Botafogo 0 x 1 flamengo: Amarga rotina (com acréscimo)

Não pude ver o jogo.

Compromissos familiares me afastaram da televisão no início da noite.

Mas, ao ligar o rádio, pouco depois das oito da noite, já de volta para casa, as primeiras palavras que escutei foi de Gerson, o canhotinha de ouro: “O Lúcio Flávio perdeu o pênalti e sumiu do jogo”. O outro comentarista da Globo/CBN, Álvaro Oliveira Filho, analisou: “A partida foi fraca tecnicamente. O Botafogo teve mais chances, maior número de finalizações, maior domínio em boa parte do jogo, mas num lance crucial deixou Adriano fazer a diferença e abrir o marcador. Já Victor Simões conseguiu cobrar um escanteio no pé do Lenon, possibilitando um contra-ataque rubro-negro. Essa diferença de qualidade foi responsável pelo marcador favorável ao flamengo”.

Enquanto ambos falavam, cenas de partidas anteriores me vieram à cabeça.

Virou amarga rotina, nos três últimos anos, perder para o flamengo em ocasiões decisivas – e sempre com um ingrediente a mais, tipo pênalti desperdiçado.

Ao chegar em casa, assisti aos ” melhores momentos” e pude perceber o que os comentaristas do rádio já anunciavam: Botafogo finalizando, mas de forma fraca, sem perigo, quase inofensivo. E o flamengo com três chances claras de gol – uma foi fora, outra Adriano aproveitou (que ridícula a performance de Wellington e Juninho no lance…) e a outra o Gil desperdiçou de forma bisonha.

Sobre o pênalti perdido pelo Lúcio Flávio, nada a declarar. A não ser que, como Bruno se adianta (como, aliás, fez Rogério Ceni no Maracanã e lá a penalidade foi repetida), o canto direito fica inteiramente aberto – e ele cobra no mesmo canto do goleiro rubro-negro. Patético – agora nem a eficiência em penalidades o nosso camisa 10 tem a oferecer. Aliás, o que ele tem a oferecer a não ser sensatas e ponderadas entrevistas após as partidas?

Nos “melhores momentos”, vi o André Lima perder uma ótima chance na cabeça da área e vi também seguidos erros de marcação e posicionamento.

De novo, tudo rotina.

No mais, tudo caminha para se concretizar o sonho dourado de um colega vascaíno da repartição, um cara que odeia o Botafogo por conta dos sapecas que a gente aplicou em partidas decisivas em cima do time dele – e também pela ascensão alvinegra nos últimos anos.

– Tudo que eu quero ver, além do vasco de volta à série A, é o flu e o Botafogo rebaixados, e o flamengo vice-campeão.

E, para encerrar, volto a dizer que jogo decisivo será na quarta-feira, contra o náutico. Essa, sim, é partida que vale a permanência na Série A.

Acréscimo: Vi o replay da partida. Algumas breves considerações:

* Ok, o Estevam falhou feio duas vezes – ambas no segundo tempo. Ao não substituir Lúcio Flávio e ao tirar Reinaldo. Mas, vamos fazer um exame de consciência: a escalação inicial não era a que todos queriam – sem Fahel nem Léo Silva nem Victor Simões, e com Jobson, Diego, Reinaldo e Batista? Tudo bem, Rodrigo Dantas poderia estar no time – mas ele ainda não conseguiu jogar bem durante 90 minutos.  

* O Botafogo demonstrou, ao longo de quase toda a partida, uma qualidade pouco comentada por conta do resultado amargo: volume ofensivo de jogo – mesmo sem contar com Jobson em noite inspirada e com um péssimo Lúcio Flávio. Tudo porque Reinaldo jogou bem e André Lima funcionou com eficiência como pivô – serviu duas bolas para Diego, que infelizmente não conseguiu aproveitar. Faltou capacidade de finalização, e a entrada de Victor Simões derrubou esse item de vez. Mas se jogar com essa aplicação e mantiver a bola no campo do adversário, pode sufocar o náutico ainda no primeiro tempo. Basta caprichar no último toque.

* A zaga rubro-negra, mesmo reserva, se demonstrou mais segura do que a alvinegra. Até porque foi muito mais exigida. E a nossa, quando foi para a hora do vamover, se enrolou e deixou Adriano fazer o que queria dentro da área. O erro duplo do Wellington, mais a lentidão do Juninho, me deu saudade do Emerson – sim, para esses lances ele tem mais malícia e sabe se colocar melhor.  E, em outras duas ocasiões, os zagueiros e Guerreiro permitiram rápidos e perigosos contra-ataques do adversário.

* Jobson melhorou no segundo tempo. Mas, está comprovado, não sabe finalizar.

* Reinaldo foi o melhor em campo.

* Diego, pela esquerda, é muito melhor do que Thiaguinho. Tanto na marcação como no apoio.

* Lúcio Flávio, Guerreiro e Juninho merecerão um post à parte. Nada elogioso, obviamente. 

* Victor Simões é uma piada de mau gosto. O volume ofensivo que elogiei simplesmente murchou nos seus pés – ele não consegue completar sequer uma jogada.

* Outra piada de mau gosto foi a linha agressiva-ressentida dos comentários de Paulo Cesar Vasconcellos, no payperview (e olha que é um cara que eu admiro). Dizem que ele é botafoguense: então, na ânsia de demonstrar isenção, passou a enxergar um domínio esmagador rubro-negro que jamais foi comprovado dentro de campo. Na primeira etapa, enfatizou diversas vezes a dificuldade de o Botafogo ter saída de bola, mas ignorou que o adversário passava pela mesma dificuldade – o gol nasceu de uma bola rebatida de um tiro de meta cobrado pelo Jefferson, que o Guerreiro deixa passar e o Wellington inicia a lambança. E, no segundo tempo, bateu exaustivamente na tecla do “desequilíbrio emocional” alvinegro, quando o problema era deficiência técnica, mesmo, na hora de finalizar. De botafoguenses assim nós realmente não precisamos.

 * No mais, cabeça fria: o time não jogou mal. E desconfio que o cartão amarelo que tirou LF do jogo contra o náutico será uma ótima chance de ver Jônatas (boa notícia sua reintegração e aproveitamento nos últimos minutos da partida), R.Dantas ou mesmo o Renato tentar mais produtividade ofensiva.

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3 Respostas para “Botafogo 0 x 1 flamengo: Amarga rotina (com acréscimo)

  1. O jogo foi ridículo.
    O flamengo não jogou nada, tirando o penalti e esses poucos contra-ataques, o Botafgo teve, e muito, espaço para jogar, já que eles só marcavam em seu campo.
    É aquilo: com Juninho, Wellington.. Manda a bola no Adriano para ele resolver.

    Ao contrário de André Lima e uns e outros..

    Não entendi a escalação do Batista, eu teria entrado com o Rodrigo Dantas.

    Não consigo nem pronunciar o nome de um certo jogador!

    Enfim, quarta é ganhar ou segundona.

  2. Vou dar minha pequena contribuição, aproveitando a máxima de que todo brasileiro é um pouco tecnico de futebol.

    Para mim o time na próxima quarta-feira deve ser:

    Jeferson – sempre

    Juninho – porque não sai mesmo do time
    Emerson/Teco – tanto faz, mas Welington tá precisando de um banquinho
    Diego – como zagueiro, cobrindo a esquerda

    Alessandro – porque consegue ser melhor que Thiaguinho mesmo, não adianta
    Leandro Guerreiro – não temos volante melhor
    Jonatas – óbvio, né?
    Rodrigo Dantas – velocidade para jogar com o amigo acima
    Gabriel – apostaria no garoto, pelo emnos é lateral de ofício e com o Diego cobrindo a esquerda, ele não precisa ficar voltando para marcar, coisa em que é deficiente

    Reinaldo – que é nosso melhor atacante mesmo que isso não signifique muito
    Jobson – porque sim

  3. (Sugestão de tópico)
    A BATALHA DE ITARARÉ
    Itararé (“pedra que o rio cavou”), que fica na divisa de São Paulo com o Paraná, situa-se em uma área conhecida como Campos de São Pedro, que vai do rio Verde até o rio Itararé. Durante a revolução, a batalha de Itararé foi vastamente propagada pela imprensa. Esta batalha ocorreria entre as tropas fiéis a Washington Luís e as da Aliança Liberal que se deslocavam, sob o comando de Getúlio Vargas, do Rio Grande do Sul em direção ao Rio de Janeiro para tomar o poder. Mas antes que houvesse a batalha “mais sangrenta da América do Sul”, fizeram acordos. Uma junta governativa assumia o poder no Rio de Janeiro e não aconteceu nenhum conflito.
    Nas últimas semanas o noticiário esportivo carioca, quem sabe o nacional, foi polarizado pela expectativa gerada em torno ao clássico entre Botafogo e Flamengo, o primeiro entre os dois no estádio do Engenhão, pela 32ª rodada do campeonato brasileiro.
    Além do aperitivo básico da rivalidade regional o clássico estava recheado de importância pela possibilidade do Flamengo, com vitória na casa do rival, se colocar não só na luta pelo G-4, mas também ao título do BR-09. Também chamava a atenção a situação desesperadora do Botafogo que havia voltado a zona de rebaixamento e que precisava de uma vitória para voltar à respirar sem aparelhos.
    Como que anunciando problemas, a massiva presença de torcedores alvinegros e as confusões ocasionadas no jogo contra o Avaí, realizado no dia da criança, colocaram todos, autoridades, dirigentes, público e imprensa em estado de alerta. Afinal, a massa rubro-negra estava em festa e iria ocasionar uma invasão ao estádio do rival, precisando até de ocupar espaços na parte alvinegra. Que talvez, pelo demonstrado pelo jogo contra o Avaí não fosse tanto assim.
    Mesmo com um acordo inexplicável entre as diretorias que dividia meio-a-meio, a lotação, feito ainda no primeiro turno com aval da CBF e da FERJ, e com o estatuto do Torcedor que proíbe mudanças de local muito próximo à data do jogo foi uma semana de massacre midiático: que a nação rubro-negra ia invadir, que o Engenhão (sede do PAN 2007) não tem condições de receber clássicos, que o jogo vai (tem de ir) para o Maracanã, além de bravatas de dirigentes rubro-negros (extrapolando a rivalidade e beirando o desrespeito) e a omissão de dirigentes botafoguenses.
    Chegou o dia do jogo e o que aconteceu?
    Foi mantido o acordo inexplicável. Foi escolhido um juiz carioca (apesar de em todos os outros clássicos regionais terem juízes de fora do estado). Só ocorreu confusão no estádio e nos arredores entre a própria torcida rubro-negra e não ocorreu a propalada invasão da nação – isso apesar dos ingressos para eles terem esgotado dias antes! Aliás o estádio nem encheu!
    Assim como na Batalha de Itararé, antes que houvesse a batalha “mais sangrenta do futebol brasileiro”, acordos foram feitos. E assim como em Itararé quem perdeu foi o dono da casa.

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