
Quando o goleiro é o melhor em campo, e ele só fez duas intervenções em 90 minutos, é hora de acionar o alarme.
Mas de que adianta disparar o aviso de emergência? Quem irá nos socorrer? Olhem para o banco de reservas, o que vocês vêem ali? Nesse momento, como diriam os Titãs, só o acaso pode nos proteger.
A fase é de total desencanto: sem poder de reação, sem poder de decisão, sem raça, sem nada que desperte um mínimo de confiança no torcedor. Porque o único fato positivo do jogo desse domingo no Maracanã contra os RESERVAS do fluzinho foi não ter tomado gol. Mas isso se deveu quase que exclusivamente ao desinteresse do adversário na partida do que a méritos alvinegros. Tanto que, quando pressionaram um pouco (só um pouco) no primeiro tempo, eles criaram chances mais claras do que o bando botafoguense.
Sim, meus amigos: Ao contrário do bom primeiro tempo contra a Portuguesa (viram como é possível piorar?), dessa vez o Botafogo pediu para perder. Um bando desordenado, sem capacidade de criar nem de marcar. Se Geninhozinho pediu para o time chegar ao gol com as jogadas dos laterais, eles devem ter perdido essa parte da preleção. Pois Triguinho e Alessandro, que já não são tudo isso, hoje estavam abaixo da linha que separa os medianos dos medíocres.
E a “dupla de criação” formada por Lúcio Flávio e Carlos Alberto? Fizeram um autêntico rodízio: um sumiu no primeiro tempo, o outro nos 45 minutos finais. Assim, a gente não sentiu saudade dos dois ao mesmo tempo, o que demonstra a inteligência e eficiência dos dois “cérebros” do time.
E a “dupla ofensiva” formada por Wellington Paulista e Vanderlei? Além de lutarem com a bola e serem facilmente marcados, poucas vezes tive o desprazer de ver dois jogadores atuando no mesmo setor de campo sem demonstrar NENHUMA sintonia. Pelo contrário: chegaram a trombar algumas vezes. Parece que nunca treinaram juntos.
A bem da verdade, entre os 20 minutos e 30 do segundo tempo, o time conseguiu criar algumas jogadas perigosas. Mas, depois com as entradas de Túlio Souza e Fábio, o que já estava péssimo conseguiu piorar. Porque, além de tudo, com a saída de Alessandro, a ala direita virou uma avenida e o time desandou a disparar passes errados, muitos bisonhos, armando perigosíssimos contra-ataques para o tricolor. E o fluzinho só não ganhou a partida por uma questão de minutos.
Difícil é ter que concordar com o Renato Gaúcho quando ele afirmou após a partida: “Hoje o Botafogo ganhou um ponto”.
E antes que as cornetas mirem apenas uma pessoa, quero deixar bem claro o que penso.
Não, a culpa de mais uma péssima partida não é só do Geninho – que, ao menos, fez uma leitura lúcida no final e disse que “muitos jogadores estiveram muito abaixo das expectativas”, mas minimizou ao dizer que “Deu um apagão geral, hoje não foi um bom dia”. Não, Geninho, foi um PÉSSIMO dia. Mas que culpa ele tem se Carlos Alberto não acertou nada, se o Wellington consegue piorar a cada jogo e se o Túlio Souza se revelou um engodo, pois o que jogou até agora pelo Botafogo não é digno nem da série C?
Por isso, a partir de agora, as minhas expectativas mudaram. Campeão, Libertadores? Não me façam rir porque será um sorriso amargo, ainda mais quando lembramos de nossa posição na tabela no ano passado.
Com esse time e esse técnico, cada ponto conquistado daqui pra frente será um milagre – ainda mais quando se enxerga os próximos confrontos previstos na tabela. E se o Botafogo se sustentar fora da zona de rebaixamento até agosto, ganha tempo para fazer uma total transfusão de sangue para o returno.
Só assim, escaparemos ao final do campeonato do destino traçado pela música dos Titãs citada no início desse comentário: Epitáfio.
Como eles jogaram?
Castillo – Duas ótimas intervenções no primeiro tempo, salvou o time da derrota. No segundo tempo, só assistiu a partida. Deveria ser o capitão do time. Nota 7
Alessandro – Já deve estar negociado com a Grécia, pois voltou a ser o lateral nulo no apoio e dessa vez sem vibração. Nota 4 Foi substituído por Túlio Souza que, em menos de 2 minutos, deu um passe bisonho e uma entrada violenta punida com cartão amarelo. Depois, mais uma série de passes errados. Não quero nem saber quanto o Botafogo gastou com o passe desse rapaz para não ficar com mais raiva: dinheiro jogado fora. Nota 1
Renato Silva - Seguro e ligado no jogo, fez boas antecipações. Deu uma vacilada no final, quando o time caiu bruscamente de rendimento. Nota 6
Ferrero – Um pouco lento, ao menos demonstrou raça nas divididas e não dá vexame quando tem a bola nos pés e tenta arriscar passes ofensivos. Remendou os buracos deixados pelo meio-de-campo. Foi injustamente expulso no finalzinho da partida, ao matar um lance que poderia ter resultado no gol tricolor. Nota 6,5
Triguinho - Burocrático, sem capacidade ofensiva, ainda perdeu um gol por distração. Quando quem estava jogando bem começa a comprometer é que a coisa está ficando preta. Nota 3
Leandro Guerreiro – Muito mal no primeiro tempo, deixou os zagueiros perigosamente expostos. Até melhorou um pouco na segunda etapa, mas uma sucessão de falhas transmitiu novamente falta de confiança e de capacidade. Tem que ser um dos primeiros a entrar na fila da transfusão de sangue. Será que só joga com o Cuca? Nota 3
Túlio – Fazia uma partida razoável, participando das jogadas ofensivas e buscando o jogo, quando sentiu contusão. Nota 5 Foi substituído aos 35 minutos por Vanderlei, que, dessa vez, teve bastante tempo para mostrar que NÃO é opção ofensiva para o Botafogo: basta lembrar que, após um cruzamento na entrada da grande área, ele conseguiu cabecear de ombro (???) e depois pedir desculpas aos colegas. Nota 2
Diguinho - O rendimento do único volante que estava mantendo padrão de jogo começa a cair. Os passes errados no segundo tempo foram preocupantes. Nota 4
Lúcio Flávio - Demorei para reconhecer o óbvio, mas hoje você me convenceu: Não dá mais para te defender, Lúcio. Você não consegue ganhar uma jogada no mano-a-mano, nem do reserva do Fluminense, que te desarmou facilmente no segundo tempo. E só aparece atrás da bola na hora que o juiz marca uma falta. Nota 2
Carlos Alberto - Fez duas boas jogadas pelas laterais, e só. Dessa vez, nem vontade demonstrou. Muito, muito pouco para quem ganha R$ 300 mil, é elogiado pelo Mourinho e sonha em voltar ao futebol europeu. A pior partida pelo Botafogo. Nota 2
Wellington Paulista – Não está só de mal com o gol, mas também de mal com a bola. Desarmado facilmente, cruzamentos inúteis, nenhuma conclusão durante quase 80 minutos em campo. Desajeitado, fica em impedimento uma centena de vezes e ainda atrapalha algumas possibilidades de ataque. Parece o garoto que só joga a pelada porque é o dono do campo. Nota 1. Foi substituído por Fábio, que fez uma boa jogada e também protagonizou um dos lances mais ridículos da partida, quando agarrou a bola, à espera da marcação de falta, e o juiz marcou mão. Nota 1
Geninho - Após uma semana de treinamentos e sem desfalques (só Jorge Henrique, que de há muito não é indispensável), não há justificativas para que seu time tenha piorado em relação à partida contra a Portuguesa e desandado por completo. Só não foi facilmente derrotado pelas circunstâncias do adversário. Parece não ter capacidade para comandar nenhum tipo de reação. Mas, repito, não é o único culpado, e sim quem o escolheu. O Botafogo precisa, nesse momento, de um técnico enérgico e minimamente competente – não é o caso do atual treinador. Nota 3