Atlético-MG 1 x 1 Botafogo: Um esboço de time

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Dessa vez o treinamento da semana não foi inteiramente desperdiçado.

Pois a mão que apedreja tem que ser a mesma que, quando necessário, é cedida à palmatória. E, com as duas juntas, eu reconheço que o Botafogo de Ney Franco demonstrou evolução tática em relação ao desastre da partida anterior.

No Mineirão, o time de Ney soube congestionar o meio-de-campo e simplesmente anular o poder ofensivo do Galo.

E só não ganhou o jogo por limitações técnicas previsíveis e uma imprevisível – falo sobre ela mais à frente.

No 3-6-1, o Botafogo teve mais posse de bola quase durante toda a partida. Leandro Guerreiro e Thiaguinho se destacaram nas antecipações e Batista, mesmo um pouco inferior aos seus colegas, correu como um louco – o que significa que, se o Ney tiver enxergado o mesmo jogo, o Fahel perdeu em definitivo o seu lugar no time.

Mesmo com o Mineirão lotado, o Atlético-MG pouco produziu. Aliás, esse time é exageradamente badalado – o Galo ciscou, ciscou, ciscou e só fez uma boa jogada coletiva: justamente a do primeiro gol (falha de marcação de Juninho e Emerson dentro da área). Não vai demorar muito para começar a despencar na tabela e ficar ali na zona da Sul-Americana.

Do lado do Botafogo, muita disposição da maioria e pouca qualidade. O gol nasceu de bola parada, mais uma bela cobrança de nosso kicker, Juninho. E poderíamos ter feito o segundo ainda no primeiro tempo, em uma bela triangulação de Renato (não, ele não foi tão ridículo como nas outras partidas) e Alessandro – que o nosso ala desperdiçou cara a cara com o goleiro, evidenciando novamente a sua falta de qualidade técnica.

O primeiro tempo acabou 1 x 1.

Na segunda etapa, Renato foi liberado mais cedo para a noitada em BH e substituído por Toni. Começamos a perder força no meio. O jogo ficou mais perigoso quando Jean Coral deu lugar a Laio – porque, e essa foi uma boa surpresa, o Coral brigou muito lá na frente, fazendo faltas no lugar certo e atravancando a saída de bola atleticana – nesse sentido, atuou com eficiência como o nosso primeiro volante. (Sobre sua função de atacante, bem, é claro que ele não fez nada).

Já o Laio não produziu nada. Pelo contrário: quando foi para o mano a mano, demonstrou tibieza e hesitação, sendo facilmente desarmado.

Foi no terço final do segundo tempo que o Botafogo correu mais riscos, mas aí se destacaram o Castillo (bom retorno), Guerreiro e Juninho (boas antecipações).

Mas, então, dava para ter ganho a partida?

Sim, eu respondo. E com convicção.

E por que não ganhamos?

Ora, a resposta é fácil. Porque jogamos sem um camisa 10.

Lúcio Flávio não entrou em campo.

Em um sistema 3-6-1, é óbvio que o time vai depender como nunca de alguém que seja criativo e rápido na armação de bolas, visão de jogo e de eficiência no último passe, aquele que deixa um companheiro melhor colocado na cara do gol.

Ao longo de 90 minutos, o Lúcio Flávio não fez nenhuma das três coisas.

Exemplo de sua nulidade: mais da metade de segundo tempo, início de contra-ataque botafoguense, bola no pé do camisa 10. Ele, em vez de partir em arrancada, recua a pelota.

Lúcio Flávio foge do jogo.

Novidade!!! Gritariam o Hilário Muylaert, o Fábio “Snoopy”, o Thiago Pinheiro do MCR e outros botafoguenses que sempre criticaram o LF.

Sim, eu concordo. Mas ele conseguiu estar ainda mais ausente do que em 2007 e 2008 – agora nem falta o LF faz mais questão de bater: deixou uma cobrança que era ao seu feitio para o Juninho arriscar.

Então, se o time tivesse um pouco mais de capacidade de definição (não precisa ser um craque, talvez o André Lima já resolva) e de agressividade no meio-de–campo, teria ganho a partida do “líder do Brasileirão” nesse domingo – como quase aconteceu no último lance, quando Alessandro concluiu contra-ataque e a bola estava em direção ao gol quando o zagueiro atleticano apareceu para afastar.

Agora, contra o Avaí, a obrigação é de ganhar. Porque de nada adianta uma discreta melhora quando se está na ponta de baixo da tabela. A recuperação tem que ser a passos largos – e o time, volto a insistir, tem que ser reforçado com urgência.

Vamos às atuações:

Castillo – Poderia ao menos ter pulado no gol atleticano, mas fez um segundo tempo consistente, nos salvando em pelo menos dois ataques, um deles numa saída dificílima, aos pés do Tardelli. Bom retorno. Nota 7,5

 Alessandro – Alguns vacilos de marcação, menos passes errados e duas chances desperdiçadas. Nota 5

Emerson – Mal na jogada do gol atleticano, se recuperou na segunda etapa. Nota 5

Juninho – Boa partida. Mais uma vez, seu chute foi a nossa salvação. Nota 6,5

Eduardo – Um dos responsáveis pelo sumiço do (re)Tardelli. Precisa caprichar mais nos cruzamentos. Nota 6

Thiaguinho – Afobado no início, compensou com roubadas de bola e velocidade. Precisa parar com o cai-cai. Nota 6

Leandro Guerreiro – Grande partida por cima e por baixo. Ainda tentou armar o time, já que o LF sumiu. Nota 8

Batista – Muita seriedade, mas sem brilho. Mesmo assim, infinitamente superior ao Fahel. Nota 6

Renato – Para quem nunca jogou nada com a camisa do Botafogo, até que participou da partida, especialmente no primeiro tempo, com deslocamenos laterais e tentativas de tabela. Depois cansou. Nota 5 Deu lugar a Tony, que fez uma boa jogada na linha de fundo e nada mais. Nota 4

Lúcio Flávio – A nota destoante. Não armou, não atacou, não definiu, não existiu. Nota 1 (pelas chuteiras azul-piscina, bem bacanas)

Jean Coral – Uma surpresa pelo poder de marcação, daí a sua importância tática. Mas, como atacante, é uma nulidade. Nota 5,5 Foi substituído por Laio, decepcionante. Nota 3

Ney Franco – Enfim, apresentou um esboço de time. De time pequeno, retranqueiro, limitadíssimo, incapaz de grandes voos. Mas, depois do desastre contra o Goiás, não dá pra deixar de notar uma evolução. Nota 5

Uniforme do Botafogo – A camisa branca ficou show de bola: aliás, o conjunto inteiro, valorizado pelos meiões cinza, foi de encher os olhos – pena que alguns jogadores não merecem usá-lo. Nota 10

 

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3 Respostas para “Atlético-MG 1 x 1 Botafogo: Um esboço de time

  1. Essa do Jean Coral ser o primeiro volante é muito boa. Deu uns bons chutes na canela dos outros.

    Saudações alvinegras!

  2. Eu (conforme me prometi) não assisti ao jogo. Mas, pelos comentários que ouvi, imagino que a sua (lúcida) análise peca por cometer um lamentável engano – em verdade, pelo que escutei, Lúcio Flávio (o maior salário do time) sequer entrou em campo…
    Nem para cobrar faltas e escanteios, muito menos para dar (boas) entrevistas!

  3. Precisamos urgentemente de um atacante. Antes do começo do jogo, eu esperava uma goleada humilhante do galo. Mas realmente o time deles não é dos melhores. Com certeza poderíamos ter ganhado o jogo, mas um ataque com Tony e Jean Coral realmente é lamentável.
    E não é que o nosso gol foi do zagueiro? O Botafogo tem um bom elenco, mas precisa MUITO daquele “homem da arrancada”.
    Fora isso, temos toda a condição de acabar o campeonato em décimo lugar (isso é o máximo).

    SA!!

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