Botafogo-DF 1 x 0 Ceilandense: Turma da árvore, aquele abraço!

Andava meio ressabiado com o Botafogo-DF, que se complicou no campeonato candango com resultados bem decepcionantes – entre eles, uma derrota para o lanterna Luziânia, na rodada passada.

E, na vera, era meio constrangedor ver o Túlio sem muita condição de enfrentar de igual para igual a marcação dura de zagueiros adversários que nasceram quando ele já era jogador profissional.

Pra piorar as coisas, das partidas que fui ver esse ano do time, não assisti a nenhuma vitória. Só empates. Resolvi desencanar.

Então, não me perguntem o porquê, mas eis que me vejo no sábado à tarde novamente no estádio do Cave, no Guará, para assistir a um jogo do alvinegro candango. E dessa vez contra o Ceilandense, líder do campeonato, e que de forma oportunista resolveu mudar o uniforme ano passado para usar uma camisa igualzinha ao dos urubus. O mesmo Ceilandense que derrotou o Botafogo-DF na final da Segundona de 2009, lá mesmo no Estádio do Cave.

Preto e Branco  x vermelho e preto.

A tensão era perceptível, ainda mais depois que chegaram uns 30 integrantes da  torcida organizada do adversário – Raça Ceilandense, obviamente um derivativo da torcida flamenguista – e começou a provocar os alvinegros.

O resultado é que, um programa divertido e familiar já não tem mais o mesmo caráter depois que a rivalidade carioca foi transplantada, artificialmente e de forma irresponsável, para o Distrito Federal.

As provocações aumentaram e viraram hostilidade. Só não acabaram em briga porque a PM soube fazer a separação e evitou o confronto. Uma tensão desnecessária, ainda mais para quem leva os filhos e vai ali, antes de tudo, para celebrar com outros torcedores o amor pelo Botafogo, cantando o hino do clube no intervalo e ouvindo gravação dos gols do Loco Abreu e até do Welllington Paulista.

Dentro de campo, vi um Botafogo-DF mais organizado e mais impetuoso depois da entrada do experiente técnico Reinaldo Gueldini, o Joel Santana do planalto central.

Vi um Sérgio Manoel correndo muito, mas errando finalizações e sem a mesma qualidade do passe de outrora.

E vi um Túlio um pouquinho menos apagado, tentando tabelas e batendo, muito bem, o pênalti no primeiro tempo que decidiu o placar da partida. Mas realmente não dá mais para ele disputar uma competição profissional por inteiro.

O melhor da tarde: uma comemoração muito bonita, emocionante, do Sérgio Manoel com o Túlio, bem diante dos genéricos rubro-negros. Velhos companheiros que sabem que estão no ocaso, mas mesmo assim honram a camisa que vestem e a bela história que escreveram juntos.

Com a vitória nesse sábado, a quarta em 13 jogos, o Botafogo-DF se afasta da zona de rebaixamento. Não deve se classificar para o quadrangular final (permanece na quinta colocação), mas ao menos deve ficar na primeirona candanga e ganhar um tempo para montar um time mais competitivo para 2011.

E, de bom mesmo, fica a observação dos seguidos comentários espirituosos dos apaixonados torcedores alvinegros que acompanham o jogo inteiro em pé, na última fileira da arquibancada, embaixo de sombras proporcionadas por galhos bem nutridos. É a chamada “turma da árvore”.

Eles, sim, sabem o que é torcer e se divertir. Não vão ao estádio procurando briga, como o grupinho adversário (tenho uma curiosidade muito grande em saber quem pagou o ônibus para eles sairem de Ceilândia até o Guará)  e também alguns botafoguenses, igualmente afim de aproveitar a provocação para sair no braço.

Quero distância dos dois lados. Guardem a beligerância para outro local.

No mais, como o Botafogo-DF ganhou o jogo de ida, continuamos – no Rio e em Brasília – invictos em 2010 diante de rubro-negros…

Acréscimo: No Correio Braziliense desse domingo, Sérgio Manoel conta que foi às lágrimas com a vitória: “Estava sofrendo. O trabalho estava sendo feito nos treinos mas quando entrávamos em campo, não estava acontecendo. Nessa semana, mal consegui dormir, estou abaixo do meu peso e com olheiras”. “Sou botafoguense de coração e em qualquer lugar. Sabia que esse jogo valia a nossa vida. Fomos na vontade, na raça. Estamos todos de parabéns. Estamos vivos”. Sobre a emoção do companheiro, Túlio comentou: “Isso mostra que o Botafogo é o time do coração dele e do meu também”.

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3 Respostas para “Botafogo-DF 1 x 0 Ceilandense: Turma da árvore, aquele abraço!

  1. cara,

    e eu num tava na frente daqueles caras!!!!

    Fui comprar um churro e acabei ficando por ali na arquibancada, embaixo mesmo (não fiquei com a turma da árvore não…. hehehe) mas foi muita incompetência da polícia mesmo!!!!! pra que deixar os torcedores do time rival irem para a área da outra torcida?????? isso só começou depois que a outra torcida quis ir comprar churros!!!!! vc acredita????? eu vi um cara da fúria jovem (um xará meu, um andré) pedindo pra polícia não deixar eles irem para o lado botafoguense pois ele não tinha como segurar os caras (na verdade eram adolescentes!!!! um dos mais velhos lá tinha cara de ter uns 20 anos)…. mas mesmo assim eles ficaram deixando eles virem pra lá…..

    se o problema é banheiro, instale um banheiro químico no lado deles e pronto! lá no abadião eles deixaram a gente com os banheiros químicos, porque não podemos fazer o mesmo?????

  2. Parabéns pelo artigo sobre o jogo. Muito bem escrito e fundamentado, com comentários pertinentes sobre a descabida rivalidade carioca num jogo entre times brasilienses.

    Acompanho os jogos do Botafogo-DF por ser botafoguense e ter respeito à história de Túlio e Sérgio Manoel aqui no Rio. E ainda tenho esperanças de que o time se classifique para o quadrangular final em Brasília, pois acredito que a vitória sobre o Dom Pedro na última rodada vá valer a vaga.

    Abraço!

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