Nós Contra Eles (Parte III). E o fator Jorge Henrique

Foram quatro jogos decisivos em dois anos consecutivos na final do Campeonato Carioca.

Em 2007, empatamos as duas partidas: 2 x2 e 2 x 2.

Em 2008, perdemos as duas partidas: 0 x 1 e 1 x 3.

Em três das quatro vezes, tivemos a vantagem do placar e permitimos o empate ou a derrota.

Em pelo menos um dos jogos (a segunda decisão de 2007), fomos clamorosamente prejudicados pela arbitragem. O impedimento erroneamente marcado, e a consequente expulsão do Dodô no último minuto da partida, até hoje estão atravessados na garganta. Até hoje queremos ser justiçados, indenizados pelo prejuízo moral. Mesmo sabendo que futebol não tem nada a ver com justiça. Longe, muito longe disso.

Tive a pachorra de me submeter ao sacrifício de rever os “melhores” momentos das quatro partidas e, além de algumas constatações pueris (como era feia a camisa do Botafogo em 2007! Mangas brancas, nunca mais!), ficaram algumas certezas.

O nosso ano de campeão foi mesmo 2007. E só não o fomos por uma série de erros individuais – Júlio César, Max, Joílson (na marcação do Juan, no segundo gol urubu), e, claro, Beltrame. Porque o time, meus caros, aquele time do Cuca jogava muito! Revejam o volume de jogo no primeiro tempo da primeira partida, que culmina com o golaço do Lúcio Flávio, e o segundo tempo do segundo jogo. Um Botafogo frágil defensivamente? Sim. Com goleiros longe de inspirar confiança? Também? Com um técnico instável emocionalmente? É verdade!

Mas um Botafogo de empolgar, de arrepiar, de emocionar.

Grande Botafogo.

valeufogo

Um time que detinha a posse de bola como deve ser exercida em decisões, não se acovardando defensivamente ou trocando passes laterais inócuos. Mas utilizando a intermediária adversária até se aproximar com frequência da área rubro-negra, esperando a chance aparecer, envolvendo o sistema defensivo urubu, com jogadores (Zé Roberto, Túlio, Lúcio Flávio, Dodô, até Joílson) capazes de, num lance individual, fazer a diferença.

Resultado? Muitas chances de gol criadas em 45 minutos, só não inteiramente aproveitadas por conta do Bruno e da incompetência na hora da conclusão (os gols que o Joílson e Lúcio Flávio perdem quando o Botafogo já tem 2 x 1 no placar, na segunda partida, são particularmente inadmissíveis).

Já em 2008, penso agora que até fomos longe demais.

Porque, ao rever o replay e dar de cara com a imagem do Zé Carlos, não é necessário mais nenhuma explicação. E, na sequência, ver o Fábio Fabuloso levando as mãos à cabeça ao perder um gol também não ajuda muito.

A qualidade individual caiu drasticamente. Pior: a defesa continuou mais fraca do que a do adversário (Angelim e F. Luciano são superiores às três duplas armadas pelo Botafogo nesses três anos) e o time já não tinha mais centroavante com capacidade de finalizar – Wellington Paulista como substituto de Dodô? Essa piada não tem graça. Dependia dos lampejos (raros) de Lúcio Flávio e poucos outros.

Mas sabe quem realmente fez diferença nas decisões e, de todos do elenco 2007/2008 é o que fará maior falta nos jogos de 2009?

jh1001

Sim, porque o Jorge Henrique desempenhava dupla função no Botafogo 07/08: além de provocar o desequilíbrio com fintas rápidas e cavar faltas com maestria (até hoje ele é odiado pelos rubro-negros por isso), também segurava as arrancadas do Juan – de longe, a jogada mais perigosa do flamengo nesses três anos. Pela constância e pela crônica inoperância de nossos marcadores.

Como observou o Mano Menezes do curíntia, o JH “taticamente é perfeito”. Porque ele inicia a marcação lá na frente, infernizando a saída de bola do adversário. E, quando está com a bola no pé e está inspirado, também aumenta a chance de conseguir o elemento-surpresa tão necessário em um clássico naturalmente equilibrado.

Então, meus caros, está explicado um dos motivos de o Juan ter tanta liberdade no último domingo e partir direto para o mano-a-mano com Alessandro. Falta combate lá na frente – nem Victor Simões nem o vetusto Reinaldo são capazes de fazer a função que já foi do Jorge.

Se nada for mudado por nosso cognitivo treinador e o Botafogo não tomar a iniciativa de comandar a partida desde os primeiros minutos nos próximos domingos, correremos o risco de cair pela terceira vez consecutiva. E, dessa vez, com uma trajetória mais próxima de 2008 do que de 2007.

Tripla humilhação.

Por fim, permitam-me um desabafo: se é para perder novamente para os urubus, mas agora de forma apequenada e sem ímpeto de vencer, eu preferia perder com o Cuca no banco de reservas.

Pelo menos seríamos derrotados como Botafogo, jamais como Ipatinga.

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7 Respostas para “Nós Contra Eles (Parte III). E o fator Jorge Henrique

  1. Marcelo, PERFEITO!
    Concordo com tudo o que foi escrito!
    Abs e SA!!!

  2. Muito bom seu comentário. Concordo perfeitamente. Estamos mais perto de 2008. FORA NEY FRANCO !!!!!!!!!!!!!

  3. Bem, é isso aí, Marcelo.
    Estou farto de tanta irresponsabilidade tática que sempre culmina com a nossa queda…
    Pelo amor de deus, Ney Frango, venha para o Rio… saia de Minas!!!!!

  4. Marcelo,
    Estava com o Rodrigo no Maracanã e ele comentou exatamente sobre isso.

    Tivemos espaço, no primeiro tempo, para atacar pelos lados e não o fizemos. Como o Cuca tem ótima leitura do jogo, avançou os laterais, pois ninguém os incomodava.

    Não é chorar pelo leite derramado, mas concordo plenamente contigo. Se tiver que perder para o molambo, que perca com dignidade.

    Abs e sds BOTAFOGUENSES!!!

  5. Simplesmente PERFEITA a sua análise! Parabéns! Concordo em tudo! O Carrossel Alvinegro (apelidado por Galvão Bueno) de 2007 era… emocionante! (nos dois sentidos, o bom e o ruim).
    Abraço! SA

  6. Final de texto patético e derrotado.
    O técnico adversário no banco de reservas ????
    E ainda, admite implicita e explicitamente a derrota !!!!!
    Concordo que o setor direito defensivo precisa ser reforçado. Para isso, é necessário jogar num 3 – 6 -1 . Deixar o Reinaldo no banco e congestionar o meio de campo, com a entrada de um volante.

  7. Belíssima análise,

    Concordo com 98% do escrito, os outros 2% ficam pela falta do comentário do ocorrido contra o River Plate, é certo que falamos do Carioca, mas que o ocorrido lá na terra dos Hermanos influiu, disso não tenho dúvidas.

    Estou aguardando o encontro com a Vitória logo mais.

    SAN!!!!!!!!

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