Amigos rubro-negros já avisaram: caso seja consumada a saída de Caio Júnior, o flamengo partirá com armas e bagagens para a Vila Belmiro.
Querem Cuca na Gávea o mais rápido possível.
De preferência, já a partir do próximo domingo.
Amigos rubro-negros já avisaram: caso seja consumada a saída de Caio Júnior, o flamengo partirá com armas e bagagens para a Vila Belmiro.
Querem Cuca na Gávea o mais rápido possível.
De preferência, já a partir do próximo domingo.
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Duas vitórias para ficar na história
C.Pereira
Nesta incrível maré baixa do Fogão, valho-me da memória para buscar no baú de recordações duas vitórias históricas do outro Botafogo (o daqui da Paraíba) sobre o flamengo que jamais serão esquecidas pelos torcedores alvinegros. Eles que, aos montes, sofrem, choram e riem nos jogos dos dois fogos – o Fogão e o Botinha (epíteto carinhoso do Botafogo paraibano).
Foram dois resultados espetaculares obtidos pelo Botafogo Futebol Clube de João Pessoa sobre o todo-poderoso clube de regatas do flamengo em datas distantes no tempo e que se constituíram nos triunfos mais surpreendentes (e por isso mesmo mais consagradores) do humilde time paraibano contra o clube de maior torcida do país.
A um deles, eu tive a felicidade de assistir; o outro ouvi pelo rádio.
Em ambos, misturou-se a alegria – sendo botafoguense, aqui e no Rio - com o sabor especial de terem sido vitórias contra o grande rival de todas as épocas.
Em maio de 1954, no campinho do Cabo Branco, em João Pessoa, no domingo dedicado às mães, milhares de torcedores se acotovelaram nas acanhadas arquibancadas e junto ao alambrado que contornava o campo para ver o famoso time rubro-negro, líder do campeonato carioca (mais tarde se sagraria campeão, aliás bicampeão) e o Botafogo paraibano, enxertado com três jogadores do Auto Esporte, outro clube local.
De pé atrás de uma das metas, imprensado e agarrado ao alambrado, pude assistir a um grande jogo, vendo desfilar naquele pequeno estádio, jogadores de renome nacional como Dequinha, Rubens, Evaristo, Zagalo e o centro-avante Índio que, sendo paraibano, era dos mais festejados.
No final deu Botafogo 2 x 1 Flamengo, para gáudio da torcida botafoguense e tristeza dos rubro-negros presentes que não queriam acreditar no que dizia o placar de madeira do campinho do Cabo Branco. Foi a primeira grande vitória de Davi contra Golias – no sentido esportivo, é claro…
O segundo feito memorável do Botinha foi obtido em pleno estádio do Maracanã, no dia 6 de março de 1980, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro. O Flamengo, então com craques como Raul, Adílio, Junior e Zico baqueou ante os cabeças-chatas paraibanos que aplicaram uma sova nos rubro-negros, ganhando por 2 x 1, numa noite em que toda a cidade parou para ouvir a transmissão da partida pelo rádio e festejou, madrugada adentro, a grande vitória alvinegra paraibana.
E para rememorar os grandes feitos, é preciso registrar que, no jogo de 1954 (amistoso), o técnico do flamengo era Bria e o time jogou com Garcia, Tomires e Pavão; Servílio, Dequinha e Jordan; Joel, Rubens, Índio, Evaristo e Zagalo. E, em 1980, o flamengo (que se sagraria campeão brasileiro daquele ano e ganharia também o torneio mundial interclubes) jogou com Raul, Leandro, Rondinelli, Marinho e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Julio César. O técnico era o saudoso Cláudio Coutinho.
Diante de 25 mil rubronegros, o Botafogo venceu com Hélio, Nonato (Cláudio), Geraílton, Deca e Marquinhos; Magno, Nicácio e Zé Eduardo; Soares, Getúlio e Evilásio (Dão). O técnico era Caiçara e os gols que calaram o Maracanã foram marcados por Zé Eduardo e Soares.
Nota do Pereira: Menos de uma semana depois, o mesmo Botafogo obteve outra façanha, só que dessa vez dentro de casa: no Almeidão, ganhou do todo-poderoso Inter, dirigido por Ênio Andrade e com Batista e Mauro Galvão entre os titulares, também por 2 x 1. E esse jogo eu não esqueço, foi uma festa só… com vocês, de volta o Pereirão.
As vitórias em cima do flamengo foram duas conquistas inesquecíveis do Botafogo da Paraíba. Ficaram definitivamente incorporadas como dos maiores feitos na história do clube e que, por isso, merecem ser lembradas como jornadas gloriosas.
Não necessariamente nessa ordem, C.Pereira é jornalista e botafoguense – no Rio de Janeiro, na Paraíba e onde mais brilhar a estrela solitária.
Categorias: Histórias Gloriosas
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De qual clube estamos falando?
1. O time lidera, de forma isolada, o Brasileirão e a torcida já sonha com o título que não vê há muitos anos.
2. O time consegue vitórias empolgantes e, mesmo sem não ter ganho nenhum título, faz a torcida entrar em estado de euforia tão grande que já começa a cantar que “não é mole, não, esse time é melhor que a Seleção”.
3. O time fica revoltado com a influência da arbitragem no resultado de uma partida. A diretoria convoca a torcida para protestar em frente à sede da CBF. E se queixa de perseguição por parte do quadro de juízes da entidade, enumerando exemplos de lances em que o time foi prejudicado.
****
As respostas corretas, claro, são framengo, fluzinho e vasco. Mas só se as perguntas se restringirem à atual temporada.
Porque, voltando no tempo em apenas um ano, o Botafogo seria a resposta certa para todas as alternativas.
O Botafogo 2007 concentrou os três picos emocionais vividos por seus adversários cariocas em 2008. E, menos de um mês depois, ainda veio o episódio do doping de Dodô e, menos de dois meses depois, o vexame contra o River Plate.
Não foi pouco; foi intensidade demais para um só clube.
Uma combinação única de euforia, revolta, sonho e frustração que merecia ser analisada a fundo para que jamais aconteça novamente – ou não com tanta intensidade, a ponto de desestruturar o time na reta final da competição mais importante do ano.
E, pior, ainda nem começamos a estudar a lição para tentar aprender alguma coisa do momento mais marcante da história recente do Botafogo.
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Etiquetado: Botafogo, Botafogo 2007, flamengo, fluminense, vasco
O inesquecível gol de Maurício em 1989
C. Pereira
O último título de campeão carioca do Botafogo havia sido conquistado em junho de 1968, numa tarde memorável em que enfiamos 4×0 no todo-poderoso vasco, com direito a olé e show de bola – conforme foi dito aqui na semana passada.
Depois disso, foram intermináveis 21 anos de jejum, período em que o clube atravessou crises políticas, financeiras e técnicas com vários times que quase ninguém lembra.
Na noite de 21 de junho de 1989, o Maracanã recebeu um numeroso público - mas não tão grande quanto o do jogo final de 1968 a que me referi na semana passada. Era mais uma decisão de campeonato, o jogo foi contra o flamengo e o Glorioso obteve uma vitória histórica.
O placar foi 1x 0, gol de Maurício, até hoje lembrado pelos botafoguenses e contestado pelos rubro-negros (os mais idosos).
Dessa feita, eu não estava no Maracanã, ao lado dos quase setenta mil espectadores, divididos meio a meio (segundo os estatísticos de plantão), mas assisti ao jogo pela televisão aqui em João Pessoa, na casa do mano Zé Humberto e tendo à minha direita (como nos escritos bíblicos) um dileto amigo, apaixonado torcedor do flamengo com o qual, aliás, dividi alentadas doses do melhor uísque escocês.
O gol de Maurício – ainda hoje homenageado pelo feito – nasceu de uma jogada quase perdida, no segundo tempo. Mazolinha, que havia entrado no lugar de Gustavo, centrou e Maurício, com a ponta da chuteira, tocou de leve para o arco de Zé Carlos que nada pôde fazer.
Foi uma noite inesquecível. O jejum foi quebrado, os títulos voltaram a acontecer e, para valorizar ainda mais aquela conquista é bom que se registre: o flamengo tinha, no seu time titular, entre outros, Jorginho, Aldair, Leonardo, Bebeto e Zinho – todos titulares da seleção de 94, tetracampeã do mundo, além de Zico, o maior ídolo da história do clube.
O time do Fogão (bem mais modesto do que o adversário) foi campeão com Ricardo Cruz, Josimar, Wilson Gotardo, Mauro Galvão e Marquinhos; Vitor, Carlos Alberto e Luizinho. Maurício, Paulinho Criciúma e Gustavo (Mazolinha) que, principalmente pelo título obtido, passou a figurar na galeria dos melhores.
Todos sabem que o Botafogo é reconhecidamente um clube de superstições e sobre aquela partida, Valdir Espinosa que era o técnico, escreveu o texto que segue:
“Durante todo o campeonato estadual do Rio de Janeiro de 1989, em todas as preleções realizadas antes dos jogos, o Luizinho, meio campo titular daquele time, comparecia vestindo uma camisa do Nápoli que ele tinha ganhado de Maradona. Foi assim do primeiro jogo até o penúltimo. Sim, o penúltimo, pois no dia do jogo final contra o flamengo, antes de iniciar a palestra olhei para todos os jogadores e não encontrei a camisa azul do Nápoli. Não falei nada, olhei para o Luizinho, olhei para o restante do grupo e novamente para o Luizinho. Sorrindo, ele abriu a bolsa, pegou a camisa do Maradona e vestiu. Só aí comecei a preleção.”
E como há coisas que só acontecem com o Botafogo, é interessante anotar o reforço que conseguimos nos últimos dias, graças a um botafoguense convicto daqui de João Pessoa. Para melhorar o atual elenco (que é bem inferior a alguns do passado), estamos contando com o inestimável apoio do cachorrinho Perivaldo, para (quem sabe?) reviver os bons tempos de Biriba e Carlito Rocha.
Aliás, é fundamental que a diretoria do Fogão contrate o Perivaldo com urgência, antes que algum urubu queira pousar na sua sorte…
C.Pereira é jornalista e alvinegro, não necessariamente nessa ordem
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Amarelo-Mengo
Comédia dramática, 90 minutos, Co-produção Brasil/México, 2008.
Sinopse: Festa familiar se transforma, devido à insurgência de personagens coadjuvantes revoltados com a condição subalterna imposta pelo diretor, em uma jornada sem volta rumo ao desespero e à escuridão.
Crítica: Inteiramente filmado em única locação, Amarelo-Mengo manipula com maestria as emoções do espectador, em evidente sintonia com o cinema de Michael Haneke, Lars Von Trier e Monique Gardenberg (um dos atores principais, Obina Shok, foi recrutado enquanto comia acarajé no intervalo das filmagens de Ó-paí-ó).
O roteiro apresenta situações inverossímeis, como o fato de um dos protagonistas, justamente o mais experiente, aceitar a organização de uma festa de despedida antes de um momento de decisão, situação impensável na vida real. Há também cenas desagradáveis de violência, especialmente na segunda parte da fita. Mas o resultado final pode ser considerado envolvente, eletrizante e surpreendente. E já é sucesso de público: 50 mil espectadores logo na estréia.
Preste atenção: As cenas finais, de altíssima voltagem emocional, têm provocado controvérsia. Na primeira sessão, o público se dividiu: muitos caíram em prantos, como se assistissem a um dramalhão mexicano. Outros, mais distanciados, caíram na gargalhada devido ao desempenho patético dos protagonistas.
Curiosidade: Mal estreou no Brasil, o filme ganhará remake nos EUA com direção de David Lynch e título de Funny Game. “Quero enfatizar o aspecto surrealista da trama original, como se fosse um interminável pesadelo”, antecipa o cultuado cineasta.
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É inadmissível que um jornalista esportivo, teoricamente um profissional preparado para analisar e esmiuçar os aspectos do futebol que o leigo eventualmente não percebeu ao longo da partida, fale em público o que disse no SporTV o senhor Telmo Zanini após o final de flamengo x Botafogo.
“Sei não, dez anos de carreira e nenhum título, tô começando a achar que o Cuca é um azarado. Ele é pé-frio…”
Ora, seu Zanini, já que o máximo de análise que o senhor consegue formular é atribuir a perda do título estadual de 2008 ao “pé-frio” do treinador, uma sugestão: ceda seu lugar a um astrólogo, que dirá que o Botafogo perdeu por conta da “conjunção astral da Lua em Saturno”, a um numerólogo (para somar o número de letras dos nomes Joel, Obina e Tardelli), a uma mãe-de-santo, etc.
Deles a gente pode esperar esse tipo de “análise”, jamais de um jornalista esportivo.
Ou, se quiser comprovar a sofisticada tese, faça a seguinte experiência: entregue a Cuca o elenco inteiro (só titular não vale, tem que ser com os reservas também) de flamengo e Palmeiras. Desfalque o time adversário no primeiro jogo da decisão. Se, nem assim, o Cuca conseguir ser campeão, a sua teoria pode ter algum fundamento.
Se tem alguém azarado nessa história, é o telespectador que se deparou com tamanho absurdo – e num canal pago e especializado em esporte, pretensamente território exclusivo para profissionais qualificados.
Lição de domingo: o flamengo ganhou o título… e o futebol brasileiro ganhou uma nova Mãe Dinah.
Mãe Zanini, todo domingo no SporTV, ao seu dispor.
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Triste ironia…
O frangaço tomado pelo Bruno no primeiro tempo foi fundamental para a reação rubro-negra.
Pois, mais uma vez, o flamengo venceu graças às opções disponíveis no banco de reservas, acionadas no intervalo por conta da desvantagem no placar. Venceu por ter à disposição jogadores com “qualidade de definição”, como sintetizou Cuca. E pela desatenção mortal no lance que tinha sido alertado por Lúcio Flávio no intervalo da partida. “Agora temos que tomar cuidado com a bola parada”. Dito e feito.
No primeiro tempo, o Botafogo jogou bem. A defesa se mostrou segura, apesar da evidente inadaptação de Leandro Guerreiro à posição – foi por ali que Marcinho se criou e Ibson perdeu um gol incrível. Lúcio Flávio e Jorge Henrique procuravam jogo o tempo todo, mas faltava o último toque para Wellington Paulista, novamente bem marcado. Mas, para sair campeão em jogo assim, dada a diferença do nível das duas equipes, era preciso muito mais: era necessário, por exemplo, que Túlio e Diguinho também estivessem especialmente inspirados. E, dessa vez, nenhum dos dois (especialmente o primeiro) fez uma partidaça, daquelas que levam ao título. Muito pelo contrário: o primeiro dos volantes a ser substituído deveria ter sido Túlio, visivelmente intranqüilo.
(Não vou falar da atuação de Zé Carlos porque o desnível técnico dele em relação aos outros titulares fica evidente a cada erro de passe e cruzamentos. Já começo a questionar, num time devidamente reforçado, a necessidade de tê-lo no elenco)
Um dos clichês dos Semeadores do Óbvio é: “O time tomou um gol quando não poderia tomar!”. Nesse caso, a máxima pode ser aplicada. Porque, se o Botafogo segura a vantagem por 10, 15 minutos do segundo tempo, o desespero tomaria conta das hostes rubro-negras. Mas, como o gol saiu logo no início…
O título alvinegro foi perdido quando Obina, num levantamento na área após falta desnecessária de Diguinho, conseguiu uma cabeceada no meio de 32 alvinegros, entre eles Leandro Guerreiro, numa gritante falha de marcação. O Botafogo perdeu duas vezes: não só ficou novamente em desvantagem para o título mas teria que partir para cima do adversário. Ou seja: quem entrou no segundo tempo todo preparado para jogar no contra-ataque teve que, novamente, buscar o marcador e, com isso, deixar flancos abertos – risco mortal diante de um time com jogadores leves e de alta qualidade técnica, como Tardelli e Marcinho. Foi esse o momento que fez diferença a ”qualidade da definição” mencionada por Cuca.
Porque, do nosso lado, para reverter a desvantagem, tudo o que tínhamos oferecer era: “Fábio tocou para Felício, que tentou devolver para Fábio… corta a defesa rubro-negra”. Não é nada, não é nada; não é nada, mesmo. E a expulsão acertada de Renato Silva, por conta dos espaços deixados para o contra-ataque adversário, somente acelerou o desequilíbrio do time. Aí Jorge Henrique e Wellington sumiram por completo e não havia muito mais o que fazer, a não ser esperar o fim da partida. Enfim: saber perder.
“Nós chegamos no limite máximo”, afirmou Cuca, após a derrota. Ele tem razão. E foi na base da superação, por exemplo, que tiramos o favorito fluzinho das finais do Campeonato. Mas a superação não ganha todos os jogos. É preciso reforços.
Bola pra frente – fomos além do que se esperava no início do campeonato. Somos a segunda força do Rio, fato que não merece ser desprezado. Em breve, com um time reforçado, poderemos ser campeões.
Quinta-feira, estarei novamente torcendo pelo Botafogo. E você?
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A contagem regressiva do Fogo Eterno se aproxima do final.
E o domingo demorou, mas chegou!
Eis, acima, uma imagem que jamais esqueceremos.
Campeonato Carioca de 1989: Botafogo 1 x 0 Flamengo
Fácil, fácil: a maior emoção da vida deste torcedor alvinegro que vos escreve, que até então jamais tinha visto o seu time ser campeão. Maior até, dada as circunstâncias, do que a conquista do Brasileiro em 1995.
Como definiu um torcedor, “o gol de Maurício nos tirou do inferno”.
Tenho um amigo que, enlouquecido, invadiu o Maracanã e saiu de lá com um pedaço gigantesco do gramado. Guarda o bem precioso no fundo da estante, embalado cuidadosamente, a salvo de olhares invejosos.
Será que hoje ele vai invadir o Maracanã novamente?
foto:O Globo
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Etiquetado: Botafogo, Carioca, Decisão 1989, flamengo, Maurício
A biografia do Garrincha citada abaixo nas Páginas Alvinegras é sensacional, mas a capa sempre me incomodou por ser uma imagem melancólica do ídolo, já nos últimos dias.
Por isso, o Fogo Eterno inicia a contagem regressiva para domingo com a reprodução desse quadro do artista plástico carioca Rubens Gerchman, que retrata em cores fortes o momento da jogada maior do Mané: o drible. E prestem atenção na camisa do adversário que ficou para trás…
Quem sabe o Jorge Henrique, ao olhar essa imagem, não se inspira e parte para cima dos urubus?
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“O Campeonato Carioca de 1961 ia mesmo começar e Paulo Amaral armara um senhor ataque no Botafogo: Garrincha, Didi, Amoroso, Amarildo e Zagalo.
Com ele, a torcida botafoguense ingressou numa longa temporada no nirvana. Os adversários iam sendo derrubados um a um. Já no fim do primeiro turno, quando o Botafogo livrou de uma diferença de seis pontos sobre a concorrência, a torcida passou a estender faixas no Maracanã com a frase `Nunca foi tão fácil ser campeão´- e ainda havia meio campeonato pela frente. Cada jogo era uma festa.
Botafoguenses há muito incógnitos ou dados como mortos saíram de suas tocas. As arquibancadas do Maracanã tornaram-se um ponto de encontro. General Severiano passou a ser freqüentado como se fosse o Country Club. E, domingo após domingo, a torcida saboreou a proximidade do título.
O Botafogo atravessou invicto 22 jogos e, por uma dessas coisas que só aconteciam com ele, foi ser campeão na única partida em que perdeu: para o américa, por 2 x 1, na antepenúltima rodada (…). Duas rodadas de antecedência – nas quais ainda derrotaria o flamengo e o vasco, para salgar a terra já arrasada.
Aquele campeonato marcaria o início da epopéia do Botafogo como o time da moda, que dominaria o Rio pelos anos seguintes e condenaria os seus adversários a um amargo inferno astral. E com um estilo que lhe seria bem característico: misturando futebol, literatura e café-society. Artistas, intelectuais, grã-finos e políticos, todo mundo de repente era Botafogo.
O Botafogo não cabia mais no Maracanã”
Trecho (cuidadosamente selecionado, dada a ocasião) de Estrela Solitária – Um Brasileiro Chamado Garrincha (Companhia das Letras, 1995) , a definitiva biografia do Mané, assinada por Ruy Castro. Ah, o autor, por incrível que possa parecer, é rubro-negro.
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Não, o título dessa nota não tem nada a ver com as estripulias de Ronaldo & Seus Amigos Travestidos.
Na verdade, é uma referência ao fato de o Cuca ter deixado no ar a possibilidade de formar o ataque alvinegro com o trio Jorge Henrique-Fábio-Wellington Paulista.
Não se sabe se essa formação entrará em campo logo no primeiro tempo, mas faz sentido testá-la em coletivos até o jogo. Porque, se o gol não sair nos primeiros 45 minutos, o nosso treinador terá que mexer para tornar o time mais ofensivo. E, para isso, melhor treinar todas as opções de jogo disponíveis do que chegar na hora e ter que depender, por exemplo, de um milagre – como um lampejo criativo de Adriano Felício.
Categorias: Decisão Campeonato Carioca
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Bem, Amigos da Rede Mengo!
Quero começar meu programa de hoje dizendo que eu estou muito preocupado. Preocupado e indignado! Como é que o meu time do coração vai jogar no México, a menos de uma semana da final do Campeonato Carioca? Ora, o desgaste de uma viagem de avião dessa magnitude é incalculável! Ficamos sentados durante doze horas, sem cair na farra, isso a mais de 10 mil metros de altitude! Está na hora de nosso presidente Márcio Brega entrar com recurso na Fifa e exigir que as aeronaves com a delegação rubro-negra só voem na altitude de urubu, a 30 metros do solo… Sobre esse assunto, eu quero ouvir logo na abertura o Rubro-Mengo Profissional. Você concorda comigo, RMP?
- Claro, Rubrueno! E digo mais! Já falei com meu amigo Kleber Dente-de-Leite…
- RMP, eu sei que esse assunto faz seu coração Rubro-Mengo Profissional bater mais forte, mas se controle! O programa é meu. Mas como sou um cara legal, vou deixar todos vocês falarem daqui a pouquinho: cada um terá 17 segundos para concordar comigo!
- Mas Rubrueno, eu não resisto! Inclusive eu tenho uma informação privilegiada, que me foi passada em segredo por um conselheiro anônimo alvinegro, o Charles Borer: o Cuca vai deixar o Botafogo na véspera da final para treinar a Seleção de Andorra, que tentará uma vaga nas eliminatórias da Eurocopa. É proposta irrecusável, hein?
- Se segura, Rubro-Mengo! Depois a gente fala do adversário! Agora temos que nos unir para conseguir o adiamento da decisão de domingo para o dia 23 de outubro de 2047, quando os nossos guerreiros estarão, enfim, plenamente recuperados do desgaste dessa viagem tão cansativa! E o risco de uma contusão no Free Shop? Aquelas sacolas são perigosíssimas, ainda mais cheias de perfumes! E alô, Dente-de-Leite: Alguém tem que vigiar o Obina, senão ele vai se empanturrar de acarajé com guacamole! Isso é sério, gente! Afinal, é o Brasil na Libertadores, gente! E o Brasil é todinho rubro-negro…
(Silêncio no estúdio. Voz embargada, Rubrueno respira fundo)
- É, não adianta. A emoção fala mais alto nessas horas… Daqui a pouco tem atração musical, só que eu esqueci quem é… (consulta as fichas). Zeca Pagodinho e Beth Carvalho juntos cantando o “Ninguém Cala”? Ah, que pena, não vai dar, nosso tempo está estourado hoje. Produção, manda uma van levá-los até o Engenhão…
- Agora, sim! Vamos falar da decisão do Estadual do Rio de Janeiro. Todo mundo vai poder comentar, mas os rubro-negros falam primeiro; se sobrar tempo, os outros dizem qualquer coisa. Mas antes eu queria pedir para passar as imagens do primeiro jogo…
(De olho no monitor, acompanha atentamente os lances da partida)
- O Zé Roberto fez uma partidaça, não? Ah, desculpa, é o Zé Carlos! Claro, o Zé Roberto ficou de fora, tomou o terceiro cartão, não foi, José Roberto Wrong?…
- Foi, sim. Suspensão justíssima, inclusive passível de punição com cartão vermelho, ele e os outros dez jogadores botafoguenses… nesse momento! Não, recua um pouco a imagem… Agora, sim, nesse momento! Ops, também não foi agora…
- Muito bem, Wrong! Depois a gente aciona o tira-teima. Agora eu quero ouvir o canto das torcidas no Maracanã, que fazem um espetáculo bonito, o espetáculo das famílias…
Tu és time de travecão
Vai pra motel fuleirão
Que papelão…
Eu nunca me esquecerei
Onde estiver gritarei
Seu boiolão…
- Essa música tá diferente…
(presta atenção na letra).
- Não, essa eu não gostei, não! Não era essa música combinada, Mário Jorge, era para colocar a do chororô! Assim vocês querem me derrubar, seus traíras! Rubro-Mengo Profissional, faz alguma coisa!
- Olha, Rubrueno, fiquei sabendo também que o Botafogo terá um outro desfalque para domingo: Wellington Paulista recebeu uma proposta irrecusável para retornar ao Juventus. Vai trocar General Severiano pela Rua Javari antes mesmo da final. E quero ver a diretoria alvinegra desmentir!
- Enfim, uma boa notícia! Obrigado, Rubro-Mengo, por isso que você não pode faltar aqui no nosso programa! Agora eu quero ouvir a opinião isenta de um outro comentarista… É você mesmo, meu amigo Sênior Capacete! Um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos, ganhou duas Copas do Mundo!
- Não, Rubrueno, eu nunca ganhei nem uma, quanto mais duas Copas…
- Desculpa, Sênior, te confundi com o Nilton Santos! E vou dizer uma coisa: realmente, o Nilton ganhou dois Mundiais, mas você ganhou muito mais! Você ganhou a simpatia do Brasil inteiro quando resolveu virar cantor! “Voa, urubuzinho, voa…”
- Não, Rubrueno: era “Voa, canarinho, voa…”
- Tanto faz, Sênior! Deixa esse negócio de Copa do Mundo de lado e vamos falar de coisa mais importante. Você não acha que essas invenções, digo, informações do RMP, da saída do Cuca para a Seleção de Andorra e do Wellington Paulista para o Juventus, podem causar um sério desequilíbrio emocional no Botafogo?
- Sim, Rubrueno, vou te falar uma coisa que eu andei pensando…
(suspense)
- Além de ser um time instável emocionalmente e só saber jogar no contra-ataque, o Botafogo não tem peças de reposição.
- Eles não têm peças de reposição?!
(mais suspense)
- Sim, então a vantagem é toda nossa, Rubrueno!
- É verdade, Sênior! Como é que eu não pensei nisso antes? Que análise brilhante! Só peço quando você se referir ao flamengo não falar “nós”. Porque senão o pessoal pode achar que a gente tem alguma preferência e isso não é verdade: aqui somos todos profissionais…
(muda de câmera)
- Vamos fazer o seguinte? Daqui a pouco, a gente volta a falar de futebol. Futebol, não, que isso não tem nada a ver com o futebol. Isso é crime! Não tem outra palavra para definir essa situação dramááááááática do flamengo no México! É um ab-sur-do! Atenção, senhores parlamentares da Comissão de Direitos Humanos do Congresso Nacional! São cidadãos ilibados, profissionais exemplares, gente de caráter, esqueci alguém? Ah, o Souza e o Toró… bem, esses autênticos heróis brasileiros estão sendo submetidos a todo tipo de infortúnio, dor e sofrimento longe de sua terra natal!
(pensativo)
- Presidente Lula, não seria a hora de acionar o Alto Comissariado das Nações Unidas?
(Expressão desanuviada depois do desabafo, Rubrueno deixa escapar um sorriso orgulhoso)
- Agora eu quero falar de um outro esporte que está mobilizando todo o povo brasileiro. É isso mesmo, amigo, a temporada 2008 da Stock Car está de arrepiar! Que festa bonita! Inclusive tem um piloto diferenciado, não é, Reginaldo? O garoto tem talento no sangue…
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De volta a 1957
C.Pereira
Essa rivalidade que existe hoje entre torcedores do Botafogo e do flamengo, aguçada principalmente nos últimos anos, era bem mais amena no século passado. Em alguns casos, e não foram poucos, os dois clubes se deram as mãos para enfrentar o inimigo comum – o todo-poderoso vasco da gama, de Eurico Miranda, sobretudo quando Caixa D’Água reinou na Federação.
Repasso, de memória, a história da vinda do Honved, da Hungria ao Brasil, no começo de 1957, que bem demonstra a união que existia, à época, entre o Fogão e o mengo.
O Honved, então considerado o melhor time de futebol do mundo, era a base da seleção da Hungria, cujo futebol encantou o planeta naquela década. Na Olimpíada de Helsinki, em 1952, foi campeã e na Copa de 1954 , depois de vencer a Alemanha por 8×3 na fase inicial, se viu derrotada por 3 x 2 na final pelo time germânico, mas saiu da competição como a seleção que se apresentou melhor.
Pois bem, o Honved estava a disputar a Copa dos Campeões da Europa quando, na Espanha, recebeu a notícia de que o exército soviético tinha invadido Budapest, com o propósito de sufocar a resistência húngara à ocupação do seu território pelas tropas do Pacto de Varsóvia. O novo governo húngaro, sob as ordens de Moscou, ordenou que o Honved retornasse a Budapest e fez com que a FIFA (sempre política) proibisse de o clube continuar seus jogos já programados, inclusive uma excursão ao Brasil.
Enfrentando a FIFA e a então CBD, flamengo e Botafogo, responsáveis pelo convite ao Honved, resolveram topar o desafio e trouxeram o time magiar que jogou, no Brasil, cinco partidas: três contra os rubro-negros, uma contra os alvinegros e a última contra um combinado flamengo-Botafogo.
Na sua estréia, no Maracanã, perante 113 mil pessoas, o Honved foi goleado pelo flamengo por 6×4, placar que devolveu ao rubro-negro, cinco dias depois jogando no Pacaembu, em S. Paulo. Voltando ao Rio , jogou contra o Botafogo no Maracanã e venceu por 4 x 2. Enfrentou o Flamengo na chamada “negra”, a quem venceu por 3 x 2.
O último jogo do Honved, no Brasil, foi no dia 7 de fevereiro de 1957, contra o combinado Botafogo/flamengo. Lá estive, no Maracanã com mais de 60 mil torcedores que vibraram com a goleada que os brasileiros impuseram aos húngaros – 6 x 2, com um show particular de Garrincha que, apesar de só ter marcado um gol, deu uma aula de futebol.
Nesse dia, Botafogo e flamengo se deram as mãos e, se não falha a memória, jogaram cada tempo com a camisa diferente (ou todo o jogo com a camisa da seleção carioca). Para se ter idéia do poderio do time húngaro, basta citar alguns dos seus integrantes: o extraordinário goleiro Grosics, o zagueiro Baniay, o meio de campo Boszik, os dianteiros Kocsis e Czibor, o ponta-esquerda Lanthos, além do lendário Ferenc Puskas considerado, á época, o melhor jogador de futebol do mundo.
O Combinado Bota-fla atuou com Amaury (B), Bob (B), Pavão (f) e Nilton Santos (B); Pampolini (B) e Bauer (B) ; Garrincha (B), Didi (B) Evaristo (f), Dida (f) e Paulinho (f).Os gols foram de Dida (2), Didi (2), Evaristo e Garrincha.
Desse combinado, um ano depois, Nilton Santos, Garrincha, Didi e Dida foram titulares da seleção brasileira, campeã do mundo, na Suécia.
Eis aí, um tempo em que flamengo e Botafogo andaram de mãos dadas…
C.Pereira é jornalista e alvinegro, não necessariamente nessa ordem
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MISTÃO DO FOGÃO PERDEU NOS DETALHES
Sou chato mesmo… Quem disse que Adriano Felício merece vestir a camisa do Botafogo? Jogamos taticamente muito bem, mesmo sem quatro titulares e o Zé Carlos só passeando no gramado.
Mantenho o otimismo, desde que o (in)Felício não fique nem no banco. Fique em casa, com o seu PlayStation 3.
Depois do jogo de domingo, estou confiante para o Brasileirão. Por que?
Torcida potente + Treinador bom + Time unido = Vitórias…
Vieira
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Etiquetado: Botafogo, Carioca 2008, flamengo
Os Semeadores do Óbvio, aqueles especialistas em generalidades que não conseguem elaborar uma frase sobre o Botafogo sem mencionar as expressões ”toque de bola envolvente” e “instabilidade emocional”, estavam ontem com a corda toda. Dois singelos exemplos:
CENA I
Sérgio Noronha, analisando o primeiro tempo alvinegro: “O Botafogo marca muito, chega muito ao gol”.
Túlio, no intervalo: “Nosso time não está bem: o nosso jogo não está encaixando, estamos deixando o flamengo jogar”
Pano rápido.
CENA II
Júnior Capacete: “Com essa vantagem do flamengo, o Botafogo terá que mudar sua forma de jogar na próxima partida. Terá que partir para cima. Não vai poder ficar esperando o adversário e jogar no contra-ataque…”
Fogo Eterno: Em 99,7% das partidas de 2008, o Botafogo jogou da mesmíssima maneira: marcou no campo adversário, garantiu o domínio territorial ao ganhar o meio-de-campo e teve maior posse de bola. Por isso, quase sempre chegou ao gol ainda no primeiro tempo. Ou seja: tomou a iniciativa da partida. Só passou a jogar no contra-ataque depois de abrir o marcador.
E eles são pagos para isso…
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Etiquetado: Botafogo, flamengo