Uma noite inesquecível – A Crônica do Pereirão

A inesquecível noite de 21 de junho de 1989

C. Pereira

 No último domingo, 21 de junho de 2009, a seleção brasileira  comemorou 39 anos da  conquista, no México, do tricampeonato mundial de futebol, ao ganhar  da Itália, por 4×1. Vencer  a mesma Itália , agora por 3×0, na África do Sul, foi um colírio para os olhos dos torcedores brasileiros.
 Mas, a data (21 de junho) tem, também, um significado especial para nós torcedores do Botafogo de Futebol e Regatas, talvez mais importante do que o tri da seleção. E’ que no ano de 1989, a data consagrou o time botafoguense como campeão carioca, em cima de quem? Só podia ser do flamengo.
 E eu, que vi o jogo pela televisão, reconto a história daquela noite inesquecível.
 O último título de campeão carioca do Botafogo havia sido conquistado em junho de 1968,  numa tarde memorável em que enfiamos 4×0 no todo-poderoso Vasco da Gama, com direito a olé e show de bola. Depois disso, foram intermináveis 21 anos de jejum, período em que o clube atravessou crises políticas, financeiras e técnicas.
 Na noite de 21 de junho de 1989, o Maracanã recebeu um numeroso público –  mas  não tão grande quanto o do jogo final de 1968. Era mais uma decisão de campeonato,  o jogo foi contra o flamengo e o Glorioso obteve uma vitória histórica. O placar foi  1 x 0 e o gol foi de Maurício, até hoje lembrado pelos botafoguenses.
  Eu não estava no Maracanã, ao lado dos quase setenta mil espectadores, divididos meio a meio (segundo os estatísticos de plantão), mas assisti ao jogo pela televisão aqui em João Pessoa, na casa do mano Zé Humberto e tendo à minha direita (como nos escritos bíblicos) um dileto amigo, o consagrado jornalista Martinho Moreira Franco,  apaixonado torcedor do flamengo com o qual, aliás, dividi alentadas doses do melhor uísque escocês.
  O gol do título, feito por Maurício – que ainda hoje é homenageado pelo feito – nasceu de uma jogada quase perdida, no  segundo tempo. Mazolinha, que havia entrado no lugar de Gustavo, centrou e Maurício, com a ponta da chuteira, tocou de leve para o arco de Zé Carlos que nada pôde fazer.
 Foi uma noite inesquecível. O jejum foi quebrado, os títulos voltaram a acontecer e, para valorizar ainda mais aquela conquista é bom que se registre: o flamengo tinha, no seu time titular, entre outros, Jorginho, Aldair, Leonardo,  Bebeto e Zinho – todos titulares da seleção de 94, tetracampeã do mundo, além de Zico, o maior ídolo da história do clube.
 O time do Fogão (bem mais  modesto do que o adversário) foi campeão com Ricardo Cruz, Josimar, Wilson Gotardo, Mauro Galvão e Marquinhos; Vitor, Carlos Alberto e Luizinho. Maurício, Paulinho Criciúma e Gustavo (Mazolinha) que, principalmente pelo título obtido, passou a figurar na galeria dos melhores.
 Todos sabem que o Botafogo é reconhecidamente um clube de superstições e sobre aquela partida, Valdir Espinosa que era o técnico,  escreveu o texto que segue:
“Durante todo o campeonato estadual do Rio de Janeiro de 1989, em todas as preleções realizadas antes dos jogos, o Luizinho, meio campo titular daquele time, comparecia vestindo uma camisa do Nápoli que ele tinha ganhado de Maradona. Foi assim do primeiro jogo até o penúltimo. Sim, o penúltimo, pois no dia do jogo final contra o flamengo, antes de iniciar a palestra olhei para todos os jogadores e não encontrei a camisa azul do Nápoli. Não falei nada, olhei para o Luizinho, olhei para o restante do grupo e novamente para o Luizinho. Sorrindo, ele abriu a bolsa, pegou a camisa do Maradona e vestiu. Só aí comecei a preleção.”
É pena que, com o atual elenco e com Nei Fra(n)co no comando, nós botafoguenses, estamos vivendo do passado  – como os museus…

 C.Pereira é jornalista, botafoguense e, acima de tudo, um homem sensato – parou de assistir às partidas do Botafogo no Brasileirão de 2009…

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Uma resposta para “Uma noite inesquecível – A Crônica do Pereirão

  1. Enquanto isso o nosso embuste de treineiro lança uma espécie de desafio. Mudou o nome para continuar a enganar alguns. Agora é desafio, antes ele chamava de metas e como não atingiu nenhuma é melhor mudar o foco.
    Esses caras não tem noção o que representam e que mexem com milhões de sentimentos.
    Eu não levo a sério o que esse embuste de treineiro fala e faz. Ele, o vice e o diretor de futebol não podem e não devem ser levados a sério. Infelizmente com isso estão levando o nosso querido e amado BOTAFOGO ao caos.

    Seguem alguns números do caos:
    Como já passaram sete rodadas do brasileiro, isso corresponde 18,42% do campeonato e temos 28,57% de aproveitamento. Eles estão esperando o quê para mudar ou acontecer? O certo é que desse jeito não podemos continuar!
    4 jogos fora, perdemos três e empatamos com o poderoso Santo André. 3 jogos em casa empatam dois e ganhamos um.
    No ano passado, na série A o último clube a escapar do rebaixamento foi o náutico com 44 pontos, mesmo número do figueirense, e escapou devido ao saldo de gols (-10, contra -24, respectivamente).
    Na série B de 2008 o último clube a conseguir classificação para A foi o barueri com 63 pontos.

    Repito que as minhas esperanças já estão no brejo e acho que a segundona nos espera. Se isso ocorrer à culpa é exclusivamente desses senhores (treineiro, comissão técnica, vice e diretor de futebol), e não vejo chances de sair. Outro detalhe é que o nosso diretor é formado em rebaixamento com PHD e MBA.

    AH BOTAFOGO, O QUE OS NOSSOS DIRIGENTES FAZEM CONTIGO!

    Abs e Sds, BOTAFOGUENSES!!!

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