Fogo Eterno

Entradas etiquetadas como ‘Nilton Santos’

Olha quem estava sobrando na foto anterior

22 04UTC 06pmThu, 04 Jun 2009 12:04:55 +0000ç2009, 2008 · 4 Comentários

niltons

Nilton Santos atuou sua carreira toda no Botafogo. Onde conquistou por quatro vezes o campeonato estadual (1948, 1957, 1961 e 1962), além do Torneio Rio-São Paulo de 1962 e 1964. Nilton Santos participou de 718 partidas pelo clube sendo o recordista e marcou onze gols entre 1948 e 1964. É bicampeão mundial de futebol (do Wikipedia)

Claro que o Alessandro era a opção mais clara, mas depois eu fiquei observando detidamente a foto da reinauguração da loja oficial do Botafogo em General Severiano e percebi que, na verdade, quem está sobrando naquela imagem é o Nilton Santos. Exatamente por estar a milhões de anos-luz de distância dos outros três.

Por mais que seja louvável e visível o esforço do Leandro Guerreiro e do Juninho a cada partida, eles não têm cabedal para estar ao lado da Enciclopédia do Futebol: ainda mais porque foram exatamente os dois que erraram os pênaltis na final do Carioca 2009 e perderam a chance de colocar uma faixa no peito, como fez o Nilton no glorioso período da história alvinegra do final dos anos 1950 e início dos anos 1960.

Por isso, a cada pixotada do Guerreiro, a cada lentidão do Juninho, a cada jogada bisonha do Alessandro, eu só tenho a dizer:

Perdoai-os, São Nilton. Eles não sabem o que fazem. 

Literalmente.

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Quem está sobrando nessa foto?

22 02UTC 06amTue, 02 Jun 2009 11:55:28 +0000ç2009, 2008 · 6 Comentários

fogoshop

Inauguração da nova loja oficial do Botafogo (ex- Fogão Shop), na noite dessa segunda-feira, em General Severiano.

Vocês também acham que tem alguém sobrando nessa foto?

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Velha enquete, nova enquete

22 21UTC 04pmTue, 21 Apr 2009 22:09:04 +0000ç2009, 2008 · 2 Comentários

Pessoal,
sei que a enquete anterior quase criou teia de aranha de tanto tempo que ficou à disposição dos fiéis frequentadores do FogoEterno. Mas, antes tarde do que nunca. Eis o resultado.
A pergunta, para quem não lembra mais, era – “qual o jogador do Botafogo que você mais idolatra?”.

Com 30% dos votos, venceu a opção que mais nos orgulha, por ser o retrato de uma trajetória gloriosa: “impossível escolher… o Botafogo tem ídolos demais!”. É, meus caros, digam o que quiserem, a flapress e seu comandante RMP podem espernear, mas ainda não inventaram nenhum Beltrame capaz de roubar a nossa história.

Na segunda colocação, com 24% de escolhas,ficou Mané Garrincha – ou seja, nosso eterno camisa 7 foi o vencedor da enquete. Nilton Santos (que contou com o meu voto, por toda a sua conduta irretocável dentro e fora de campo) teve 21% da votação.

Bem mais atrás, mas à frente de grandes nomes do passado, ficou Túlio Maravilha, com 12% dos sufrágios virtuais – certamente, a geração campeã brasileira em 1995 deve ter contribuído para esse percentual. Fechando a lista dos mais votados, empatados, Jairzinho e Dodô, com 4%.

Agora, para entrar de vez no clima da decisão do estadual, uma nova pergunta já pode ser respondida pelos leitores do FogoEterno.

Para vocês, quem é o maior destaque alvinegro no Carioca 2009 até agora? Desconfio que a eleição ficará concentrada entre dois nomes. E também desconfio que muita gente vai deixar para votar após os dois jogos da decisão…

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Páginas alvinegras: O conselho do João Saldanha

22 21UTC 12pmSun, 21 Dec 2008 19:54:41 +0000ç2008, 2008 · Deixe um comentário

” Quando João chegou ao clube, o Botafogo era treinado pelo experiente Zezé Moreira. Este, porém, estava desgastado após o fraco desempenho no campeonato de 1956, em que o time ficou apenas com o terceiro lugar. Era necessário fazer mudanças profundas também no elenco.
Nilton Santos tinha um futebol clássico, de “toques finos”, e não apelava para a violência. Jogou mais de dezessete anos e só usou duas camisas: a alvinegra do Botafogo e a amarela da Seleção. Na inteligência e serenidade de Nilton, João tinha importante apoio dentro de campo. Quando alguma situação se complicava, João pegava Nilton, subia para as arquibancadas, pedia a opinião do jogador e debatia com ele as suas.
Conhecido como a Enciclopédia do Futebol, o lateral conta que João lançou um lema: Quem não é o maior tem que ser o melhor. E saiu à caça de nomes para reforçar o plantel.”

Trecho de João Saldanha – Uma Vida em Jogo, de André Iki Siqueira (Companhia Editora Nacional, 552 páginas)

O monumental trabalho de pesquisa rendeu ao autor não só um documentário ainda não lançado em DVD, mas um livro obrigatório para quem deseja conhecer a trajetória de João Saldanha. Ilustrado com muitas fotos raras e clássicas, trata-se de uma boa dica de presente de Natal para alvinegros. E o trecho escolhido pelo FogoEterno é uma tentativa de iluminar a cabeça de nossos dirigentes nas próximas contratações, seguindo a máxima de Saldanha: Quem não é o maior tem que ser o melhor!

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As crônicas do Pereirão: A estréia de Mané

22 09UTC 09pmTue, 09 Sep 2008 16:47:32 +0000ç2008, 2008 · Deixe um comentário

Garrincha, Gualicho e o cavalo paraguaio
C.Pereira

Era domingo, 19 de julho de 1953. Um domingo como outro qualquer e eu, adolescente, ouvido pregado no rádio Phillips holandês que meu pai zelava, como um santo no altar, numa mesinha no canto da sala de estar da modesta casa de bairro. Em meio às descargas comuns às tardes de domingo, as ondas curtas de 31 metros da Rádio Nacional do Rio de Janeiro transmitiam mais uma rodada do campeonato carioca.
O jogo principal era disputado no recém-inaugurado estádio do Maracanã, onde há exatamente três anos, a seleção brasileira perdeu para o Uruguai, numa das maiores tragédias esportivas da história deste país – como gosta de dizer o nosso presidente. Ali, o flamengo, líder do certame, jogava contra o Olaria e as emissoras davam destaque à partida, apenas informando o andamento dos outros jogos, principalmente quando havia gols.
No acanhado estádio do Bonsucesso, na rua Teixeira de Castro, o Botafogo jogava contra o time da casa e, mal das pernas, quase no final do primeiro tempo, perdia por 1x 0, quando o juiz marcou penalty a favor do alvinegro. Nilton Santos, zagueiro e capitão do time foi ao técnico (me parece que era Gentil Cardoso ou Zezé Moreira, não lembro bem) e recebeu orientação para Dino ou Vinicius (os dois astros do ataque e artilheiros do time) bater a penalidade. Os dois se recusaram e, de repente, um estreante, um moleque de pernas tortas, vindo de Pau Grande, no interior do Rio, jogando com a camisa sete, pegou a bola e a pôs na marca do penalty. Chutou sem olhar para o goleiro e empatou a partida.
No segundo tempo, aquele desconhecido fez diabruras com a bola, metendo-a onde queria, inclusive por debaixo das pernas dos defensores adversários. Marcou mais dois gols e deu passes preciosos para Dino (1) e Vinicius (2) completarem a goleada – 6 x 3 para o Botafogo.
 O locutor que acompanhava o jogo interrompeu a transmissão do Maracanã algumas vezes para informar que um tal de “Gualicho” ou Garrincha, estreante, estava comendo a bola e se constituía na sensação da partida. Acho que foi Luiz Mendes, ainda hoje comentarista da rádio Globo.
Assim foi a estréia de Garrincha no Botafogo, clube pelo qual jogou mais 12 anos e pelo qual se tornou campeão carioca e chegou à seleção brasileira, sagrando-se campeão do mundo na Copa de 1958, quando foi um dos destaques  daquele time que ainda tinha Didi, Vavá, Zagalo e o inigualável Nilton Santos – entre outros, feito que repetiu na Copa do Chile, em 1962 quando, em virtude da contusão de Pelé, jogou quase sozinho pela linha inteira.
Por que Gualicho? Porque Gualicho era o nome de um cavalo castanho argentino que fez furor correndo nas pistas do Hipódromo da Gávea do Rio e Cidade Jardim, de São Paulo. Ganhou as principais corridas de que participou, inclusive o Grande Prêmio Brasil de 1953. Não saía em primeiro, mas ia ultrapassando seus concorrentes e, no final, às vezes por uma cabeça, outras vezes quase pela língua de fora, chegava em primeiro e, por isso, se transformou num grande vencedor.
Quanto ao cavalo paraguaio, essa é a história do oposto. Era um cavalo, cujo nome ninguém decorou, que tinha a característica de sempre sair entre os primeiros e chegar, invariavelmente, entre os últimos.
Como a história normalmente registra somente os vencedores, ele ficou sem nome, mas criou e ainda faz persistir a lenda do cavalo paraguaio, epíteto aplicado a qualquer concorrente que começa com tudo e acaba sem nada.
Por falar nisso, quem é o cavalo paraguaio do campeonato brasileiro deste ano?
O Náutico é um bom palpite, mas tem outros – como o flamengo, por exemplo…

C. Pereira é jornalista e alvinegro, não necessariamente nessa ordem, e está próximo de completar 70 anos de dedicação ao Botafog…

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Páginas alvinegras: As quatro estrelas de 1958

22 29UTC 06pmSun, 29 Jun 2008 13:50:44 +0000ç2008, 2008 · Deixe um comentário

                                 

“Estavam juntos quatro dos maiores jogadores da história do futebol. Didi jogava com a cabeça em pé, sem olhar para a bola e com grande elegância. Cada passe com a parte externa do pé era uma obra de arte.

Garrincha bailava em campo. Balançava o corpo, deixava o marcador paralisado e saía pela direita.

Nilton Santos antevia o passe, antecipava e desarmava sem tocar no atacante.

Pelé raciocinava mais rápido que um megacomputador. Antes de a bola chegar aos seus pés, calculava a velocidade dos companheiros, dos adversários, da bola e a relação do espaço com o tempo. Achava sempre o espaço mais curto para o gol.”

 Tostão, na edição de domingo da Folha de S.Paulo, depois de ver – na íntegra, não os compactos – das duas últimas partidas do Brasil em 1958.

E, desnecessário lembrar, três dos quatro jogadores citados pelo melhor comentarista de futebol da atualidade carregavam a Estrela Solitária no peito.

Que saudade de tudo que eu não vi…

 

  

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Separados pela geografia: Em SP, o Botafogo é…

22 31UTC 05pmSat, 31 May 2008 19:49:00 +0000ç2008, 2008 · 7 Comentários

                        

Depois de Sporting (Portugal) e Arsenal (Inglaterra), voltamos ao Brasil para encontrar o correspondente alvinegro. E esse foi fácil, não?

Até mesmo por exclusão:

flamengo = corinthians (timão, mengão, nassão e outras semelhanças encontráveis no Código Penal)

vasco = Palmeiras (time dos imigrantes portugueses-rj e italianos-sp, vascôoooo = porcôooo, são januário = parque antártica, etc)

fluminense = São Paulo (tricolor, pó-de-arroz, aristocracia, pose mesmo na lama, bambis, etc)

Botafogo = Santos (Garrincha = Pelé, cores alvinegras, orgulho do passado, times com tradição ofensiva e toque de bola refinado, os dois times brasileiros mais conhecidos na Europa, o maior clássico dos anos 60, etc)

Pena que, por conta da decisão de 1995, nossos co-irmãos tenham tanta mágoa do Botafogo. O que também é uma característica botafoguense…

Ou seja, se o Cuca for mesmo para a Vila Belmiro, não vai se sentir um peixe fora d`água.

Ah, e a segunda foto do post é de um grande fotógrafo-amigo, amigo-fotógrafo, o bacana Cláudio Versiani, que, mesmo atleticano, fez a seguinte legenda ao postá-la em seu blog, o Pictura Pixel:

Em 1997 eu tive o privilégio de fotografar estes dois monstros do futebol. Botafogo e Santos, os dois maiores times da história do futebol brasileiro…”

Eu assino embaixo, bacana!

Até porque o Nilton é Santos desde o nascimento. E o Nascimento ao lado dele, um tal de Edson Arantes, é a maior Estrela da história do futebol… 

Acréscimo: Como ficou comprovado pelos sisudos comentários dos santistas que visitaram esse blog botafoguense e não perceberam que essa seção do Fogo Eterno é apenas uma brincadeira, a dor-de-cotovelo pela derrota em 1995 ainda não passou. 

Superem esse trauma, rapaziada! Chororô de uma década é um pouquinho demais, não? Um conselho: guardem aquela faixa de protesto que volta e meia aparece na Vila Belmiro, é meio patética essa reclamação fora-do-tempo – parece que o Santos só olha para o passado, não enxerga nada no presente nem no futuro. Olha que de chororô nós entendemos bem… E, mesmo sob o protesto de vocês, continuarei torcendo pelo Santos quando o time estiver em campo contra outros grandes paulistas, beleza? Abraço alvinegro.

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De Nilton Santos para Lúcio Flávio: Seja Feliz

22 16UTC 05pmFri, 16 May 2008 20:40:18 +0000ç2008, 2008 · 1 Comentário

                  

 

A incansável botafoguense Cristina Saraiva, uma das responsáveis pelo site Arena Alvinegra, ajudou a organizar o encontro de Lúcio Flávio e Nilton Santos, na clínica na zona sul do Rio, na homenagem do capitão alvinegro ao aniversário do maior ídolo botafoguense de todos os tempos.

A pedido do Fogo Eterno, Cristina fez um relato desse encontro histórico: 

Para homenagear os 83 anos de Nilton Santos, acompanhei o Lúcio Flávio na clínica onde o ídolo alvinegro está internado. Vivi momentos inesqueciveis. Nosso Nilton estava lúcido: falava muito pouco, mas com coerência.

Quando chegamos, ele estava sentado. Mas levantou-se: reconheceu o Lúcio Flávio. Emocionado, sorriu. Ficou feliz com as palavras de carinho do atual capitão alvinegro, transmitidas em nome de toda a equipe e comissão técnica. Agradeceu muito a visita.

Uma forte emoção tomou conta de Nilton, Dona Célia e de todos que lá estávamos.

Tudo no quarto do Nilton é Botafogo. De fazer inveja ao mais fanático torcedor. O sofá tem a capa preto e branca; a almofada também é alvinegra. Nas estantes, várias homenagens, placas, escudos.

Apesar de quase não falar, Nilton Santos caminhou um pouco, com os olhos ora muito atentos, ora meio perdidos. E nas poucas frases que falou, pediu ao maestro que fosse muito feliz no Botafogo, feliz como ele foi. E ainda achou humor para um comentário maroto:

Nunca perdi uma decisão…

Dona Célia providenciou um bolo de chocolate maravilhoso com sorvete – o Nilton não tem restrição alimentar. E, antecipadamente, cantamos os parabéns.

Amigos, uma tarde inesquecível… “

Quer saber mais sobre o aniversário de Nilton Santos? Dá um clique no site do Arena Alvinegra (link aqui do lado). Imperdível!

foto: Pamela Lima//Arena Alvinegra

 

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Nilton Santos, 83 anos – Uma Vida Gloriosa

22 16UTC 05pmFri, 16 May 2008 15:23:06 +0000ç2008, 2008 · 1 Comentário

 

Parabéns, Nilton Santos, pelos 83 anos.

Poucos podem dizer, ao fim da jornada, que tiveram uma vida realmente Gloriosa.

Você é um deles.

Você é um de nós.

Você é o Botafogo.

Sua estrela nunca se apagará.

 

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Histórias Gloriosas: As Crônicas do Pereirão (VIII) – Qual o melhor Botafogo de todos os tempos?

22 13UTC 05amTue, 13 May 2008 01:45:17 +0000ç2008, 2008 · Deixe um comentário

              

C. Pereira

 Selecionei, não ao acaso, algumas formações do Glorioso que se tornaram marcantes na história do clube ao longo de toda a sua existência. É uma tentativa de remontar, junto aos torcedores alvinegros, os times que fizeram sucesso, principalmente na conquista de títulos que se inscreveram como dos mais importantes na galeria de troféus de General Severiano.
É um exercício de cidadania botafoguense, posto à disposição de todas as faixas etárias, ou seja, dos nove aos noventa anos. Os mais velhos (como eu) certamente se recordarão das primeiras e os mais jovens (como meus filhos e netos) têm firmes a lembrança das mais recentes.
Quem assim o desejar, pode dar o seu palpite sobre o melhor time que o Botafogo já teve ao longo dos seus cem anos e, embora, isso não seja propriamente uma pesquisa, aceitam-se opiniões e votos sobre quais os jogadores que formaram o mais forte time do Glorioso nestes últimos 60 anos – porque aí é que começa o meu conhecimento mais profundo sobre o tema.
Ao longo de quatro semanas, a começar de hoje, farei desfilar histórias e estórias sobre os times que  marcaram decisivamente a gloriosa escalada de êxitos do Botafogo de Futebol e Regatas. E, sempre que possível, incluirei em cada um deles, lances interessantes (e polêmicos) que, de alguma maneira, influíram nos jogos decisivos de que participaram.
Começo pelo extraordinário time campeão carioca de 1948 que só não conquistou o título invictamente porque (ironia do destino) foi derrotado, logo na primeira rodada, pelo modesto São Cristóvão, pelo contundente placar de 4×0.
O jogo final do campeonato, contra o vasco, se deu no dia 12 de dezembro no acanhado estádio de General Severiano – lá estavam espremidos mais de 20 mil torcedores, 90 por cento botafoguenses que, ao final,  cantaram a vitória do Glorioso por 3×1. Tinha eu 10 anos e não morava no Rio: ouvi o jogo no rádio Phillips holandês, de válvulas, na sala de jantar da casa de um primo, tão alvinegro quanto eu. E aquele time, campeão de 1948, ficou inesquecível: Osvaldo, Gerson e Nilton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otávio e Braguinha.
 Os gols alvinegros foram marcados por Paraguaio, Braguinha e Otávio e essa partida que fez parte da última rodada do campeonato (jogado em dois turnos, em pontos corridos), ficou conhecida como a final “pé-de-mico” pois, segundo comentários que acabaram virando lenda, o Botafogo tomou “todas as providências” para vencer o jogo.
Começou com a entrada em campo, junto com o time, do lendário Presidente Carlito Rocha (foto) que, naturalmente, se fez acompanhar de Biriba, o cãozinho mascote do clube, figura impar que marcou época no futebol carioca.

 Diz-se, também, que o vestiário do vasco foi pintado, na manhã do jogo, com cal virgem (nada de gás-pimenta, coisa da modernidade química!), para provocar ardência nos olhos dos jogadores. Afirma-se, também, que ao entrar em campo, a equipe vascaína foi “saudada” com uma chuva não de pó-de-arroz (coisa de tricolor!), mas de pó-de-mico que, como se sabe, dá uma coceira danada…
Para concluir esse relato sobre  as providências “extra-campo”, falou-se naquele tempo que um espião alvinegro teria colocado, no intervalo do jogo, um providencial sonífero na água e no café dos jogadores vascaínos. Mas essas alegações (ou aleivosias dos vencidos ) jamais foram comprovadas  e, certamente, eram tentativas de explicar a derrota do vasco, criadas pelo presidente de então que, registra a história, não era ainda o sr. eurico miranda (esse também, graças ao SOC, só entra em caixa baixa no Fogo Eterno – NE).
Aquele time de 1948, que ficou eternamente marcado na história do Botafogo, ainda hoje é lembrado de cor por muitos que – como eu – já torciam à época pelo Glorioso: Oswaldo, Gerson e Nilton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Genino, Pirilo, Otávio e Braguinha.
Na próxima semana, depois de um vôo de 20 anos,  vamos aterrissar nas arquibancadas do Maracanã, em 1968…

 

C. Pereira é jornalista e alvinegro, não necessariamente nessa ordem. Escreve, toda terça, as Crônicas do Pereirão. Este ano resolveu, literalmente, pagar pra ver: deixou o rádio de lado e comprou pela primeira vez o pay-per-view do Brasileirão. Apesar de indignado com os sustos que tomou no jogo contra o Sport, ainda não se arrependeu.

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O sofá de Nilton Santos

22 05UTC 05pmMon, 05 May 2008 21:58:55 +0000ç2008, 2008 · Deixe um comentário

“Não teria graça nenhuma se todos tivessem o mesmo time”

                                                              Nilton Santos

 

Imagem do sofá que fica no quarto do Centro de Saúde da Gávea onde está internado o maior lateral da história do futebol brasileiro.

A reportagem, vale lembrar, foi publicada na edição de domingo do Correio Braziliense e alguns trechos podem ser lidos no post “Nilton Santos – A Luta Pela Vida”.

foto: Ricardo Miranda/Correio Braziliense

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Nilton Santos: A luta pela vida

22 04UTC 05amSun, 04 May 2008 11:54:57 +0000ç2008, 2008 · 1 Comentário

 Simplesmente de arrepiar a reportagem publicada em duas páginas da edição de hoje do Correio Braziliense sobre o duelo de Nilton Santos contra o mais implacável marcador que já enfrentou na vida: o Mal de Alzheimer. 

Impressiona o fato de, quando surge a lucidez, Nilton demonstra que continua amando o Botafogo com todas as forças que lhe restam aos 82 anos.

Eis alguns trechos da reportagem “O outono de um craque”, do excelente repórter Ricardo Miranda.

“Quem o vê reconhece imediatamente os olhos miúdos, o sorriso talhado no rosto, a voz rouca e baixa modulada agora num fiapo de som, o rosto marcante do outono de um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos, sucedido fora dos gramados por uma analista lúcido e grande contador de causos do futebol. Desfeita a miragem inicial, percebe-se que se está diante de um homem lutando bravamente por cada naco de vida, por cada segundo de lucidez. No quarto número 21 da bucólica clínica de paredes amarelas, que há um ano virou o lar de um dos grandes laterais-esquerdos da história do futebol, a Enciclopédia do Futebol, campeão mundial pela Seleção Brasileira em 1958 e 1962, o homem cujo lugar cativo já está reservado na história do futebol brasileiro trava diariamente seu duelo particular pela sobrevivência. E no próximo dia 16 de maio, as janelas do apartamento de 50 metros quadrados no terceiro andar da ala geriátrica da Clínica da Gávea, na zona Sul do Rio, vão amanhecer abertas para trazer para dentro o aroma dos eucaliptos e a brisa fresca que sopra sem parar no alto da Estada da Gávea. O ilustre paciente fará 83 anos.

 

LUCIDEZ E ESCURIDÃO

Nilton Santos vive hoje o crepúsculo de um grande ídolo. Segundo Maria Célia, sua companheira há 37 anos, que preserva a todo custo a imagem de seu grande amor, Nilton sofre de demência senil, uma deterioração neurológica progressiva e irremediável, que faz com que alterne momentos de lucidez com períodos na escuridão. Fala com dificuldades e não reconhece pessoas. Nilton também sofreu recentemente outro revés, uma dengue hemorrágica, da qual só se recuperou, segundo Célia, por um milagre. “As plaquetas dele chegaram a 50 (mil mm3). Mais um pouco e ele teria que ser transferido daqui”, conta ela. Agora, recupera-se de uma pneumonia. 
Deitado na cama, o olhar indecifrável, o corpo quase imóvel, muito mais magro (em parte por causa de dengue), Nilton dá a impressão para quem o conheceu antes que saltará de repente da cama e nos surpreenderá com sua gargalhada contida, exibindo os dentes da frente separados, divertindo-se com sua própria condição. Mas, infelizmente, não há brincadeira. Nem volta.

 

APOIO DO BOTAFOGO

O estado do ídolo mobiliza toda a direção do Botafogo, a começar do presidente Bebeto de Freitas, que deu ordem para que não sejam medidos esforços para garantir o conforto e a tranquilidade do maior patrimônio vivo do clube. O Botafogo paga todas as despesas de Nilton na clínica e colocou seu médico e cardiologista, Paulo Samuel, permanentemente na cabeceira do ex-jogador, a ponto de ser chamado pela família de “anjo da guarda”.

Nilton e Célia vivem de poucas rendas, especialmente da modesta aposentadoria de Nilton da LBA (Legião Brasileira de Assistência). “A sensação que sinto ao vê-lo assim é de tristeza, muita tristeza. Mas me conforta ver o Nilton cuidado da melhor forma possível. E isso graças ao Botafogo, especialmente ao Bebeto de Freitas, que teve a sensibilidade de permitir uma velhice melhor a um ídolo. Sem o Botafogo, não estaríamos aqui. Nem remédio para ele poderíamos comprar”, diz Célia.

SANTUÁRIO ALVINEGRO

Quarenta e quatro anos depois de sua última partida como jogador profissional, seu grande alimento continua sendo o Botafogo. A simples menção do nome faz com que sua fisionomia mude. Não por acaso o quarto que hoje é seu lar foi ‘decorado’ por Maria Célia para aconchegá-lo, cercado por medalhas, taças, fotos de todas as épocas e quadros pintados por ele a partir de 1990. A camisa 5 de Túlio, entregue pelo próprio volante, está guardada no pequeno armário. Uma mesa guarda um mosaico com as feições do então jovem jogador. Um sofá, próximo à cama, foi coberto com a bandeira do Botafogo. Almofadas, relógios, imãs de geladeira, tudo lembra o time da estrela solitária.

SORRISO NA DESPEDIDA

Quando consegue, Nilton assiste aos jogos do Botafogo. Assistiu parte da semifinal da Taça Guanabara contra o fluminense e, no intervalo, chutou e acertou o placar. “Só me chamem quando estiver 3 x 0″, avisou. O primeiro jogo da decisão contra o flamengo não viu e, aparentemente, ignora o placar. Nunca se sabe quando irá submergir e emergir de volta. Nilton se despede com um sorriso terno. Célia controla o choro. Pairam pelo quarto lembranças de outros ídolos do passado, do presente, de sempre, que sofreram de processos degenerativos semelhantes, como Leônidas da Silva, o Diamante Negro, e o húngaro Ferenc Puskas. Como eles, Nilton jamais terá que se preocupar com a memória. Para nós, ele nunca será esquecido. Nem hoje. Nem nunca.”

Assinantes podem ler a matéria, na íntegra, e ver as fotografias do quarto-santuário de Nilton no site do jornal (www.correiobraziliense.com.br).

Eis, senhores, o maior jogador-torcedor alvinegro de todos os tempos.

Por isso, defendo a idéia da mudança do nome oficial do Engenhão para Estádio Olímpico Nilton Santos.

Mais do que qualquer cartola, ele merece.

 

 

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