Caro Dodô:
O seu sonho de ser campeão da Libertadores acabou.
E da pior forma possível: nem o pênalti você conseguiu bater na decisão. Isso já tinha acontecido em 2007, quando o Beltrami também te impediu de ser um dos cobradores do seu time, na final do Estadual, lembra? Só que, diferente de agora, naquele ano havia uma torcida apaixonada para ficar do seu lado, para se revoltar junto, pois sabia que a expulsão tinha sido injusta, desonesta, parcial. Essa mesma torcida te apoiou em outros momentos tão ou mais difíceis, como no até hoje mal-explicado caso do doping.
Em 2007, Dodô, você recebia apoio e carinho incondicional. Você era a Estrela Solitária.
Mas você quis ir embora e, revelando $úbito intere$$e pela cami$a do fluminen$e, abandonou o barco alvinegro antes mesmo do fim do Brasileirão.
Queria ganhar uma Libertadores. E, veja só, como tudo acabou…Mais do que Renato Gaúcho, Washington ou outro perdedor das bandas grenás, você virou o Vilão da vez. Se indispôs com o treinador e consolidou na mídia e entre os torcedores a fama de fominha, que só pensa no próprio brilho, não no time.
Sim, é certo que você teve dois ou três lampejos durante a competição, mas foram típicos de uma estrela cadente. Para quem imaginava ganhar a camisa 9 e inscrever seu nome na história tricolor, não deve ser nada fácil se conformar em assistir boa parte da competição do banco de reservas. Não ser adorado, não ser idolatrado, não ser nada além de um jogador para compor elenco.
E, pior, agora não dá mais para evitar a divulgação do resultado do julgamento do doping, convenientemente adiado até o fim da Libertadores.
Periga você assistir ao Brasileiro não mais no banco de reservas, mas no banco da praça, suspenso, carreira encerrada de forma melancólica, no ostracismo.
Mas, sabe o que é pior, Dodô? Você não perdeu apenas a Libertadores. Em seis meses, você perdeu o respeito de duas torcidas. E, de uma delas, justamente a mais gloriosa, você ganhou uma vaia ensurdecedora, histórica, daqueles que sempre te deram a mão e foram pagos com a sua traição.
Essa é a sua façanha, meu caro: Cada vez menos estrela, cada vez mais solitário.
Parabéns pela inédita conquista. Você fez por merecê-la.
Aproveite bem o $uce$$o que lhe resta.
P.S: Para ilustrar esse comentário, procurei uma foto sua na decisão da Libertadores dessa quarta-feira no Maracanã. Não encontrei; parece que ninguém se interessou em publicar.
Vou dizer isso de uma forma mais clara, não vá se magoar: Dodô, você não apareceu nem na foto dos perdedores.