Botafogo 3 x 2 Jason: Uma questão de fé

Crônica do Pereirão – Edição extra

 É uma questão de fé

    Aqui, na esquina, pertinho de onde moro, tem um barzinho que, aos domingos e quartas-feiras, passa num telão os jogos do campeonato brasileiro. E é um permanente sofrimento para quem não torce pelo flamengo, porque, na sua quase totalidade, os assistentes pertencem à torcida rubro-negra.

   Muitas vezes  já sofri e bastante com as gritarias e urros de flamenguistas que extravasam do seu contentamento quando o seu time ganha – e ultimamente isso tem ocorrido com freqüência.

   Neste domingo, me cerquei de cuidados especiais para fugir à algazarra que se prenunciava para a hora do jogo do fla contra o Goiás, pois sabia de antemão que todas as mesas estavam ocupadas desde cedo por barulhentos jovens (homens e mulheres) – todos com camisas preta e vermelha –  que disputavam os melhores lugares para ver o jogo.

   Na hora do jogo do Botafogo contra o São Paulo, resolvi – como sempre faço – me isolar do mundo. Peguei um filme, cujo título era bem a propósito –“ Uma questão de fé”, me tranquei no quarto, botei no DVD, fechei a porta e a janela e me deixei enlevar pela película. Tudo isso, com a mente voltada para o jogo do Botafogo, cujo resultado eu só queria saber no final.

   Acontece que, a rubro-negrada desta vez funcionou a favor. Uníssona, em gritos e berros, me fez sair do esconderijo para, mesmo a contra-gosto, procurar saber como andava a partida do Botafogo. Quando ouvi comemorações dignas de gols do flamengo, embora um tanto desconfiado, me animei e soube que o Botafogo estava ganhando.

   Depois, fez-se o silêncio e voltei-me para “Uma questão de fé” mas, já quase às 18 horas (horário não de verão daqui), fui levantado da rede por uma gritaria tão intensa que só poderia ser de gol do flamengo. E, como o jogo da urubuzada só começaria meia hora depois, resolvi dar uma olhadinha discreta na televisão.

   E qual não foi a minha surpresa (agradabilíssima, por sinal) ao ouvir de Cleber Machado que estava terminando um dos melhores jogos deste emocionante campeonato brasileiro. E que o Botafogo, com 9 jogadores, acabara de vencer o líder São Paulo, por 3×2.

   Aí larguei o filme e fui ver a intensa comemoração dos jogadores, comissão técnica e, principalmente, da maré de gente alvinegra que lotou as arquibancadas do Engenhão.

   Que beleza! Até mesmo, ouvir de um locutor paulista chamar, pela Band, Jobson de Robson e do técnico Estevam Soares, quase sem voz afirmar que “esse negrinho de 22 anos ainda vai dar muito o que falar no futebol brasileiro”.

   Alessandro a chorar, Juninho idem, Lúcio Flávio também – enfim uma vitória épica daquelas que há muito não via na história recente do Botafogo.

   Aí, voltei ao meu filme e, contente, pela primeira vez, agradeci a Deus por ter um barzinho perto de casa onde, neste memorável  domingo de novembro, vibrei com os urros de torcedores do flamengo.

  Afinal, tudo ou quase tudo na vida da gente (e do Botafogo) é uma questão de fé…

***

Eis a edição extra da Crônica do Pereirão – ainda hoje, o nome do contemplado.

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4 Respostas para “Botafogo 3 x 2 Jason: Uma questão de fé

  1. uma vez na vida, tivemos a urubazada do nosso lado…que bom que deu sorte…mas torceram tanto pela gente, que esqueceram de fazer a sua parte diante do Goiás…

    abraço!!

  2. Meu bom amigo, mal creio que vive ao lado de um bar com essa gente!… Por muito menos decidi mudar de casa… Eu não suportaria tal coisa… seria ‘castigo divino’ muito injusto…

    Confesso que esta vitória não me deixou esfusiante, porque pensei que os cathartiformes tinham aberta a estrada do título. Reanimei-me com o 0x0. Se o São Paulo tiver cabecinha é tetra…

    Os narradores estavam enlouquecidos com a vitória do BFR!… Relatavam como se fossem os cathartiformes a jogar!… Estavam convencidos que passariam à liderança… Mas o treinador do Goiás não gosta mesmo deles…

    Abraços Gloriosos!

  3. Em algum lugar, entre tantos, deve estar escrito:
    Obrigado Senhor.

    Também notei:
    “Que beleza! Até mesmo, ouvir de um locutor paulista chamar, pela Band, Jobson de Robson e do técnico Estevam Soares, quase sem voz afirmar que “esse negrinho de 22 anos ainda vai dar muito o que falar no futebol brasileiro”.”

    Abraços,
    Luis Celso

  4. O globoesporte anunciava que a “a maior torcida do mundo fazia a diferença”. Afinal, parece que não… rsrsrs…

    Abraços Gloriosos!

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