Crônica De Uma Vitória Gloriosa

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“Ó Senhor, abençoe os pés do Alessandro”.

O juiz tinha acabado de apitar o início do jogo quando, a 1.174km do Rio de Janeiro, quase cem ruidosos botafoguenses brasilienses começaram a fazer de tudo para empurrar o time. 

Pouco importava se, ali no bar Só Drink`s, no início da Asa Norte do Plano Piloto, fosse absolutamente improvável que as energias emanadas do Planalto Central chegassem ao Maracanã – até porque, ao que se saiba, Uri Geller (alô, galera mais nova, googlem o nome do cara!) não fez hora extra para viabilizar um canal direto via televisão.

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Ninguém estava nem aí para o fato de integrar uma arquibancada virtual, pois a emoção era real – como é sempre no mais tradicional reduto botafoguense no Distrito Federal . E todo o resto também: gritos de guerra, palavrões a rodo (Cazalberto, a vítima preferida), vendedor de amendoim passando na frente da tevê, orientações aos jogadores sempre com três palavras repetidas (“vai, vai, vai!”, “isso, isso, isso!”, “volta, volta, volta!”, “marca, marca, marca!”), tensão, alívio e explosões de alegria.

Quatro explosões de alegria.

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Quis o destino (e a lerdeza do pessoal da manutenção da NetBrasília…) que o Fogo Eterno, há tempos pensando em produzir um relato do clima do Só Drink´s para os botafoguenses do resto do país,  saísse do sofá em busca de uma crônica diferente sobre o jogo logo na partida que o Botafogo meteu 4 x 0 no vasco.

Sim, o vasco, o melhor time do campeonato, aproveitamento 100%, defesa menos vazada, elogios unânimes, franco favorito a ponto de a rádio cbn, antes da partida, fazer um confronto direto de avaliação entre os jogadores dos dois times e chegar ao resultado de 8 x 3 para os cruzmaltinos. Sendo que, por unanimidade, eles escolheram cazalberto em vez de Maicosuel nessa avaliação. Ah, esse jornalismo de antecipação…

Pois foi Maicosuel o responsável pela primeira grande explosão de alegria no bar botafoguense: gente se abraçando, derramando cerveja, gritando “golaço, golaço!” e pedindo para ver o replay do gol mais bonito do ano.

Até então, a maior emoção tinha sido a bomba na trave, desferida pelo Juninho, e  um copo quebrado perto do local onde eu estava.   

O mais bacana do Só Drink´s, para o entendimento de quem não mora em Brasília, é o congraçamento de botafoguenses de todas as quadras e costados: gente jovem, gente velha, gente entusiasta, gente pessimista, gente especializada, gente inocente. Só por conta dessa saudável mistura é possível ouvir frases como “Esse jogo é no Engenhão ou no Maracanã?” e “O Emerson tá fazendo uma falta danada. É ele quem segura essa defesa…” sem ficar aborrecido.

Muito pelo contrário.

Os únicos que nos tiraram do sério durante a partida foram os bandeirinhas (que erraram TODAS as marcações a favor do bacalhau), o juiz em algumas inversões de marcação, e o desavisado que ousasse passar na frente da tevê durante os 90 minutos. Esse,então, era brindado com uma vaia automática, pouco importava se fosse inclusive o próprio garçom. 

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 No mais, deu gosto de ver que a percepção da torcida alvinegra é bem parecida: muitos aplausos para o Thiaguinho não só pelo belíssimo gol, mas pelo espírito de luta; confiança e orgulho a cada intervenção do Renan e a cada lance de categoria do Gabriel (“aê, moleque!”, “Isso, garoto!”), ainda mais depois do terceiro gol; admiração incondicional ao Leandro Guerreiro, ovacionado durante a partida, a cada desarme, a cada antecipação, a cada lance de garra; e, claro, a ovação emocionada a Maicosuel.

No intervalo, 2×0 no placar, após o susto da quase bicicleta do cazalberto,  já passou  um torcedor com faixa na mão, fazendo aviãozinho, já vendendo pacote “aéreo” para a final de domingo. O clima era de confiança na volta para o segundo tempo, até que um torcedor – certamente de uma geração menos cética e mais acostumada com vitórias tranquilas – soltou a frase:

“Pronto, meio caminho andado!”

Coincidência ou não, foram naqueles dez minutos iniciais da segunda etapa os maiores  riscos do Botafogo. E todos se entreolhavam a cada ataque vascaíno, até que um teve coragem e falou:

“Não fala isso, com a gente nunca tem meio caminho andado, sempre tem bifurcação e desvio no caminho!”

Com o reconhecimento da possibilidade de incerteza, a nuvem negra se dissipou após a expulsão do zagueiro que deu uma entrada criminosa no Gabriel e, por isso, não merece nem ter o nome citado aqui no blog.

O terceiro e o quarto gols instalaram de vez o clima de euforia absoluta.

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Ninguém parecia acreditar:

“E só golaço, hein?”, “O vasco ganhou o chocolate da Páscoa!”, “Queremos mais!”, “Como é bom comer bacalhau na semana santa!”

E muitas músicas, claro, para aumentar a festa: “Vou festejar o teu sofrer…”, para o Cazalberto; “Ninguém cala”, “Fogo, olê, olê, olê…”, “Vice é o Cuca” (sem muita convicção), “Na beira do caos..”

Piração total. E a nosso favor.

No final, já tinha torcedor ébrio de alegria a ponto de dançar O Vira em homenagem ao oponente, e engrossar o coro:

“ô bacalhau, ô bacalhau, pega no meu p*** que eu te levo a Portugal!”

Mais alguns copos quebrados, mais muitas cervejas derramadas, mais um dia glorioso para a torcida botafoguense em Brasília, no Rio, em todo o Brasil.

Vamos às atuações: 

Renan – Sem necessidade de grandes defesas, alguma hesitação nas saídas em bolas paradas. Nota 6

Alessandro – Não comprometeu, o que, obviamente, é um imenso avanço. Foi aplaudido pela turma do Só Drink´s ao ser substituído, para vocês verem como foi uma noite surreal. Nota 5

Wellington – Estava muito bem, com segurança e arrojo, quando se contundiu. Nota 7,5

Juninho – Uma bela cobrança na trave e um certo afã de subir para fazer um gol. Prefiro que se concentre no trabalho lá atrás. Nota 6

Leandro Guerreiro – Um monstro. Nota 10

Thiaguinho – Estava muito bem, com direito a um golaço, quando tomou uma entrada criminosa. Nota 7,5

Gabriel – Atuação de gente grande é pouco. Nota 8

Léo Silva – Destoou pela limitação intelectual ao cometer excessivas faltas perto da área. Nota 4

Fahel – Discreto, congestionou o meio e impediu a badalada velocidade do adversário. Nota 6

Maicosuel – A entortada do primeiro gol me lembrou o Garrincha. Acabou com o jogo. Nosso melhor jogador de 2009. Nota 10    

Reinaldo – Discordo de quem acha que ele não jogou nada. O quarto gol nasce dos seus pés e o seu posicionamento ajudou a desmontar a defesa do vasco. Nota 6,5

Victor Simões – Participação direta em dois gols, só faltou marcar o seu. Nota 7,5

Batista – Entrou no segundo tempo e assegurou a manutenção do volume de jogo.  Nota 7

Túlio – Entrou bem, com personalidade, quase faz um golaço. Nota 7 

Ney Franco – Momento “Piração total” do FogoEterno – Tenho que elogiar o nosso treinador pela aplicação tática do seu time, que se concentrou em suas limitações para deixar quem sabe (Maicosuel) abrir a porteira e assegurar a vantagem. Ah, e o cara tem uma estrela em jogos decisivos, hein? Thiaguinho faz um gol, sai, é substituído por Gabriel, que também faz um gol… Nota 8

Torcida do Botafogo – No Só Drink`s, Nota 10. No Maraca, nota 5. Agora, todos juntos, na final.

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E, como só falta um jogo, deixo a pergunta:

em caso de mais um triunfo, no próximo domingo, a volta olímpica no Maracanã será com a Taça Rio, com a Taça Guanabara, com a Taça Estadual ou com as três ao mesmo tempo???

Desculpa, rapaziada dos outros times, mas agora só os botafoguenses têm direito a essa dúvida…

 

Fotos: Lancenet! (Maraca) e FogoEterno (Só Drink´s)

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5 Respostas para “Crônica De Uma Vitória Gloriosa

  1. até q fim teve um jogo o time todo jogou bem,até o alessandro ñ comprometeu a equipe.só ñ entendo pq tão poucos torcedores do botafogo vão ao estádio.eu moro em teresina-pi,mas se eu morasse no RJ com certeza eu iria aos jogos do fogão,pelo menos nos mas importantes como o q vem por ai contra o Americano.mas voltando a falar do jogo,como joga esse Maicocruel,humilhou o vasco.e o Leandro gurreiro então jogou d ++++.como em quase todos os jogos foram os melhores jogadores da partida.agora é só esperar pra ver quem nóis iremos pegar na final.

  2. Hahahahaah!
    Marcelo, que post sensacional!
    Eu me vi dentro deste bar ao lado dos amigos botafoguenses!
    Quanto a sua última pergunta, eu voto pela volta olímpica com as 3 taças! hahahaha!
    Abs e SA!!!

  3. marcelão,
    seu post está fantástico, cara.
    já vi jogos no só drinks. é uma ótima concentração de botafoguenses.
    olha, te aconselho o bar do tuza´s, na praça do di, em taguatinga.
    muito bom também!
    cara, que maravilha foi ontem!
    estou em êxtase com a apresentação surreal do nosso time:
    uma perfeição tática e uma incrível superioridade técnica.
    está mesmo de parabéns o ney franco.

    vamos fogão!
    abraços

  4. Marcelo,

    Maravilha e saiba que essa vibração chegou no Maracanã.

    Apos o jogo de quarta estava muito preocupado, quase desesperado, mas não sei o que aconteceu que no sábado de manhã acordei com pensamentos positivos.
    Na ida para o estádio, perdíamos de 8 torcedores do bacalhau para 1 BOTAFOGUENSE. Na arquibancada mal conseguimos encher uma parte das arquibancadas verdes, mas cada um que ali estava gritava por 10.
    Veleu e concentração total para quinta e domingo.

    Abs e Sds, BOTAFOGUENSES!!!

  5. valeu, Amaro!

    Rodrigo, valeu também – pois é, acho que temos direito a dar três voltas olímpicas, certo – ainda mais por outro motivo: duas podem ser por conta dos títulos de 2007 (Estadual) e 2008 (Taça GB) que nos foram surrupiados pelo apito amigo dos urubus!

    Snoopy, valeu pelo elogio e pela dica do bar lá em Taguatinga.Tem uma turma alvinegra do Guará que conhece a família do Túlio Lustosa e também frequenta um bar de lá bem bacana! Foi realmente de deixar em êxtase, ainda mais pelos golaços!

    Gil, por coincidência, eu também estava mais tranquilo no sábado – acho que o fato de o vasco ter sido considerado como franco-favorito pesou muito contra eles. E, mais importante do que a desvantagem numérica na arquibancada, foi o que os jogadores mostraram dentro de campo. E, tenho certeza que, ao final do jogo, tinha mais botafoguense do que bacalhau na arquibancada, certo? E 60% da renda ficou pra gente, ou seja, os vascaínos ainda ajudaram a encher o nosso cofrinho… grande abraço!

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