
A tradução do livro aí de cima é algo como ”O Carteiro sempre toca duas vezes” . É uma história de suspense bolada por um ótimo escritor, James M. Cain, e foi adaptada duas vezes para o cinema. Chegou às telas como ”O Destino Bate à sua porta”.
O que importa aqui, porém, é pegar a frase original do título para refletir um pouco do que representam Lúcio Flávio, Juninho e Leandro Guerreiro para o Botafogo.
Os três, é forçoso lembrar, participaram de lances cruciais em duas das três decisões contra o flamengo – me refiro às que foram decididas nas penalidades.
Na primeira, de 2007 (do fatídico Beltrami no apito), Lúcio Flávio foi o primeiro cobrador pois Dodô acabara de ser expulso.
LF bateu à meia-altura, no canto direito de Bruno, que adivinhou o canto e nem se esforçou muito pois a bola ficou entre o meio e a trave.
Na sequência do alvinegro, foi a vez de Juninho desperdiçar – dessa vez Bruno contou com a sorte, pois espalmou e a bola bateu na trave antes de sair.
Resultado: como o flamengo tinha convertido suas duas primeiras penalidades, a tarefa de reverter ficou praticamente impossível – ainda mais com o Max no gol…
Aí veio o Túlio ( 0 x 2 no placar…) e pegou a bola. Olhou para Bruno pouco antes de bater e jogou no canto oposto. Um chute seco, rasteiro, nem tão forte assim, mas o suficiente.
Túlio observa, enfim, o que os outros dois não tiveram competência de sacar: que o Bruno, nove entre dez vezes, indica CLARAMENTE qual é o canto que escolhe POUCO ANTES da cobrança. Ou seja, o goleiro urubu se adianta e se joga – com a boa envergadura, quase sempre consegue tapar um canto inteiro.
(Naquela primeira decisão, o Luciano Almeida também converteu, mas de forma saudavelmente irresponsável, dando um chutão no meio do gol, como o Bruno já tinha caído, não pôde voltar)
Pois bem, agora retornemos a 2009.
Vamos primeiro relembrar a segunda decisão por pênaltis – que, ironicamente, acaba no mesmo placar: 4 x 2.
Quem foram os dois alvinegros que conseguiram suplantar Bruno? Léo Silva (primeiro cobrador!) e Gabriel. Como conseguiram? Observando o canto que o goleiro se projeta – e empurrando a bola na outra direção.
Quem perdeu as cobranças? Logo eles, dois expoentes do time de 2007: Leandro Guerreiro (que entrega o canto ao bater à meia-altura no lado que Bruno já estava) e Juninho – que, ao contrário de 2007, resolveu bater no meio do gol. Só que mandou à meia-altura e Bruno afastou a bola com um dos pés.
Agora, enfim, chegamos ao último domingo.
Pênalti é, antes de tudo, uma batalha mental.
Lúcio Flávio deve ter pensado: na primeira decisão, bati no canto direito e o Bruno pegou. Agora, vou fazer o contrário – mandar no canto esquerdo e aí ele não pega.
Bruno antecipou a previsibilidade do raciocínio de nosso camisa 10 e se jogou, ANTES da cobrança, para o canto esquerdo.
Só que o LF simplesmente NÃO OLHOU para o goleiro rubro-negro. Tivesse vislumbrado ao menos o vulto caindo para um dos lados, teria tempo o suficiente para empurrar a bola para as redes no canto oposto que Bruno tinha escolhido.
Resultado: mais uma vitória do flamengo, graças a mais uma vitória particular de Bruno contra um de nossos principais jogadores.
Enfim, retorno ao título desse post para dizer que são raras as vezes que o carteiro (o sr.Destino) bate duas vezes na mesma porta – e nas mesmíssimas circunstâncias.
Se você não aproveitou a primeira, tem que pensar no que fez de errado. E, claro, se a segunda chance aparecer, ela não pode ser desperdiçada.
Leandro Guerreiro, Juninho e Lúcio Flávio foram agraciados com a segunda chance – de ser campeões, no caso dos dois primeiros; de converter um pênalti decisivo, no caso dos dois últimos. E a oportunidade, fato raríssimo, apareceu contra o mesmo adversário, e em circunstâncias extremamente parecidas.
Os três falharam novamente.
E, dessa vez, os três cometeram erros cruciais em uma só partida: Juninho e Guerreiro, ao não conseguir impedir o gol de Adriano (escudados ainda por um titubeante Wellington, numa espécie de vingança tardia e sacana do Ney Franco, que o indicou); Lúcio Flávio, ao perder o pênalti.
Numa rápida comparação, Maurício só teve uma chance em 1989 – contra o mesmo adversário, e com a bola em movimento, num lance bem mais difícil. Ele não desperdiçou.
Túlio Maravilha teve duas chances em duas das partidas da decisão de 1995 – guardou as duas no fundo das redes.
Eis a diferença dos que nasceram para brilhar e dos que nasceram para se apagar.
E eu não quero mais torcer para quem tem medo de ganhar simplesmente porque tem um medo muito maior de perder.
Não adianta mais tentar se iludir – e olha que faço um mea culpa e admito que sou um dos mais facilmente enganáveis.
Mas a verdade é que o espírito derrotista dos jogadores Juninho, Lúcio Flávio e Leandro Guerreiro faz mal ao Botafogo.
Os três são fracos – tecnicamente (Guerreiro, nem tanto, vale ressalva) e psicologicamente.
Eles não têm mais condições emocionais de vestir a nossa camisa – não são dignos de ter a estrela no peito.
Fazem mal ao time e fazem mal à torcida.
Que eles sigam seus rumos em 2010. Longe de General Severiano, que não pode ser lugar de gente que fraqueja em decisões.

Caso contrário, até, em caso de desastre no fim do ano, a campanha de volta para a Série A em 2010 será um pesadelo – pois eles correm o risco de ganhar uma terceira chance e novamente desperdiçá-la. Isso sem contar os inevitáveis clássicos e eventuais decisões no Estadual.
E que o destino não nos engane novamente e coloque dessa vez em nosso rumo jogadores capazes de conquistar, dentro de campo, a condição de líderes. Jogadores fortes.
Não precisa nem ser craque nem amar a nossa camisa; basta ter uma imensa vontade de ganhar.





