Bota 1 x 2 flu: Dois apagões em uma noite

flufogo

Não lembro se o flu já tinha empatado ou se ainda estava 1×0 para o Botafogo quando o Maicosuel fez mais uma ótima jogada e rolou, com categoria, para o Reinaldo finalizar. Nosso centroavante estava sem marcação, teve tempo de pensar no que faria com a bola. Pensou, pensou e pensou mais um pouco antes de chutar para fora. Ali foi selado o destino alvinegro nessa noite chuvosa de sábado no Maracanã.

Num jogo de pouquíssimas chances criadas pelos dois times, um vacilo pode ser fatal. Esse foi o do Reinaldo – que, aliás, já tinha se mostrado insuficiente para suprir a ausência do Victor Simões em outros lances. Os outros vacilos foram cometidos pelo sistema defensivo, e quando o time estava em vantagem no marcador, com um jogador a mais.

Vacilos imperdoáveis. E que custaram três pontos ao Botafogo.

Não tenho muito o que comentar sobre o covarde primeiro tempo alvinegro. Essa é a estratégia de nosso comandante: nos clássicos, se comportar como time pequeno – ainda mais quando está sem o seu centroavante titular. O flu, desorganizado, não soube se aproveitar dos largos espaços deixados pelo Botafogo e o resultado foi uma etapa de jogo inteiramente inócua.

Acho que, na verdade, os dois times estavam participando da campanha “A hora do planeta” e resolveram também se auto-apagar, como o Corcovado e a Esplanada dos Ministérios.  

No segundo tempo, Ney mexeu de forma arriscada. Tirou Léo Silva e Wellington, colocando Diego e Gabriel. Queria ganhar o jogo, mas deixou o time com apenas dois zagueiros – e eles se chamam Juninho e Emerson. Então, desculpem, mas nesse momento tenho que gritar:

JAMAIS JOGUE COM DOIS ZAGUEIROS CONTRA TIMES QUE TÊM JOGADORES RÁPIDOS E HABILIDOSOS, NEY FRANCO!

Pronto, já gritei.

Bem, mesmo com o risco, a verdade é que o Botafogo se ligou no jogo. Ganhou volume ofensivo, posse de bola e teve seu melhor momento (o único bom momento, aliás) até os 30 minutos, quando conseguiu o gol em mais uma jogada individual de Maicosuel.

Mas, a partir da expulsão do Edcarlos…

Fato: Entra ano e sai ano, o Botafogo não sabe jogar quando o outro time tem um jogador a menos. Parece que se desconcentra, calça as sandálias da displicência e aí… babau.

Quando o seu limite é o seu esforço, não é permitido desconcentrar. Foi assim, numa jogada boba que a defesa não conseguiu afastar a bola, que nasceu o gol do empate grená.

Revejam o lance: o garoto Alan entra a 160 km/h e o Juninho o acompanha a 20 km/h. O contraste é gritante e, para nós, patético.

 A partir daí, meus caros, o segundo gol do adversário era apenas uma questão de tempo. Pois o Parreira enxergou o óbvio: com uma zaga lenta, nada melhor do que enfiar atacantes rápidos e habilidosos. O flu tomou conta dos últimos dez minutos, Renan fez grande defesas, e o meio-de-campo alvinegro sumiu. Fahel, Guerreiro, Reinaldo, Diego, Thiaguinho… os caras que poderiam ter prendido a bola simplesmente se omitiram, assistiram ao desfile dos grenás.

Este foi o segundo apagão alvinegro – só que, dessa vez, o adversário estava ligadíssimo na partida.

Sinceramente, pouco importa se o gol tenha nascido de uma marcação de falta, no mínimo, discutivel do Juninho no Conca e que a bola, caprichosamente, tenha desviado no pé do Fahel antes de entrar. Pois o que importa é que, naquele lance, novamente o Juninho foi vencido pela rapidez de um atacante adversário.

E aí não havia mais tempo para nada. A não ser lamentar o desfecho de mais uma derrota nos últimos minutos. O empate teria sido o resultado mais justo, mas o flu demonstrou ao final mais vontade de ganhar. Isso foi o suficiente.

Atuações:

Renan – Ótimas intervenções, uma defesa sensacional no primeiro tempo em cobrança de falta, e um vacilo em um tiro de meta. Sem culpa nos dois gols, ainda mais com a defesa queijo-suíço que (não) o protege. Mas muitos acham que ele foi o culpado pela derrota… paciência. Nota 6

Alessandro – Não consigo mais nem chamá-lo de Tássia. Este rapaz jamais deveria voltar a vestir a camisa do Botafogo. Sua expulsão no último minuto, por chutar um grená, ainda mostra que é um desequilibrado. Foi para assistir essa exibição que ele levou a família inteira ao Maracanã? Nota ZERO

Emerson – É limitado, mas até que conseguiu boas antecipações. Nota 4

Juninho – Parabéns: assistiu ao gol de empate do flu de local privilegiadíssimo. Um zagueiro sem fôlego e sem capacidade de recuperação sempre será um zagueiro facilmente batido no mano-a-mano. Nota 2

Wellington – Não comprometeu na primeira etapa, e se consolida como o melhor dos três zagueiros. Nota 4 Foi injustamente (se não sentiu algum problema) sacado para a entrada de Gabriel, que começou bem o segundo tempo e depois foi se apagando, como todo o time alvinegro. Nota 5

Leandro Guerreiro – Muito ruim em alguns lances, muito discreto em outros, muito pouco eficiente. Nota 4

 Léo Silva – Era apenas mais um na retranca do Ney (Nota 3) até  ser substituído por Diego que, em 45 minutos, conseguiu apenas fazer a tabela com Maicosuel no lance do pênalti. Um atacante inofensivo. Nota 3 

Fahel – Acho que a Taça Guanabara nos enganou. No mais, precisava colocar a chuteira de forma tão vacilante na cobrança de falta que decidiu a partida? Nota 3     

Thiaguinho – Se o Ney definir qual é a sua função dentro de campo, pode render mais. Caiu muito no segundo tempo. Nota 5

Maicosuel – O melhor do time, disparado. Pelo menos essa boa notícia – temos um ótimo jogador para o Brasileirão (se não for negociado antes). Nota 8

Reinaldo – Sorry, mas hoje você fez por merecer as vaias, Reinaldo. Além da lentidão, perdeu um gol que não poderia perder – ganha para meter para as redes em lances como aquele. Nota 3

Ney Franco – Tudo bem que as opções no banco são complicadas, mas acreditar em Diego realmente não dá.  Ver o Botafogo, por 45 minutos, atuando como time de várzea que vai jogar na cidade vizinha contra os donos do campo é um crime lesa-torcedor. Antes, com o Cuca, a gente perdia clássico exibindo um futebol vistoso. Agora, a gente perde exibindo um futebol medíocre. Nota 2

Locutor gordinho do Pay-per-view que eu não sei o nome nem quero saber – Sua torcida pelos grenás era ostensiva e, para quem gosta, comovente, como ele demonstrou nos últimos minutos. Pena que os torcedores do Botafogo pagaram o mesmo que os do flu e têm direito a um narrador imparcial. Nota ZERO

Espinosa como comentarista de clássico do Botafogo – Quando ele falou que o Botafogo era muito melhor tecnicamente, o time tomou dois gols. Já tinha acontecido algo parecido quando ele comentou a vitória alvinegra em cima do framengo, e josiel empatou no último minuto. Que pé-frio, hein?

foto: Ricardo Ayres/Photocamera/Divulgação

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7 Respostas para “Bota 1 x 2 flu: Dois apagões em uma noite

  1. Ney Fraco, eu sugiro que vc fique nas arquibancadas pra ver se consegue entender um jogo. Você deveria ter feito o seguinte durante o intervalo: Tiraria o Alessandro e colocaria o Diego (é o jeito) e deslocaria o Thiaguinho para a ala direita. No lugar do Juninho vc deveria ter levado para o banco de reservas o recem chegado da base o zagueiro Alex, pelo menos tem mais preparo físico e é mais alto, e, no lugar do Welington que não aguentou o cansaço vc colocaria o Gabriel: o time ficaria assim nas 4 linhas para o 2º tempo: RENAN, THIAGUINHO, EMERSON, ALEX E GABRIEL; GUERREIRO; FAHEL, LEO SILVA E MAICOSSUEL; DIEGO E REINALDO. ALÔ NEY FRANCO::::: COM JUNINHO E ALESSANDRO SEREMOS MAIS UMA VEZ VICES!!!!!ANOTE HEN???

  2. pelo menos uma noticia boa,o alessandro ñ vai jogar o proximo jogo e espero q ñ jogue mais nenhum.só espero q o thiaguinho jogue muito para conseguir ese lugar na lateral direita(o q eu acho bem dificil já q o ney é um baba ovo do alessandro). e uma pergunta:quando o teco vai estreia pelo fogão? pq apesar dos zagueirros serem péssimos,tirando o wellington q é mediano,nós ñ temos zagueiros melhores pra jogar.

  3. Marcelo,

    O NF vê outro jogo. Ele conseguiu elogiar a defesa nas entrevistas após a partida. Não sei se é sacanagem ou se é para encobrir o seu despreparo, burrice, incompetência e arrogância.
    A torcida precisa mudar o foco e parar de vaiar o time, pois o único e principal vilão dessa história é o “treineiro”.
    Reinaldo, ao invés de ter autocrítica e dizer que está perdendo inúmeras chances de decidir uma partida e que precisa treinar finalizações, só sabe reclamar da torcida. Acredito que queira arranjar um culpado pelas falhas apresentadas.

    Esse “treineiro” é tão ruim que bastava ver os últimos jogos do eterno time da terceirona para saber que as mudanças feitas são sempre as mesmas e, com isso, reverteram os resultados. Mas, ele deve ir para algum boteco com sua banda e não e estudioso, pois vê outro jogo e pela sua incompetência insiste com Alessandro, Emerson, Juninho. Com Thiaguinho e LG fora de posição. Aí ficamos com a letargia da nossa defesa.

    E o “treineiro” vem elogiar a defesa ao final do jogo!

    Já estamos na piração total e só falta à beira do caos.

    Vamos continuar torcendo para não sermos vice, de novo!

    Abs e Sds, BOTAFOGUENSES!!!

  4. Minha tristeza foi que Juninho não foi expulso junto com Alessandro. Desta escalação de Abelardo Filho, na zaga trocaria Emerson por Wellington.

    Será que V.S. forçou o cartão amarelo e a expulsão a pedido do treinador que queria jogar na retranca ?
    Ou ele tem algum complexo de enfrentar o tricolor ? Só Freud explica.

  5. Foi espantoso. O Parreira acabara de “queimar” suas duas últimas substituições – trocou a dupla de frente porque entendeu o óbvio, ou seja, que o Botafogo aceitava a pressão -, quando o imponderável aconteceu. Abrimos o placar, mesmo sem apresentar um futebol digno de um time campeão, graças exclusivamente ao talento de Maicosuel, nossa estrela solitária. A vantagem no marcador foi seguida de vantagem numérica, pois logo o zagueiro pó-de-arroz seria expulso. Depois de sofrer o tempo todo, a coisa parecia clarear para nosso lado. O jogo, pela primeira vez, estava nas mãos do Botafogo. O destino, caprichoso, trabalhava a nosso favor. Mas, além de contar com a sorte, é preciso ter competência. Era a hora de o técnico agir, de mostrar seu trabalho. E… nada… necas… Omissão total… Inaceitável. É com muita dor e preocupação que escrevo isso, e confesso que ainda não consegui digerir o que vi ontem. Para além da conhecida limitação do elenco, ontem ficou claro que o senhor Ney Franco, à parte sua boa intenção diplomática, foi o principal responsável por rifar nossa sorte contra um adversário que acusava o peso de enxergar no Botafogo o time a ser batido. É complicado admitir isso, mas, desculpem, o Botafogo mereceu o castigo.

    Saudações alvinegras,

  6. Passo por aqui não para comentar sobre esse jogo do qual me envergonho, mas sim para elogiar o blog cujos comentários considero de muito bom nível.

    Minha maior decepção nesse sábado foi relativa à presença da torcida alvinegra no clássico. É duro ter que reconhecer para amigos torcedores de outros times que minha torcida só vai a jogos contra times pequenos como contra o Resende.
    Porém, até mesmo contra os pequenos, as decepções são enormes. Fui a quase todos os jogos no Engenhão e tive o pesar de ter um público de aproximadamente 3.000 contra o Americano. Pior ainda é saber que flamengo e fluminense levaram mais torcedores ao Engenhão que os próprios donos da casa.

    Continuarei saindo rouco de todos os jogos do clube que aprendi a amar com todo meu espírito, mas gostaria que minha voz não ecoasse somente acompanhada das organizadas!

    PS.: Alguém sabe quanto Botafogo está recebendo pelos aluguéis do engenhão ao fluminense e ao flamengo?

  7. Abelardo, eu assino embaixo do seu recado – com Juninho e Alessandro como titulares, seremos vice de novo…

    Amaro, desconfio que o Teco só jogará a partir do Brasileirão (se jogar…) – ainda falta muito para ele, mesmo clinicamente recuperado, adquirir ritmo de jogo. A mudança na zaga é urgente, e só o Wellington se salva até agora.

    Gil, meu caro: eu fico cada vez mais desanimado a cada entrevista do nosso “treineiro”, como você bem definiu. Ou ele é sonso – e deixa para apontar os erros com a veemência necessária a portas fechadas, longe da imprensa – ou ele é simplesmente limitado, não enxergando o que qualquer um é capaz de ver: a fragilidade de seu sistema defensivo, mesmo com 6, até 7 jogadores com esse perfil.

    Ezaú, seria ótimo se o Juninho tivesse sido expulso também para o Ney ser forçado a mexer. Qualquer um que entrar vai se firmar na zaga – quanto ao Victor Simões, acho que não foi nada disso, é que ele agiu como toupeira, mesmo!

    Fábio, bela análise dos minutos cruciais da partida. “Omissão total” foi o que se viu naquele instante, dentro e fora de campo. Nunca vi um time não saber exercer a superioridade numérica como o Botafogo – pelo contra´rio, quando consegue ter um a mais, se expõe e toma gols! E você tem toda razão – é complicado de dizer, é até cruel – mas o Botafogo dirigido pelo Ney Franco mereceu o castigo. Quem não mereceu foi a torcida, mais uma vez frustrada ao final de uma partida…

    André, valeu pelos elogios! Aqui só tem frequentador de alto nível, não aparece ninguém com vocação para arrancar cadeira do Engenhão ou praticar outros atos de vandalismo…
    Quando ao seu comentário, eu também lamento muito essa desvantagem de público, inclusive dentro de casa. Não sei exatamente quanto nós recebemos ao alugar o estádio, mas não é muito, não. E, salvo engano, o aluguel é para a federação carioca, não para os invejosos clubes
    sem-estádio que você mencionou.
    Agora, o incrível é que parece que o Botafogo não consegue fidelizar o Engenhão, continua a dificuldade de converter o estádio na nossa casa – de fato e de direito. E, agora, com essa má fase, só imagino a volta da torcida nos jogos decisivos da Taça Rio – se a gente chegar às semifinais. Volte sempre!

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