
C.Pereira
Enviado especial do Fogo Eterno a General Severiano!
Carlito Rocha foi, é e sempre será um dos maiores nomes em toda a história do Botafogo de Futebol e Regatas. O seu nome se transformou em lenda e, ainda que a imensa maioria dos torcedores jovens que amam o clube não consiga entender o papel que ele desempenhou, o certo é que o homem se transformou em mito e as histórias que sobre ele são contadas podem formar uma antologia, além de, naturalmente, encher de dúvidas os mais descrentes sobre a veracidade dos atos e fatos, a si atribuídos.
Muitos foram os cronistas de nomeada que escreveram sobre Carlito Rocha. Ao que me lembre, sem consultar os sites de busca, Armando Nogueira, Paulo Mendes Campos, Sandro Moreira, João Saldanha, Odemário Touguinhó, Luiz Mendes, Nelson Rodrigues e outros que não me ocorrem no momento. Em quase todos pairava o misto da fantasia dos sonhos com a realidade dos resultados. E, em todos, se mostrava a admiração pela figura emblemática do grande presidente, ou como alguém denominou “o grande timoneiro do Botafogo”, talvez querendo assemelhá-lo a Mao, na condução dos destinos da China.
Tudo isso é dito para relembrar o enorme acervo que Carlito Rocha legou ao Botafogo, em termos de administração, amor e, sobretudo paixão – quase loucura. Ele se identificou tanto com o clube que ao falar o seu nome, imediatamente se vincula ao alvinegro de General Severiano.

Pois bem, foi lá na antiga sede do Botafogo, exatamente na rua General Severiano que estive no último final de semana e, interessado em comprar algumas peças alvinegras para a minha coleção e para presentear alguns pequenos seres cujos pais insistem em fazê-los rubro-negros, dei de cara com uma preciosidade que não conhecia: um oratório com a imagem de Nossa Senhora da Conceição, construído em 1948 por Carlito Rocha e restaurado em 1994 na administração de Carlos Augusto Montenegro.
Eu, que acompanhei pelo rádio o campeonato carioca de 1948, inclusive o jogo final contra o Vasco, quando ganhamos de 3 x 1 e sabia das excentricidades de Carlito – a maior delas a escolha do célebre cachorrinho Biriba, alvinegro tanto quanto as camisetas oficiais do clube, como mascote do time, não conhecia a religiosidade de Carlito Rocha.
Agora está definitivamente explicado porque “há coisas que só acontecem com o Botafogo” e porque (quase) todo botafoguense é supersticioso. A raiz não está nos idos de 1910, quando o time ganhou o primeiro título. Quem começou tudo mesmo foi o grande, o inolvidável Carlito Rocha – provavelmente o maior botafoguense de todos os tempos que conseguiu juntar símbolos vivos com santos do céu e práticas não muito ortodoxas para um clube de futebol, sem esquecer, é claro, de ter um bom time em campo.
Saí de General Severiano feliz por saber que Carlito também buscou na crença religiosa um apoio para algumas providências que, aqui na terra, seriam necessárias e oportunas para ajudar o trabalho da Santa milagrosa. Como, por exemplo, espalhar uma providencial camada de pó de mico no vestiário do Vasco, no jogo decisivo do campeonato de 1948…

Bastante satisfeito com a descoberta que acabara de fazer na entrada do belo conjunto arquitetônico que, por muito tempo, abrigou a sede social do clube de coração, ainda tive o deleite de ver, à saída, já no canteiro central da avenida, a estátua do Manequinho esbanjando saúde e qual fonte histórica, jorrando água pura pelo canal natural, molhando rubro-negros, vascaínos e tricolores indistintamente, como a lembrar:
- Respeitem essa camisa alvinegra, afinal somos – novamente – os melhores do Rio de Janeiro!
Para terminar e voltando ao começo, evoco a fé de Carlito Rocha e faço uma simples oração, cheio de esperança:
- Valei-me minha Nossa Senhora da Conceição! Fazei com que essa fase tão boa do nosso time não acabe nunca. Amém!
C.Pereira é jornalista, alvinegro e devoto de Nossa Senhora da Conceição… e de São Carlito Rocha