Botafogo 5 x 2 Resende: O meio é a mensagem

Algumas mensagens emitidas do Engenhão durante a goleada em cima do Resende:

* O jogo foi muito mais fácil do que a partida contra o Madureira. O adversário é bem inferior tecnicamente e ainda teve um jogador expulso antes do final do primeiro tempo.

* Estava tudo pronto para a apoteose do Caio. Mas o rapaz se deslumbrou e abusou do preciosismo em prol da eficiência. Se tivesse jogado com mais seriedade, dava para ser de sete ou de oito.

* Impressionante a eficiência do Loco Abreu no jogo aéreo. Das quatro bolas que vieram para o cabeceio, ele meteu três para dentro – ok, o último gol foi um presente do goleiro do Resende, mas os dois primeiros vieram de cabeceadas executadas com precisão. Mas, por baixo, ele continua desperdiçando gols incríveis – nesse domingo, foi cara a cara com o goleiro, que conseguiu ganhar o lance com as mãos e sem fazer pênalti. Mas o uruguaio, além da eficiência, também sabe se posicionar fora da área e “lê” o jogo com muita facilidade. Com a volta do Herrera, promessa de grandes alegrias ao longo do ano,ao menos no ataque.

* A eficiência do Loco apareceu porque o time obedeceu ao Joel e ofereceu mais cruzamentos pelo alto. Lúcio Flávio e Marcelo Cordeiro, cada um em um gol, fizeram cruzamentos perfeitos para a conclusão do Abreu. LF, por sinal, voltou a acertar passes em profundidade e teve boa atuação nesse domingo.

* Apesar de um ou dois erros de passe, Fábio Ferreira parece ser o menos fraco dos zagueiros. Aliás, nessa dolorosa concorrência, acho que o Antonio Carlos é mais perigoso (para nós) do que o Wellington e mesmo do que o Fahel improvisado.

* Leandro Guerreiro, enfim, com uma atuação em 2010 digna de seu sobrenome.

* Wellington Júnior entrou no lugar do Marcelo Cordeiro e, com personalidade, jogou bem e fez gol. Será que, ao menos no banco, ele consegue emplacar esse ano?

* Marcelo Cordeiro, sem ninguém fungando nas costas, pôde se dedicar à arte do apoio sem pressão.

* Herrera fez falta.

* Eduardo não fez falta. Aliás, com exceção de um ou dois desarmes, Eduardo não fez nada em campo. Foi a peça destoante – nem marcou (até porque não era necessário) nem apoiou. Ao contrário do Lúcio Flávio, que correu, deu bons passes e teve uma boa atuação.

* Aí vem o provável grande problema para o confronto da semifinal: por que fomos goleados pelo vasco ainda no primeiro tempo? Porque não havia meio de campo.  E, se Joel não acertar o posicionamento do Eduardo ou não o sacá-lo, corremos o sério risco de enfrentar o mesmo problema na próxima partida.

 Joel foi malandro: deu chance aos “renegados” – Alessandro, Lúcio Flávio, Fahel e Eduardo – para tentar reabilitá-los perante à torcida antes das finais: se não desse certo, já podia mandar os quatro para o banco sem precisar dar explicações nem para o gandual. E, do quarteto, o que menos aproveitou a chance concedida foi o Eduardo. E, como observou o Pereirão (sim, ele continua oficialmente de férias do Botafogo, mas vez em quando tem umas recaídas e dá uma olhada nos melhores momentos), o gesto de reunir os jogadores no meio de campo  para aplaudir a torcida no final da partida foi bem a cara do Natalinho, agora mais traquejado depois da experiência internacional.

Então, eis o desafio: como armar o meio de campo para o jogo da semifinal? Nem Renato Cajá, muito menos Somália mostraram futebol para barrar o Eduardo. Talvez o neo-Diguinho, mas esse tem alternado bons lances com jogadas sem objetividade. 

A verdade é que o meio de campo do Botafogo continua desprotegido e pouco inspirado. A saída de bola, no primeiro tempo, quase sempre tinha que passar pelos pés dos zagueiros, tentando ligações diretas com o ataque. Chance de erro de passe, claro. E um passe errado numa saída de bola pode ser fatal.

No mais, como todo mundo (inclusive eu) malhou no início do ano, agora chegou a vez de registrar. Impressionante como o gramado do Engenhão melhorou em menos de um mês.   

Fotos:Agif/Gazeta Press

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Uma resposta para “Botafogo 5 x 2 Resende: O meio é a mensagem

  1. Marcelo,
    Perfeitas as observações. O Time tem uma nova cara, a cara do Joel (feia, mas simpatica e respeitada). Como o Joel é pródigo em surpreender, temos uma pequena chance de irmos ás finais, entretanto é importante destacar a desatenção dos primeiros segundos e dos minutos finais. O “branco” que deu no jogo com o Vasco voltou ainda que fugaz. Ocho que precisaríamos trocar o “pitot”. (Lembram do air bus da A.France?) Simplesmente some tudo do painel e o piloto (Joel) fica sem controle dos instrumentos (jogadores). Este instrumento metafóricamente é o capitão, ou a liderança dentro de campo. Um cara prá transmitir as ordens e chamar o gupo na hora do “cochilo” contra o Resende ou do “sono profundo com pesadelo”, contra o Vasco.
    Parece-me que o mais adequado para a função sería o Guerrero mas insistem em LF ou outros menos votados.
    Quanto ao Loco, vc traduziu o que acho de seu futebol. Muito melhor do que Reinaldo, V.Simões, Ricardinho, e todos os demais de 2009 juntos.
    E.Sales

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