
Se você não quiser perder tempo, eis o resumo do significado da partida desse domingo: desde aquela vitória em cima do Sport no mesmo Engenhão no ano passado, quando as portas do rebaixamento começaram a se abrir, nunca a conquista de três pontos dentro de casa foi tão importante para o Botafogo.
Agora, o mesmo raciocínio, em versão ampliada.
O importante são os três pontos, certo? No caso de hoje, certo. Pois qualquer outro resultado dentro de casa, contra um Coritiba sem seis titulares, seria desastroso. Detonaria uma crise logo no início do trabalho do Geninho. Começaria todo papo de “instabilidade emocional”, “necessidade de superação”, etc. Agora não, está tudo zerado. O Botafogo fez a sua obrigação, e isso é incontestável. E assim, iniciou nesse domingo, efetivamente, a sua participação no Campeonato Brasileiro.
Mas para conseguir esses três pontos, meu amigo…
Claro que a parada poderia ter sido resolvida logo nos 45 minutos iniciais. Enfim, um bom primeiro tempo alvinegro! O Botafogo teve maior volume de jogo, criou chances concretas, contou com as subidas de Túlio e Diguinho, a presença sempre perigosa de Carlos Alberto, Lúcio Flávio bem mais atuante. E, mais importante, não deixou o Coritiba jogar: o esquema com três volantes funcionou a contento. Laterais postados em suas posições também deram maior solidez ao esquema defensivo da equipe. A única chance do adversário foi concedida pelo próprio Botafogo, quando Renan bateu roupa e Túlio salvou no rebote. Mas o Botafogo demonstrou superioridade e tranqüilidade, só que deveria ter liqüidado a fatura.
Aí, veio o segundo tempo.
O Botafogo estava jogando no contra-ataque, com relativa segurança.
E Edson resolveu complicar a partida – só para renovar a necessidade de ter Ferrero no time. O pênalti que fez veio exatamente por seu maior defeito: a lentidão. Foi facilmente batido pelo atacante do Coritiba e, sem recursos, cometeu a falta dentro da área.
O jogo mudou a partir da penalidade, com o Coritiba partindo para cima, ainda que sem muito perigo. Pior: o Botafogo passou a atacar de forma desordenada, com Fábio no velho cai-cai e Wellington Paulista se esforçando ao máximo, mas pouco produzindo.
Mas foi graças ao esforço de WP, que inventou uma bicicleta e o zagueirão meteu a mão na bola, que conseguimos, aos 41 minutos, o pênalti salvador, novamente cobrado com precisão pelo Lucio Flávio.
E aí só deu tempo para o juiz fazer lambança e expulsar injustamente o Carlos Alberto.
Como eles jogaram?
Renan – Bateu roupa em falta no primeiro tempo e andou vacilando na saída de gol. Melhorou na segunda etapa e quase catou o pênalti. Toda vez que vejo Marcos Leandro no banco me dá arrepios. Nota 6
Alessandro – Discreto, mais preso à marcação, desempenhou o papel com eficiência. Nota 5
Renato Silva – Boas antecipações, alguns vacilos, enfim, aquilo de sempre. Nota 5
Edson - Razoável no primeiro tempo, mas é lento e não tem a menor condição de enfrentar atacantes rápidos e habilidosos. Falhou em lance capital. Ferrero, Ferrero, Ferrero. Nota 3
Luciano Almeida – Para quem ficou tanto tempo inativo, uma volta acima das expectativas. Vedou o buraco que havia na lateral esquerda, mas ainda está um pouco fora de ritmo. Foi esperto no lateral que rendeu o primeiro gol alvinegro. Nota 6 Foi substituído por Zé Carlos, que, aplicado e sem a obrigação de criar, não comprometeu e mereceu os aplausos que recebeu. É isso o que ele é: opção no banco de reservas. Nota 6
Leandro Guerreiro – Fez a função de primeiro volante e, assim, liberou Túlio e Diguinho para o apoio. Mas nós sabemos que ainda pode melhorar muito. Nota 5,5
Túlio - Errou um passe bobo no início, e temi pelo pior: mais uma partida constrangedora. Que nada. Correu muito, apareceu diversas vezes no ataque, participou o tempo inteiro. Não espalhem, mas desconfio que ele está voltando à forma. Nota 6,5 Foi substituído por Fábio, que, claro, não fez nada, além de cair e tomar cartão amarelo por simulação. Nota 2
Diguinho – Liberado pela presença do Guerreiro, pôde participar das armações das jogadas ofensivas. Precisa caprichar mais nas finalizações e perceber que, antes de tentar o arremate, vale a pena tentar o passe para um companheiro melhor colocado. Nota 7
Lúcio Flávio – Um bom primeiro tempo, com movimentação e o vislumbre de uma bela parceria com Carlos Alberto nas próximas partidas. Parece mais à vontade no esquema de Geninho. Continuou bem na segunda etapa. Impressiona a regularidade na cobrança dos pênaltis. A turma da corneta deveria calcular quantos pontos e classificações o Botafogo conseguiu graças às cobranças certeiras do maestro. Nota 7,5
Carlos Alberto – O nome do jogo. A garra que imprime a cada lance é tudo o que o Botafogo precisa nesse momento. Comandou as ações no primeiro tempo e foi premiado ao fazer um gol com um chute seco e rasteiro. Desapareceu na segunda etapa. Tem que tomar cuidado: os árbitros e a imprensa estão de marcação cerrada em cima dele. A expulsão foi um exagero. Nota 8
Wellington Paulista – Muita movimentação, poucas chances. Se não tem sido decisivo (perdeu um gol de cabeça na mais bela jogada do time, no segundo tempo), pelo menos não desiste nunca. E, por não desistir, conseguiu no finalzinho o pênalti que definiu os três pontos – num jogo como esse, não é pouco. Nota 5,5
Thiaguinho - Entrou no lugar de Renato Silva, cometeu um vacilo mas depois se recuperou e demonstrou vigor. Nota 6
Geninho - Acertou ao apostar em um esquema de maior proteção à zaga, mas deve lembrar que o adversário pouco perigo ofereceu, ainda mais quando desfalcado de seus jogadores mais perigosos (Keirrison e Pedro Ken). Terá trabalho para encaixar Jorge Henrique no time titular. Se Túlio recuperar a forma, essa formação com os três volantes e Carlos Alberto mais à frente, merece ser testada novamente. Errou ao escalar Edson e sequer relacionar Ferrero. Mas, quando da saída de Renato Silva, acertou ao colocar Thiaguinho e não o outro bonde, Bruno Costa. Nota 6
Renan