
Quem costuma tomar gol nos primeiros minutos da partida é o Botafogo.
Quem costuma fazer gol nos outros times é o centroavante, não o zagueiro.
Quem costuma ser expulso por segundo cartão amarelo nos outros times é o zagueiro, não o centroavante.
Quem costuma ser medíocre e mostrou futebol vistoso (!) e inteligente (!!) foi o Léo Silva.
Quem costuma ceder diante da pressão dos atacantes adversários é a defesa do Botafogo. Não no Beira-Rio.
Quem costuma desperdiçar a vantagem de ter um homem a mais durante quase um tempo inteiro é o Botafogo.
Quem costuma(va) falhar em momentos decisivos da partida eram os goleiros do Botafogo. Não com Jefferson.
Quem tropeçou na bola foi o craque D`Alessandro.
Quem escalou errado e mexeu errado no intervalo foi o técnico do adversário.
Quem fez um gol no início da partida e conseguiu segurar o resultado, mais de 90 minutos depois, foi o Botafogo.
Quem demonstrou equilíbrio psicológico, mesmo quando perdeu um jogador por expulsão, foi o Botafogo (viu, Paulo César Vasconcellos?.
Quem, portanto, imaginaria que as coisas acontecessem tão inversamente proporcional às expectativas como o que ocorreu na tarde desse domingo no Beira-Rio?
Quem de nós não temeu, após o primeiro gol, que o time recuasse e tomasse uma virada ainda no primeiro tempo?
E quem de nós não ficou surpreso com a consistência defensiva do Botafogo e com a completa desordem tática e técnica do Inter, com jogadores colorados tropeçando, escorregando, diversas vezes apanhando da bola?
Por tudo isso e muito mais, foi um jogo atípico.
O que não fugiu do padrão foi a segurança do Jefferson – como destacou o Pereirão, a nossa melhor contratação do ano. Quantas vezes ele foi acionado (cruzamentos, chutes à queima-roupa, escanteios), quantas vezes ele correspondeu: e com tranquilidade, sem espalhafato.
Já falei por aqui que a nossa salvação está nos Jotas: Jefferson, Jônatas, Jobson e nos gols do Juninho. Pena que, mais uma vez, o Jobson tenha tido as melhores chances e não as tenha convertido – era para matar a partida, e ele desperdiçou: ou seja, é bom ciscador, mas péssimo finalizador.
No mais, a última pergunta: quem de nós imaginaria que o Botafogo conseguiria vencer uma partida (fora de casa!) tendo no gramado, AO MESMO TEMPO, os seguintes jogadores: Fahel, Léo Silva, Thiaguinho, Emerson e Victor Simões?
É ou não é uma proeza?
Vamos às atuações:
Jefferson – Segurança, sobriedade, senso perfeito de colocação. Sensacional. Nota 10 (a pedidos) Nota 9
Thiaguinho – O de sempre: alguns desarmes, muitos erros de passe. E muito espaço ao adversário. Nota 5
Juninho – Um belíssimo gol, bem nas antecipações e divididas. A faixa valeu a pena! Nota 7
Wellington – Limitado, mas esforçado. Ganhou mais do que perdeu. Nota 6
Diego – Discreto mas seguro, contribuiu na marcação. Nota 5
Guerreiro – Erros bobos de passe, mas muita luta. Nota 5
Emerson – Seriedade. Está melhorando ou é porque passa menos tempo em campo? Nota 5
Fahel – Muito pouco, como sempre. Mas ainda assim alguns lances surpreendentes, que pareciam de quem sabe jogar futebol. Nota 4
Léo Silva – A surpresa do século. Uma bela partida. Nota 8
Lúcio Flávio – Mais participativo no primeiro tempo, com direito a arrancadas e ótimos passes desperdiçados pelo Jobson . Só que ainda está devendo: poderia ter segurado mais a bola no campo do adversário. Nota 5,5
Jobson – Decepção. Teve duas ou três chances de definir o placar, mas não sabe finalizar. Nota 4
André Lima – Decepção. Sua expulsão (não precisava do chilique, pois foi correta) quase derruba o time – bem, pelo menos vai poder animar a torcida no Engenhão contra o Coritiba sem se preocupar em jogar. Nota 1
Victor Simões – Está melhorando ou é porque passa menos tempo em campo? Nota 5
Rodrigo Dantas – Pouco tempo, nenhum brilho individual. Sem nota
Estevam Soares – Apostou num time cheio de cabeças-de-bagre, digo, cabeças-de-área, e se deu bem porque conseguiu um gol no primeiro minuto. Acertou também nas alterações. Nota 7








