flu 2 x 1 Botafogo: Uma carta para o Joel

Caro Joel Santana.

Não o conheço e essa é a primeira carta que lhe envio. Espero não precisar mandar outras.

Bem, em primeiro lugar, quero dizer que somos gratos pela forma que você surpreendeu a todos os especialistas e nos fez ganhar dois jogos contra times que pareciam mais fortes. Vibramos muito com a conquista da Taça Guanabara; foi bom demais. Foi um grito de desafogo.

O destino, a sorte, o imponderável, o Sobrenatural de Almeida continua sendo muito generoso com você.

Tome essa derrota de domingo como exemplo. Não poderia haver mais oportuno alerta das reais condições do atual grupo de titulares que você insiste em escalar por entender que não se mexe em time que está ganhando.

Não está mais. E o restante da Taça Rio deve servir para você encontrar uma escalação diferente para disputar as finais do estadual, quem sabe da própria Taça.

Porque a sorte não vai ser benevolente conosco durante 90 minutos novamente. Já tinha sido nos primeiros 45 minutos, quando o Botafogo jogou muito mal, e mesmo assim conseguiu virar em vantagem.

Por que isso aconteceu, Joel?

Porque você escalou para o meio-de-campo três jogadores imaginários. E, dos três, vejam só, o menos fantasminha foi o Lucio Flavio, que ainda cavou a expulsão do Conca. A atuação do Eduardo foi novamente indigna do Glorioso. E o Leandro Guerreiro, que já vinha na descendente, teve nesse domingo a sua pior partida com a camisa alvinegra. Perdeu todas para o Conca, foi humilhado em dois dribles, errou passes, desperdiçou contra-ataques (como o do primeiro gol dos grenás), enfim auto-destruiu o meio de campo. Deve ter se emocionado de enfrentar Diguinho e Tiaguinho, resolveu jogar em sintonia com eles novamente. Parecia ter entrado em campo disposto a agradar ao Cuca de todo jeito – e conseguiu. Merece um jantar de seu antigo treinador.

Pior do que ver a patetice do Leandro Guerreiro foi ver que a maior parte dos jogadores estavam desinteressados, mesmo com a vantagem no placar. Até o Herrera parecia com o freio de mão puxado.

E um time que é limitadíssimo tecnicamente, sem meio de campo,  e que acaba não entrando com disposição no grau 100, corre sério risco de perder. E não é de pouco.

Joel, um lembrete importante: dDa última vez que jogamos sem meio de campo e sem disposição, tomamos de seis do vasco. O flu poderia ter feito uns três nos primeiros 20 minutos, e só não o fez porque a sorte, ela de novo!, nos sorriu e a bola se recusou a entrar. Fomos completamente envolvidos pela habilidade e velocidade do setor ofensivo do adversário.  Achamos um gol de pênalti, okay. Mas nada mais produzimos. Muito, muito pouco.

Não há como tentar nada no futebol sem meio de campo para destruir e criar, apenas na base do chutão, sem ninguém para municiar a dupla Loco-Herrera.

E esse é o recado principal dessa carta, Joel. Serei bem claro; caso necessário eu até desenho.

Mude o time enquanto ainda há tempo de treinar.

Como você não guarda direito os nomes dos jogadores, coloquei uma foto em cima dessa carta. Nela, você verá dois dos titulares que devem ser sacados imediatamente. Não tem erro: são os dois de boca aberta diante do voleio do fred.

Barre a trinca invisível e construa um novo meio de campo. Você já salvou o Fahel (agora o mais esforçado dos três zagueiros), até o Alessandro melhorou (e o Jean Carlos nada acrescentou). Mas não foi possível salvar Eduardo e Lucio Flavio. Sandro Silva, Edno, Cajá e, claro, o Caio, todos merecem uma chance entre os titulares.

Use o restante da Taça Rio para achar uma nova escalação.

Porque senão o destino pode não ser novamente tão generoso com o Botafogo como o foi no primeiro tempo dessa partida contra o flu. E, se não tentarmos, nem poderemos reclamar da sorte.

Que a derrota sirva como alerta e, assim como a goleada para o vasco, ajude a reconstruir o Botafogo, dessa vez sem necessidade de traumas expostos publicamente. Pode ser de forma discreta, na moita, sem magoar, já que você gosta de respeitar o lado emocional dos jogadores.

Agora é com você, Joel. Está na hora de ser menos motivador e mais treinador.

Grande abraço e, novamente, obrigado pela inesperada Taça Guanabara.

PS: Além de recriar o meio de campo, faça-me um favor: puxe, com força, a orelha do Marcelo Cordeiro. Ele também não jogou nada nesse domingo.

***

PS II: Minha memória me trai ou o Cuca jamais perdeu para o Botafogo desde que saiu de General Severiano?

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Uma resposta para “flu 2 x 1 Botafogo: Uma carta para o Joel

  1. T0dos os comentários lidos nos diversos blogs, apenas fizeram alusão aos mesmos atletas, ao treinador, mas, apesar da teimosia de JS em mantê-los e jogar esperando o adversário, um fato foi marcante para a vitória do Flu, a tola expulsão de Herrera. Ali, colocou por terra qualquer reação da equipe.

    San

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