Palmeiras 1 x 1 Botafogo: Estilo Estevam

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“É importante dizer que o adversário marcou muito bem. Se os caras (Diego Souza e Cleiton Xavier) não jogaram, é porque foram marcados individualmente com qualidade”. Muricy Ramalho, treinador do Palmeiras

“Conseguimos fazer um bom primeiro tempo, mas ainda pode melhorar mais, como na posse de bola e no posicionamento”. Estevam Soares, treinador do Botafogo

Faço eco ao Rodrigo Federman, do Cantinho Botafoguense, para começar o meu comentário da mesma forma que ele:

– Como é bom ter um treinador no banco de reservas!

A diferença era visível logo nos primeiros minutos. No campo do adversário, sem oito titulares, o Botafogo partiu para abafar o Palmeiras em todos os cantos do gramado do Parque Antártica. Todo mundo corria que nem um louco – de André Lima a Thiaguinho, de Lúcio Flávio (ele também!) a Leandro Guerreiro.

Resultado: os primeiros 30 minutos da partida foram alvinegros. Fizemos um gol, marcamos de forma eficiente, não tivemos sustos lá atrás (com exceção de uma bola na trave) e só não ampliamos porque o juiz afinou e deixou de marcar um pênalti escandaloso em cima do LFlávio, após uma belíssima jogada dentro da área – seria 2 x 0.

Mas aí, numa bobeira dupla, do Juninho (plantado no chão) e do goleiro Flávio (saída em falso), o Palmeiras empatou. E cresceu na partida.

Mesmo assim, o Botafogo ainda se destacava sem se intimidar, graças ao papel de pivô do André e das boas participações de Jônatas e Lúcio. A nota destoante era previsível: Fahel, fazendo faltas tolas.

Começa o segundo tempo e o Botafogo faz uma pressão danada no adversário logo nos primeiros minutos – e o Fahel perde, dentro da pequena área e de forma bisonha, a chance de desempatar a partida, após um vacilo do Marcos.

Depois, o time cansou – o primeiro a colocar a língua para fora foi Jônatas que errou tudo que tentou na segunda etapa. O Palmeiras começou a alugar o campo alvinegro.

Aí ocorreu o que 10 entre 10 comentaristas esperavam: pressão verde – Muricy colocou mais um atacante em campo. Nessa parte do jogo, brilhou a estrela do goleiro Flávio, com duas boas intervenções e sorte na melhor chance da partida, quando pegou a bola nos pés de Diego Souza.

O Estevam sacou rápido o que tinha ocorrido: tirou o pregado Jônatas e colocou o Laio que, logo no primeiro lance, cavou uma falta bem perigosa. Depois, fez outra mudança providencial, com a saída do Thiaguinho, que já estava perdendo tudo no seu setor, para entrada do Léo Silva. 

E o novo técnico foi premiado com um pontinho valioso fora de casa, no campo do líder do campeonato.

Claro que ainda falta muito para melhorar, especialmente na parte do condicionamento físico. Mas a verdade é que, como notou o Pereirão, até as entrevistas depois do jogo já aumentaram de nível com a chegada do Estevam. Ele fala de forma direta, sem lero-lero nem ipatinguices que ligavam o nada ao lugar nenhum.

O André Lima contou que terminou o jogo sentindo dores musculares por conta do “ritmo forte dos treinos do Estevam”. É assim que vai ser daqui pra frente, meus caros: acabou a moleza, a acomodação, o pacto da mediocridade entre jogadores e comissão técnica.

Bem-vindos ao Estilo Estevam.  

Assim eles atuaram sob o comando do novo treinador:

Flávio – A saída em falso no gol foi comprometedora, mas demonstrou reflexo e agilidade na segunda etapa – e é pelo menos meio metro mais alto do que o Castillo. Nota 5,5

 Thiaguinho – Incansável no primeiro tempo, irregular na segunda etapa. Nota 5. Foi substituído por Léo Silva, que não comprometeu. Sem nota

Juninho – Falhou no gol do adversário, mas jogou com seriedade e afastou muitas bolas de cabeça, o que nunca foi seu forte. Nota 6

Emerson – Não comprometeu, com exceção de um lance no fim do primeiro tempo que, ao ter a bola em pleno domínio, se apavorou de forma ridícula. Nota 4

Eduardo – Boas antecipações, mas, no segundo tempo, errou o passe e gerou contra-ataques perigosíssimos do adversário: ele toca e corre para receber, só que toca errado… certamente o Estevam terá uma conversinha com ele. Nota 5

Batista – Poderia ter sido mais eficiente no apoio – alternou bons e maus momentos lá atrás. O passe que deu para André finalizar no segundo tempo, numa defesaça do Marcos, foi um primor. Nota 5,5 Deu lugar a Rodrigo Dantas, que só teve tempo de exibir um corte de cabelo tenebroso – Nota ZERO (para o barbeiro do rapaz)

Leandro Guerreiro – Muito bem, voltou a jogar em alto nível. A força da marcação imposta pelo Botafogo passou pelos pés dele. Nota 7

Fahel – Muita limitação técnica concentrada num só jogador. Adora fazer faltas ridículas e perigosas. E a falta de categoria ainda foi exemplificada quando perdeu um gol dentro da pequena área do Palmeiras. Nota 4

Jônatas – Primeiro tempo participativo, lúcido e perigoso. Apagou-se na segunda etapa até ser substituído. Enquanto tem pernas, é títular absoluto. Nota 6,5 Deu lugar a Laio que começou bem e depois se preocupou em fechar a marcação. Nota 5

Lúcio Flávio – Belo primeiro tempo, pouca produtividade nos 45 minutos finais. Sofreu um pênalti claríssimo. Tomou cartão e está fora do jogo contra o Santo André. Nota 6,5

André Lima – Teve duas chances claras de gol: marcou em uma delas, na outra obrigou Marcos a se esticar todo. E fez muito bem a função de pivô. Foi elogiado até pelo Muricy. É titular absoluto – VSimões e Reinaldo que briguem pelo outro lugar no ataque. Nota 7,5

Estevam Soares – Em pouquíssimo tempo, já conseguiu mostrar um Botafogo com brio e pegada. Mais: fez a leitura correta da partida e embolou o meio-de-campo – não tem culpa se a bola da vitória sobrou nos pés do Fahel ou se o Juninho e o Flávio bateram cabeça. Nota 7,5

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6 Respostas para “Palmeiras 1 x 1 Botafogo: Estilo Estevam

  1. Globalmente de acordo, amigo. Não fizemos uma grande exibição, mas ‘senti’ que algo foi diferente.

    Abraços Gloriosos!

  2. Isso aí, Marcelo! Enfim, temos técnico!
    Putz…e pensar que demoramos 17 rodadas para mandar embora aquele “pote de bosta” do NF!
    Como vc bem frisou, além do futebol apresentado, as declarações pós-jogo tb já têm outro nível, sem discursos pré-fabricados ou cognitivos!
    Valeu, ES!
    Abs e SA!!!

  3. E’ muito cedo para dizer – mas parecia outro time, em termos de distribuição tática no campo. Se conseguir 7 pontos nos próximos 3 jogos (seis em casa contra o S.André e Cruzeiro e um fora contra o Corintians) poderemos sair de perto da zona de rebaixamento, garantir a sul-americana e (quem sabe) até pensar em Libertadores.
    Basta ver o exemplo do Avaí…
    Uma coisa ficou clara: depois do jogo de ontem o novo técnico não falou “em entrega do time”, em quatro dias mostrou que conheceu os (grandes) problemas do elenco e fala direto, sem meias-palavras. Também, por isso, começou bem.
    Que Deus e Carlito Rocha o iluminem!

  4. Gostei do posicionamento e da disposição.
    Tirando o condicionamento físico que é lamentável tendo em vista que temos “profissionais” para cuidarem dessa parte, de resto eu gostei.
    É claro que teve algumas falhas e já até bem conhecidas, mas vamos melhorar, com alguns titulares voltando a casa vai se arrumar.

    Saudações Alvinegras

  5. Muito boa análise, Marcelo.

    Em 3 dias de trabalho ES fez o que NF em quase um ano de trabalho não conseguiu: um time com um padrão tático definido e com os jogadores sabendo o que fazer dentro de campo.

    O preparo físico está ruim, mas isso tem jeito. O plantel não é dos melhores, mas nenhum time tem um grande elenco. Só que agora temos um técnico, como bem dise vc e o Rodrigo.

    E é um alívio não ter que ficar escutando o blablablá sem nexo do ex.

    SA!

  6. Meu Deus serapossivel qnaum veem q o Laio,tem potencial..e deve ser titular no lugar do FracoVictor Simões

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