Botafogo 1 x 3 C. Porteño: A barreira dos sete dias

gabriel

Eu queria muito ter errado a minha previsão, mas não foi o que aconteceu – o time montado pelo Estevam, com quatro jogadores no meio sem saber marcar e confiando no Fahel como “homem de referência no sistema defensivo”, naufragou de forma vexatória.

Então, vamos lá tentar entender o que aconteceu:

Aos 24 minutos do primeiro tempo, Lúcio Flávio recebeu a bola na intermediária do Cerro Porteño. Rodopiou para um lado, para o outro e, em vez de partir em direção ao gol, fez a pelota cair nos pés de Alessandro. Que entregou para Reinaldo, que devolveu para Alessandro. Que, certamente temeroso de receber novamente a bola, passou para Diego, que tentou tocar para Gabriel, mas na verdade mandou a bola para fora.

O lance inteiro durou quase um minuto e simbolizou o que foi a primeira etapa da partida. Muito toque de bola, mas nada de perigo de gol.

Situação parecida ocorreu no último minuto do primeiro tempo, quando o Botafogo tinha a bola já perto da área dos paraguaios e foi recuando até Reinaldo ir parar na linha central. O juiz, claro, aproveitou para apitar e mandar todo mundo para o intervalo.

O sistema bolado por Estevam se mostrou um desastre. Tudo porque ficou um amontoado no meio-de-campo: quatro jogadores  sem poder de definição – sendo que o mais perigoso, olha vejam só!, era o Reinaldo.  Foi preciso Jairzinho, convidado especial da transmissão da Globo, rasgar a fantasia da tevê e escancarar:

–   O time não tem ligação da defesa para o meio de campo, nem do meio para o ataque. O time está apático e também não finaliza – só duas finalizações no primeiro tempo, e de bola parada!

Ironia do destino, o que faltou ao Botafogo no primeiro tempo foi exatamente um camisa 7 – obviamente, não temos mais um Jairzinho. Mas não precisava ser um craque: sentimos falta do mínimo, um ponta habilidoso, capaz de ocupar a linha de fundo com objetividade, capaz de criar jogada pelas pontas.

Já no segundo tempo…

o Botafogo fez, nos 10 minutos iniciais, mais do que em toda a primeira etapa: criou chances claríssimas de gol. Mas, infelizmente, nosso centroavante não é do tipo que resolve – teve a bola no pé e chutou para fora. Nosso “maior reforço de 2009” (Reinaldo) não é do tipo que resolve: tentou um chute colocado, a bola não foi até o canto e o goleiro conseguiu defender sem muita dificuldade. Nosso “homem de referência” não é do tipo que resolve: Renato subiu sozinho e cabeceou na mão do arqueiro.

Aí, meus caros, o futebol voltou a exercer a maior das máximas: quem não faz, leva.

Ainda mais quando se tem Fahel como “homem de referência no sistema defensivo”, como prometeu Estevam Soares no início da partida. E foi nas costas do “homem de referência”, após rápido contra-ataque, que o paraguayo substituto do Ramirez subiu e marcou de cabeça sem chances para Jefferson.

Depois do gol, Estevam colocou em campo Victor Simões e Jobson no lugar, respectivamente, de Gabriel e Renato.

Pouco adiantou. Porque Lúcio Flávio, nosso camisa 10, continuou com seus passes laterais e inofensivos. O grau de irritação da torcida chegou ao ponto máximo quando, após boa jogada de Reinaldo, a bola sobrou na entrada da área para LF que, de frente para o gol, preferiu tocar de lado para Alessandro.

Quando o camisa 10 prefere rolar para o lateral, e o lateral não é o Nelinho mas o Alessandro, está na hora de sacar o camisa 10.

Um breve alento foi dado por Jobson, que deveria ter entrado desde o início. Em um único lance, produziu mais do que Lúcio Flávio-Reinaldo-Jônatas juntos. Partiu para cima do adversário, driblou duas vezes e só rolou para André Lima completar: gol 90% de Jobson, 10% de AL (que nem teve a pachorra de dividir os méritos com o companheiro na hora da comemoração).

Jairzinho, mais uma vez, foi a voz da sabedoria:

– Por que não trabalhar com um jogador como esse desde o início do jogo?

Vocês achavam que daria para reagir? Eu não.

Ainda mais depois que o Alessandro provou, pela enésima vez, que não tem QI e deu uma voadora, sendo justamente expulso.

Assim é o Botafogo 2009: o camisa 10 tem inteligência mas não tem raça; o lateral tem raça mas não tem inteligência. E nenhum dos dois tem a técnica suficiente para vestir a camisa alvinegra.

A defesa ficou completamente desguarnecida e era só questão de tempo para o Cerro aproveitar a vantagem numérica e tática para decretar o fim das esperanças.

Fez o segundo gol, fez o terceiro e só não fez o quarto porque o juiz teve piedade e apitou o fim da partida.

Ah, o Rodrigo Dantas entrou e não fez nada: pelo contrário, errou passes de menos de um metro. Jobson também se apagou, André Lima virou mártir (tomou uma pancada grave e depois ficou se arrastando em campo, para fazer número), Reinaldo errou passes ridículos e a zaga desmoronou.

Mas e o Lúcio Flávio? Por onde andava?

Durante o jogo não sei, mas ele reapareceu na hora da entrevista pós-jogo. Ainda no gramado, falando de forma pausada e lúcida, decretou:

– Agora nós temos que esquecer e nos concentrar no Brasileirão.

Viu como é fácil, rapaziada? Agora é esquecer, simples assim.

Ignorar, por exemplo, o fato de que o Botafogo 2009 não consegue nos presentear com uma semana de tranquilidade. Apenas sete dias – tipo, duas vitórias e um empate em três jogos consecutivos.

Não, nem isso eles são capazes de garantir.

Que belo estímulo para lotar o Engenhão no domingo, hein?

Atuações? Vocês têm certeza? Ok, vamos lá:

Jefferson – Dessa vez, não fez a diferença. Nota 5

Alessandro – Muita vontade de escrever um palavrão pela primeira vez neste blog. Nota ZERO

Juninho – Lentinho, perdidinho, capitãozinho. Nota 3

Diego – Razoável na primeira etapa, depois despencou. Nota 4

Gabriel – Pouco. Nota 2

Fahel – Ridículo. Nota 1

Jônatas – Preciosista e inofensivo. Nota 2

Renato – Errático e inofensivo. Nota 2

Lúcio Flávio – Inofensivo e irritante. Nota 1 (Voltem com a faixa, por favor)

André Lima – Esforçado e limitado. Nota 4

Reinaldo – Alguma coisa no primeiro tempo, depois simplesmente lamentável. Nota 5

Victor Simões – Jogador de rúgbi. Nota 1

Jobson – A única jogada decente do time. Nota 5

Rodrigo Dantas – Decepcionante. Nota 3

Estevam Soares – Errou feio na escalação, errou ainda mais ao demorar para mexer. Nota 1

Jairzinho – Comentários perfeitos, agudos, veementes, contundentes. Deu um baile no Júnior. Nota DEZ

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8 Respostas para “Botafogo 1 x 3 C. Porteño: A barreira dos sete dias

  1. Marcelo,

    Mais uma vez preciso o teu comentário!
    O problema não é o Engenhão como a frapress divulga. O problema e o time medroso, com maior tempo de bola e sem nenhuma objetividade. Até em lateral os jogadores não aparecem para receber. Se escondem em campo! Ninguém se apresenta para receber a bola, fazer o um/dois, tabelar, ajudar o companheiro. Mesmos os poucos jogadores que tem passe ficam perdidos, pois ninguém aparece e acabam perdendo a bola e jogada. Quando tocamos a bola com velocidade ameaçamos e se não estou enganado foram umas três ou quatro vezes durante todo o jogo.
    A tua narrativa sobre a jogada do AMARELÃO DO LENTO FLÁVIO foi perfeita, eu estava lá e foi isso exatamente que aconteceu. Ele de frente para o gol, na meia lua e toca para o lado. A torcida se desesperou e começou a apupar esse jogador covarde!
    Depois vem com lenga lenga sobre a faixa.
    Se não quisermos passar vergonha essa corja que se apoderou de GS precisa ser exterminada e com ela todos esses jogadores que os incompetentes do AS, AB e os parceiros empresários contrataram.
    Esses caras não servem e não merecem vestir a nossa camisa!
    Esses caras não servem e não sabem defender as nossas cores e tradições!

    Abs e Sds, BOTAFOGUENSES!!!

  2. Olá

    Podemos fazer uma troca de links?

    Já tenho este blog no meu site.

    O Link é o seguinte:

    http://www.foot-blogs.com/botafogo.asp

    Este site pretende fazer uma lista sobre os melhores blogs sobre o Botafogo…

    A Pontuação de cada blog é a soma do tráfego (numero de visitas), do nosso site para este blog… e deste blog para o nosso site.

    Abraço

  3. Quebrei a promessa e, graças ao horário de verão que por aqui não pinta, resolvi ver o primeiro tempo do jogo contra o Cerro. Ainda bem que não esperei pelo pior e agora já não tenho dúvidas do porquê estarmos à beira do abismo. O time é fraco e alguns jogadores são simplesmente medíocres. Lúcio Flávio até nos escanteios vai mal; André Lima perde gols feitos, reclama de tudo e de todos e de vez em quando fica impedido, Reinaldo não arrisca um chute e quando o faz sai um peteleco, Alessandro é ruim dos pés e da cabeça, também – e vai por aí. Em resumo: quando Juninho não faz gol de falta e Jefferson não consegue pegar tudo – dá no que deu…
    Bem, meus amigos – como diria o saudoso João Saldanha – agora que a sulamericana passou, vamos torcer para ganhar (pelo menos) duas vezes neste final de campeonato, senão, senão…
    Para concluir com o óbvio ululante (lembrando Nelson Rodrigues), temos um time fraco, sem nenhum CRAQUE e com uma penca de jogadores medíocres.
    P.S. Ouvi, ontem, na rádio Globo que o goleiro Castillo (reserva de luxo) ganha 50 mil dólares por mês. Pergunto: Pra fazer o quê? Talvez fosse melhor doar esse dinheiro para uma instituição de caridade…

  4. “…O grau de irritação da torcida chegou ao ponto máximo quando, após boa jogada de Reinaldo, a bola sobrou na entrada da área para LF que, de frente para o gol, preferiu tocar de lado para Alessandro…”
    Depois deste lance, tomei meu mingauzinho, apaguei a TV e fui dormir !.

    Que vergonha !!

  5. é constrangedor torcer para um time desse naipe. não há nem sequer um único jogador com condições de envergar a gloriosa camisa alvinegra. estou profundamente compadecido de mim mesmo por um dia ter acreditado no e defendido o Lúcio Flávio.

    saudações alvinegras,

  6. Só um breve comentário, por mim em 2010 se o clube permanecer na 1a divisão eu só manteria o Jefferson e o Diego o resto eu demitia tudo mundo.

  7. é complicado!!! vcs viram e eu tb vi o jogo óntem e não tenho nada a declarar… lamentável…

    Saudações

  8. “Ainda mais quando se tem Fahel como ‘homem de referência no sistema defensivo’, como prometeu Estevam Soares no início da partida.”

    O ‘esquema Fahel’ não se limita ao Estevam ficar fazendo esse joguinho baixo de marketing – seja pra uma empresa ou empresário, seja pro próprio Botafogo se livrar desse traste. O locutor da Band também elogiou o ‘bom desempenho’ de Fahel no jogo contra o Internacional. Fahel agora é destaque.

    “Lúcio Flávio até nos escanteios vai mal; André Lima perde gols feitos, reclama de tudo e de todos e de vez em quando fica impedido, Reinaldo não arrisca um chute e quando o faz sai um peteleco, Alessandro é ruim dos pés e da cabeça, também – e vai por aí. Em resumo: quando Juninho não faz gol de falta e Jefferson não consegue pegar tudo – dá no que deu…”

    Dá-lhe, Pereirão!

    Uma pena não ter acompanhado os comentários do Jairzinho desde o começo da partida, porque devem ter produzido melhor futebol do que os aquele bando de perebas sem sangue nas veias.

    Saudações alvinegras!

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