Botafogo 0 x 0 flu: Só os jotas podem nos salvar

vilmafred

Os comentaristas não cansavam de repetir, quando o Botafogo entrou na zona de rebaixamento, que, por conta do elenco e da comissão técnica, “não era time pra cair”.

Lamento informar, meus caros: mais uma vez os especialistas estavam errados.

Porque esse mito se esfacela a cada rodada.

Para cair, não precisa muito  hoje em dia. Basta juntar uma série de fatores. Alguns nós conhecemos de outras rodadas e felizmente, dessa vez um deles – o erro grave de arbitragem – não apareceu no Engenhão. Mas outros teimam em nos perseguir e estiveram presentes no clássico desse domingo:

* Ataque inofensivo – a performance de André Lima, particularmente, foi lamentável – um dia de Victor Simões. Reinaldo, sumidíssimo, também nada produziu de relevante.

* Dificuldade na hora da conclusão – No primeiro tempo, o time até que alugou o campo do flu, mas demonstrou por diversas vezes uma dificuldade crônica para acertar o chute no momento de definição. Lúcio Flávio teve uma chance claríssima e preferiu tentar alguma coisa que ninguém entendeu. Aliás, o camisa 10 fez uma péssima partida.

* Pressão psicológica – Dessa vez não houve falhas defensivas graves, mas a verdade é que o time entra pressionado e cada passe errado irrita mais a torcida.

*Equívocos do treinador na hora de substituir – A entrada de Ricardinho no lugar de Reinaldo vai direto para a conta do Estevam. E mudar o Alessandro logo depois de mais uma jogada bisonha, pra fazer a média com a galera, me pareceu populismo – tudo o que não precisamos nesse momento.  

* Displicência – Eduardo teve a bola do jogo nos pés e não decidiu, após lançamento precioso de Jônatas. Imperdoável, pois chances como essas são raríssimas, ainda mais num time que depende da bola parada para balançar as redes.

Por isso, e obviamente pela campanha que se desenha com Estevam (derrota fora, empate em casa), o Botafogo tem time pra cair. Para nos salvar, dependeremos de três Jotas:

* A eficiência de Jefferson – sem espalhafato (exatamente ao contrário do André Lima) e com experiência, soube se posicionar nos momentos certos e fechar o gol. Foram diversas saídas e nenhum vacilo, além de duas defesas bem difíceis. Alguém duvida que se o Castillo estivesse em campo o flu teria marcado ao menos uma vez?

* A criatividade de Jônatas – Disparado, o melhor jogador do clássico. Mesmo barrigudo, mesmo sem fôlego para jogar 90 minutos, ele é o único que enxerga o jogo de forma cristalina e sabe aproveitar os clarões surgidos na defesa do adversário. Tanto é, meus amigos, que ele abre os braços o tempo inteiro procurando alguém pra jogar – e não encontra…

* A volta dos gols de falta de Juninho – Ele teve duas chances nesse domingo, mas não conseguiu encaixar o chute. Se  não voltar a acertar o pé, vai ficar bem difícil sobreviver.  E, justiça seja feita, fez uma partida discreta, mas eficiente, como zagueiro – apesar da crônica lentidão.

Sem esses três jotas reunidos para nos salvar e cavar algumas vitórias daqui pra frente, só nos restará outra letra: a segunda letra do alfabeto…

E no mais parabéns à torcida no Engenhão que, mesmo com a atuação medíocre do time no segundo tempo, vaiou quem merecia e engoliu os tricoletes que se assanhavam e logo foram silenciados com uma demonstração de apoio forte e na hora certa dos torcedores alvinegros. E ainda tiveram presença de  espírito para levar uma faixa sensacional (foto acima). Como diz o Tiago Pinheiro, do Movimento Carlito Rocha, só a torcida pode nos salvar. Eu acredito nisso.

Como eles jogaram?

Jefferson – Eficiência e segurança nos momentos certos . Um belo retorno. Nota  8

Alessandro – Errou na marcação e no apoio. Nota 2 Thiaguinho, que o substituiu, nada produziu. Nota 4

Emerson – Não comprometeu, o que já é um alívio. Mas tem uma dificuldade incrível na marcação individual. Nota 4

Eduardo – Teve a bola do jogo nos pés e não soube decidir. No mais, não rendeu tudo o que o Estevam esperava dele – e nós também. Nota 3

Juninho – Discreto, perdeu todas por cima (nenhuma novidade) mas fez boas antecipações. Nota 4

Fahel – Como zagueiro, ao menos espanou bolas perigosas. Tentou armar o jogo, o que obviamente não resultou em nada. Nota 4

Leandro Guerreiro – Impressiona como não ganha nenhuma bola em escanteio ou outra bola parada. Parece não saber se posicionar. No mais, muita luta e só. Nota 4,5

Jônatas – Lúcido e perigoso, enfiando bolas preciosas e desperdiçadas por seus colegas. Estevam acertou ao escalá-lo. Nota 8

Lúcio Flávio – Que decepção. Apagado, lento, disperso ao ponto de perder bolas dominadas: um camisa 10 inofensivo. Nota 2 Deu lugar a Renato, que nada fez de relevante. Nota 4

Reinaldo – Pouco apareceu, pouco produziu, pouco foi notado. Decepção. Nota 3 Deu lugar a Ricardinho, que erra tudo o que tenta: é o novo Jean Carioca – ou seria o novo Diego? Nota 2 

André Lima – Uma exibição lamentável. Fica na base do empurra-empurra com os zagueiros e o juiz, claro, marcará sempre falta do atacante. Teve uma chance clara no mano a mano e foi facilmente desarmado pelo adversário. Em seu último lance, dentro da área adversária, tropeçou nas próprias pernas e caiu sentado. Nota 2

 Estevam Soares – Armou bem a defesa e apostou no Jônatas: o time fez um bom primeiro tempo. Não contava, porém, que Lúcio Flávio iria se apagar e que Eduardo não corresponderia à expectativa nele depositada. Demorou para mexer no segundo tempo, e ainda o fez de forma medrosa e populista, parecia estar conformado com o empate.  Nota 4

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4 Respostas para “Botafogo 0 x 0 flu: Só os jotas podem nos salvar

  1. esse não seria o jogo da vida do Reinaldo??? o chinelinho não fez nada a partida inteira e certamente vai inventar uma dorzinha pra ganhar umas folgas, já que neste domingo ele teve que trabalhar!!!

    o Estevam coloca o Ricardinho esperando que ele vai fazer o que??? Porque não colocou o Michael????

    abraço!!

  2. Se houver algum problema entre o Michael e o Estevam, eles que se resolvam entre si e logo, porque não dá para deixar de fora um jogador que pode ser importante para a criação de jogadas, quando para nós é praticamente um parto conseguir balançar as redes adversárias. Nosso ataque é inofensivo – como já foi dito e redito por aqui -, eu colocaria Jônatas, Michael e Lúcio Flávio para jogarem juntos, nem que para isso tivesse que atuar só com um atacante de origem. Acho que desta forma seríamos mais perigosos e contundentes do que com dois atacantes lá na frente que absolutamente nada produzem. Jônatas como segundo volante, vendo o jogo de trás, saindo para o ataque quando tiver espaço e enfiando perigosos lançamentos com sua privilegiada visão de jogo (ainda que gordo); Michael e Lúcio Flávio (ainda que apático) se movimentando na armação e com mais liberdade para fazer o papel de segundo atacante, se aproximando sempre que possível do Reinaldo – obviamente, o melhor entre Victor Simões, Ricardinho e André Lima.
    E a boa notícia deste jogo fica mesmo por conta da reestréia do goleiro Jefferson. Passou segurança e tranquilidade – alguém conhece tais palavras quando no gol alvinegro está o baixinho e atabalhoado goleiro uruguaio?

  3. Marcelo, apenas uma discordância.
    A torcida não vaiou quem merecia. Falo isso pq não sei o que é mais patético (e lamentável): O Reinaldo não aguentando uma partida inteira (péssimo, aliás) e inventando outra desculpa para colocar o chinelinho ou os torcedores que aplaudiram o esforço e bela apresentação do craque no momento da substituição!
    Abs e SA!!!

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