
Uma vitória de gente grande. Daquelas que fazem a diferença. E fazem a alegria de pais e filhos alvinegros.
Engano quem pensa que não alterou nada na tabela – pelo contrário, uma derrota ou um empate nos deixaria atolados na zona intermediária, pois quase todos os concorrentes pela vaga na Libertadores venceram: só que a maioria deles conseguiu três pontos contra adversários mais fáceis (framengo em cima do atrético, São Paulo em cima do Goiás, por exemplo, Vitória em cima do vasco) do que o rival do Botafogo nesse domingo no Engenhão. Que, por sinal, é um dos que brigam pela vaga…
O time demonstrou novamente consistência e pouca vulnerabilidade. A única grande chance do Palmeiras, ainda no primeiro tempo, no único vacilo da zaga alvinegra, foi neutralizada em cima da hora pelo Thiaguinho, que desarmou Alex Mineiro na hora do chute de forma precisa: se fosse basquete, o locutor teria gritado: “Um toco sensacional!”.
Thiaguinho em dia de Lebron James…
Mas, além desse lance e de uma ótima intervenção de Castillo no segundo tempo, o Palmeiras nada criou de perigoso. Valdivia, o mago, fez a mágica do sumiço; graças à marcação implacável de Diguinho e Túlio, não teve liberdade para brincar de feiticeiro. Alex Mineiro, também, pouco ameaçou, sempre vigiado pelos zagueiros.

A rigor, o Palmeiras só equilibrou as ações entre os 10 e os 30 minutos do segundo tempo, quando Diego Souza entrou e aprontou algumas jogadas. Logo, porém, também foi neutralizado e, na sequência, Zé Carlos ganhou de Jorge Henrique um cruzamento raçudo, que resultou no gol que definiu o placar. Um presente de pai pra filho, pra ficar no espírito desse domingo.
Voltando ao primeiro tempo, o Botafogo não sentiu tanto a falta de Carlos Alberto, mas sim do Wellington Paulista, do Zárate ou qualquer outro centroavante capaz de definir o lance. Porque, assim como fez contra o Atlético-PR, o time criou muito, mas fez pouco. No lance mais claro, JH deixou Gil na cara do Gol e, novamente, o Gil perdeu o gol depois de demorar séculos para tirar do goleiro. Mérito do Marcos? Nem tanto. Um centroavante razoável teria balançado as redes.
As melhores chances nos 90 minutos foram alvinegras, especialmente por conta da movimentação incansável de Jorge Henrique e dos avanços de Thiaguinho. Ele correu de um lado para o outro, inverteu posicionamento, tomou pancada; enfim, fez tudo o que o Gil ficou devendo.
Ou seja: Gil, com a 9, não dá. A camisa dele tem que ter sempre o número 1 na frente – mas não vale a 10 nem a 11. Tem que ser 14, 15, 16… banco de reserva nele.
Mesmo com o desfalque logo nos primeiros minutos de Leandro Guerreiro, substituído pelo lamentável Zé Carlos (não, o gol não vai me fazer aliviar a análise do péssimo desempenho dele, dessa vez perdendo até nos lances de força física), o sistema defensivo encaixou: ainda que sem brilhantismo, Túlio e Diguinho estavam sempre ajudando os laterais e os zagueiros a marcar em cima os atacantes palmeirenses. E a união da solidez defensiva com a consistência do ritmo de ataque foi premiada aos 35 minutos.
Em resumo: mesmo com desfalques importantes, e dessa vez sem recursos no banco de reservas, o Botafogo voltou a jogar bem e conseguir a vitória.
Assim eles jogaram:
Castillo - Uma defesa dificílima no segundo tempo e outras boas intervenções. Sempre ligado. Nota 7
Thiaguinho – Grande atuação no primeiro tempo. No segundo, caiu de ritmo, mas mesmo assim é titular absoluto e, junto com JH e Túlio, um dos responsáveis diretos pelo volume de produção do time. Nota 8 Saiu contundido e foi substituído por Lucas Silva, que ainda não mostrou nada contra nem a favor para merecer nota.
Renato Silva – Enfrentou o ataque mais perigoso do campeonato e não tomou conhecimento dos caras. Muito bem, e, hoje, sem ressalvas. Nota 8
André Luiz – Uma única falha no primeiro tempo, sanada pelo Thiaguinho, mas no resto uma atuação impecável. Parou de bater e tem se posicionado com mais eficiência. Nota 8,5
Triguinho – O feijão-com-arroz que ele é capaz de fazer. Melhorou no segundo tempo. Nota 7
Leandro Guerreiro – Sentiu a virilha e foi substituído logo no início. Sem nota. Entrou Zé Carlos, que, no caso desse domingo, é o caso de usar o clichê: o gol e nada mais. Nota 4
Diguinho - Muito bem, mesmo sem o brilho de jogos anteriores. Nota 7,5
Túlio – Começou mal, mas logo se recuperou. Cresceu na segunda etapa até cansar. Nota 7
Lúcio Flávio – Errou escanteio e uma cobrança de falta, mas fez bem o seu papel. Não fugiu do jogo e comandou a distribuição de bolas ao longo dos 90 minutos. Dá equilíbrio ao time. Nota 7,5
Jorge Henrique – O nome do jogo (pronto, antecipei a escolha do Herói…). Movimentação incrível, como em 2007, e uma jogada de pura raça para o cruzamento que resultou no cabeceio de Zé Carlos. Nota 9
Gil – O anti-nome do jogo. Assim como contra o atlético-pr, demonstrou displicência e falta de condicionamento físico, pecados mortais para um atacante. Não acerta um passe, fica impedido, é facilmente desarmado, sem contar o gol que perdeu. Com a camisa 9 não dá. Nota 2 Foi substituído por Fábio que, segundo Caio Ribeiro, “é mais artilheiro” do que Gil: a revelação do comentarista me provocou uma gargalhada que aliviou a tensão quando ainda estava 0 x 0. Nota 4
Ney Franco – Sob o seu comando, o Botafogo demonstra maior solidez defensiva (mais um jogo sem tomar gols) e inteligência na marcação. E ataca sem ficar desprotegido, o que é um grande mérito. Nota 8