Botafogo 2 x 1 Barueri: O futebol é injusto

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Teve um time que,  em menos de 20 minutos de partida no Engenhão, já tinha criado três chances claras de gol – duas delas neutralizadas pelo goleiro adversário. Não converteu. Resultado: tomou um gol numa jogada isolada, quando o goleiro espalmou nos pés do centroavante adversário.

Esse mesmo time teve que correr atrás, mas nem precisou se esforçar muito. Num contra-ataque provocado por seguidos vacilos do adversário, chegou ao empate no finalzinho do primeiro tempo.

Esse time se preparou para a batalha da segunda etapa, crente que ia tomar um sufoco daqueles, com chuva de bolas perigosas. Que nada. Os atacantes adversários se mostravam completamente inoperantes – um deles, na pior atuação de sua carreira, era vaiado ostensivamente a cada vez que dava uma pixotada (e foram muitos).

Aí o time mencionado no início desse relato percebeu que poderia ganhar a partida – e sem muitas dificuldades. Aproveitou-se das seguidas e grotescas falhas de posicionamento do adversário e passou a criar muitas chances. No mais perigoso dos lances, um de seus jogadores tirou o goleiro da jogada e o zagueiro adversário (que tinha falhado no jogo anterior de seu clube) salvou quase em cima da linha. Mas o gol desse time ainda parecia uma questão de tempo, tudo porque o outro time era um mero bando desordenado e com os nervos destroçados. 

Vejam, porém, o que é o futebol: graças a um momento simultaneamente iluminado de três jogadores do adversário no último minuto, o time que estava sendo pressionado desempatou – um belo gol, aos 46 minutos do segundo tempo.

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Fim de jogo.

“Estávamos controlando a partida, criando oportunidades e, numa escapada, o outro time conseguiu a vitória. Futebol é danado”, lamentou o treinador desse time azarado, injustiçado pelo que apresentou em boa parte dos 90 minutos.

“A gente jogou muito mal no segundo tempo. Graças a Deus, a sorte hoje virou para o nosso lado”, comemorou o atacante que fez o gol salvador.

O futebol é injusto, meus caros. Porque o time injustiçado no Engenhão começa com a letra B e tem um técnico competente – chama-se Barueri. E o time que não jogou nada, mas foi bafejado pela sorte no último minuto da partida, se chama Botafogo de Futebol e Regatas. A mesma sorte que faltou em outras partidas e que, na verdade, chama-se eficiência – mas isso é tema para outro post.

Por enquanto, vamos relaxar com o fim do sufoco, comemorar as duas vitórias consecutivas no Engenhão, a sequência de partidas invictas e lembrar: é… tem coisas, como as redes balançarem no último minuto, que só acontecem com o Botafogo…

Atuações

Castillo – Pelo menos uma saída de bola horrorosa; no mais, muito trabalho, algumas boas defesas e personalidade. Nota 6

Alessandro – Mal na marcação, mal no apoio. Tomou um passeio do adversário. Nota 3

Thiaguinho – Continuou na mesma ineficiência do Alessandro. Nota 3

Juninho – Atarantado com a rapidez do ataque barueriense, dessa vez salvou um gol nos últimos minutos. Nota 4

Wellington – O melhor da zaga – e olha que nem esteve tão bem. É o mais seguro zagueiro do Botafogo em 2009 (ouviu, Ney, ou preciso gritar?). Nota 6,5

Eduardo – Afobado, perdeu alguns lances fáceis e deu mole na marcação. Nota 4,5

Guerreiro – Envolvido pelo adversário, resolveu apoiar: deu dois chutes bisonhos e iniciou a jogada que possibilitou o contra-ataque do gol do adversário. Nota 4

Renato – Voltou ao estágio de letargia dos primeiros jogos. Nota 3 Deu lugar a Jônatas que, só pela jogada do gol, de habilidade diferenciada, já produziu mais do que seu antecessor. Nota 6

Batista – Não consegue mais acertar cruzamentos e não foi efetivo na marcação. Apenas vontade. Nota 5

Lúcio Flávio – Dessa vez até chutou e se movimentou, mas tem irritado a torcida pelo excesso de passes laterais e pela dificuldade de concluir a jogada com um bom passe ou uma finalização – sempre prefere a alternativa de sair da bola, às vezes com corta-luz que ninguém corresponde (como no primeiro gol do Barueri). Nota 5,5

Victor Simões – A única jogada boa que fez, o André Lima desperdiçou. Já estava muito mal: entrou em curto-circuito com as vaias e degringolou de vez – sua pior atuação com a camisa alvinegra. Nota 1

Reinaldo – Como já disse anteriormente, tem jogado sempre de costas para o gol –  sua única finalização foi lamentável. E, pior, perde bolas fáceis, possibilitando contra-ataques perigosíssimos ao adversário. Ao menos, acertou o passe para André Lima. Pelo passe, Nota 2. Mas continua devendo.

André Lima – Fez o que foi cobrado porque faltou na partida anterior: demonstrou eficiência. Teve três chances, aproveitou duas – sendo que a mais difícil delas foi nos acréscimos. Tem certeza que ele vai para o banco, Ney? Nota 8

Ney Franco – Perdeu, de goleada, o duelo para Estevam Soares, que trouxe um time compacto, bem organizado, com um ótimo jogador e uma defesa segura. Mas a estrela do Ney brilhou e futebol é bola na rede. Pelo fato de ter colocado Jônatas e Reinaldo em campo, e ambos terem participado da jogada do gol, Nota 5.

Fernandinho,do Barueri – É exatamente o jogador que nós precisamos para superar a perda do Maicosuel. Mas desconfio que o nosso fundo de investimentos vai preferir investir em outros corais pedregosos, áridos e inúteis. Nota 9

Fotos:Lancenet

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8 Respostas para “Botafogo 2 x 1 Barueri: O futebol é injusto

  1. Concordo, sem tirar nem pôr uma vírgula sequer. FOI MESMO ISSO!

    É horrível perdermos depois de jogar tão bem e ganharmos jogando tão mal!

    Feitas as contas, está dando uma coisa p’ra outra. Então, vivam os três almejados pontitos!

    Abração Glorioso!

  2. O Botafogo não jogou bem. Na maioria do tempo, o Barueri colocava o Botafogo na roda, mas o que importa são os três pontos que foram importantíssimo para nós. O que importa é se afastar da zona da morte.
    Sabemos que com esse time, o Botafogo não vai se apresentar bem em todas as partidas porque o elenco é limitado.
    Valeu, Fogão!!!

  3. Nem ligo se futebol é injusto: já senti muitas vezes injustiça na pele.

    O que importa são 3 pontos.

  4. Dizer que o futebol é uma “caixinha de surpresas” é de um anacronismo que nem Nelson Rodrigues suportaria mais. Por isso, a ninguém surpreende, atualmente, um time como o Barueri (ou Grêmio Barueri) que, não à toa, ocupa – desde o início do campeonato – boas posições na tabela e que conseguiu não perder para o flamengo no Maracanã, Sport na Ilha do Retiro e ganhar do fluminense -aí já não é grande coisa, mas o certo é que o nosso time perdeu para o flu e, dentro de casa, não conseguiu ganhar dos dois rubro-negros. Disse-o bem o velho (e experiente) comentarista Luiz Mendes, botafoguense de carteirinha (dos tempos de Saldanha e Armando Nogueira) que não é que o Botafogo tenha jogado tão mal – o Barueri é que jogou bem, o tempo todo. O seu competente técnico armou um esquema tático que enrolou o nosso time, do começo ao fim do jogo. E (aí sim!) como há coisas que só acontecem com o Botafogo, desta feita ao invés de tomar um gol nos acréscimos, veio a (grata) surpresa – fizemos o gol salvador na undécima hora.
    O resto é se alegrar com os 3 pontos – estes sim bem mais importantes do que perder ou empatar jogando bonitinho.
    Sejamos pragmáticos: se não dar pra ganhar jogando um belo futebol (como todos desejamos) que venham as surpresas com gols olímpicos, de penaltys mal marcados, gols contra etc. etc – de preferência nos últimos minutos e a nosso favor.
    E, o que também não é surpresa – caminhamos céleres para mais uma Sul-americana.
    Que Deus nos ajude contra os argentinos!

  5. Salve, André Lima!

    E lá vamos, tendo que aturar Ney Franco até o fim. Que seja em breve.

    Saudações alvinegras!

  6. Rui, exatamente isso – elas por elas, o capricho dos deuses ainda nos deve alguns pontinhos…

    Saulo, sem dúvida, o mais importante eram os três pontos – e veja que diferença fez na tabela!

    Ana Elisa, eu também sofri muito com injustiças cometidas contra o Botafogo – só desenvolvi o comentário do jogo em cima dessa ideia para mostrar que tudo tem dois lados e, quem diria, ao menos uma vez nós fomos beneficiados pela pela “maldição” de um gol nos últimos minutos…

    Pereirão, o meu medo é exatamente o que você citou: com o início da Sul-Americana, em setembro, apareça pela frente um jogo de destroçar os nervos e derrubar de vez o ânimo da torcida, ainda convalescente diante de tantas recentes frustrações…

    Luís, eu espero que alguém da diretoria tenha observado que, sábado no Engenhão, havia um treinador de verdade e que sabe organizar um time limitado – o nome dele é Estevam Soares e, como já disse aqui algumas vezes, é o nome que eu apostaria para a temporada 2010. Mas, como o presidente quer o Ney até o fim do mandato…

    SA para todos!!

  7. Em falar no Maicosuel já viram o golaço dele em sua estréia com a camisa do Hoffenheim pela Copa da Alemanha?
    Saudações alvinegras!

  8. Adorei esse site vou indicar para meus amigos, Para quem gosta de discussões sobre futebol pode acessar o http://www.futebolforum.co.cc

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