
Caro Maicosuel Reginaldo de Matos:
Você não foi apenas o artilheiro e o craque do campeonato, como foi confirmado oficialmente na noite de segunda-feira.
Você não fez apenas um golaço em cima do vasco, abrindo a porteira para uma goleada que silenciou parte do maracanã e o apresentou a todos que até então não o conheciam e se perguntavam, mesmo durante o campeonato: “Maicosuel, quem é Maicosuel?” E, naquele momento, os que fingiam desconhecê-lo passaram a respeitá-lo e a temê-lo.
Você não foi apenas o destaque do Botafogo no campeonato para os frequentadores do FogoEterno, com mais de 70% dos votos em nossa enquete.
Você foi muito mais.
Você foi o autor do grande momento do campeonato de 2009: o drible desavergonhado, desconcertante, ousado, irreverente, sublime em cima de juan.
Naquele momento, todos nós – mesmo os que nunca assistiram com os próprios olhos – voltamos no tempo. E lembramos de um Mané chamado Garrincha que entortava uns manés chamados…joão, juan, john, tanto faz.
Ali você fez a estrela brilhar mais alto. Você foi destemido. Você desmoralizou nosso maior adversário. Você lavou a nossa alma.
E foi naquele momento que nós, súditos alvinegros, te coroamos o Senhor da Bola: Sir Michael Swell.
Foi naquele momento também que o futebol carioca voltou a ser notícia nacional – não pela violência, não pela bagunça, pelas brigas de torcidas, pelos erros de arbitragem ou pelos acordos espúrios nos bastidores sombrios da federação.
Mas sim pelo fato de você ter dado a chance de os brasileiros acompanharem um duelo entre os que sabem jogar bola e os que só sabem jogar quando as cartas estão previamente marcadas e que perdem a cabeça quando alguém ousa confrontá-los na base do talento.
O duelo da arte contra a barbárie.
Não, meus caros, nem os gols contras do Emerson nem um exército de soldados rasos nem a tibieza de Ney Franco serão suficientes para apagar das nossas retinas aquele e outros inesquecíveis momentos protagonizados por Maicosuel no Campeonato Carioca de 2009, do primeiro jogo (dois gols!) até sua última participação.
É o que carregaremos de melhor.
Por conta de nosso passado glorioso, Maicosuel, a gente aprendeu a ter um olhar diferenciado sobre o futebol: nós, alvinegros, valorizamos cada momento luminoso, cada instante iluminado proporcionado pelos nossos jogadores. Daí a nossa extrema irritação e contrariedade quando o nosso time joga de forma retrancada, medíocre, indigna de nossa camisa.
Mas você nos redimiu ao protagonizar lances como aquele em pleno Maracanã, o templo do futebol mundial.
Um pronto retorno para você, Sir Michael.
Não demore! Precisamos do seu talento e de seu destemor para novas e difíceis batalhas.
Para encerrar, tomo a liberdade de recriar alguns dos versos do poeta alvinegro Vinicius de Moraes, tão belos quanto os seus gols e seus dribles, para comentar a sua provável (e talvez iminente) ida para o exterior:
Sabemos que a sua passagem pelo Botafogo, Maicosuel, não será imortal posto que é chama.
Mas que seja infinitamente gloriosa enquanto dure.











