Jefferson demonstrou que, embora não seja santo, operou verdadeiros milagres nessa belíssima campanha que consagrou o Glorioso –  repetindo o ocorrido há 100 anos – como legítimo campeão carioca de futebol.

A bênção, São Jefferson!

C.Pereira é jornalista, alvinegro e caminhante. Nessa segunda-feira, vestiu uma camisa listrada e saiu sendo cumprimentado por outros alvinegros no calçadão de Tambaú, em João Pessoa. Então, C.Pereira é, além de um pai exemplar e um avô mais do que afetuoso, um homem que carrega a estrela no coração.

Foto: Lancenet!

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3 Respostas para “A bênção, São Jefferson: A Crônica do Pereirão!

  1. Mestre Pereirão,
    Permita-me lembrá-lo dos sóbrios e eficientes Cao e Ubirajara.
    Cao, um magro alto e tão gelado quanto o Jeferson. Tinha a seu favor um dos mais injustiçados zagueiros (pois não foi à Copa de 70)
    que já conheci: Leônidas.
    O Ubirajara já revezava com o Cao e depois se firmou tendo à frente uma zaga com nada menos que Carlos Alberto e Brito (1971).
    Tivemos também o Wendel. Lembra?
    Quero lembrá-lo que no dia 1/05 teremos a segunda versão do “Feijão do Fogão-PB” com a promessa de três camisas 7. Maurício, Túlio e Jairzinho. No mesmo bat local.
    Sua presença é indispensável.
    Te vejo lá.
    E. Sales

  2. Pereira, o Jefferson já defendeu o Botafogo antes… e teve grandes atuações, cuja repercussão o tiraram de General Severiano. O fato é que certas estrelas só brilham no céu botafoguense, não é mesmo?!

    “(…) Atuando em uma posição em que os atletas no clube têm sido sempre contestados, ele carrega a seu favor o carinho que os alvinegros lhe trasmitem devido a sua primeira passagem no Glorioso, entre 2003 e 2005.

    – Agradeço sempre à torcida do Botafogo pela força. Até mesmo lá fora, na Turquia, me ligavam e me diziam que tinham saudade de mim, da minha passagem – comentou Jefferson.

    O goleiro saiu do Botafogo e foi diretamente para a Turquia. Primeiramente, ele defendeu o Trabzonspor (entre 2005 e 2008); depois, atuou no Konyaspor (entre 2008 e a atual volta ao Brasil).

    – Acompanhei os goleiros que passaram, mas isso é passado. Vou chegar para disputar posição. Não cheguei para ser titular, mas para buscar. Assim que entrar vou dar o meu máximo – afirmou Jefferson.”

    Fonte: LANCEPRESS (4/9/09)

  3. Não podemos esquecer do Paulo Sergio, que era um dos poucos que se salvava de uma época terrível.

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