A bela e trágica história do encontro do Cavaleiro Negro com a Princesa Juanita Chiliquenta, La Loca

maicavaleiro

Era uma vez um cavaleiro negro, que veio de longe, da terra das palmeiras. Ninguém o conhecia muito bem, e os poucos que o conheciam não levavam muita fé no seu talento. Seu nome: Swell, Michael Swell.

Pela série de proezas surpreendentes & façanhas primorosas obtidas em nome dos alvinegros habitantes de sua nova terra, em pouco tempo foi agraciado com o título de Sir.

Sir Michael Swell. Ousado, destemido, arrojado. Glorioso.

Em outro reino, havia uma princesa mimada, esquentadinha, cheia de não-me-toques, que jamais podia ser contrariada.

Mesmo assim, os seus numerosos súditos a adoravam e encorajavam seus gestos mais destemperados.  Para agravar, os tutores, temerosos da reação da turba de séquitos de Juanita, jamais a puniam com justeza – no máximo, a advertiam com um cartão amarelo.

juanita

Princesa Juanita Chiliquenta, La Loca.

Num belo dia de sol no Reino de São Sebastião do Rio de Janeiro, Sir Michael Swell e Princesa Juanita Chiliquenta se encontraram.

Sir Michael, evocando a nobre estirpe de seus antepassados (sendo o maior deles um lorde genial e maldito chamado Mané Garrincha), chamou Juanita para dançar.

Mas não foi um simples convite. Cavalheiresco, Sir Michael fez mesuras com uma classe e uma fidalguia que jamais Juanita tinha visto de perto. O convite à dança que La Loca recebeu foi uma verdadeira obra de arte, uma pintura luminosa, digna de ser eternizada por Rembrandt, Caravaggio, Da Vinci e outros mestres da luz. 

Juanita, porém, ficou furiosa. Até porque estava mal acostumada: no seu reino, com a proteção dos trovadores encarregados de espalhar as notícias, La Loca  jamais tinha sido convidada a bailar sem que ela escolhesse o seu par.

Juanita justificou, então, a alcunha de Chiliquenta e partiu para cima de Sir Michael.

Levantou as barras do vestido longo que chamava de manto e desferiu um pontapé desleal.

Sem a armadura necessária para enfrentar um inimigo tão torpe, Sir Michael Swell foi ao chão. Aí Juanita mostrou a todos os habitantes de todas as nações a sua verdadeira face – montou em cima do Cavaleiro Negro, dedo em riste, agredindo-o com palavras de baixo calão que aprendera com os súditos residentes do Reino do Macaco Molhado.

O gesto de La Loca, mais uma vez, não foi punido com o rigor necessário. O tutor daquele encontro passou a mão na cabeça de Juanita. E ela, considerando-se cheia de razão, ainda foi aplaudida e teve o nome gritado pelos seus súditos.

Graças a uma atitude marcada pela torpeza, pura vilania, saiu consagrada como a nova deusa da raça de sua nassão.

É trágico o desfecho dessa história, mas, infelizmente, muito coerente.

Porque a Princesa Juanita Chiliquenta é a cara da maioria de seus súditos.

Eles se merecem.

Assim como Sir Michael Swell e seus súditos alvinegros.

Eles também se merecem.

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14 Respostas para “A bela e trágica história do encontro do Cavaleiro Negro com a Princesa Juanita Chiliquenta, La Loca

  1. AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    Devo admitir, vc se superou nesse post Marcelo, pelo visto não são somente nossos jogadores que são agraciados com a maestria da bola, alguns torcedores o são com a mastria da palavra.

    AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA [2]

  2. Nosso cavaleiro negro está fora. A princesa chiliquenta será julgada e, como a corte não é digna, absolvida. Mas seremos campeões. A sorte que não flertou conosco, durante esses quase três anos aparecerá na hora certa. Fábio fabuloso fará o gol do título.. 89 será revivido com outros contornos. Se tudo girou em torno do 21 (anos de jejum) naquele dia, agora o cabalismo será outro. Nesta dia três, de muito calor (trinta graus) o botafogo marcará o gol a três minutos do fim. Fabio fabuloso o autor. Quem viver, verá

  3. Bom texto. Não imagino um framenguista escrevendo neste nível.

  4. Texto inteligente, oportuno, espirituoso e (im)parcial – como são os bons textos. Parabéns, Marcelo. Orgulho-me de você, meu caro torcedor alvinegro, sequioso por um título estadual que deve estar bem próximo… Que tal um 1×0, nos minutos finais do jogo de domingo, marcado pelo Emerson – desta feita nas redes rubro-negras?
    Seria o terceiro gol em 3 jogos seguidos – a glória para um zagueiro!

  5. M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O.

    Vou colocar no orkut, ok?

  6. valeu, Léo! A inspiração veio do drible de Sir Michael Swell… e da revolta com a covardia impune de Juanita!

    João, você tem razão. A corte não é digna e, mesmo se houvesse sessão antes da final, ela absolveria a Chiliquenta. Claro que, com o Botafogo, tudo pode acontecer. Mas com gol do Fábio Fabuloso não vai dar… o cara não está no elenco de 2009! Se é para arriscar um nome totalmente improvável, que tal o Alessandro ou mesmo o Emerson, na última cobrança das penalidades, para se redimir dos dois gols contras???

    Gelson, obrigado pelo elogio. Olha, não sei se flamenguista escreveria esse texto, mas duvido que, se fosse lá do outro lado, eu encontraria leitores tão qualificados como vocês que frequentam o FogoEterno.

    Pereirão, o orgulho é todo meu de tê-lo como pai e o maior responsável pelo início de toda essa emocionante, muitas vezes sofrida, mas sempre gloriosa história de amor com o Botafogo – afinal, não fosse por sua insistência, mesmo nos momentos mais difíceis (21 anos de jejum…), seria um alvinegro a menos no mundo! E, se o texto tem alguma qualidade, deve-se ao fator hereditário… Estou contando, em caso de vitória, com a edição extraordinária da Crônica do Pereirão, hein?

    Ana Elisa, obrigado pela exclamação. Fique à vontade para reproduzir o texto no orkut. Se possível, dê o link para o endereço para que a turma de lá possa dar uma passadinha aqui no Fogo Eterno!

  7. Parabéns, genial. Realmente nossa nação é diferenciada da “nassão” deles. Esse texto merece ser divulgado em todos os blogs alvinegros. Abs e SB!

  8. p#@$!@#, que maravilha de postagem, marcelo!
    muito bom!!!
    aliás, muito ótimo!
    parabéns!!!
    kkkkkkkkkkkkkkkk

  9. O ilustre botafoguense SERGIO DI SABBATO foi muito feliz quando escreveu sobre o nascimento de um novo João (Juan, em espanhol), numa alusão aos marcadores de Mané Garrincha.

    São detalhes como este que não me deixa desanimar sobre a conquista do próximo domingo. BOTAFOGO campeão. Abs e SB.

  10. Magistral!
    Parece que Sir Michael Swell anda inspirando a todos.
    Parabéns.

    Saudações alvinegras.

  11. Ah, e vou postar um link lá na minha casinha. Assim tiro o dia de folga.

    Grande abraço.

  12. Sensacional o texto, consegui até sorrir, com uma raiva imensa, mas de qualquer forma foi um sorriso.
    Com sua devida licença, vou postar lá no Fogoblog também(com os devidos créditos) ok?

    Grande abraço e SAN!!!!!!

  13. Meu caro amigo, gostaria de saber mais sobre esta imagem do cavaleiro negro. Ela pertence a você? Como achou ela? Moro numa cidade do interior de minas que precisa de um herói e acho que esse seu Cavaleiro se enquadra perfeitamente… Por questões de direitos autorais gostaria que me autorizasse a usar esta imagem. Caso não seja sua gostaria de saber como adquiriu ela.

    PS: Não vou ganhar nada com isso é sem fins lucrativos apenas utilizarei a imagem para manter o anonimato do herói. Obrigado!

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